Past, Present, Future é um projeto de entrevistas do Itinerant Office que convida arquitetos e arquitetas de destaque a compartilharem suas perspectivas sobre o constante avanço do mundo da arquitetura. Cada entrevista é dividida em três partes em vídeo: Passado, Presente e Futuro, nas quais os/as convidados/as discutem suas trajetórias e visões profissionais. A primeira edição do projeto contou com 11 profissionais da Itália e dos Países Baixos, enquanto a segunda reúne entrevistas com 13 arquitetos e arquitetas da Espanha, de Portugal, da França e da Bélgica.
Este projeto de entrevistas busca analisar escritórios de sucesso para compreender seus métodos de trabalho. Os vídeos oferecem um panorama claro sobre o significado de exercer a arquitetura no século XXI, servindo de inspiração para a nova geração de arquitetos e arquitetas, bem como para estudantes que ingressam na área.
Stéphane Beel é um arquiteto contemporâneo flamengo e fundador do escritório Stéphane Beel Architects. Formado em arquitetura pela Universidade de Gante em 1980, Beel desenvolveu e realizou uma série de projetos impressionantes na Bélgica através de sua firma homônima. Entre suas obras destacam-se a sede do FNG Group, a clínica de psiquiatria UZ Gasthuisberg e o projeto de uso misto Kanaal, implantado em uma antiga área industrial.
Paralelamente à sua prática individual, Beel trabalha em estreita colaboração com Lieven Achtergael, com quem divide a sociedade no escritório Beel & Achtergael Architects.
Passado:
Beel relembra sua primeira encomenda logo após sair da universidade e como essa experiência deu início à sua carreira profissional.
GIANPIERO VENTURINI : Você poderia descrever brevemente o marco mais importante no início da sua carreira e o que o levou a decidir estudar arquitetura e seguir essa profissão?
STÉPHANE BEEL: Depois de me formar, eu não queria ir para um grande escritório; queria aprender por conta própria. Foi um pouco bobo, porque, obviamente, sempre se aprende com os outros. No entanto, eu lia muito e buscava referências em outras fontes. Como precisava ganhar dinheiro, acabei aceitando o projeto de uma residência pequena. Perguntei aos clientes: “Posso construir esta casa sozinho?” e eles concordaram. Como não sou pedreiro, não assentei os tijolos um a um, mas atuei como um construtor intuitivo usando os materiais disponíveis. Naquele momento, trabalhei na obra com minhas próprias mãos. Para mim, a Arquitetura era algo grandioso, com "A" maiúsculo. Trabalhei de macacão, preparando o concreto. Quando a obra ficou pronta, recebemos um prêmio importante, o que impulsionou o início da minha carreira. Senti que precisava ser muito rigoroso e fazer as coisas por mim mesmo, por isso nunca dependia de ninguém. Além da necessidade financeira, foi por isso que concluí o projeto. Eu simplesmente pensava em fazer tudo sozinho, e logo depois novas encomendas começaram a surgir.
Presente:
Beel discute a organização de seu escritório e a dinâmica colaborativa com sua equipe.
GV: Há algo específico que caracterize a organização ou o método de trabalho do escritório?
SB: Minha equipe sabe como lido com os imprevistos e o acaso; eles sabem que eu adoro o acaso. É preciso valorizá-lo, refletir sobre ele e transformá-lo em algo positivo. Eles conhecem meus trabalhos anteriores, entendem nossa forma de atuar e vêm trabalhar conosco com esse intuito. Compreendem o caminho que seguimos, mas também sabem contestá-lo para propor coisas novas. Para cada encomenda, o/a arquiteto/a encarregado/a assume a responsabilidade pelo projeto e se reúne com o cliente, seja sozinho/a ou comigo. Ele/a acompanha todo o processo, do início ao fim.
Futuro:
Beel reflete sobre como a tecnologia irá apoiar e influenciar a arquitetura no futuro. Ele também aborda a relação entre o local e o global, e como essa dinâmica se aplica à disciplina.
Past, Present, Future — Capítulo "Futuro" da entrevista com Stéphane Beel, realizada pelo Itinerant Office. GV: O que você diria sobre o futuro da arquitetura?
SB: Hoje em dia, temos que lidar com muitas transformações, e as mudanças estão acontecendo de forma cada vez mais rápida. Enfrentamos exigências tecnológicas crescentes a cada momento, e a tecnologia precisa ser nossa aliada. Ela nos ajuda a analisar tudo ao nosso redor, o que exige mais especialistas para tratar de questões cada vez mais específicas. Devemos focar tanto na escala urbana quanto na global, pensando globalmente e agindo localmente. Trata-se de compreender o cenário mundial e agir de forma adequada. Essas ferramentas tecnológicas podem nos ajudar a melhorar as cidades. Não construímos apenas por meio de edifícios; por exemplo, em Antuérpia, temos uma via de contorno e argumentam que precisamos fechá-la devido a uma série de problemas prejudiciais à população. Penso que essa discussão está vinte anos atrasada. Seria muito melhor investir em soluções de futuro, tornando os carros mais inteligentes, ou talvez daqui a vinte anos nem tenhamos mais carros, mas sim veículos voadores. É possível que passemos a projetar edifícios cujos acessos fiquem no topo, e não na base. Precisamos refletir sobre todas essas possibilidades simultaneamente.
Concepção do projeto: Itinerant Office
Curadoria: Gianpiero Venturini
Vídeo: Luca Chiaudano
Tradução: Lu Yang
Este artigo foi escrito por Milly Mo. A tradução é gerada por IA.
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