Filmes vêm sendo estudados por arquitetos e outros profissionais interessados no campo da arquitetura e urbanismo por oferecerem uma perspectiva mais sutil e responsiva de nossa disciplina, nos informa o arquiteto e professor finlandês Juhani Pallasmaa. A partir de suas particularidades técnicas e estéticas, o cinema pode ir além da simples representação e ser um poderoso meio de transmissão de ideias e conceitos ligados à arquitetura e o espaço urbano.
Como o próprio prefixo indica, o pós-modernismo marca um desvio no curso da história, confirmando a disposição dos críticos em conceituar esse novo momento com base na negação do movimento anterior. O pós-modernismo surgiu na década de 1960 como uma antítese do movimento moderno. Ocupando-se de questionar a formalidade, a austeridade e a falta de variedade da arquitetura moderna, particularmente do estilo internacional de Le Corbusier e Mies van der Rohe, o pós-modernismo defende uma arquitetura repleta de signos e símbolos que, por sua vez, comunicam valores culturais. Diante da padronização, no pós-modernismo há uma exaltação das diferenças, combatendo a dita monotonia e fomentando a valorização dos diferentes contextos sociais nos quais estavam inseridas as obras.
A exposição Anything Goes? Da Berlinische Galerie relata como um pós-modernismo global e contraditório se enraizou em ambos os lados do Muro de Berlim na década de 1980. Florian Heilmeyer, em seu texto originalmente publicado na Metropolis, discute a ambiciosa exposição que consegue olhar simultaneamente para os dois lados da cidade alemã da época.
O modernismo pode ser descrito como um dos momentos mais otimistas da história da arquitetura, um estilo inovador inspirado por pensamento e idéias utópicas que finalmente reinventou nossos espaços de vida e trabalho, assim como a maneira como as pessoas se relacionavam entre si e com o ambiente construído. Conforme expusemos em nosso artigo AD Essentials Guide to Modernism, a filosofia moderna ainda permanece vigente no discurso arquitetônico contemporâneo, mesmo que as condições específicas que deram origem ao movimento moderno na arquitetura no início do século passado, já não tenham mais nada que ver com o mundo em que vivemos hoje.
Ao nos despedirmos do ano que marcou o centenário da Bauhaus, compilamos uma lista dos principais estilos arquitetônicos que definiram o modernismo na arquitetura. Como uma ferramenta para entender o desenvolvimento da arquitetura ao longo do século 20, esta lista tem como principal objetivo apresentar um panorama completo sobre os desdobramentos do modernismo para além de seu contexto teórico.
Nº 1 Poultry, o emblemáticoedifício tomabdo como Grau II* em Londres, projetado por James Stirling, abriu suas portas como o 28º espaçoda WeWork em Londres. A obra-prima pós-moderna serve agora como um espaço WeWork para 2.300 membros,abrigando também lojas, um jardim no terraço e um restaurante.
Robert Venturi (1925-2018) foi um dos mais influentes arquitetos americanos do século passado, não apenas por sua obra construída, nem tampouco por seu trabalho como designer. Neste sentido, ele jamais alcançará o patamar de Wright, Kahn, ou até mesmo Gehry. Entre 1965 e 1985, ele e sua parceira, Denise Scott Brown, provocaram o nascimento de uma nova perspectiva no mundo da arquitetura, transformando a maneira com que percebemos nossas cidades e paisagens, assim como Marshall McLuhan, Bob Dylan e Andy Warhol foram responsáveis por profundas transformações no mundo da arte, da música e da cultura durante o mesmo período.
Trabalhei com Bob Venturi durante a minha formação como arquiteto durante os anos 70; Cresci lendo seus livros e visitando as suas obras. Para mim Bob foi como um pai. Meu pai era apenas um ano mais novo que ele, e Denise tem a mesma idade da minha mãe.
https://www.archdaily.com.br/pt/903399/robert-venturi-e-as-complexidades-e-contradicoes-que-transformaram-o-mundo-da-arquiteturaMark Alan Hewitt
Minha cabeça, sem dúvida, é difusa e dispersa. Compara elementos distintos da arquitetura, marcados por momentos distantes, os lê e os contempla com paixão e intensidade. Não me resta dúvida que a leitura do protagonista deste artigo deu forma não somente aos meus pensamentos, mas também aos de muitos outros. Morre Robert Venturi, aos 93 anos, uma figura importante e uma referência central para a arquitetura.
E qual é o motivo disso? Venturi escreveu o livro Complexidade e Contradição na Arquitetura, cujas ideias apresentaram uma ótica impactante para toda a disciplina. No livro, Venturi se dedica a explicar uma frase de Rennie Mackintosh: "Há esperança no erro honesto, nenhuma na perfeição congelada do mero estilo".
Tschumi's Parc de la Villette . Imagem Cortesia de The Architectural Review
“Desconstrutivismo” (embora a palavra não conste no dicionário da língua portuguesa), poderia ser entendido como a desmontagem ou demolição de uma estrutura construída, seja por razões estruturais ou como um ato subversivo. Muito além do significado literal da palavra, o fato é que a grande maioria das pessoas, inclusive os arquitetos, mal sabem o que é realmente o desconstrutivismo.
Efetivamente, desconstrutivismo não foi um estilo de arquitetura. Muitos menos pode ser considerado um movimento de vanguarda. Não possui um conjunto de “regras” específicas ou uma estética consensual e também não foi um movimento de revolta contra os paradigmas da arquitetura moderna. Desconstrutivismo poderia ser traduzido como uma provocação, uma incitação à explorar diferentes possibilidades e uma liberdade formal ilimitada.
O projeto previa uma reforma radical no térreo, adotando um embasamento mais transparente que retirava o revestimento de pedra original. Além disso, o projeto pretendia também instalar uma parede de vidro em frente ao elemento mais importante da arquitetura original, o enorme arco na entrada principal do edifício.O projeto foi amplamente criticado, como no vídeo de Robert A. M. Stern ou ainda pelo docomomo ou pela organização change.org.
https://www.archdaily.com.br/pt/899706/departamento-de-preservacao-de-nova-iorque-paralisa-projeto-de-reforma-do-at-and-t-proposto-pelo-snohettaNiall Patrick Walsh
A ampliação da Ala Sainsbury da Galeria Nacional, desenvolvida pelo escritório Venturi Scott-Brown (1991) nasceu de um embate entre os neo-modernistas e os tradicionalistas que passaram grande parte da década anterior discutindo sobre a direção das cidades britânicas. O local da extensão tornou-se um dos campos de batalha mais simbólicos da arquitetura britânica, uma vez que uma campanha para interromper seu redesenvolvimento com um esquema Hi-Tech de Ahrends Burton Koralek levou à recusa desse projeto em 1984.
Qual edifício é melhor, o pato ou o galpão decorado? Mais importante, que tipo de arquitetura o americano prefere? Em seu seminal livro de 1972, Aprendendo com Las Vegas, Denise Scott Brown e Robert Venturi investigaram essas questões, voltando as costas para o modernismo paternalista em favor da brilhante, ostensivamente kitsch e simbólica Meca do urbanismo espraiado, Las Vegas. De um encontro casual na Biblioteca de Belas Artes da Universidade da Pensilvânia a algumas viagens de estudo em conjunto para Las Vegas - descobrir os detalhes ocultos do romance e da cidade que definiram o pós-modernismo é o tema do mais recente episódio do podcast 99% Invisible.
Iniciaram-se os trabalhos de desmonte da fachada do icônico edifício de Michael Grave em Portland como parte do projeto de US$195 milhões que poderá fazer o edifício perder seu lugar no Registro Nacional de Sítios Históricos dos EUA.
O argumento, elaborado pelo historiador de arquitetura Charles Jencks na introdução de seu novo livro Postmodern Design Complete, de que os estilos pós-modernos nunca realmente deixaram a arquitetura parece mais preciso que nunca. O movimento do final dos anos 1970 que começou como uma reação aos cânones utópicos do modernismo retomou fôlego dentro do campo profissional, definindo o momento presente na cultura arquitetônica.
Isso levanta uma importante questão: qual é o movimento atual da arquitetura? E o que veio na sequência do pós-modernismo? Se é que houve algo, foi um grito lamurioso de "chega de pós-moderno", seguido por uma onda recente de "salve o pós-moderno", muito bem exemplificada pela recente movimentação para preservar o edifício AT&T de Philip Johnson da remodelação proposta pelo Snøhetta. Até Norman Foster se pronunciou, dizendo que embora nunca tenha sido um entusiasta do movimento pós-moderno, compreender sua importância na história da arquitetura. O pós-modernismo está retornando com todas as suas citações e o espalhafato que lhe são característicos.
Devido ao cenário político constantemente agitado e aos recorrentes tumultos socio-econômicos, o povo eslovaco esteve repetidamente desprovido de liberdade ao longo de sua história. Após à Primeira Guerra Mundial, a Eslováquia foi um dos países forçados a fazer parte do então Estado Comum da Checoslováquia, a qual seria posteriormente invadida e desmembrada pelo regime nazista em 1938 para finalmente ser incorporada pela União Soviética em 1945 [1]. A arquitetura eslovaca durante o período socialista é uma manifestação única do pós-modernismo que celebra a intensa industrialização do país na época.
O fotógrafo de arquitetura Stefano Perego fez uma extensa documentação da singular arquitetura eslovaca do período compreendido entre os anos 60 e 80 e compartilhou o resultado com o ArchDaily.
Enquanto o exterior da icônica torre da AT&T da Philip Johnson aguarda seu destino em uma próxima audiência pública em Nova Iorque, a demolição de seu saguão revestido de granito já começou.
Citando o fato de que o saguão já havia sido alterado na década de 1990 - incluindo a remoção da estátua "Golden Boy" - quando a AT&T deixou o edifício para dar lugar à Sony Corporation, a Comissão de Preservação decidiu no mês passado que os interiores do lobby não mereciam o status de patrimônio.
Esperávamos que ele retornasse no começo dos anos 2000. Foi celebrado na exposição “Postmodernism: Style and Subversion, 1970 – 1990” no Victoria & Albert Museum em Londres no ano de 2011. Agora, mais do que nunca, depois de ouvirmos pela enésima vez sobre uma possível "retomada do pós-moderno", finalmente podemos afirmar: o termo "pós-modernismo" voltou para ficar. Embora a expressão esteja na moda no mundo da arquitetura, seu significado não é suficientemente claro para a maioria das pessoas. Na verdade, ela vem sendo utilizada para se referir aos mais variados significados: arquitetos tem usado o termo "pós-moderno" para definir projetos "na moda", alguns críticos a utilizam para descrever tudo o que é colorido demais, ao passo que alguns teóricos a têm usado para afirmar que, conceitualmente, a arquitetura foi subjugada à tecnologia ou ao seu puro formalismo, transformando-se em nada mais que uma caricatura de seus pressupostos valores morais.
Concordando com isso ou não, precisamos todos refletir sobre o que atualmente significa o "pós-modernismo" na arquitetura. Afinal, se voltamos a utilizar com frequência um dos termos mais mal interpretados e contraditórios já introduzidos em nosso campo, devemos ao menos ter consciência de seu real significado.
O Pós-modernismo está de volta, ao que parece, e o establishment arquitetônico tem sentimentos mistos sobre isso. Este revival vem se formando há algum um tempo. Em 2014, a Revista Metropolis criou uma “Lista” dos melhores edifícios pós-modernistas em Nova York que haviam sido negligenciados pela Comissão de Preservação da cidade e que, portanto, correm o risco de serem alterados ou destruídos. No ano passado, a lista de James Stirling na cidade de Londres iniciou uma discussão sobre o valor dos edifícios pós-modernistas da Grã-Bretanha a partir da década de 1980, na medida em que atingem a idade em que são elegíveis à listagem de preservação pelo Patrimônio Histórico. Mais recentemente, Sean Griffiths, co-fundador da antiga prática de arquitetura FAT (Fashion Architecture Taste), advertiu contra o avivamento pós-modernista, argumentando que um estilo que prosperou em ironia poderia ser perigoso em uma era de Donald Trump, quando a sátira parece não ser mais um instrumento político eficaz. O debate parece estar pronto para continuar, já que, no próximo ano, o museu John Soane em Londres planeja uma exposição dedicada ao pós-modernismo.
Alvo de um grande projeto de renovação que poderá alterar significativamente sua presença na escala do pedestre, o ícone pós-moderno de Philip Johnson, o 550 Madison (antigamente chamado de AT&T Building), passou na primeira etapa do processo de tombamento de Nova Iorque.
Recentemente, uma aplicação de tombamento do edifício foi aprovada unanimemente pela Comissão de Patrimônio e Preservação da cidade. Em alguns meses, a comissão organizará um foro público para discussão sobre o edifício, seguido por uma deliberação que dirá se a torre merece ou não o status de patrimônio.