Alvo de um grande projeto de renovação que poderá alterar significativamente sua presença na escala do pedestre, o ícone pós-moderno de Philip Johnson, o 550 Madison (antigamente chamado de AT&T Building), passou na primeira etapa do processo de tombamento de Nova Iorque.
Recentemente, uma aplicação de tombamento do edifício foi aprovada unanimemente pela Comissão de Patrimônio e Preservação da cidade. Em alguns meses, a comissão organizará um foro público para discussão sobre o edifício, seguido por uma deliberação que dirá se a torre merece ou não o status de patrimônio.
Nossa. Por onde começar? Meu primeiro impulso foi apenas seguir em frente e pensar, talvez, que um arquiteto bem sucedido e pensador da arquitetura apenas quis publicar um artigo tão dispéptico. É, afinal de contas, um padrão comum: os jovens brincalhões do passado, assim que suas costas começaram a recurvar, transformam-se em professores acadêmicos por conta de sua experiência adquirida. Tudo é apenas parte do ciclo geracional normal que mantém uma cultura avançando. Algo comum.
Neste ensaio escrito pelo arquiteto e acadêmico britânico Dr. Timothy Brittain-Catlin, a noção de pós-modernismo britânica - atualmente muitas vezes referida como intimamente ligada ao trabalho de James Stirling e o pensamento de Charles Jencks - é trazida à luz. Suas verdadeiras origens, argumenta, são mais historicamente enraizadas.
Cresci em uma bela casa vitoriana com alvenarias ornamentadas, com forma de frontões "holandeses" e belos vitrais do período arts and crafts - então eu não pensei na época, e eu não acho agora, que eu tinha muito a aprender com Las Vegas. Acontece que eu não era o único. Dos arquitetos britânicos que fizeram seus nomes como pós-modernistas na década de 1980, nem um único diria agora que eles devem muito a Robert Venturi, arquiteto americano amplamente considerado um avô do movimento.
Na década de 1960, James Stirling perguntou a Ludwig Mies van der Rohe por que não ele ainda não havia concebido visões utópicas para novas sociedades, como a Broadacre City de Frank Lloyd Wright ou Cité Radieuse de Le Corbusier. Mies respondeu que não estava interessado em fantasias, mas apenas em "tornar bela a cidade existente". Quando Stirling contou esta conversa, várias décadas depois, foi na ocasião de um inquérito público convocado em Londres - ele estava tentando desesperadamente salvar o único projeto de Mies van der Rohe no Reino Unido -- que estava prestes a ser negado pelos órgãos municipais de planejamento.
Sem sucesso: a proposta não foi construída; os desenhos foram enterrados em um arquivo privado. Agora, pela primeira vez em mais de trinta anos, a Mansion House Square de Mies será apresentada ao público em uma exposição no Royal Institute of British Architects (RIBA) - intitulada Mies van der Rohe e James Stirling: Circling the Square - e, se conseguir financiamento, em um livro, cuja proposta está atualmente no Kickstarter,
O Architectural Review publicou recentemente um artigo em comemoração ao 50º aniversário do livro Complexidade e Contradição em Arquitetura, de Robert Venturi, considerado um dos mais importantes escritos sobre arquitetura desde Por uma arquitetura, de Le Corbusier. No artigo, Martino Stierli -- Curador-Chefe de Arquitetura e Design do Museum of Modern Art -- investiga a importância do trabalho de Venturi, a motivação por trás de sua obra e seu impacto contínuo. Leia o artigo completo aqui.
Situado em um antigo bairro industrial da cidade holandesa de Maastricht, o Bonnefantenmuseum, com sua planta em forma de 'E' e suas torres abobadadas, é um dos ícones proeminentes ao longo do rio Meuse que corre ao redor do centro da cidade. A rica história cultural da Europa foi o ímpeto chave para o projeto do arquiteto Aldo Rossi, que empregou diversos gestos arquitetônicos históricos para inserir o Bonnefantenmuseum dentro de um cânone europeu colapsado.
Loja Randy’s Donuts, um "galpão decorado", por Extra Medium (CC BY 2.0). Imagem via 99 Percent Invisible
A principal avenida de Las Vegas, a famosa Las Vegas Strip, pode ser considerada um pouco espalhafatosa por alguns, com sua arquitetura "pseudo-histórica" e abundância de ornamentação, no entanto, alguns arquitetos, notadamente Denise Scott-Brown e Robert Venturi, foram cativados pelos "elementos ornamentais-simbólicos" desses edifícios. A dupla desenvolveu uma curiosa distinção entre o "pato" e o "galpão decorado", referindo-se à forma decorativa de dos edifícios. Neste ensaio para a 99% Invisible intitulado Lessons from Sin City: The Architecture of “Ducks” versus “Decorated Sheds”, Kurt Kohlstedt explora como estes arquitetos implementaram seus conhecimentos em ornamentos em seus próprios projetos e iniciaram uma discussão que persiste até hoje.
Projetado pouco antes de Zaha Hadid deixar o Office of Metropolitan Architecture (OMA) - liderado por Rem Koolhaas - para fundar seu escritório Zaha Hadid Architects, a extensão proposta para o Parlamento holandês rejeita firmemente a noção de que a imitação é a forma mais sincera de adulação. Em vez de mimetizar o estilo dos edifícios históricos existentes, OMA escolheu prestar homenagem à construção acretiva do complexo através da inserção de uma coleção de elementos geométricos visivelmente pós-modernos. Estes novos edifícios, produtos do final dos anos 1970, serviriam como indicadores inequívocos da passagem do tempo, criando um lembrete gráfico da longa história do Parlamento.
A leste de Paris, em Seine-Saint-Denis, há um conjunto habitacional que lembra Babel. Sua atmosfera de outro mundo - algo entre um sonho utópico de "novo mundo" e um conjunto pós-moderno neoclássico - já foi o cenário de diversos filmes de Hollywood, entre os quais Brazil (1984) e, mais recentemente, Jogos Vorazes: A Esperança (2014). A série fotográfica do fotógrafo parisiense Laurent Kronental, Souvenir d'un Futur, é uma homenagem a o que ele descreve como os "idosos ociosos" da região de Grand Ensemble da capital francesa. Suas fotografias capturam um lugar e suas pessoas que, apesar de sua estrutura arquitetônica megalomaníaca, tem sido relativamente ignorado.
Veja a série de fotos de Kronental - resultado de quatro anos de visitas - a seguir.
Staatsgalerie, Stuttgart, Alemanha (1977–1984), 1984. Alastair Hunter, fotógrafo. Cortesia de Canadian Centre for Architecture
O arquiteto Britânico, vencedor do Prêmio Pritzker, Sir James Stirling (22 de abril de 1926 - 25 de junho de 1992) cresceu em Liverpool, uma das cidades industriais mais importantes do Reino Unido, e começou sua carreira subvertendo as teorias e o formalismo do movimento moderno. Citando uma ampla gama de influências - de Colin Rowe a Le Corbusier - Stirling forjou uma série de opiniões sobre a arquitetura que se manifestam em suas obras. Com efeito, sua arquitetura, frequentemente descrita como "não-conformalista", contrariava os círculos convencionais.
Por ser um movimento tão recente no discurso arquitetônico internacional, o alcance e significado do pós-modernismo pode, às vezes, passar despercebido. Nessa seleção, feita por Adam Nathaniel Furman, o "incrivelmente rico, extenso e complexo ecossistema de projetos que surgiram desde a explosão inicial do pós-modernismo nos anos 1960 até o início dos anos 1990", é exposto para nossa análise.
De mesquitas que idealizam um passado idílico, através de Aladdin de Walt Disney nos anos 1990, a um teatro em Moscou que tem em sua fachada uma colagem construtivista de cenas clássicas, ainda "há categorias do pós-modernismo a serem descobertas e táticas a serem aprendidas." Esses projetos traçam formas figuração estilística complexas, do pós-modernismo acadêmico a formas mais populares que se espalharam como fogo no final do século XX.
Nova Iorque é o lar de uma infinidade de edifícios pós-modernistas - da impressionante Sony Tower ao Central Park Ballplayers' House - mas muitas dessas construções permanecem desprotegidas pelos registros do patrimônio nacional dos EUA. ALandmarks Preservation Commission de Nova Iorque está para completar seu 50° aniversário mas ainda não reconheceu os sucessos da arquitetura entre 1970 e 1984 (menor tempo que um edifício tem que ter para ser considerado patrimônio). A comissão tem sido desnecessariamente lenta no reconhecimento de estruturas pós-modernistas na cidade, dizem Paul Makovsky e Michael Gotkin da Metropolis Magazine, que argumentam que a ausência de reconhecimento histórico do pós-modernismo já atingiu um alto custo, citando a renovação do revestimento do Takashimaya Building, na Quinta Avenida, como um "sinal de alerta" para a Comissão.
Nossos parceiros da Escola da Cidade compartilharam conosco o vídeo de uma palestra com o professor, ensaísta e crítico de arquitetura Guilherme Wisnik, intitulada “A Formação do Pós-Modernismo”, que faz parte da série Arte e Arquitetura Hoje promovida pela Escola.
No evento, Wisnik apresentou sua interpretação sobre a passagem histórica do pós-modernismo desde o pós-guerra, à medida que se consolidava uma forte cultura de consumo que almejava os bens oferecidos pelo sistema de produção capitalista.
High Line em Nova Iorque é um bom exemplo do que está por vir
Merete Ahnfeldt-Mollerup é professor associado em The Royal Danish Academy of Fine Arts. Este artigo aparece originalmente em GRASP.
Arquitetura é inseparável do planejamento, e o grande desafio para a geração atual é o crescimento e o encolhimento das cidades. Algumas, principalmente no hemisfério Sul, estão crescendo exponencialmente, enquanto antigos centro globais no Norte estão se tornando rurais. No Sul a população ainda cresce muito, enquanto diminui na Europa, Rússia e nordeste da Ásia. O sonho do efeito Bilbao se baseou na esperança de haver uma solução rápida para os dois problemas. Bem, não há.
Durante um discurso no almoço de AJ Mulheres na Arquitetura em Londres na semana passada, Denise Scott Brown, ícone pós-moderno, exigiu ser reconhecida retrospectivamente por seu papel na premiação de Robert Venturi pelo Pritzker Prize de 1991, descrevendo a incapacidade do Pritzker em reconhecer seu envolvimento como algo "muito triste".
Embora no momento da concessão do Prêmio, Brown tinha co-parceria com o escritório Venturi Scott Brown and Associates por mais de 22 anos e tenha desempenhado um papel fundamental na evolução da teoria arquitetônica e do design juntamente com Venturi por mais de 30 anos, assim como foi co-autora do livro transformador da década de 1970, Aprendendo com Las Vegas, seu papel de "esposa" parece ter superado o papel de sócia igualitária quando o juri do Pritzker escolheu homenagear somente seu marido, Venturi.
Mais informações e uma petição online após o intervalo...
Oito volumes de diferentes tamanhos e formas organizam-se em torno de um eixo central horizontal e um plano vertical. Acompanhando os volumes, um plano bidimensional desconectado, e grupos de espaços funcionais aparecem separados uns dos outros.
Uma casa em duas águas, nada mais. A entrada ao centro, larga, leva a um pequeno átrio onde lateralmente está a porta de entrada. Uma porta igualmente larga, de duas folhas, com uma janela de vidro cada, por onde se pode ver o interior. O átrio é arrematado por uma verga horizontal aparente em sua completa longitude, que traspassa a abertura central. Um arco em alto relevo se sobrepõe à verga, como um segundo remate da entrada.