Uma semana de notícias de arquitetura destacou as crescentes conexões entre as mudanças ambientais, os sistemas públicos e o papel em evolução da prática arquitetônica. Eventos climáticos extremos em diferentes regiões chamaram a atenção para a vulnerabilidade de assentamentos, infraestruturas e redes territoriais, ao passo que novas abordagens para a habitação demonstram como mudanças na contratação, na construção e na governança podem influenciar os resultados arquitetônicos. Paralelamente, o reconhecimento de profissionais de destaque aponta para o impacto duradouro das ideias arquitetônicas ao longo de gerações, no momento em que a profissão continua a se engajar com questões de resiliência, mudanças sistêmicas e as condições mais amplas que moldam o ambiente construído.
A arquitetura residencial contemporânea enfrenta as demandas urgentes do déficit habitacional global e do crescimento das populações urbanas. Na prática profissional, observa-se uma experimentação recorrente com novas formas de habitação coletiva, assumindo a tarefa de oferecer espaços para o desenvolvimento pessoal, familiar e comunitário. Os seis projetos não construídos apresentados aqui revelam diferentes facetas da decisão de adensar: a relação com a natureza preexistente e planejada, a disponibilidade de terrenos urbanos ou suburbanos, o desenvolvimento de espaços intermediários complementares que apoiam a vida coletiva e atenuam a experiência da densidade, a replicabilidade dos modelos de adensamento e a relação com o entorno que acolhe o crescimento populacional.
A primeira vila olímpica da história foi construída para os Jogos Olímpicos de Verão de 1924 em Paris. Antes disso, os atletas se hospedavam em hotéis, albergues, escolas, quartéis e até mesmo nos barcos em que viajavam para as cidades-sede. Pierre de Coubertin, co-fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI), foi o idealizador da vila inaugural ao perceber que seria economicamente mais viável abrigar atletas em estruturas novas e temporárias do que em hotéis, enquanto as vilas poderiam incutir também um senso de comunidade entre os competidores internacionais.
Ao projetar edifícios, a atenção muitas vezes se concentra nas unidades residenciais, priorizando o conforto e a funcionalidade dos apartamentos. No entanto, é igualmente importante considerar as áreas comuns, que desempenham um papel fundamental na qualidade de vida dos moradores e na construção de uma comunidade que compartilha o mesmo espaço. Além dos benefícios sociais, estes espaços de convivência também podem desempenhar um papel importante na promoção da sustentabilidade e no bem-estar de seus usuários. Afinal, a integração de áreas verdes e espaços dedicados ao lazer e esporte ajudam a reduzir o estresse e brinda novas atividades ao morador.
Fabricantes: Arte Pedras- Penha-SC, Cerâmica Tupy Guarani, Tijucas-SC, Cerâmicas Elizabeth, GMR Artefatos de cimento-Itajaí, Mario Calhas e Alumínios, +2Max Mohr, Olaria do pinho-2
O escritório Zaha Hadid Architects divulgou imagens de sua proposta de reforma da histórica Mercury House, situada no centro de turismo e entretenimento de Paceville, na costa leste de Malta. Uma extensa renovação da estrutura existente permitirá a integração de apartamentos residenciais, um hotel e uma variedade de espaços públicos, entre outros serviços.
A mais ousada adição ao patrimônio abandonado será uma torre de 31 pavimentos que rotaciona à medida que se eleva, respondendo a diferentes programas funcionais. A forma resultante procura incluir “um senso de dinamismo dentro de sua silhueta que muda quando vista de diferentes direções ao redor de Paceville”.
As duas estruturas projetadas pelo BIG, localizadas nos dois extremos do país, foram reconhecidas por serem estruturas inovadoras dentro da arquitetura. A Vancouver House, além e receber a certificação LEED-Platinum, foi premiada no World Architecture Festival como o Edifício do Ano de 2015. Por outro lado, chamado de “unzipped wall”, o projeto realizado por Bjarke Ingels e seus arquitetos para a Serpentine Pavilion, passou por uma infinidade de cidades antes de desembarcar permanentemente na orla de Vancouver.
O escritório Penda divulgou imagens de seu edifício residencial em Tel Aviv, com arcos de tijolos e terraços escalonados. O projeto de 116 metros de altura abrigará diferentes tipologias de apartamentos, de um a quatro quartos, e coberturas de pé-direito duplo.
Para este projeto, Penda rejeitou o"genérico edifício em vidro" em favor de uma forma e uma materialidade que respondesse ao clima mediterrâneo ensolarado de Tel Aviv.