No último novembro, a conferência anual do clima em Sharm el-Sheikh, a COP 27, terminou com um acordo provisório firmado para estabelecer um fundo climático de “perdas e danos” para a África e outros países em desenvolvimento. Para os africanos, isso foi motivo de uma comemoração contida, já que por gerações o continente construiu sua agenda de mudança climática quase exclusivamente em torno da busca pela justiça climática, visando responsabilizar as nações industrializadas pela maior parte das emissões globais de carbono.
Tudo isso se desenrolou ao mesmo tempo em que a maioria dos países africanos lida com os desafios mais básicos: saneamento urbano ineficiente; má gestão de águas pluviais; escassez de água, saneamento e instalações de higiene; desmatamento e degradação ambiental.
https://www.archdaily.com.br/pt/996449/e-hora-da-africa-criar-sua-propria-agenda-para-as-mudancas-climaticasMathias Agbo, Jr.
A atmosfera que se sente ao entrar em edifícios centenários é evidente. Embora a degradação e até a destruição intencional de estruturas e espaços antigos seja lamentável e vergonhosa, muitas vezes é parte inevitável de um planejamento urbano saudável, tocando importantes leis e regulamentações de saúde e segurança.
Sempre que esses ambientes históricos, porém antiquados, são atualizados e adaptados para a vida moderna de forma imprudente, os resultados são grotescas versões Frankenstein de si mesmos. Quando a transformação é tratada com cuidado e respeito, no entanto, a grandeza e a escala contemplativa dos espaços permanecem.
Diante dos desafios para alinhar as demandas de desenvolvimento com as políticas de sustentabilidade, pesquisadores da FGV EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo), junto à organização não governamental internacional ICLEI (sigla em inglês para Governos Locais para a Sustentabilidade), e outros parceiros, criaram o Guia de Infraestrutura Verde e Azul. O objetivo é realizar um passo a passo de como tornar cidades sustentáveis, com foco em melhorar a governança local em relação a três fatores-chave: alimentação, água e energia.
https://www.archdaily.com.br/pt/996491/guia-de-infraestrutura-verde-e-azul-mostra-como-tornar-as-cidades-sustentaveisArchDaily Team
Quando capitais como Paris e Berlim decidiram apagar a iluminação de edifícios públicos e monumentos para economizar energia no contexto da invasão russa da Ucrânia, em julho de 2022, cidades de toda Europa central passaram a seguir esse modelo. Imagens desses marcos icônicos na escuridão inundaram a mídia e permitiram aos políticos uma atitude ambientalista, mesmo que momentânea. No entanto, projetistas e designers começaram a questionar a sustentabilidade dessa iniciativa. De uma perspectiva mais ampla, parece que essa suposta ação radical fez parte de uma campanha bastante midiática e com pouco efeito nas cidades. Serão necessários mais passos para que isso gere um grande impacto na economia de energia.
O que 2023 reserva para o desenvolvimento e para o meio ambiente?
O fim de 2022 certamente nos deixou em uma posição interessante – mas preocupante. Uma pandemia que já dura três anos se mostrou ainda longe de acabar, adoecendo milhões de pessoas e afetando as economias. A inflação global atingiu 9%, o nível mais alto desde 2008. A invasão da Ucrânia pela Rússia obrigou milhões de pessoas a deixarem suas casas e causou efeitos em cascata em sistemas de alimentos e energia pelo mundo. E os impactos das mudanças climáticas – de inundações fatais no Paquistão a ondas de calor fulminantes na Índia e secas na África – multiplicaram as ameaças.
Casas do Futuro. Imagem cortesia de Mossawi studios
A seleção desta semana dos Melhores Projetos Não Construídos destaca residências visionárias enviadas pela comunidade do ArchDaily. De uma casa pré-fabricada para apoiar as vítimas da guerra na Ucrânia a uma casa modular de vários andares apresentada durante a Dutch Design Week, passando por uma villa "moldada" pelo fluxo dos ventos costeiros de Dubai, esta seleção de projetos não construídos demonstra como profissionais de arquitetura vão além do conceito residencial convencional para projetar padrões habitacionais alternativos em resposta a ambientes severos, à natureza e à tecnologia.
O sistema de compostagem pode ser construído com diversos materiais. Foto: Paulo H.Carvalho | Agência Brasília
Cada brasileiro gera, em média, quase um quilo de lixo por dia, segundo levantamento feito pelo Selurb (Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana). Já de acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), os resíduos orgânicos representam metade do total do lixo urbano gerado no Brasil todos os anos. São resíduos que poderiam ser aproveitados para compostagem, biodigestão e/ou produção energética, mas são encaminhados para aterros sanitários – onde vão contaminar o solo e produzir gases poluentes.
O Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana (Mitma) da Espanha divulgou a proposta vencedora do concurso para a seleção da curadoria e projeto expográfico do pavilhão espanhol na 18ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza, que estará aberta ao público de 20 de maio a 26 de novembro de 2023.
Vista panorâmica do 432 Park Avenue Condominiums, projetado por Viñoly em Nova York. Imagem via Shutterstock / Sergii Figurnyi
O mundo da arquitetura está de luto pela morte do renomado arquiteto uruguaio-americano Rafael Viñoly, de 78 anos de idade. Com mais de meio século de experiência profissional, Viñoly se destacou por projetos ousados e imponentes construídos em diversas cidades do mundo.
O termo escritório, do latim scriptorium, significa "lugar de escrita” e, talvez por isso, geralmente a primeira imagem que vem à tona é um espaço composto por uma mesa e uma cadeira. Mas nem sempre foi assim. Na idade média, os mosteiros eram os principais locais destinados ao estudo e conhecimento, com salas privadas destinadas a auxiliar na concentração dos monges durante os períodos de pesquisa. No entanto, registros afirmam que tais espaços não eram considerados propriamente confortáveis, visto que os estudiosos permaneciam em pé na maior parte do tempo.
Uma das grandes lacunas na pesquisa urbana é a ausência de repositórios que reúnam publicações sobre as cidades e seu entorno. Sob essa premissa, a organização peruana Sistema Urbano (Ocupa Tu Calle, Lima Cómo Vamos, etc.), por meio de sua iniciativa Nodal (Nodos Urbanos de América Latina), lançou sua primeira Biblioteca Urbana Colaborativa (BUC), um espaço virtual que busca aproximar o conhecimento sobre o urbanismo e as cidades por meio da compilação de publicações abertas e disponíveis on-line. Vale destacar que esta é uma biblioteca construída por quem a consulta e colabora com ela, incorporando as publicações que considera valioso compartilhar.
https://www.archdaily.com.br/pt/1137824/buc-uma-nova-biblioteca-urbana-colaborativa-para-projetar-melhores-cidadesDiego Vivas
O arquiteto português Álvaro Siza Vieira foi escolhido pela Santa Sé para criar a instalação que irá representá-la na Bienal de Arquitetura de Veneza, que ocorrerá entre 20 de maio e 26 de novembro de 2023. Em colaboração com o Studio Albori da Itália, o pavilhão do Vaticano, que tem curadoria de Roberto Cremascoli, será dedicado ao tema da amizade social, em comemoração ao décimo aniversário do pontificado do Papa Francisco.
No último ano, tenho conversado com profissionais de arquitetura e design envolvidos na criação de ambientes imersivos. Esses/as profissionais se veem como naturalmente responsáveis por liderar a construção desses espaços, o que serve como um lembrete do potencial da categoria para assumir esse papel.
Por mais óbvio que pareça, o metaverso tem sido projetado majoritariamente por desenvolvedores/as e designers gráficos. Diante disso, esse cenário deve servir como um alerta para que profissionais de arquitetura se envolvam, uma vez que possuem habilidades particularmente aptas para essa tarefa.
Se o metaverso poderá ser utilizado como uma narrativa para reivindicar uma mudança no papel de arquitetos e arquitetas ainda resta saber, mas 2023 pode ser o ano para isso.
Em 2018, o bairro romano de San Lorenzo ganhou as manchetes quando uma jovem foi encontrada morta em um edifício abandonado. A mídia concentrou-se na decadência da região, ignorando sua longa história política e cultural. Conhecido como um território "vermelho", San Lorenzo foi um dos poucos distritos a resistir à Marcha sobre Roma de Mussolini em 1922. Construído no final do século XIX para abrigar uma população trabalhadora composta por artesãos/ãs, ferroviários/as e operários/as industriais, o bairro tem uma atmosfera áspera, marcada por resquícios de seu passado industrial e edifícios que ainda carregam as cicatrizes dos bombardeios aliados na Segunda Guerra Mundial. Esse pequeno bairro de localização central está espremido entre Termini, a principal estação ferroviária, Verano, o cemitério monumental inaugurado em 1812, e a Città Universitaria La Sapienza (Universidade de Roma La Sapienza).
https://www.archdaily.com.br/pt/1138503/a-cidade-possivel-de-roma-e-a-batalha-contra-a-gentrificacao-em-san-lorenzoMarina Engel
O Studio KO foi escolhido para assumir a curadoria do Pavilhão Nacional do Uzbequistão na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza. A resposta do país ao tema geral deste ano —O Laboratório do Futuro— é uma exposição intitulada Desconstruir Juntos. O objetivo é colocar em foco o rico patrimônio arquitetônico do país como uma ferramenta potencial e inspiradora para o desenvolvimento de um futuro mais sustentável. A equipe curatorial incluirá Karl Fournier, Olivier Marty, Jean-Baptiste Carisé e Sophia Bengebara.
Toyohito Ikeda, governador de Takamatsu, no Japão, decretou a demolição do famoso Ginásio Kagawa, projetado por Kenzo Tange. Construída entre 1961 e 1964, a estrutura é um marco modernista do pós-guerra no Japão. A notícia desencadeou a criação de uma petição em um esforço para salvar o monumento.
Forma e função. Termos que acompanham diversas definições que cabem à arquitetura, mas já não bastam para resumir a prática em 2023. Hoje, construir envolve a compreensão dos ciclos de materiais, como cada ação pode estar ligada ao extrativismo de recursos naturais e seus danos ao meio ambiente. Vivemos na urgência de revisar a forma como produzimos o espaço construído. Nessa busca por modelos que se afastam de sistemas lineares e que brindam um constante processo de transformação e redistribuição da matéria, estratégias oriundas da economia circular surgem como um possível caminho. Sua aplicação em patrimônios arquitetônicos — para manutenção ou restauro — podem servir como um grande incentivo para as mudanças necessárias em prol de uma sociedade mais sustentável.
Desde 2015, é realizado o renomado Festival Internacional de Arquitetura e Design de Logroño, chamado Concéntrico, que ano após ano busca fomentar o diálogo entre a cidade, o patrimônio e a arquitetura contemporânea, apostando na reflexão das pessoas sobre o ambiente urbano e a cidade. Em sua nona edição, que acontecerá de 27 de abril a 2 de maio de 2023, foram anunciadas as equipes de arquitetura e design participantes do festival.
Este arquivo está licenciado sob a licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported. Edifício do The New York Times, 1984. Imagem via Wikimedia
A dupla de apresentadores e produtores do podcast Uncertain Things, Adaam James Levin-Areddy e Vanessa M. Quirk, entrevista especialistas com diversas trajetórias para responder à pergunta: “E agora? Como chegamos aqui e o que vem a seguir?”. Neste episódio com Michael Kimmelman, eles abordam vários temas interessantes, como a história e evolução do The New York Times, o novo livro de Kimmelman, The Intimate City, e nossa compreensão geral das comunidades nas cidades.
O escritório português MASSLAB, em colaboração com o AFRY Ark Studio, venceu a Train Factory Mixed-Use Competition, um concurso internacional em duas etapas que teve como principal objectivo criar um novo marco para a cidade de Helsinque, na Finlândia. A proposta foi selecionada entre cinco consórcios de arquitetura reconhecidos mundialmente.
O concurso foi organizado pelo The Train Factory Group e pela Câmara Municipal de Helsinque, sendo escolhida a proposta A roof for Helsinki para o antigo edifício do trem elétrico que será transformado num edifício de 45.000 m2 de escritórios, comércio e um hotel, reimaginado como parte do núcleo social, comercial e cultural do património histórico.
Por meio de comunicado, o Instituto Nacional de Belas Artes e Letras (Inbal) anunciou a proposta selecionada que representará o México na Bienal de Arquitetura de Veneza 2023. A seleção contou com 44 equipes inscritas e 14 projetos apresentados. A proposta selecionada leva o nome de Infraestrutura utópica: a quadra campesina de basquete e é composta pelos seguintes participantes:
O Instituto Tomie Ohtake e a AkzoNobel apresentam os projetos finalistas do 9º Prêmio Arquitetura Tomie Ohtake Akzonobel. Ao todo, são 10 obras selecionadas na categoria Profissional e três projetos selecionados na Universitária, além de um projeto reconhecido como menção honrosa nesta mesma categoria.
Nos últimos anos, o debate sobre sustentabilidade ganhou força em diversas disciplinas devido à crise ambiental que enfrentamos. Um dos conceitos que o design, a arquitetura e o urbanismo vêm adotando é o de “Economia Circular”, pois a prática demonstrou ao setor que os esforços não devem se limitar a incluir a reciclagem em nossas estratégias; é preciso também compartilhar, alugar, reutilizar, reparar, renovar e reciclar materiais e produtos existentes pelo maior tempo possível, evitando o desperdício.