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Arquitetos: Alventosa Morell Arquitectes
- Área: 140 m²
- Ano: 2025



Uma mesa longa pode ser colocada em quase qualquer lugar e ainda desempenhar a mesma função. Ela pode se estender sob a cobertura de um mercado, alinhar-se ao refeitório de uma escola ou ocupar o centro de uma sala de estar compartilhada, alterando imediatamente a temperatura do ambiente.
É por isso que a mesa longa é menos um objeto e mais um instrumento espacial. Ela não garante uma conexão e raramente parece "inclusiva" por padrão. Em vez disso, estabelece condições: uma borda compartilhada, um ritmo comum de chegada, um campo de visibilidade mútua ou uma regra que transforma o ato de comer em uma cena compartilhada. Estudos sobre alimentação descrevem essa prática como comensalidade, o ato de comer junto e a ordem social que ele pode criar, reforçar ou contestar. No entanto, o que importa aqui não é uma dimensão específica ou a função da mesa, mas a maneira como uma superfície longa comporta a diferença, a conversa e o silêncio; a intimidade e a distância; a decisão de se juntar e o direito de hesitar.

Nos últimos anos, a alimentação assumiu um papel renovado na arquitetura, não apenas como um programa ou tipologia, mas como uma prática espacial compartilhada. Para além do design de restaurantes ou de espaços de refeição, as áreas destinadas ao comer coletivo são cada vez mais compreendidas como ambientes onde a presença, o ritual e o tempo se cruzam, permitindo que as pessoas se reúnam, permaneçam e coexistam. Nesses contextos, o ato de comer não ocorre apenas dentro de um espaço; ele o molda ativamente, transformando temporariamente ambientes comuns, emprestados ou improvisados em locais de troca.
Essa mudança é visível em uma ampla gama de projetos construídos, instalações e espaços comunitários que utilizam as refeições coletivas como meio de aproximar as pessoas. Iniciativas como o Fondo Supper Club estruturam o ato de jantar como uma plataforma social, usando a comida para conectar artistas, designers e comunidades locais por meio do diálogo e da colaboração. Da mesma forma, a sit.feast, apresentada durante a Semana de Design de Milão de 2024, abordou a mesa como uma instalação espacial na qual sentar-se e comer juntos se tornaram os meios primordiais para a produção coletiva do espaço.


Em um mundo que enfrenta o esgotamento ecológico e a saturação espacial, o ato de construir passou a representar tanto criação quanto consumo. Durante décadas, o progresso arquitetônico foi medido pelo novo: novos materiais, novas tecnologias, novos monumentos à ambição. Hoje, no entanto, a disciplina é cada vez mais moldada por outra forma de inteligência, que valoriza o que já existe. Profissionais da arquitetura estão aprendendo que fazer menos pode significar projetar mais, e essa mudança marca o surgimento do que se poderia chamar de uma arquitetura da contenção: uma prática definida pelo cuidado, pela manutenção e pela escolha deliberada de não construir.
Esse princípio reconhece que o edifício mais sustentável costuma ser aquele que já está de pé, e que a transformação pode ocorrer por meio da preservação, do reparo ou até mesmo da ausência. Escolher não construir torna-se um ato político e criativo, uma resposta aos limites materiais do planeta e aos limites éticos do crescimento infinito. Essa arquitetura vai além da produção de novas formas para abraçar a continuidade, prolongando a vida útil de estruturas, materiais e memórias que já habitam o mundo.

À medida que a arquitetura avança para além do design centrado no ser humano, novas práticas repensam a coexistência como uma estrutura ética e ecológica. Das infraestruturas políticas aos habitats, essas abordagens nos convidam a imaginar a arquitetura como um sistema vivo compartilhado.
A arquitetura moderna foi, por muito tempo, escrita sob uma ótica antropocêntrica, colocando o ser humano no centro e tornando invisíveis as demais espécies. Contudo, esse paradigma vem se transformando, à medida que profissionais da arquitetura e da pesquisa redefinem o papel do design em mundos mais-que-humanos. Estúdios como Office for Political Innovation, Studio Ossidiana e Husos Architects questionam as narrativas centradas no ser humano e reformulam o design como uma prática compartilhada entre espécies. Nesse contexto, a arquitetura deixa de ser uma ferramenta de controle para se tornar um meio de coexistência, uma disciplina que media a relação entre espécies, ambientes e culturas.

Os EUmies Awards são organizados anualmente pela Fundació Mies van der Rohe e pela Comissão Europeia, com o apoio do Programa Europa Criativa da União Europeia. Partindo do princípio de que "a arquitetura não é apenas uma questão técnica ou estética, mas sim cultural, ambiental e democrática", este 19º ciclo do prêmio reúne 410 obras de 40 países e 143 regiões de toda a Europa. Além de reconhecer projetos de arquitetura contemporânea, a premiação busca refletir valores europeus como diversidade cultural, sustentabilidade, democracia e solidariedade. Este ano, a maior parte das obras indicadas (23%) corresponde a projetos residenciais, englobando tanto habitação multifamiliar quanto unifamiliar, seguidos por programas culturais (13%) e educacionais (12%). A seleção apresenta um equilíbrio entre transformações de edifícios existentes (44%) e novas construções (56%). Além disso, 12% dos indicados são obras transnacionais e 33% dos escritórios têm dez anos de atuação ou menos, o que destaca a crescente visibilidade de escritórios emergentes.

As chaminés estão entre os elementos mais silenciosamente persistentes da história da arquitetura. Ainda assim, sua presença se mantém em quase todos os contextos culturais e climáticos, servindo tanto como recurso técnico quanto como dispositivo espacial, atmosférico e simbólico. Ela povoa os densos horizontes urbanos e ancora as paisagens rurais, com sua silhueta vertical sendo tão comum quanto uma janela ou o portal de uma porta. Essa aparente simplicidade, no entanto, é enganosa. A chaminé é um dos poucos componentes arquitetônicos que conectam a escala íntima da vida interior com as forças expansivas do meio ambiente. Para arquitetos/as e designers, a necessidade da chaminé apresenta uma escolha: deixá-la desaparecer discretamente no tecido funcional do edifício ou amplificá-la como um elemento central e expressivo que molda a identidade de um projeto.




A inovação está no cerne da arquitetura, manifestando-se através de novas abordagens projetuais, da experimentação material e, naturalmente, das formas de habitar. Diante disso, a concepção de edifícios e espaços internos passa por uma constante evolução. Esse processo é especialmente evidente em regiões com um rico patrimônio cultural, como a Espanha, onde a inovação reinterpreta as maneiras tradicionais de se relacionar com o espaço. Essa atenção à memória e à vida cotidiana estende-se aos interiores, nos quais cada intervenção tem o potencial de remodelar ativamente a experiência espacial das pessoas e abrir novas possibilidades de convivência e interação.

Os espaços que habitamos são repletos de movimentos, atividades e encontros: a cozinha onde preparamos a comida, a sala onde nos reunimos, o escritório onde trabalhamos. No meio de tudo isso, alguns elementos passam despercebidos, mas conectam a nossa experiência com o entorno: interruptores, tomadas e placas elétricas. Esses dispositivos não apenas permitem a distribuição de energia, mas também estruturam e facilitam a interação com o espaço, atuando como nós que vinculam funções e fluxos, ao mesmo tempo em que reforçam a identidade estética dos interiores.
