Diante da crise climática e no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o reuso de materiais ganhou destaque nos campos da construção e da arquitetura nos últimos anos. Da "mineração urbana" às avaliações de ciclo de vida (ACVs), profissionais, organizações e pesquisadores/as exploram diferentes soluções e estratégias para enfrentar esse mesmo desafio global. O Project (Un)Build é uma iniciativa de pesquisa que desenvolve métodos de construção reversível em madeira com o uso de cintas e placas de fricção para facilitar o reuso de materiais. A iniciativa contribui para o debate e a reflexão contínuos sobre o próprio ato de construir.
As obras do Gothenburg Grand Central estão avançando. O novo edifício de estação e sua destacada entrada oeste foram projetados pelo escritório Reiulf Ramstad Arkitekter. O projeto faz parte da linha ferroviária suburbana West Link (Västlänken), na Estação Central de Gotemburgo, que consiste em 8 quilômetros de ferrovias e inclui três novas estações: Centralen, Haga e Korsvägen. A nova rota deve aumentar a capacidade nos horários de pico e reduzir o tempo de viagem dos trens suburbanos e regionais, conectando-se diretamente à estação central existente e ao Terminal Nils Ericson. A inauguração da nova estação está prevista para dezembro de 2026, junto com a estação subterrânea Centralen do Västlänken. Os inquilinos dos escritórios devem se mudar ao longo de 2027, e o restante do túnel tem previsão de abertura para o tráfego até dezembro de 2030.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
O escritório de arquitetura vencedor do Prêmio PritzkerHerzog & de Meuron divulgou novas imagens que mostram o avanço das obras do Memphis Art Museum, previsto para ser inaugurado em dezembro de 2026. Funcionando atualmente como Memphis Brooks Museum of Art, a instituição é o mais antigo e maior museu de arte do Tennessee, nos Estados Unidos, com um acervo de mais de 10.000 obras que abrangem da arte antiga à contemporânea. Encomendado em 2019, o projeto marca a mudança do museu para uma nova sede no centro de Memphis, ao longo da encosta do Rio Mississippi. As primeiras imagens do novo campus cultural, projetado pelo Herzog & de Meuron em parceria com o escritório local responsável archimania e paisagismo desenvolvido pela OLIN, foram divulgadas em 2021. O museu de 11.500 metros quadrados expandirá a área de exposições em 50% e introduzirá amplos espaços gratuitos e acessíveis ao público, concebidos como um convite aberto à cidade.
No âmbito do consórcio Schools by Circlewood, David Gianotten e Michael den Otter do OMA, em parceria com o Studio A Kwadraat, representado por Jimmy van der Aa, foram os vencedores do concurso para projetar a escola Wisperweide em Weesp. Esta será a primeira escola a ser construída utilizando o sistema modular pré-fabricado de madeira da Schools by Circlewood, desenvolvido em colaboração com o OMA. Recentemente, o sistema foi escolhido pela administração de Amsterdã para ser implementado em toda a rede de escolas da cidade.
Após vencer uma competição internacional, a AMDL CIRCLE foi escolhida para criar o pavilhão que representará a visão e o espírito dos países nórdicos na Expo Osaka 2025. A proposta adota uma abordagem sustentável e circular, projetando a estrutura de forma que possa ser desmontada e reutilizada. Desenvolvido tecnicamente pela Rimond e concebido pela AMDL CIRCLE, o pavilhão visa demonstrar o respeito e a conexão dos nórdicos com o meio ambiente, oferecendo espaço para inovações tecnológicas.
The Farmhouse / Studio Precht. Imagem cortesia de Precht
A madeira, um material de construção milenar, deixou uma marca significativa na evolução da arquitetura. Estruturas como casas geminadas e antigas catedrais têm testemunhado o uso criativo da madeira como principal material construtivo. Com o avanço da tecnologia e o crescimento vertical das paisagens urbanas, a madeira emergiu como uma forte concorrente do aço e do concreto no projeto de arranha-céus.
Recentes avanços na engenharia, na ciência dos materiais e nas técnicas de construção abriram portas para uma nova era de experimentação, permitindo a construção de arranha-céus de madeira em todo o mundo. Eles representam uma mudança em relação aos métodos tradicionais de construção, combinando funcionalidade com a preocupação com o meio ambiente. A madeira, como material, com sua resistência mecânica e ao fogo, é uma esperança para uma indústria em busca de um futuro mais sustentável.
A África tropical abriga vastas florestas que se estendem por 3,6 milhões de quilômetros quadrados nas regiões Ocidental, Oriental e Central do continente. Essas florestas desempenham um papel crucial, fornecendo madeira para os setores de móveis, combustíveis e indústrias de papel. No entanto, a madeira ainda não faz parte da arquitetura contemporânea dessas regiões. Embora o gosto arquitetônico seja um fator, a principal razão para essa ausência está relacionada à incapacidade das indústrias madeireiras em atender aos requisitos de disponibilidade, acessibilidade, apelo estético, durabilidade e desempenho climático e estrutural da madeira. A indústria madeireira na África tropical é composta principalmente por operações informais e de pequena escala, focando principalmente no corte de toras, em vez de refinar a madeira para uso em projetos arquitetônicos ou estruturais. Apesar disso, o grande número de empresas informais na região apresenta uma oportunidade para remodelar a indústria e aproveitar os recursos florestais locais na construção de edifícios em madeira.
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Courtesy of Atrium Ljungberg | White Arkitekter
A Atrium Ljungberg divulgou recentemente o projeto Stockholm Wood City, o maior empreendimento urbano em madeira do mundo. A construção está prevista para iniciar em 2025 e os primeiros edifícios devem ser concluídos em 2027.
Com impressionantes 250 mil metros quadrados, o projeto estabelece um exemplo sustentável para o mercado imobiliário, o que é essencial já que o ambiente construído contribui com 40% das emissões mundiais de CO₂. Além disso, a Stockholm Wood City está prestes a se tornar um ponto de virada na arquitetura e planejamento urbano sustentável. Situada em Sickla, no sul de Estocolmo, este bairro inovador oferecerá mais de duas mil residências e sete mil espaços comerciais. Ao mesclar espaços de trabalho, residências, comunidades, estabelecimentos gastronômicos e espaços de varejo, o objetivo é criar um ambiente urbano vibrante e dinâmico.
Torres, passarelas, decks, cabines e casas de árvores. Desde o ano de 2010, o Festival Hello Wood tem erigido dezenas de construções temporárias, com um denominador comum: a madeira. Trata-se de uma iniciativa que busca democratizar o conhecimento em torno deste material, que apresenta um grande potencial para o futuro, mas que ainda sofre com inúmeros preconceitos na indústria da construção. Através da conexão entre designers e artistas de diferentes origens culturais, acadêmicas e profissionais, o evento utiliza a construção como plataforma para inovação, discussão e conhecimento. Oferece aos participantes a oportunidade única de experimentar métodos de design e construção sustentáveis, incentivando a aprendizagem através da experiência, realizado em uma área florestal próxima a Budapeste, Hungria.
Como parte do consórcio Circlewood, o OMA, encabeçado por David Gianotten e Michel den Otter, desenvolveu um sistema modular para construir escolas que podem se adaptar e transformar ao longo de sua vida útil. O sistema foi escolhido pela cidade de Amsterdã para ser usado na construção de várias escolas nos próximos dez anos, como parte do programa Innovation Partnership School Buildings. A iniciativa visa construir escolas "de alta qualidade, flexíveis e sustentáveis" como forma de contribuir para a meta da cidade de se basear totalmente na economia circular até 2050.
House at 9,000 feet, Intermountain Region of the United States. Image Courtesy of MacKay-Lyons Sweetapple Architects
O Canadian Wood Council anunciou os vencedores do 39º programa anual Wood Design & Building Awards. O prêmio homenageia e reconhece as contribuições de arquitetos de todo o mundo que se destacam em design e construção em madeira. Este ano, o programa atraiu um recorde de 181 indicações de 25 países diferentes, e 24 projetos vencedores foram escolhidos entre os inscritos
A madeira é um material natural, renovável e pode apresentar baixas emissões de carbono se manejado adequadamente. No entanto, enquanto material de construção, quando submetida a uma força direcional ao longo de sua fibra, a madeira serrada é estruturalmente instável e considerada inadequada para cargas mais elevadas. Em comparação, a madeira laminada cruzada (CLT) — cuja fabricação envolve simplesmente a colagem de várias camadas de madeira com as fibras arranjadas numa trama perpendicular — atinge um nível muito mais alto de rigidez estrutural ao longo de ambos os eixos. Os componentes de CLT devem ter no mínimo três camadas, mas podem ser reforçados com a adição de outras. Simplificando, devido à complexa física envolvida na laminação perpendicular, a resistência da CLT é semelhante à do concreto armado, com desempenho comprovado sob forças sísmicas.
Então, o que há de novo? A madeira já existe há tempo suficiente, e a usamos como material de construção há séculos. Certamente esta não é a primeira vez que alguém percebe que ela fica mais forte quanto mais você a usa. Bem... como era de se esperar, a mudança de popularidade da madeira laminada cruzada na construção coincide com uma maior compreensão e foco nas causas ambientais, mas a relação nem sempre foi positiva.
Shigeru Ban acaba de lançar seu mais recente projeto em Nieuw Zuid, na Antuérpia, Bélgica. Batizado de Ban, em homenagem ao seu criador, e projetado em colaboração com o Bureau Bouwtechniek, o complexo consiste em uma torre residencial de 25 pavimentos e um edifício lateral, criando um total de 295 unidades residenciais. Durante a cerimônia de inauguração, o arquiteto também abriu uma exposição de imagens destacando seu trabalho humanitário em áreas de conflito e desastre, próximo ao canteiro de obras.
A Icon Architects divulgou o projeto de uma torre de madeira de 90 metros de altura em Toronto, Canadá, que se tornará, uma vez concluída, o edifício mais alto da América do Norte. Chamado "191-199 College Street", o projeto está alinhado com o masterplan liderado por Alison Brooks Architects, Adjaye Associates, Henning Larsen e SLA para desenvolver o Waterfront de Toronto, que visa transformar a cidade em um polo de habitações a preços acessíveis, espaços públicos de qualidade e novas oportunidades de negócios. A construção em CLT gerará cerca de 3.300 toneladas métricas de emissões de gases de efeito estufa a menos que uma obra convencional. Além dos benefícios ambientais, a torre acomodará cerca de 400 unidades de aluguel a preços acessíveis.
Herzog & de Meuron revelaram seu mais recente empreendimento de uso misto em um dos distritos mais desejáveis de Austin, Texas. Apelidada de 'Sixth & Blanco', a estrutura horizontal contínua de madeira está aninhada entre fachadas de lojas vernaculares, restaurantes, lojas, galerias, ruas arborizadas e rotas pedonais perto do bairro de Clarksville. O desafio do projeto era propor uma arquitetura que materializasse ingredientes-chave de seu entorno e os distribuísse em um programa denso e permeável.