Já falamos aqui sobre os materiais km zero: todos aqueles que podem ser adquiridos diretamente no local sem ter passado por diferentes etapas de processamento ou tratamento com produtos tóxicos, e mais do que isso, que no final de sua vida útil possam ser devolvidos ao meio ambiente sem causar grandes danos ou impactos negativos na paisagem natural.
Por exemplo, a madeira que cresce no local, a poucos quilômetros da obra, é um material extremamente sustentável, muito porque, dispensa a necessidade de transporte, reduzindo custos globais e emissões de gases do efeito estufa além de valorizar os recursos e a mão de obra local, permitindo estabelecer processos mais simples, eficientes e sustentáveis—vinculados às pessoas e ao território na qual a obra se insere.
Muitas vezes, os edifícios acabam como lixo no final de seu ciclo de vida. Como o ambiente construído pode se mover em direção a uma economia circular e, por sua vez, re-imaginar como os materiais valiosos são rastreados e reciclados? Procurando resolver este problema, os "passaportes de materiais" são uma ideia que envolve repensar como os materiais são recuperados, durante a reforma e demolição, para reutilização. O resultado é que, quando um prédio está pronto para ser demolido, ele se torna um banco de armazenamento de materiais úteis.
Plantar árvores é uma das ações mais simples e eficientes combater as mudanças climáticas, e o plantio é usado por muitas empresas para compensar as emissões de carbono. Mas, ao escolher este caminho, é preciso se certificar que estamos plantando árvores que efetivamente irão armazenar quantidades suficientes de carbono.
Nesta escolha, o local do plantio é um fator importante. As árvores precisam ser plantadas onde poderão viver durante décadas e absorver devidamente o carbono que circula no ar.
https://www.archdaily.com.br/pt/966892/inteligencia-artificial-da-ibm-indica-onde-plantar-arvores-para-armazenar-mais-carbonoEquipe ArchDaily Brasil
Cortesia de Trent Basin, Nottingham, UK. Blueprint Regeneration, Martine Hamilton Knight
Em seu mais recente relatório, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que o aumento da temperatura média global em 1,5ºC será essencialmente inevitável ao longo das próximas décadas. Embora tenhamos que aceitar e conviver com esta realidade, a questão agora é se seremos capazes de inverter esta tendência para evitar um acréscimo ainda maior—que é para onde estamos apontando hoje segundo o IPCC. O relatório informa ainda que, para limitarmos o aumento da temperatura global em apenas 1,5ºC, não poderemos superar em hipótese alguma, a quota das 420 gigatoneladas em emissões de gases do efeito estufa. Acontece que, de acordo com os cálculos do IPCC, se mantivermos o nosso atual passo em matéria de emissões, atingiremos esta meta com facilidade até o ano de 2030. Isso significa que precisamos eliminar com urgência o uso de combustíveis fósseis e investir amplamente na construção de usinas de energia de fontes renováveis para abastecer nossos veículos, casas e cidades.
As intenções da Cidade de 15 Minutos são louváveis. Há muito tempo acredito que caminhar é o melhor de todos os modos de transporte. Também creio que as cidades devem ser livres das regulamentações comerciais que dificultam o surgimento de pequenas lojas e cafés aconchegantes em bairros residenciais. Um bairro de uso misto vivo e dinâmico pode ser um dos melhores presentes do empreendedorismo urbano.
Nos Estados Unidos, regulamos o empreendedorismo dos pobres muito mais do que o dos ricos. Os ricos inovam no ciberespaço, uma zona, em grande parte, livre de regulamentação. Do outro lado, os pobres inovam na prática, em coisas reais, sob as regras do governo local, que microgerenciam o físico.
A prática da arquitetura cada vez mais se voltará para a reutilização de espaços pré-existentes, confiando ao projeto a chance de remodelar seus ambientes, trazer novos usos ao espaço e, assim, diminuir o dano ao meio ambiente. Neste panorama, reciclar galpões não é uma novidade. Por se tratar de espaços que cobrem grandes vãos e possibilitam infinitas possibilidades de ocupação em seu interior, a prática tem se tornado cada vez mais comum.
As técnicas vernaculares e os materiais locais têm ganhado protagonismo no debate da arquitetura, mas, é possível trazer esses conceitos para os grandes centros urbanos?
O arquiteto amazonense Severiano Porto já apontava em 1984 a necessidade de se pensar em uma arquitetura mais conectada com o lugar onde está implantada. A lógica do uso de materiais e técnicas locais cada dia mais se mostra necessária quando pensamos no impacto que a cadeia produtiva da construção civil têm no planeta. Não à toa, cada dia está mais comum o número de projetos que partem do princípio das técnicas vernaculares e do uso de materiais locais, assim como a produção de Severiano já anunciava desde a década de 1980.
A incrível pesquisa “A Long History of a Short Block”, de Bill Easterly, Laura Freschi e Steven Pennings, analisou o desenvolvimento de uma quadra na Greene St., no bairro do SoHo, em Nova York, ao longo de quatro séculos. Neste período, a cidade se mostrou em um constante processo de desenvolvimento, mostrando que a pergunta “Qual o ‘caráter original’ de um bairro?” é mais difícil de responder do que parece.
A começar que a Manhattan de arranha-céus que conhecemos hoje é relativamente recente na sua história. Antes dos holandeses chegarem ao que chamariam de “Nova Amsterdã”, em 1625, a região era tomada por florestas e pantanais, um ecossistema rico que incluía, inclusive, ursos e lobos.
Na China tradicional, tanto o chá quanto o álcool, foram similarmente estetizados e ambos influenciaram a linguagem da literatura e da arte. As pessoas costumavam oferecer o álcool como um presente, posteriormente o mesmo ocorreu com o chá. Hoje, diversas cidades na China abraçaram esta cultura de beber, passada de geração em geração e reinterpretada com uma nova forma contemporânea, em constante evolução nos cafés e bares urbanos.
Estima-se que o cobre tenha sido o primeiro metal a ser encontrado pelos homens e utilizado na fabricação de ferramentas e armas. Isso ocorreu no último período da pré-história, há mais de 10.000 anos atrás, na chamada Idade dos Metais, quando os grupos, até então nômades, começaram a se tornar sedentários, dominando a agricultura e iniciando os primeiros aglomerados urbanos. O cobre, desde então, tem sido explorado para usos muito diversificados. De objetos de decoração, joias, peças automotivas, sistemas elétricos e até amálgamas dentárias, entre muitos outros, o material possui uma demanda enorme. Na arquitetura, os revestimentos de cobre são bastante apreciados por conta de sua estética e grande durabilidade. Mas um fator que cabe ser mencionado é que o cobre pode ser reciclado infinitas vezes, praticamente sem perder suas propriedades.
Quando falamos de arquitetura vernacular, na maioria dos casos, estamos nos referindo a uma forma de se construir específica de uma determinada região—ou uma arquitetura que incorpora sistemas construtivos e materiais locais. As características que definem a arquitetura vernacular, portanto, variam enormemente de lugar para lugar, compreendendo exemplos que vão desde as Casas Colmeias de Harran, na Turquia, às tradicionais casas malaias encontradas em todo o sudeste da Ásia. Dito isso, a arquitetura vernácula continua sendo hoje uma das principais fontes de inspiração para muitos arquitetos e arquitetas ao redor do mundo.
O estudante brasileiro Luan Fontes, da Universidade do Porto, em Portugal, venceu o concurso nacional Casa Saudável, Cidade Saudávelcom um projeto modular composto por contêineres. A competição, organizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, CAU/RS, em parceria com a UN-Habitat e a Minimum, buscava as melhores soluções arquitetônicas e urbanísticas para inovações ou melhorias em diferentes escalas e espaços de vivência em áreas urbanas, com vistas a propiciar qualidade de vida nas cidades a partir da nova realidade que a pandemia impôs à sociedade.
O mais novo episódio do Arquicast aborda um dos assuntos mais marcantes e trágicos da história recente. Um evento que provocou mudanças radicais nas esferas políticas, sociais e culturais a nível global e que teve como protagonista um ícone arquitetônico americano, cuja simbologia ultrapassou o edifício em si, dando origem a um dos concursos de projetos mais conhecidos mundialmente. Estamos falando do 11 de setembro de 2001, o dia em que um atentado terrorista matou aproximadamente três mil pessoas, feriu mais de seis mil e colocou abaixo o complexo comercial e empresarial do World Trade Center, do qual faziam parte as mundialmente famosas Torres Gêmeas, em Nova Iorque.
O monumental museu revestido de granito do Atelier Jean Nouvel, no distrito de Pudong em Xangai, agora está finalizado e aberto aos visitantes. Rotulado como um "domínio" pelo escritório de arquitetura, o Museu de Arte de Pudong ocupa um amplo terreno de quase 40.000 m² nas margens do rio Huangpu, e oferece aos visitantes um espaço voltado para a cultura, cercado pelo rio e por uma paisagem com grandes árvores.
"Todos nós temos que mudar nossa maneira de pensar agora. Quero mudar minha arquitetura para que ela seja ainda mais gentil com a natureza", disse Kengo Kuma em entrevista ao Louisiana Channel, onde ele compartilha suas ideias sobre o impacto da pandemia na arquitetura e no meio ambiente. O arquiteto discute a responsabilidade coletiva em relação à natureza e a importância de projetar edifícios e cidades que possibilitem e incentivem atividades ao ar livre.
Intitulada "The Available City", a quarta edição da Bienal de Arquitetura de Chicago será aberta ao público no dia 17 de setembro de 2021. Este ano, o evento apresenta um modelo de bienal sem precedentes que experimenta uma série de projetos site specific e programas exibidos em Chicago, "reformulando o que uma bienal pode fazer, ser e explorar em uma cidade". Mais de 80 projetos de 18 países diferentes responderão a uma estrutura de design urbano e trarão ideias para espaços coletivos centrados na comunidade por meio de elementos arquitetônicos, programação envolvente e experiências comunitárias aprimoradas.
Neste vídeo, Will Quam, do Brick of Chicago, nos conduz pela cidade norte-americana para questionar o famoso ditado de Louis Kahn de que todo tijolo aspira a ser um arco. Aqui, no bairro de Logan Square, encontramos tijolos de todos os tipos que — além dos arcos — assumem outras configurações e metáforas para descrever suas qualidades: tijolos têxteis e paginações ornamentais, pinceladas de uma pintura, juntas finas e acabamentos vitrificados, tijolos em pé (soldados) e de cantos arredondados.
CLOU architects é um premiado escritório internacional que atua nas áreas de arquitetura, interiores e paisagismo. A equipe desenvolve projetos de tipologias diversas com foco na conexão comunitária e no design de espaços sociais. O corpo técnico multidisciplinar da CLOU é composto por 65 arquitetos/as e designers experientes da China e de várias partes do mundo. Sua carteira de clientes engloba incorporadoras de varejo comercial e de uso misto, investidores residenciais, operadoras hoteleiras, além de instituições governamentais e de ensino. Sob a liderança do arquiteto alemão JAN CLOSTERMANN, a equipe da CLOU dedica-se a conceber soluções espaciais integradas e inovadoras sob medida para seus clientes. O escritório explora o potencial dos espaços públicos em edifícios de alta densidade, com o objetivo de impulsionar de forma sutil o desenvolvimento comunitário e gerar um impacto positivo no comportamento e no estilo de vida das pessoas.
Como arquitetas e arquitetos, entendemos a importância da troca de conhecimentos para o nosso setor e, com a Internet, vimos uma oportunidade de encaminhar o tradicional formato de publicações de arquitetura no sentido de sua evolução natural. Um esforço apaixonado e instintivo que acabou encontrando as forças que moldavam nosso novo contexto global à medida que adentrávamos a era das megacidades e a população urbana global crescia exponencialmente. A compreensão desse cenário deu forma à nossa missão: oferecer inspiração, conhecimento e ferramentas para os arquitetos – e todos os envolvidos no processo – enfrentarem os desafios do nosso ambiente construído.
Cortesia de Seoul Biennale of Architecture and Urbanism
A Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Seul de 2021 estreará no dia 16 de setembro com uma série de exposições, eventos e conferências que propõem uma reflexão sobre o futuro dos ambientes urbanos e as estratégias de arquitetura e planejamento que promovem a resiliência. Sob o título “CROSSROADS, Building the Resilient City” (“Encruzilhadas, Construindo a Cidade Resiliente”), a terceira edição da SBAU, com curadoria de Dominique Perrault, busca afirmar a importância das interações e do “intercâmbio de conhecimentos e abordagens” para responder às complexidades que moldam o ambiente construído, tudo sob a perspectiva atual da resiliência.
Desenho de proposta de concurso número 11956 de Jørn Utzon, Jørn Utzon | Hellebæk, Dinamarca.. Imagem cortesia de State Archives, NSW
Este breve ensaio, escrito pelo autor e crítico Jonathan Glancey, coincide com o lançamento da primeira edição do Architecture Drawing Prize – uma premiação organizada pelo World Architecture Festival, pelo Sir John Soane's Museum e pelo escritório Make. O prazo de inscrição para o prêmio se encerra em 17 de setembro de 2021.
“'Letramento visual' é uma palavra?”, pergunta Ken Shuttleworth, fundador da Make Architects e idealizador do The Architecture Drawing Prize. Sim, é. “Assim como a alfabetização tradicional”, diz ele, “é certamente o que me interessa ao analisar e avaliar desenhos. Trata-se da fluência em produzi-los e compreendê-los.” O Architecture Drawing Prize está agora em seu quinto ano. “Costumamos ver pouquíssimos desenhos feitos à mão por jovens arquitetos/as — eles/as usam majoritariamente computadores — e, hoje, a maior parte dos/as estudantes de arquitetura vem de uma formação mais voltada à matemática e à física do que às artes. Ainda assim, acredito que o desenho à mão seja de suma importância.”
Uma simplicidade rigorosa, mas calorosa, continua sendo a base do design dinamarquês. Imagem cortesia de BoConcept
Atualmente, os espaços domésticos e corporativos precisam se adaptar e funcionar de diferentes maneiras, o que torna a flexibilidade, a simplicidade e a utilidade do design dinamarquês mais relevantes do que nunca.
O escritório CRA-Carlo Ratti Associati mescla arquitetura e agricultura urbana na recém-inaugurada Torre Jian Mu em Shenzhen, China. O edifício de 218 metros de altura incorpora uma fazenda hidropônica vertical em grande escala em toda a sua fachada, cultivando vegetais que pode alimentar até 40 mil pessoas por ano. A torre de 51 andares também incluirá escritórios, habitação, um supermercado e uma praça de alimentação com jardins internos para recreação e encontros sociais.
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Casa Piedra Blanca / Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli. Image Cortesia de Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli
O steel frame é um sistema composto por perfis de aço galvanizado, de espessura entre 0,80 mm e 3 mm, dobrados a frio, e montados como quadros estruturais, com montantes verticais e horizontais. Para envolver os perfis estruturais, são utilizadas chapas de OSB, cimentícias ou de gesso acartonado, que podem receber acabamentos e pinturas interna e externamente. No interior das paredes pode-se incluir materiais isolantes, como lã mineral, de vidro, ou outros, para aumentar o isolamento termo acústico. No sistema steel frame, toda a parte elétrica e hidráulica é instalada antes do fechamento dos painéis, tornando o processo mais eficiente e sem quebras e desperdícios de materiais. Limpeza da obra, eficiência e rapidez são pontos chave neste sistema construtivo altamente disseminado pelo mundo.