O artesanato em interiores contemporâneos adquire um valor crescente na maneira como os materiais são unidos e postos em relação uns com os outros. À medida que cresce a demanda por reformas rápidas, baratas e lucrativas, surge também um desejo paralelo por interiores que transmitam uma resolução cuidadosa: espaços onde os detalhes são integrados, as composições de materiais são ponderadas, as transições de textura ocorrem com intencionalidade e as ferragens são tratadas como parte da própria linguagem arquitetônica, e não como um improviso de última hora. Em muitos interiores chineses contemporâneos, o fazer artesanal opera de forma sutil no tratamento de superfícies e estruturas: madeiras que preservam suas irregularidades, terrazzos que registram agregados e o trabalho manual, ou acabamentos que revelam o esmero de sua execução.
Isso assume particular relevância em uma era na qual as imagens digitais priorizam cada vez mais a homogeneidade das superfícies. Interiores renderizados frequentemente parecem contínuos, sem atritos e concluídos antes mesmo de a construção ter início. O fazer artesanal tensiona essa imagem. Ele introduz margens de tolerância, textura, resistência material e a percepção de que a superfície passou pelas mãos humanas antes de se converter em arquitetura. A imperfeição não se traduz necessariamente em falta de precisão. Para o olhar atento que sabe decifrá-la, ela se torna o próprio testemunho do processo de feitura.
As imagens dos bancos do High Line Park, em Nova York, correram o mundo quando o projeto foi inaugurado em 2009. Emergindo diagonalmente do mesmo material e padrão modular da pavimentação, eles transitam de forma fluida do concreto para a madeira, evocando os trilhos ferroviários que outrora ocupavam o local. Para resistir a décadas de exposição às intempéries, o projeto exigia uma espécie de madeira de durabilidade excepcional, e o ipê, extraído da Amazônia brasileira, foi o escolhido. Seu crescimento lento produz uma madeira de lei densa e de baixa porosidade, naturalmente resistente ao desgaste, à umidade e à deterioração biológica. Essa escolha, no entanto, gerou polêmica na época devido a preocupações com a certificação do manejo florestal da madeira. Essa perspectiva mais ampla transforma a forma como pensamos os materiais. Sua origem ainda importa, mas o que acontece após o fim da vida útil do edifício também é fundamental.
A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
O que acontece quando se escolhe o reuso em vez da demolição? Em Østbirk, na Dinamarca, um antigo galpão de madeira de 30 anos foi transformado em um hub de inovação de referência internacional, com 14.000 metros quadrados, voltado para a equipe de quase 500 profissionais da VELUX. Este artigo explora como o projeto da LKR Innovation House desafia as práticas convencionais de construção, preserva o legado dos materiais e oferece lições práticas para profissionais de arquitetura que trabalham com estruturas existentes. Um novo livro documenta esse processo por meio de ensaios, entrevistas e fotografias.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
O Studio Gang apresentou o projeto de um novo teatro para a companhia Hudson Valley Shakespeare Festival (HVSF), planejado para ser o primeiro teatro LEED Platinum nos Estados Unidos. Localizado em Garrison, Nova Iorque, o edifício, com mais de 1.280 metros quadrados, será a sede permanente da HVSF e destaca seu compromisso com a sustentabilidade e o engajamento social. A construção tem início previsto para 2024.
A madeira, um dos materiais de construção mais antigos, foi continuamente reinventada ao longo da história. À medida que a arquitetura contemporânea se preocupa cada vez mais com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental, a popularidade do material também aumentou. Como as árvores absorvem dióxido de carbono durante seu crescimento, a madeira armazena esse carbono, mantendo-o fora da atmosfera. Os materiais derivados da madeira estão, portanto, associados a menores emissões de gases de efeito estufa, desde que as árvores sejam colhidas em florestas manejadas de forma sustentável. Mas, para aproveitar todo o potencial deste material, uma infinidade de técnicas e modificações evoluíram com o objetivo de adaptar e personalizar as características da madeira às demandas do projeto e da construção moderna. Da modificação térmica à madeira engenheirada ou aos versáteis painéis, esses métodos não apenas melhoram a adequação da madeira aos rigores da arquitetura contemporânea, mas também expandem a usabilidade deste material sustentável para uma escala sem precedentes.
A madeira tem sido uma fonte popular de material de construção há milhares de anos. Por meio de processos de serragem, fresagem e outras transformações, várias formas foram criadas e aplicadas em produtos, móveis e arquiteturas. No entanto, esses processos às vezes podem alterar as linhas básicas da estrutura da madeira. Os troncos podem se dividir, os padrões de grãos podem mudar e algumas madeiras, como carvalho e cedro, podem ser facilmente reduzidas, enquanto outras podem se tornar intratáveis. Isso levou à exploração de peças inteiras nas estruturas antigas, como as cabanas feitas com madeira roliça, nas quais as camadas de madeira em diferentes seções transversais formam os perfis da casa. Por meio do projeto, o uso de troncos ou galhos de árvores em sua totalidade pode acentuar as propriedades mecânicas inatas para sustentabilidade estrutural. Embora essas práticas sejam pouco usuais nas técnicas de construção contemporâneas, inovações tecnológicas expandem as perspectivas da construção em madeira na arquitetura.
A Perkins & Will acaba de iniciar a construção do Projeto Gateway para a Universidade da Colúmbia Britânica. O projeto será o principal ponto de entrada para o campus e também o novo centro para enfermagem, cinesiologia, ciências da linguagem e clínicas de saúde da universidade. Este projeto é inspirado na paisagem local e no povo Musqueam, que há séculos ocupa esse território.
Hoje, com estilos de vida interconectados e em ritmo acelerado, tendências futuras de mobilidade e inovações materiais constantes pressionam a resistente indústria da construção. Como a arquitetura pode acompanhar essa tendência? Seguindo estilos de vida dinâmicos e nômades, arquitetos devem explorar novos sistemas estruturais capazes de alcançar vários locais, adaptáveis e reutilizáveis no futuro. Ao aplicar a tecnologia revolucionária para componentes circulares, escaláveis e edifícios carbono negativos, UrbanBeta –uma estúdio de inovação, conceitos de construção, ferramentas preditivas e plataformas para criar espaços transformadores- desenvolveu o BetaPort, um sistema de construção robótico alimentado por inteligência artificial e automação .
Com base nos princípios da economia circular, Urban Beta e BetaPort criam um plano de construção sustentável, pronto para crescer e mudar com o tempo. O estúdio concebe sistemas sustentáveis de arquitetura sob demanda para edifícios flexíveis com base em um kit de peças.
O T3 Bayside é o mais novo projeto apresentado pelo escritório 3XN Architects, o primeiro edifício de escritórios a ser construído em Bayside, Toronto. Além disso, este será o mais alto edifício de escritórios construído em madeira de toda a América do Norte. Localizada às margens do Lago Ontário, a estrutura foi concebida no contexto de um amplo projeto de revitalização das orlas de Toronto.
O edifício de madeira de quarenta e dois metros de altura foi projetado para realçar as efervescentes características deste emergente bairro na cidade de Toronto, reunindo moradia, trabalho e laser em um só lugar. Seu térreo aberto e permeável contará com abundantes espaços comerciais, os quais guiam os visitantes até uma praça central com espaços expositivos, salas comerciais e de escritórios além de espaços de coworking.
https://www.archdaily.com.br/pt/913917/3xn-projeta-o-edificio-corporativo-de-madeira-mais-alto-da-america-do-norteNiall Patrick Walsh
O Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano (Council for Tall Buildings and Urban Habitat - CTBUH) anunciou que a torre Mjøstårnet da Noruega, com 85,4 metros, é oficialmente a mais alta construção de madeira do mundo. Além da distinção única, a torre é também a estrutura de uso misto mais alta da Noruega e o terceiro edifício mais alto.
https://www.archdaily.com.br/pt/913744/ctbuh-nomeia-o-mjostarnet-da-noruega-como-o-edificio-de-madeira-mais-alto-do-mundoKatherine Allen
O Odunpazari Modern Museum (OMM), projetado pela Kengo Kuma and Associates, está muito próximo de ser inaugurado. Implantado em Eskişehir, uma cidade universitária no noroeste da Turquia, o complexo deverá abrir as suas portas no próximo mês de junho. O OMM conta com uma coleção de arte moderna de valor significativo além de um completo acervo de arte contemporânea internacional. A nova estrutura cultural de Eskişehir é mais um projeto de museu desenvolvido pelo arquiteto japonês, quem recentemente inaugurou o impressionante Victoria & Albert Museum de Dundee.
O projeto de 4.500 metros quadrados leva a assinatura característica de Kuma, uma estrutura completamente construída em madeira, inspirada pela tradicional arquitetura das casas otomanas de Omunpazari, um sinônimo da cultura e tradição construtiva da região além de uma homenagem ao próspero mercado local de madeira. Juntamente com vários outros museus da cidade, o OMM se transformará em um novo espaço de encontro e convívio no centro da cidade de Eskişehir.
O escritório C.F. Møller Architects concluiu o edifício de madeira mais alto da Suécia, que já está recebendo seus primeiros moradores. Situado em Västerås, a uma hora de Estocolmo, o edifício foi construído com madeira maciça, buscando reduzir radicalmente as emissões de CO2 e afetar positivamente o conforto ambiental em seu interior.
A torre de 8,5 pavimentos de altura conta com um térreo elevado e pavimento superior de altura dupla. Todas as paredes, vigas, varandas, elevadores e escadas feitas de madeira laminada cruzada. O uso de madeira maciça e madeira laminada colada possibilita criar uma estrutura hermética e eficiente em termos energéticos, sem a necessidade de revestimento adicional.
https://www.archdaily.com.br/pt/912702/cf-moller-architects-conclui-o-edificio-de-madeira-mais-alto-da-sueciaNiall Patrick Walsh
Pesquisadores da Columbia University desenvolveram um método para recriar os padrões internos e externos de materiais como a madeira usando impressoras 3D e técnicas digitalização. Ao passo que a aparência externa e os padrões de objetos naturais são testados e experimentados com certa facilidade, um grande desafio na indústria de impressão 3D é a replicação da textura interna dos objetos.
Em seu estudo mais recente, intitulado Digital Wood: 3D Internal Color Texture Mapping,a equipe de pesquisadores descreve como um sistema de "mapeamento de cores e voxels" leva à produção de um objeto impresso em 3D cuja textura se parece muito com a da madeira de oliveira, inclusive em corte.
OOPEAA, trabalhando em colaboração com a Lundén Architecture Company, ganhou um concurso de projeto e construção para um conjunto habitacional de madeira em Kivistö, Vantaa, na área metropolitana de Helsinque, Finlândia. Organizado pela cidade de Vantaa, o concurso pediu aos participantes que projetassem um distrito de casas de madeira, parte de um compromisso de "proporcionar um desenvolvimento consciente do clima na habitação".
Intitulado “Lá em cima - Lá embaixo, vivendo juntos em três níveis”, o esquema de OOPEAA e Lundén fará parte do distrito sustentável mais amplo, criando uma ligação entre a floresta natural, as ruas ativas e a infraestrutura ferroviária.
https://www.archdaily.com.br/pt/902540/oopeaa-plus-lunden-architecture-company-projetam-habitacoes-em-madeira-para-helsinqueNiall Patrick Walsh
Muitas vezes, como arquitetos, negligenciamos como os prédios que projetamos irão se desenvolver quando os entregamos às intempéries. Passamos tanto tempo tentando entender como as pessoas usarão o edifício que podemos esquecer como ele será danificado pelo tempo. É um processo inevitável e incerto que levanta a questão de quando um edifício está realmente completo; quando a peça final de mobília é movida para dentro, quando a telha final é colocada ou quando ele já passou anos a céu aberto deixando a natureza seguir seu curso?
Ao invés de piorar o edifício, as forças naturais podem contribuir para a integridade do material, suavizando e melhorando sua aparência inicial. É importante considerar os materiais após o processo de construção, para criar uma estrutura que só aumente em beleza ao longo do tempo. Para ajudá-lo a alcançar um edifício em evolução, reunimos seis materiais diferentes que envelhecem com dignidade.
Como parte de um masterplan ao longo do Rio Chicago, a Torre Beech River é um arranha-céu residencial que, se construído, será a mais alta construção de madeira existente. A equipe por trás do projeto consiste do escritório de arquitetura Perkins + Will, engenheiros da Thornton Tomasetti e a Universidade de Cambridge. Atualmente um empreendimento conceitual acadêmico e profissional, a equipe pontua que ele poderia ser realizado potencialmente nas fases finais de implantação do masterplan.