O que define a qualidade de um banheiro para além de suas funções básicas? Sendo um dos espaços mais reservados da casa, o banheiro está intimamente conectado aos rituais cotidianos e aos momentos de pausa. Enquanto louças, metais, circulação e requisitos técnicos estabelecem a base prática, a atmosfera do ambiente surge de uma combinação de decisões espaciais: a maneira como o mobiliário toca o piso ou deliberadamente evita tocá-lo, como os materiais interagem com a luz, de que forma o armazenamento é integrado e como a forma e as proporções moldam a nossa percepção.
MTM—Made to Measure desenhado por Herzog & de Meuron para a UniFor, Direção Criativa do Studio Klass. Imagem cortesia de UniFor
O que permite que um único princípio arquitetônico gere tantos resultados diferentes? A resposta está nos sistemas que organizam a arquitetura: geometria, proporção, estrutura e construção. Juntos, esses elementos estabelecem um conjunto de regras capaz de acomodar diferentes programas, contextos e condições espaciais, mantendo uma identidade coerente. Uma malha estrutural, por exemplo, pode organizar uma variedade de usos, assim como um único detalhe construtivo pode ser repetido em todo um edifício sem produzir espaços idênticos. Esse mesmo raciocínio pode ser transposto para o design de mobiliário sem perder sua identidade? A linha MTM—Made to Measure, desenvolvida por Herzog & de Meuron para a UniFor, explora essa questão. Em vez de projetar cada peça de forma independente, a coleção se desenvolve a partir de um único princípio estrutural que pode ser expandido, adaptado e repetido em diferentes funções, preservando sua coerência interna.
Bolete Lounge BIO® por Andreu World x Patricia Urquiola. Imagem cortesia de Andreu World
Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.
Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?
Como um material concebido para pontes, fábricas e grandes estruturas chegou ao banco da sala, à estante do apartamento, à mesa do café? O metal atravessou séculos associado ao esforço, à máquina e à monumentalidade — das estruturas expostas das Exposições Universais do século XIX à lógica produtiva da indústria moderna. Sua presença no interior doméstico não é um dado óbvio, mas uma conquista cultural: a transformação de um material fabril em elemento de uso cotidiano, íntimo e próximo do corpo.
O modernismo é frequentemente vivenciado por meio da forma construída, de fachadas fotografadas, plantas canônicas, manifestos de concreto. Para a maior parte das pessoas, contudo, esse primeiro contato foi muito mais imediato. Foi uma cadeira em um escritório, uma estante em uma sala de estar, um volume compacto que reorganizou o sentar, o guardar ou o dormir. Muito antes de a arquitetura moderna poder ser amplamente encomendada, foi o mobiliário que adentrou o espaço cotidiano, trazendo consigo uma nova lógica de viver. A promessa modernista de transformar a vida era frequentemente cumprida por meio desses objetos menores e replicáveis.
Para compreender essa mudança, o mobiliário precisa ser interpretado como uma forma condensada de arquitetura, e não como mera decoração. Profissionais do design do início do século XX o tratavam exatamente dessa forma. Le Corbusier descreveu o mobiliário como équipement de l'habitation (equipamento da habitação), inserindo-o no sistema operacional do edifício, e não fora dele. Da mesma forma, a Bauhaus abordou cadeiras e mesas como protótipos industriais, incorporando princípios de padronização, eficiência e produção em massa em seus desenhos. Como argumenta a historiadora da arquitetura Beatriz Colomina, a arquitetura moderna não circulava apenas através de edifícios, mas por meio de mídias e objetos que traduziam suas ideias para a vida cotidiana. O mobiliário tornou-se arquitetura em miniatura: portátil, reproduzível e capaz de reorganizar o espaço sem reconstruí-lo.
Os cantos de café da manhã surgiram no início do século XX em resposta ao aumento da densidade doméstica e às mudanças nas concepções sobre a vida cotidiana. Com raízes no movimento Arts and Crafts americano e popularizados pelas casas tipo bangalô das décadas de 1910 e 1920, eles evoluíram da mais formal sala de café da manhã vitoriana para espaços compactos e integrados, embutidos na cozinha. À medida que as casas se tornavam menores e mais econômicas, arquitetos/as e marcenarias utilizaram bancos e mesas fixos para ocupar cantos, alcovas e janelas de bay window que, de outro modo, seriam ineficientes. Esses nichos iluminados ofereciam uma maneira acessível de concentrar as atividades diárias, preservando o conforto e a clareza espacial.
O Salone del Mobile.Milano anunciou as datas de abertura e o programa de eventos, expandindo a feira comercial para abranger mais narrativas e projetos relevantes para a comunidade de design. A 62ª edição acontecerá na Rho Fiera Ilano de 16 a 21 de abril de 2024. Serão mais de 1900 expositores de todo o mundo, com contribuições de designers emergentes e várias escolas de design no SaloneSatellite, agora em sua edição de 25 anos. O programa cultural também inclui instalações imersivas, como as "Salas de Pensamento" de David Lynch.
Instituto Jonas Salk de Ciências Biológicas (1959-65). Imagem cortesia de Form Portfolios
Na história da arquitetura moderna, Louis I. Kahn é considerado um incontestável mestre da monumentalidade nos Estados Unidos. No auge de sua carreira, Kahn conseguiu criar um tipo único de arquitetura que inspira sem ser excessiva, que expressa seu sistema construtivo sem exibicionismo estrutural, e que mergulha na história com uma nova linguagem e sistema de formas. Seu interesse pela luz como elemento funcional e pelas qualidades específicas dos materiais ia além de seus edifícios. Estava em todos os objetos que ele criava. Para celebrar esse legado, a Form Portfolios acaba de lançar "Monumental Modernism", a primeira coleção de objetos de decoração, iluminação e mobiliário modelados a partir daqueles encontrados nos edifícios de Louis I. Kahn.
Como verdadeiros orquestradores espaciais, a expertise dos arquitetos se estende além da simples construção de edifícios, muitas vezes transcendo o reino físico do design. Eles possuem a habilidade única de criar espaços que não apenas são visualmente atraentes, mas que também parecem acolhedores, harmoniosos e, acima de tudo, funcionais. Abraçar esse papel fundamental envolve uma consideração cuidadosa de todos os detalhes que compõem um projeto; desde as fundações de um prédio até um sofá, os arquitetos devem garantir que todos os elementos, em todas as escalas, se unam de maneira coesa e influenciem positivamente nossas vidas cotidianas.
Social por Snohetta para Varier. Imagem Cortesia de Mishael Phillip Fapohunda
A Semana do Design de Milão é um dos maiores festivais de design do mundo. O evento principal, o Salone del Mobile, ocorreu de 18 a 23 de abril de 2023, no centro de exposições Fiera Milano. Mais de 370 mil pessoas participaram da feira de móveis este ano, e milhares de estúdios de design apresentaram peças de mobiliário, iluminação, eletrodomésticos, itens de cozinha, banheiro, produtos de uso externo e estações de trabalho. Para destacar o design de móveis e objetos e o contexto mais amplo da arquitetura e cultura milanesa, muitos escritórios de arquitetura colaboraram com empresas para criar itens exclusivos de design.
Como fazem todos os anos, os conceituados arquitetos participaram do evento de uma semana, usando produtos, móveis e instalações para compartilhar sua experiência, abordar alguns dos problemas mais urgentes enfrentados pela arquitetura e demonstrar como seu trabalho pode beneficiar o meio ambiente e a sociedade. Muitos estúdios de arquitetura consolidados, como Foster + Partners, Mario Cucinella e Hassell, apresentaram produtos. Além disso, arquitetos como The New Raw, Snøhetta e Studio Etienne Bastormagi apresentaram produtos focaos em sistemas eficientes e sustentáveis que podem informar as decisões futuras.
Você pode imaginar poder prototipar uma peça de mobiliário com o toque de um botão e testá-la em apenas algumas horas? Isso pode se tornar uma prática comum mais cedo do que podemos pensar. Alimentado pela inovação material, automação e tecnologia de ponta, uma nova era está surgindo; onde a impressão 3D abre um mundo de possibilidades criativas que transcendem os limites do design tradicional. Sim, móveis ainda são produzidos em massa usando os métodos convencionais - moldagem, corte, dobras -, mas a impressão 3D continua a romper com os aspectos tradicionais da indústria. À medida que a tecnologia revolucionária evolui e se torna mais acessível, isso desencadeou um nível incomparável de expressão e eficiência criativas. O conceito é simples: um design digital é criado usando o software de modelagem 3D e, em seguida, impresso, camada por camada, na forma de um objeto físico, dando vida a geometrias complexas. É um tipo totalmente novo de artesania digital.
O mobiliário é fundamental para melhorar a qualidade dos interiores de uma residência. A escolha de cada cor, textura e material, aplicados ao design de cada móvel, é fundamental para uma boa composição espacial. Seja pelo conjunto de móveis adotado ou por uma peça colocada de forma isolada a ponto de se tornar protagonista do espaço, cada peça ajuda a conformar os ambientes e a circulação de um projeto.
A palavra comensalidade refere-se ao ato de comer junto, dividindo uma refeição. Muito mais que uma mera função de necessidade humana essencial, sentar-se à mesa é uma prática de comunhão e trocas. Um artigo de Cody C. Delistraty compila alguns estudos sobre a importância de alimentar-se em conjunto: alunos que não comem regularmente com os pais faltam mais à escola; crianças que não jantam diariamente com a família tendem a ser mais obesos e jovens em famílias sem essa tradição acabam tendo mais problemas com drogas e álcool, além de desempenho acadêmico mais fraco. Evidentemente que todas estas questões levantadas são complexas e não devem ser reduzidas a somente um fator. Mas ter um local adequado para fazer as refeições, livre de muitas distrações, é um bom ponto de partida para ao menos um momento focado na conversa e alimentação. Estamos falando das mesas de jantar. Revisamos aqui alguns projetos para classificar as formas mais comuns de se implantar estes importantes mobiliários.
A ludicidade é um conceito muitas vezes atribuído às crianças e pouco se conectada com a vida adulta. Na arquitetura, os projetos dedicados à idade infantil propõem uma combinação de objetos, cores e soluções voltadas a incentivar a imaginação e quebrar a rigidez dos espaços, ao passo que a grande maioria dos projetos convencionais se limitam ao regular e carimbam a sobriedade da vida adulta.
O design para montagem (DFA, design for assembly) não é novo. A cadeira No. 14 de 1859 da Thonet, quando desmontada, podia ser enviada em lotes de 36 cadeiras por caixa de 40 polegadas quadradas.
Essas economias de custo vinculadas ao DFA ainda são valiosas. E como ajudou a revolucionar o transporte marítimo na era industrial, agora carrega prestígio como uma poderosa ferramenta de redução de carbono. Na verdade, o DFA é atualmente a característica distintiva de pelo menos seis lançamentos de produtos de alta visibilidade entre os fabricantes de móveis comerciais apenas no ano passado.
Nas conversas sobre arquitetura que estamos tendo no mundo de hoje, os materiais são um assunto muito difundido. Há discussões sobre a viabilidade do concreto no contexto contemporâneo, sobre como a madeira pode ser obtida de forma mais sustentável e sobre como materiais biodegradáveis, como o bambu, devem ser mais presentes em nossos ambientes urbanos.
Mas também precisamos falar sobre o que acontece nesses prédios – ou seja, os móveis que decoram, aprimoram e tornam habitáveis os prédios ao nosso redor. Os materiais usados para fabricar esses objetos evoluíram constantemente ao longo dos séculos e, à medida que nos aproximamos do final de 2022, vale a pena perguntar – o que o futuro reserva para os materiais que nossos móveis serão feitos?
Mesmo com todas as estranhas tendências de design de interiores residenciais voltando, você provavelmente não esperava pelos nichos rebaixados. Este conhecido recurso de design da década de 1970 é ao mesmo tempo retrô e moderno, que proporciona um lugar confortável para relaxar e uma fuga completa das distrações da televisão e do cinema. Em vez de um design que suporta e favorece uma conexão digital, ter uma grande área para sentar e, literalmente, conversar, pode ser o espaço que todos precisamos.
A Wassily Chair, de Knoll Int. ao lado da cadeira Vitra/Herman Miller Eames Lounge, Camaleonda Sofá da B&B Italia e o lado de Plástico Vitra e Cadeira de ovo de Fritz Hansen
De certa forma, mobiliários clássicos são como uma mistura entre uma obra de arte e uma barra de ouro: investimentos seguros que geralmente aumentam em valor com o tempo. Em nossa segunda seleção de ícones de design do século XX, desta vez apresentamos Ray e Charles Eames, Marcel Breuer, Arne Jacobsen e Mario Bellini, com algumas peças de móveis do século passado que permanecem mais modernas hoje do que nunca, em termos de design e conforto. Saiba mais sobre isso na Plataforma Architonic..