Cidades contemporâneas e assentamentos urbanos se manifestam como estruturas intricadas que exigem reflexão profunda e uma abordagem cuidadosa. Os modelos sociais e layouts espaciais estão em constante evolução, transformando-se ao longo do tempo. Nesse contexto, surge uma pergunta crucial: qual é o modelo predominante para as cidades hoje? Muitas cidades contemporâneas resultam de um paradigma que atingiu seu apogeu no século XIX, caracterizado pela densificação intensiva e urbanização em resposta a necessidades que nem sempre refletiam seus habitantes.
Em alguns casos, devido às transformações vivenciadas pelas grandes cidades, certos setores urbanos caíram em desuso, tornando-se espaços residuais ou afastando-se de propósitos orientados para o desenvolvimento comunitário. Reconhecendo que as pessoas são a força motriz por trás das dinâmicas das cidades e assentamentos humanos, é imperativo reivindicar esses espaços. Para isso, abordagens teóricas como a proposta por Henri Lefebvre do direito à cidade e a cidade dos 15 minutos são apresentadas como alternativas. Nesses casos, as pessoas retomam o foco, tornando-se elementos-chave no design e permitindo o restabelecimento de um vínculo comunidade-pessoa-espaço.
https://www.archdaily.com.br/pt/1012514/reativando-espacos-publicos-residuais-com-projetos-liderados-pela-comunidadeEnrique Tovar
A arquitetura informal é o modo dominante de urbanização em cidades de rápido crescimento e industrialização em todo o mundo. Em Délhi, cidade com a maior população da Índia, metade de seus moradores vive em assentamentos informais. Lagos, na Nigéria, com uma população de mais de 22 milhões, também tem 60% de seus moradores vivendo em assentamentos informais. Esse padrão também é observado no Cairo, Johannesburg, Kinshasa e outras cidades do sul global que enfrentam desafios semelhantes de desigualdade e escassez de moradias. À medida que sua população cresce e a urbanização avança, a exploração da arquitetura informal para atender à demanda por moradias acessíveis e serviços básicos só aumentará.
A biblioteca de projetos da ArchDaily é gerenciada por nossos curadores, que buscam constantemente enriquecer nossa seleção com as obras mais interessantes, evidenciando enfoques e critérios distintos e inclusivos. Este ano, começamos a destacar as escolhas de nossa equipe de curadoria na conta do ArchDaily no Instagram, onde nossos curadores lançam luz sobre alguns projetos que abordam temas interessantes e características únicas.
Locais bonitos com vistas incríveis ao longo das orlas de grandes cidades são frequentemente negligenciados devido aos vestígios industriais de uma economia passada baseada no transporte marítimo e manufatura. A transição desses setores econômicos e o potencial desses locais têm levado à adaptação desses espaços para uso público. Enquanto algumas cidades optaram por demolir e começar completamente do zero, a transformação do Brooklyn Bridge Park na orla marítima da cidade de Nova York incluiu a preservação de parte de seu caráter industrial. No livro "Brooklyn Bridge Park", os arquitetos do escritório Michael Van Valkenburgh Associates discutem seu processo projetual que incorporou a materialidade e as estruturas existentes dos píeres para contar a história do lugar.
Comunidades locais vão além de simples conjuntos de edificações e infraestrutura. Elas carregam consigo um caráter arquitetônico distinto, refletindo sua história, cultura e valores. Nossa revisão anual aprofunda-se nas narrativas mais marcantes que exploram a identidade arquitetônica de diversas comunidades locais.
Essas histórias abordam uma variedade de temas, desde territórios geográficos singulares, assentamentos culturais, marcos icônicos até colaboração comunitária e planejamento urbano socioecológico. Através dessas narrativas, desvendamos as fascinantes histórias por trás das construções e espaços públicos que dão forma a cidades e vilarejos específicos.
Anne Lacaton and Jean-Philippe Vassal. Image Courtesy of Philippe Ruault
O Museu Sir John Soane anunciou o escritório francês Lacaton & Vassal como vencedor da Medalha Soane 2023. O prêmio reconhece o trabalho do escritório ao longo de mais de três décadas. Por meio de uma abordagem de projeto honesta, o escritório se tornou conhecido pelo aproveitamento eficiente de materiais e estruturas existentes, priorizando as necessidades dos moradores e das comunidades locais. Por essas mesmas qualidades, o escritório foi também reconhecido com o Prêmio Pritzker 2021.
O século XX marcou uma mudança definitiva no campo da arquitetura, à medida que o movimento modernista rompeu com os estilos tradicionais de construção e encorajou a experimentação e inovação. Com a ajuda de novos materiais e tecnologias, essa época representa um momento crucial na história da arquitetura, já que tanto as cidades quanto as técnicas de construção evoluíram em um ritmo sem precedentes. No entanto, muitas estruturas – que até hoje permanecem como testemunho – estão perto de completar cem anos de idade. O design austero dessas estruturas nem sempre são acolhidas pelo público, enquanto os princípios funcionalistas muitas vezes dificultam a adaptabilidade dos seus espaços interiores. Considerando que muitas vezes ocupam posições centrais dentro da cidade, há uma pressão crescente para demolir essas estruturas e reconstruir essas áreas completamente.
Diante da iminente crise climática e da busca pela sustentabilidade, os conceitos de renovação e reutilização surgiram como estratégias cruciais na busca pela descarbonização na indústria da arquitetura. Esses princípios pregam que criar novas estruturas pode ser sustentável, mas incentivam os arquitetos a minimizar sua pegada ecológica reativando e reciclando recursos existentes. Este ano, projetos inovadores alinhados a esses temas foram exibidos como parte da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia. O objetivo principal deste evento de renome mundial é servir como uma plataforma para arquitetos, designers e pensadores abordarem coletivamente a sustentabilidade, a descarbonização, a conservação de recursos e o futuro da indústria.
House in Kashiwa / Yamazaki Kentaro Design Workshop. Image Courtesy of Naoomi Kurozumi Architectural Photographic Office
Semelhante a um camaleão que muda de cor para se misturar com seu ambiente, a arquitetura deve constantemente evoluir e se adaptar às demandas em mudança. Há algumas décadas, as casas costumavam ser associadas apenas à vida privada e ao descanso, enquanto os espaços de trabalho eram exclusivamente projetados apenas para isso: trabalho. Era comum que cada uso fosse separado em seu próprio quarto, tornando espaços fechados e rígidos a norma padrão para os arquitetos seguirem. Isso é, é claro, até que novos padrões de vida e trabalho tenham borrado essas fronteiras para responder às tendências contemporâneas.
O escritório Henning Larsen divulgou um projeto de requalificação para a zona industrial de Bolzano. A proposta visa restaurar e reconectar parte da cidade através de estratégias de reuso adaptativo, mineração urbana e construção em madeira. O projeto transformará a área em um novo distrito chamado Ponte Roma Quartier, um bairro convidativo e multigeracional que priorizará o uso misto como uma solução para a crise habitacional da cidade.
O escritório de arquitetura Parabase foi selecionado para desenvolver uma série de lotes da Areal Walkeweg, na Basileia, visando criar um edifício de habitação social integrado a um centro migração. A solução arquitetônica, intitulada "Elementa", reutiliza componentes de projetos desconstruídos, transformando as antigas colunas e lajes de piso em paredes e elementos de fachada. O projeto foi escolhido a partir de um concurso aberta, em que o júri elegeu a solução da Parabase pela sua forte estética aliada ao reuso criativo de elementos pré-fabricados de concreto.
Cortesia de 180 Degrees Design Studio | The Fabric
À medida que o panorama da arquitetura e do desenvolvimento urbano se adapta ao clima contemporâneo, a noção tradicional de construção tem sido significativamente modificada e ajustada. Em especial, princípios de reutilização, reciclagem, reuso adaptativo e o potencial de transformar estruturas existentes em algo mais significativo e sustentável têm ganhado bastante força. Ao observar esta seleção de projetos não construídos, torna-se possível explorar uma nova maneira de encarar os edifícios e o patrimônio, de forma consideravelmente mais sensível ao ambiente construído.
Dos austeros edifícios de escritórios no Reino Unido à proposta de reativação de um arranha-céu em Ostrava, esses diversos contextos narram histórias de resiliência, inovação e um profundo compromisso com o patrimônio construído existente. Ao propor um novo olhar sobre as preexistências, as propostas defendem conceitos de reuso adaptativo e ativação espacial.
Com base em Teerã, e Nova York, a ASA North surge como exemplo de uma prática arquitetônica focada na maleabilidade e adaptabilidade. Selecionada na iniciativa Novas Práticas ArchDaily 2023, a ASA North está na vanguarda da fusão entre arquitetura e arte. O ArchDaily teve a oportunidade de entrevistar Ahmadreza Schricker, seu fundador, e conversar sobre sua carreira e prática.
Ahmadreza Schricker é um arquiteto cuja jornada foi moldada por seu trabalho com Herzog & de Meuron e seu tempo com o renomado OMA. Seu estúdio ASA North, é conhecido pela premiada reutilização adaptativa do Museu de Arte Contemporânea e Centro Cultural Argo, uma antiga destilaria que foi premiada no ciclo Aga Khan 2020-2022. O projeto é um testemunho do trabalho que a ASA North realiza, aproximando lacunas entre passado e futuro, tradição e contemporaneidade. A entrevista também vai além da ASA North, explorando sua empresa irmã, ASA South. Baseada no mundo virtual, a ASA South desafia limites convencionais e reimagina a prática arquitetônica na era digital.
Eva Prats e Ricardo Flores iniciaram sua prática arquitetônica em Barcelona, criando o escritório Flores & Prats Arquitectes em 1998, após terem trabalhado no escritório de Enric Miralles, entre 1993 e 1994. Após um período de nove anos trabalhando com Miralles, Eva ganhou um concurso internacional chamado EUROPAN III com um amigo. Esse prêmio resultou em uma comissão real que seria efetivamente construída e marcou o início de sua carreira independente. Pouco depois, eles venceram outra competição. Ricardo se uniu a Eva. Nesse momento, eles já eram um casal há três anos e decidiram iniciar uma colaboração profissional conjunta. Hoje, trabalham em um amplo apartamento onde antes o estúdio original de Eva alugava um quarto, quando compartilhavam o espaço com outros jovens arquitetos e designers. Embora o escritório agora ocupe todo o espaço disponível, empregando de dez a doze pessoas, eles mantêm traços e memórias dos antigos locatários vivos. Curiosamente, Eva e Ricardo também aplicam a mesma estratégia em seus projetos arquitetônicos.
Pelo 18º ano, o International Architecture Awards celebra realizações arquitetônicas excepcionais em todo o mundo, de edifícios a projetos de planejamento urbano e arquitetura paisagística. Realizada em Chicago, a premiação ecoa os objetivos da Bienal de Arquitetura de Chicago (CAB 5) e lança luz sobre o que há de mais inovador na arquitetura, design e cultura dos países participantes.
Desde 2005, este programa anual serve como plataforma para celebrar a arquitetura contemporânea, acreditando no potencial da arquitetura para melhorar a qualidade de vida das pessoas. A edição deste ano premiou projetos de 48 países.
A estrutura foi originalmente construída para sediar partidas internacionais e domésticas de críquete. Na década de 1950, o Clube de Críquete de Ahmedabad recebeu um terreno de 67.000 metros quadrados para construir um Estádio de Críquete. Ele foi o primeiro campo de grama do país e testemunhou a realização da primeira partida de críquete na Índia. O SVP é um lugar significativo para a comunidade do críquete no país, pois tem sido um berço de talentos e tem contribuído para o desenvolvimento de jovens jogadores de críquete. Vários jogadores lendários da Índia também jogaram no estádio.