Desenvolvimento do Sharjah Creative Quarter (render). Imagem cortesia de Sharjah Design Centre
O Sharjah Design Centre (SDC), uma nova instituição dedicada ao design, à pesquisa de materiais, à prototipagem e à produção, tem abertura prevista para 2029 como parte do Sharjah Creative Quarter, nos Emirados Árabes Unidos. Projetado pelo escritório Taller de Arquitectura – Mauricio Rocha em colaboração com o arquiteto Daniel Rosselló, o centro reunirá laboratórios especializados, instalações de pesquisa, espaços de produção e programas públicos em um edifício construído sob medida. Sob a liderança de Sua Excelência Sheikha Hind bint Majid Al Qasimi, o SDC visa conectar profissionais de design, da manufatura, da pesquisa e do empreendedorismo por meio de uma estrutura integrada voltada à experimentação de materiais, fabricação e intercâmbio de conhecimento.
Após uma pausa de sete anos, a Amman Design Week retornou em 2026 sob o tema "Acumulações", reunindo designers, criadores/as e profissionais da cultura para refletir sobre o trabalho que molda o panorama do design na Jordânia. A quarta edição, realizada de 2 a 17 de outubro de 2026, marcou um novo capítulo para o evento, que teve na co-direção os/as arquitetos/as Sarah Hejazin e Bisher Tabbaa, fundadores/as do escritório de arquitetura e design FADAA. A nomeação da dupla também trouxe sua abordagem baseada em pesquisa para o programa expandido do evento, que explorou as relações entre práticas cotidianas, memórias culturais e ambientes materiais. Durante o evento, tivemos a oportunidade de conversar com Sarah Hejazin e Bisher Tabbaa sobre o pensamento por trás do tema deste ano, sua abordagem às investigações materiais e como a prática profissional na Jordânia molda seu trabalho na arquitetura, no design de objetos e no espaço público.
Para facilitar a criação de conceitos de interiores de alta qualidade, a EGGER expandiu seu portfólio de superfícies lacadas PerfectSense. Imagem cortesia de EGGER
Seja em interiores residenciais, ambientes de trabalho, espaços de hospitalidade ou áreas públicas, a relação entre intenções estéticas e desempenho técnico pode redefinir como as superfícies são utilizadas e como se comportam. Um material selecionado por sua cor, textura ou acabamento específico deve manter a coerência visual ao ser aplicado em frentes de móveis, marcenaria, bancadas e outros elementos internos. No entanto, de que maneira arquitetos/as e designers podem criar interiores visualmente marcantes e táteis, preservando suas intenções originais de projeto em diferentes aplicações?
Balsa Crosetto Piazzi é um escritório de arquitetura fundado em 2015, sediado em Córdoba, Argentina, e Boston, EUA. Liderado por Juan Manuel Balsa, Rocío Crosetto Brizzio e Leandro Piazzi, o escritório tem como essência de seu trabalho a dimensão material da arquitetura. Para o trio, um edifício não é apenas um objeto acabado, mas sim uma forma de organizar tudo o que envolve a sua construção. Seu trabalho é moldado por um processo lento; durante as etapas de projeto e obra, dedicam atenção à origem dos materiais, a quem executa a construção, às habilidades que essas pessoas já possuem e ao que está realmente disponível no entorno. Dessa forma, a obra construída torna-se uma plataforma que funciona como ponto de partida, reunindo todas essas partes. Nesse sentido, também descrevem seus projetos como oportunidades para "desconstruir condições arraigadas".
A abertura entre dois ambientes define a maneira como as pessoas se movem pelo edifício, o que visualizam de um espaço para outro e se uma área parece integrada ou isolada. Embora as portas estejam entre os elementos arquitetônicos internos mais utilizados, seu impacto na organização interna costuma ser considerado tardiamente no processo de projeto. No entanto, seu movimento e sua relação com as superfícies adjacentes influenciam a circulação, o layout do mobiliário e a percepção do espaço.
Em reformas residenciais, essas decisões são particularmente importantes. Paredes existentes, elementos estruturais, instalações prediais e a altura do pé-direito podem limitar as opções, ao passo que os novos layouts frequentemente buscam equilibrar a integração dos ambientes com a necessidade de privacidade. Já em novas construções, arquitetos/as desfrutam de maior liberdade para coordenar cavidades nas paredes, forros e mecanismos de portas desde o início do projeto.
A madeira é utilizada na construção civil há milhares de anos. Trata-se de um recurso natural, renovável e versátil, mas sua reação à umidade exige atenção no projeto e na especificação. Oscilações nas condições de umidade podem fazer com que o material sofra inchamento e retração, enquanto a exposição prolongada à água pode propiciar o surgimento de fungos e o consequente apodrecimento. Diante disso, historicamente, o uso de madeira em áreas externas exigia a escolha de espécies de alta durabilidade natural, a proteção mecânica ou química do material, ou ainda soluções de projeto adaptadas ao comportamento físico da madeira. A modificação da madeira surge como uma abordagem alternativa: alterar certas propriedades da própria matéria-prima.
A arquitetura é, acima de tudo, uma realidade material. Os materiais que nos cercam são o resultado de uma cadeia de considerações construtivas, econômicas, estéticas e, em exemplos mais contemporâneos, ambientais. As decisões são moldadas pela tecnologia disponível, pelas técnicas viáveis, pelas expectativas de tempo e pelos marcos regulatórios. Para enfrentar as pressões sobre o nosso ambiente construído, essas condições multidimensionais precisam mudar por meio daquilo que chamamos de inovação: a criação tangível de novos produtos e estratégias com capacidade de resolver problemas. Matéria é o termo geral para a substância física que possui massa e ocupa espaço. Quando a matéria ganha uma forma, um tipo específico ou uma aplicação útil, ela se torna material. Portanto, a transformação material exige ir além da reciclagem e do reuso: trata-se de combinar a matéria existente para criar novos materiais que abram novas possibilidades para a construção. As pesquisas apresentadas a seguir sugerem que demonizar os materiais existentes é desnecessário, desde que exista essa capacidade de inovação.
A ampliação vertical de um edifício histórico apresenta um desafio que vai além da criação de espaço adicional: como uma intervenção contemporânea pode dialogar com o caráter de uma estrutura existente? A escolha dos materiais desempenha um papel fundamental no estabelecimento de uma relação entre diferentes períodos construtivos, seja com o objetivo de complementar o edifício existente ou de criar uma expressão arquitetônica mais distinta. A Residência LH em Varna, na Bulgária, projetada pelo escritório STARH, exemplifica como o fibrocimento pode articular a relação entre uma ampliação contemporânea e uma preexistência histórica. Por ser um material composto por cimento, água, fibras de reforço e outros aditivos, o fibrocimento alia uma relativa leveza a altos índices de resistência e durabilidade. Sua variedade de cores, texturas, dimensões de painéis e métodos de instalação oferece a profissionais de arquitetura diversas possibilidades para o desenvolvimento de envoltórias de edifícios contemporâneos que dialoguem com seu contexto histórico. Soluções como os painéis de fibrocimento da Swisspearl oferecem variações de acabamento superficial que viabilizam essa abordagem.
Em um cenário no qual as cidades enfrentam dificuldades para oferecer moradia adequada e acessível, a análise de exemplos construídos de habitação coletiva pode ajudar a embasar decisões sobre o que construir e de que forma. Esses projetos proporcionam a oportunidade de avaliar soluções, compreender suas limitações e considerar o que pode ser aplicado em outros contextos. Em Paris, dois exemplos recentes combinam apartamentos de diferentes tamanhos com acesso a jardins, pátios e outros espaços ao ar livre, aproveitando estruturas preexistentes.
A cerca de uma hora de carro de Nova York, a Corwin House localiza-se em uma região de floresta montanhosa acima do rio Saugatuck. Concluída por Richard Neutra em 1956, é uma das apenas três casas que o arquiteto projetou em Connecticut. O designer de arquitetura Aziz Osko atualizou a residência, revisitando detalhes do projeto original de Neutra que nunca haviam sido executados.
A encomenda do projeto começou quando Betty e Henry Corwin perguntaram a Neutra se ele poderia recomendar um/a arquiteto/a da Costa Leste que trabalhasse em um estilo semelhante. Neutra ficou tão encantado com o terreno arborizado acima do rio que acabou assumindo o projeto ele mesmo.
Seaside House / Koistinen Hellborg Architects. Imagem cortesia de Randers Tegl
O tijolo e a madeira podem estabelecer um diálogo entre a permanência arquitetônica e as texturas das paisagens litorâneas. Em Höllviken, na costa sul da Suécia, a Seaside House, projetada pelo escritório Koistinen Hellborg Architects, explora como a materialidade, a luz e a organização espacial podem moldar uma residência em estreita relação com seu entorno natural. Situada em meio a um terreno arenoso, arbustos, musgo e pinheiros, a poucos passos do mar, a casa responde a uma paisagem marcada por variações cromáticas sutis, mudanças sazonais e uma forte conexão com o exterior.
O que acontece quando a estrutura não é tratada como um elemento adicionado à arquitetura, mas como algo que a própria arquitetura fornece?
Ao longo da história da arquitetura, a forma sempre forneceu estrutura. Arcos, treliças e outras geometrias estruturais utilizavam a disposição dos materiais para obter resistência, muitas vezes permitindo que elementos individuais desempenhassem múltiplas funções. Hoje, no entanto, os envelopes de edifícios frequentemente dependem de uma hierarquia de elementos isolados: uma estrutura primária suporta as cargas, apoios secundários mantêm os painéis no lugar, suportes conectam as peças e camadas adicionais fornecem fechamento ou acabamento. Juntos, esses componentes exigem mais material, peso, etapas de fabricação e coordenação no canteiro de obras.
Selecionar um material durante o processo projetual envolve mais do que definir uma aparência. Seu comportamento em resposta à luz, ao som, ao toque e à passagem do tempo pode transformar a maneira como um espaço é percebido e utilizado. Paralelamente, fatores como durabilidade, resistência, reciclabilidade e o impacto ambiental associado à sua produção introduzem novas variáveis na tomada de decisões na arquitetura. Para Stephanie Forsythe e Todd MacAllen, cofundadores do estúdio de design e produção molo, com sede em Vancouver, essas considerações levaram a uma exploração do papel e de seu potencial para moldar espaços flexíveis e sensoriais.
O setor de edifícios e construção é responsável por cerca de 39% das emissões globais de CO₂ e por quase 50% da extração global de materiais. As emissões operacionais de carbono, associadas à energia consumida para o funcionamento das edificações, também aumentaram 1%, atingindo 9,9 bilhões de toneladas de CO₂ em 2024, mesmo com a melhora na intensidade de uso de energia (EUI) dos edifícios. Esses números apontam para lacunas persistentes na forma como os edifícios são projetados, construídos e reformados. Uma área crucial para superar essas lacunas é o isolamento do envelope da edificação, que continua sendo fundamental para controlar a demanda de energia, aumentar a resiliência térmica e reduzir as emissões de carbono.
O diploma de arquitetura fornece as bases da disciplina, mas a transição para a prática profissional muitas vezes vai muito além da sala de aula. Adquirir experiência, desenvolver um portfólio e navegar pelas realidades dos escritórios de arquitetura são desafios que muitos/as jovens profissionais enfrentam em seus primeiros anos de prática.
Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.
Laab Is More / Sifah Studio. Tailândia. Imagem cortesia de NS BlueScope
Embora a arquitetura frequentemente responda a um programa de necessidades específico, considerando áreas, contextos e diversas condicionantes econômicas e técnicas, os edifícios raramente permanecem os mesmos ao longo de sua vida útil. Programas, dinâmicas espaciais e as necessidades dos/as usuários/as se transformam, assim como as condições ambientais, econômicas e tecnológicas, exigindo intervenções que provavelmente não foram previstas no início do projeto. Estruturas de aço tornam possível conceber uma arquitetura capaz de crescer, se transformar, ser desmontada e remontada. Sua precisão dimensional, componentes industrializados e o potencial de conexões mecânicas viabilizam o projeto de sistemas abertos preparados para futuras intervenções.
Centro de Saúde e Bem-Estar Beijing Taikang Yanyuan. Imagem Cortesia de Serge Ferrari
Na história dos Três Porquinhos, a escolha do material determina o destino de cada casa. O sopro do lobo derruba as estruturas feitas de palha e madeira, enquanto a casa de tijolos permanece de pé. A moral é que, quanto mais sólida a construção, maior sua capacidade de resistência. Um edifício, no entanto, precisa responder a questões muito menos simples. Permanecer de pé continua sendo essencial, mas calor, luz, ar e som não são forças que necessariamente precisam ser bloqueadas. Às vezes, a luz solar deve ser evitada; em outras, a luz natural precisa entrar. Reter o calor pode ser desejável no inverno e contraproducente no verão. O ar precisa circular, o som pode precisar ser absorvido, e as condições que determinam essas respostas mudam ao longo do dia, das estações e da própria vida útil da edificação. Mais material não significa necessariamente um melhor desempenho. Em alguns casos, pode simplesmente adicionar complexidade sem melhorar a forma como o edifício responde.