Como parte do contexto da experiência, o conceito de exposição na arquitetura está estreitamente ligado à percepção. Compreender a jornada do/a usuário/a, reconhecer as propriedades e características de cada elemento e revelar a metodologia por trás de seu funcionamento são aspectos vitais do processo de projeto e desenvolvimento desses espaços. De equipamentos, mobiliário e obras de arte a materiais e tecnologias de construção, a arquitetura e o design de interiores demonstram um potencial criativo cada vez mais significativo para desenvolver soluções que fundem perspectivas históricas, paisagísticas e sociais.
Fundado em 1870, o Metropolitan Museum of Art — carinhosamente conhecido como The Met — é um dos museus mais importantes e visitados do mundo, abrigando mais de dois milhões de obras que abrangem cinco milênios da história humana. Localizado no coração de Nova York, junto ao Central Park, o museu é celebrado por suas coleções vastas e diversas, que vão da arte do Antigo Egito a mestres europeus e obras contemporâneas. Pinturas, esculturas, documentos, artefatos históricos e peças multimídia compõem um acervo que exige soluções de exposição meticulosamente planejadas para garantir tanto a preservação quanto a comunicação eficaz de seu valor histórico e artístico.
Em 2021, o The Met lançou um de seus projetos mais ambiciosos: a renovação da Ala Michael C. Rockefeller, dedicada às Artes da África, das Américas Antigas e da Oceania. Com um investimento de 70 milhões de dólares, a iniciativa engloba uma reorganização curatorial, orientada por uma abordagem mais regional e histórica, além de intervenções arquitetônicas. A modernização das galerias inclui melhorias na iluminação natural, aprimoramentos de acessibilidade e a incorporação de sistemas museográficos contemporâneos, projetados para otimizar a conservação e a experiência interpretativa do público visitante.
Em toda a China, um legado de imensas estruturas industriais encontra-se desativado, como resultado direto da transição econômica do país para novas formas de indústria. Esses edifícios caracterizam-se por sua altura colossal e robusta capacidade estrutural. Atualmente, representam um desafio arquitetônico para a renovação urbana contemporânea e um novo campo de debate para a preservação do patrimônio. À medida que são absorvidos pelo crescimento das cidades, arquitetos e arquitetas têm o desafio de transformá-los em ativos funcionais de uso público. Diante disso, intervenções recentes vêm tirando proveito de elementos marcantes, como fornos e chaminés, para reposicionar esses complexos monumentais como marcos urbanos fundamentais.
Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se um risco crescente para a saúde. O ruído ambiental, ou seja, o ruído proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos, não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, cada vez mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Como o desenho urbano e as estratégias de arquitetura podem ajudar a prevenir esse cenário?
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Segundo Lugar: Branch. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Howard Waterfall Retreat, um desafio internacional de projeto desenvolvido em estreita colaboração com o Howard Family Trust. O concurso convidou arquitetos/as e designers a proporem um refúgio familiar multigeracional inserido em uma paisagem florestal de propriedade privada no noroeste da Pensilvânia, centrado na presença marcante das quedas d'água Howard Falls e do desfiladeiro circundante.
Em vez de prescrever uma solução arquitetônica única, o programa enfatizou um diálogo cuidadoso entre arquitetura e natureza. Solicitou-se aos/às participantes que considerassem como um refúgio poderia equilibrar a vida compartilhada e a privada, responder à topografia íngreme e aos sistemas hídricos, e integrar-se de forma sustentável em um ambiente ecológico sensível. O projeto também pedia uma interpretação do legado familiar, incentivando os/as designers a reconhecer a história do local e do chalé de verão original, ao mesmo tempo em que imaginavam um refúgio capaz de evoluir ao longo das gerações.
Os materiais podem carregar memória. Mais do que simplesmente dar acabamento a um espaço, eles são capazes de ancorá-lo, moldar sua atmosfera e conectar os interiores a narrativas culturais e materiais mais amplas. Alguns/as arquitetos/as e designers exploram técnicas locais, recursos naturais e tradições artesanais para equilibrar a preservação cultural com a funcionalidade moderna, introduzindo contexto e profundidade. Não se trata necessariamente de um retorno ao passado, mas sim de uma reinterpretação do conhecimento herdado para criar uma arquitetura que ressoe com as necessidades contemporâneas.
A relação sinérgica entre o projeto arquitetônico e a descoberta científica costuma ser pouco abordada, embora represente uma proposta altamente promissora. O ambiente construído possui um imenso potencial para apoiar avanços em pesquisa, inovação e a comunidade científica. Essa influência vai além dos espaços físicos, abrangendo tanto a dinâmica interna quanto o engajamento externo por meio de intervenções estratégicas de projeto que conectam diferentes esferas de impacto, desde pesquisadores/as individuais até a comunidade em geral.
A cobertura de palha é uma técnica construtiva tradicional que vem sendo reinterpretada de diversas maneiras em projetos contemporâneos, permitindo que seu valor continue a perdurar ao longo do tempo. Além de ser uma técnica cultural e historicamente valiosa, dada a sua presença na humanidade há séculos, ela também apresenta uma série de outras vantagens construtivas, como seu grande valor ambiental por se tratar de um material renovável e acessível.
A técnica consiste no agrupamento, entrelaçamento e sobreposição de vegetação seca, criando superfícies leves, de baixo custo e execução relativamente simples, que proporcionam excelente isolamento térmico e acústico. Ademais, a flexibilidade é uma das características mais marcantes dessa técnica, sendo particularmente popular em aplicações de cobertura.
À medida que os bairros urbanos continuam a evoluir, o design desempenha um papel fundamental em moldar como os edifícios respondem à urbanização, às demandas funcionais e ao caráter de seu entorno. Interligados, esses elementos orientam a transformação da vida urbana e influenciam como os novos empreendimentos se relacionam com seu contexto — uma dinâmica claramente visível no Central District de Seattle. Considerado há muito tempo um polo histórico da comunidade afro-americana da cidade, o projeto Africatown Plaza propõe uma abordagem abrangente que integra o desempenho arquitetônico com a ressonância comunitária, utilizando o envelope do edifício como principal meio de expressão.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143076/sistemas-de-fachadas-metalicas-com-ressonancia-comunitaria-o-caso-do-africatown-plazaEnrique Tovar
Nos últimos anos, a arquitetura tem adotado cada vez mais a adaptabilidade, a flexibilidade e a responsividade como princípios fundamentais de projeto. Essa evolução reflete uma transição das noções tradicionais de estruturas estáticas e permanentes para ambientes dinâmicos que conseguem se ajustar a necessidades e condições em constante transformação. No cerne dessa transformação está o conceito de "arquitetura maleável", que utiliza materiais flexíveis e sistemas inovadores para criar espaços funcionais, sustentáveis e centrados nas pessoas. A arquitetura maleável ganha forma por meio de membranas que respiram, fachadas que se movem, estruturas que inflam ou se dobram e superfícies que se curvam em vez de quebrar. Isso envolve projetar para a transformação — não apenas no desempenho ambiental do edifício, mas também em como ele pode acomodar funções dinâmicas, interações de quem o utiliza ou ocupações temporárias. Essa abordagem construtiva contesta as noções tradicionais de durabilidade e controle, propondo, em contrapartida, uma arquitetura mais responsiva e de caráter aberto. Isso reflete uma consciência crescente de que os edifícios, assim como as sociedades que atendem, precisam ser capazes de evoluir.
"Os limites da nossa linguagem de projeto são os limites do nosso pensamento de projeto". A declaração de Patrik Schumacher sugere sutilmente uma mudança em curso no ambiente construído, que vai além da mera integração tecnológica para incorporar a inteligência nos espaços e cidades que habitamos. O futuro aponta para a possibilidade de os edifícios desempenharem funções que vão além de abrigar a atividade humana, passando a participar ativamente na configuração da vida urbana.
Na Índia, o tijolo como material de construção carrega memória, significado e modernidade. Dos tijolos cozidos e alinhados da Civilização do Vale do Indo aos intrincados jaalis de tijolo que decoram residências, edifícios públicos e marcos urbanos, o legado do material está profundamente enraizado na identidade arquitetônica do subcontinente. No entanto, ninguém moldou a narrativa do tijolo na arquitetura indiana moderna com tanta eloquência quanto Laurie Baker.
VARID: Um Kit de Ferramentas de RA-RV para Design Inclusivo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Na última década, o projeto de arquitetura baseou-se em métodos bidimensionais de representação, como elevações, cortes e plantas baixas, combinados com renderizações digitais de modelos 3D. Embora essas ferramentas sejam essenciais para transmitir a geometria e a intenção projetual, elas continuam limitadas por seu formato bidimensional. Mesmo as renderizações mais realistas, criadas em softwares como SketchUp, Revit ou AutoCAD, ainda achatam o espaço e distanciam o observador da experiência vivenciada de um projeto. Recentemente, arquitetos/as começaram a explorar tecnologias imersivas como uma forma de encurtar essa distância entre o desenho e a experiência, oferecendo novas maneiras de habitar e avaliar propostas espaciais.
Como é possível alcançar o bem-estar emocional no âmbito público? Qual é o papel dos espaços públicos na promoção do bem-estar urbano? Considerando que as práticas esportivas podem constituir um componente vital na geração de espaços públicos saudáveis, a prática do skate, uma das atividades urbanas mais reconhecidas em nível global, representa uma alternativa na construção de oportunidades para o desenvolvimento físico, recreativo, social, cultural e também profissional de múltiplas gerações.
A Buildner divulgou os resultados do Morocco Oasis Retreat Competition, um concurso internacional de projetos que convidou arquitetos/as, designers e urbanistas a conceberem um oásis autossustentável no deserto marroquino. Os/as participantes tiveram como tarefa projetar uma intervenção arquitetônica que respondesse ao clima extremo da região, integrando abrigo, estratégias de conservação de água e eficiência energética.
O concurso incentivou a exploração de como a arquitetura pode promover a resiliência em ambientes remotos, inspirando-se tanto em técnicas construtivas tradicionais quanto em princípios modernos de sustentabilidade. Os/as concorrentes tiveram flexibilidade para definir a escala e o propósito de seus projetos. Entre as principais premissas estavam estratégias de resfriamento passivo, gestão de recursos e integração com a paisagem desértica. O prêmio destaca o papel da arquitetura na criação de espaços funcionais e sustentáveis em contextos desafiadores. Detalhes completos sobre os projetos vencedores estão disponíveis no site do Morocco Oasis Retreat Competition.
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Geração de conceito arquitetônico alimentada por IA. Imagem cortesia do AIRI Lab
À medida que as ferramentas de inteligência artificial avançam sobre as indústrias criativas, a arquitetura se depara com um momento decisivo: como adotar sistemas que ampliem o pensamento de projeto sem desgastar a autoria ou o ofício. Para compreender como a profissão está reagindo, o AIRI Lab realizou uma pesquisa com designers e lideranças de escritórios como LWK+P, MVRDV, Gensler, Büro Ole Scheeren, CUBE, HUAYI, entre outros. Suas respostas revelam uma visão nuançada e pragmática: a IA atua como colaboradora, e não como um substituto.
Profissionais de arquitetura hoje atuam em múltiplos universos: desde o design de mobiliário, paisagismo e quadras urbanas até a criação de cenários cinematográficos, fotografias e vídeos. Restauram e realizam o retrofit de edifícios antigos em vez de construir do zero, ao mesmo tempo em que escrevem, pesquisam e publicam. Alguns/as projetam espaços virtuais para videogames ou especulam sobre habitats no espaço sideral e subaquáticos. Outros/as se engajam diretamente com a sociedade por meio da política, do ativismo ou de projetos comunitários. Muitos/as experimentam com a biologia, testam novos materiais e assumem o papel de cientistas. Ao descolonizar narrativas antigas e descarbonizar a indústria da construção, e ao entrelaçar paixões pessoais com desafios sociais e ambientais urgentes, esses/as profissionais expandem o escopo da profissão e tensionam seus limites.
Diante de tantas transformações na profissão, especialmente nos últimos anos, cabe perguntar: como o papel do/a arquiteto/a está evoluindo em resposta às crises globais e às mudanças nas necessidades da sociedade? De que maneiras a interdisciplinaridade pode expandir o escopo e o impacto da prática arquitetônica? E quais habilidades que vão além do projeto tradicional estão se tornando essenciais para esses/as profissionais no mundo de hoje?
No extremo sul de Viena, um conjunto de terraços monumentais ergue-se sobre a paisagem urbana, com varandas escalonadas repletas de vegetação em cascata e coberturas coroadas por piscinas. Trata-se do Wohnpark Alterlaa, um dos projetos de habitação social mais ambiciosos da Europa do pós-guerra. Projetado pelo arquiteto austríaco Harry Glück e construído entre 1973 e 1985, o complexo fundamentou-se em um princípio provocativo: a habitação municipal não deve apenas fornecer abrigo acessível, mas também oferecer os prazeres e as comodidades normalmente reservados aos mais ricos.
Com mais de 3.000 apartamentos que abrigam quase 9.000 residentes, Alterlaa foi concebido como uma cidade dentro da cidade. Paralelamente às suas torres residenciais, o complexo incorpora lojas, escolas, serviços médicos e instalações culturais, garantindo que a vida cotidiana possa se desenrolar inteiramente dentro de seus limites. O projeto reflete um momento de otimismo na política urbana de Viena, quando a habitação era entendida como infraestrutura para o bem-estar coletivo, e não como mercadoria.
Na construção civil, cada tarefa requer ferramentas específicas e cada necessidade, uma solução particular. Aspectos como a tipologia do edifício, os requisitos construtivos, a geração de resíduos, os tempos de execução e o contexto influenciam diretamente a qualidade e a complexidade da obra, o que torna fundamental basear as decisões de especificação nesses fatores. Os métodos tradicionais podem dificultar o processo devido à sua rigidez e limitações, tornando necessário recorrer a abordagens mais eficazes e flexíveis que se adaptem às demandas específicas de cada projeto. Isso é comum em obras residenciais, hotéis e hospitais, onde a rapidez e o desempenho são essenciais. Nesses casos, as soluções leves e a seco —que utilizam placas de Volcanita ou fibrocemento sobre estruturas metálicas leves— representam uma alternativa eficaz e de alto desempenho, melhorando a funcionalidade e, consequentemente, a experiência do/a usuário/a.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142752/guia-para-especificar-solucoes-construtivas-sustentaveisEnrique Tovar
Formuladores/as de políticas urbanas e incorporadores/as qualificam, cada vez mais, seus projetos como temporários, testando parques temporários, instalações artísticas e estruturas provisórias em cidades de todo o mundo. Essas iniciativas costumam ser apresentadas como intervenções experimentais voltadas à ativação de terrenos ociosos. Na prática, contudo, elas frequentemente funcionam como estratégias provisórias para gerir terras subutilizadas até que formas mais lucrativas de desenvolvimento se concretizem. O rótulo do temporário funciona como uma camuflagem urbana, ocultando agendas permanentes sob uma retórica provisória.
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Vencedor do Primeiro Prêmio: Edge of presence. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do Re-Form: New Life for Old Spaces, um concurso internacional de ideias que investiga o reuso adaptativo de edificações existentes em pequena escala. O certame convidou profissionais de arquitetura e design a propor transformações de estruturas usadas, abandonadas ou negligenciadas com uma área de implantação aproximada de 250 metros quadrados, localizadas em qualquer parte do mundo. Sem terreno ou programa predefinidos, estimulou-se a busca por alternativas à demolição e a novas construções por meio de estratégias de reuso fundamentadas em preocupações sociais e ambientais contemporâneas.
Por ser um concurso de formato aberto, o Re-Form priorizou a sustentabilidade, a viabilidade e o impacto comunitário em detrimento de restrições formais ou tipológicas. As propostas enviadas variaram de inserções urbanas precisas a intervenções rurais mais especulativas, refletindo uma ampla gama de abordagens no trabalho com o tecido preexistente. Muitos projetos focaram em como espaços limitados e, frequentemente, marginais poderiam ser reativados para viabilizar novas formas de uso coletivo, respondendo simultaneamente a condicionantes materiais, climáticas e ecológicas.
Por muito tempo, a arquitetura foi entendida como uma atividade essencialmente individual, dependente da figura de um gênio criativo e centrada na habilidade de resolver problemas por meio do desenho. Com o tempo, essa imagem começou a se desgastar. O protagonismo outrora concentrado em poucos nomes atingiu seu auge na era dos *starchitects* e, gradualmente, passou a se distribuir entre escritórios, coletivos e equipes multidisciplinares. Hoje, profissionais da arquitetura expandem suas fronteiras para outros campos, como gastronomia, música, design e o ambiente corporativo, aplicando o pensamento espacial para enfrentar desafios de diversas naturezas. À medida que as crises sociais, ambientais e políticas se aprofundam, o papel do/a arquiteto/a continua a evoluir, deixando de lado a autoria solitária para se consolidar em uma atuação baseada na mediação, no ativismo e na agência coletiva de transformação. Essa mudança reflete um despertar ético e o reconhecimento de que o projeto, a regulamentação e o cuidado são dimensões indissociáveis da prática contemporânea.