O conceito de economia circular ganhou uma definição mais precisa em 1990 quando surgiu no artigo Economics of Natural Resources and the Environment(Economia dos Recursos Naturais e do Meio Ambiente), dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. Na época, o principal intuito da pesquisa era demonstrar que a economia tradicional não incorporava a reciclagem. Desse modo, o meio ambiente assumia um papel secundário, tal qual um simples reservatório de resíduos. A economia circular ganharia forças, portanto, como uma oposição à economia linear, ou tradicional, em que a cadeia produtiva é regida sob o lema “extrair, produzir e descartar”. Um modelo profundamente enraizado na nossa economia, mas que tem se tornado insustentável por diversos motivos como o esgotamento dos recursos naturais, a contaminação do meio ambiente decorrente da produção e descarte, entre outros.
Sob o tema "Mesquita: um edifício intercultural", o 4º ciclo do Prêmio Abdullatif Alfozan para Arquitetura de Mesquitas (2020-2023) anunciou seus 5 projetos vencedores, vindos da Austrália, Turquia, Sérvia, Eslovênia e Moçambique. A cerimônia de premiação ocorreu no Museu Nacional de Riade em 5 de março de 2023, seguida por um seminário de arquitetura de dois dias no qual os/as arquitetos/as explicaram o processo de desenvolvimento de seus projetos vencedores.
Analisando as mesquitas entre o passado, o presente e o futuro, a seleção levou em consideração o contexto de cada projeto, a privacidade, seu significado religioso e arquitetônico, além da contribuição para a comunidade. Mais de 200 mesquitas de todo o mundo foram inscritas, resultando em uma lista de 22 finalistas. No entanto, as cinco mesquitas vencedoras foram elogiadas por irem além das tipologias tradicionais, ao explorarem a importância do sentir dentro de um espaço religioso, seu valor como "ferramentas de comunicação urbana" e a forma como suas linguagens arquitetônicas restabelecem os valores da religião.
No dia 08 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, uma data lembrada há anos como um símbolo da luta pelos seus direitos. No entanto, apesar da legislação de muitos países estabelecer direitos iguais para homens e mulheres, a desigualdade de gênero e todas as suas consequências ainda são sentidas diariamente por meninas e mulheres em diferentes partes do mundo. O sistema patriarcal, enraizado em muitas sociedades ao longo dos séculos, foi responsável por uma desigualdade de poder entre os gêneros que, nos casos mais extremos, reflete-se na violência e no feminicídio.
O Feminismo de Dados (Data Feminism), conforme conceituado por D’Ignazio & Klein (2020), introduz o feminismo interseccional na ciência de dados e nos convida a examinar as relações de poder e as dinâmicas de opressão incorporadas nas infraestruturas de dados que sustentam a sociedade atual.
Abrahamic Family House, vista geral. Imagem cortesia de Adjaye Associates
Projetada pela Adjaye Associates, a Abrahamic Family House é um projeto histórico localizado no Saadiyat Cultural District, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. O centro abrange três casas de culto separadas: uma mesquita, uma igreja e uma sinagoga, juntamente com espaços de encontro e diálogo. Anunciado pela primeira vez em 2019 após um concurso internacional, o complexo inter-religioso foi oficialmente inaugurado e aberto aos fiéis em 16 de fevereiro de 2023. O acesso ao fórum e as visitas guiadas estão disponíveis para visitantes desde 1 de março de 2023.
Desde o fogo nas cavernas pré-históricas até a iluminação pública nas cidades inteligentes, a iluminação evoluiu constantemente junto com os avanços da tecnologia. No entanto, nos últimos anos, começou a mudar de forma ainda mais significativa em termos de seu design e funcionalidade devido à crescente conscientização sobre seu impacto no meio ambiente e na saúde das pessoas.
Os elementos pré-moldados e pré-fabricados feitos em concreto (como lajes, pilares, vigas e paredes) fazem parte do processo construtivo conhecido como construção modular. Uma metodologia de construção civil definida por etapas, partindo da padronização das partes que configuram a edificação, com seus módulos produzidos em linha de montagem, transportados e montados para dar forma à arquitetura.
Com escritórios em Londres, Berlim, Milão, Xangai e Santiago de Compostela, o vencedor de 2023 é um arquiteto com preocupações cívicas, um planejador urbano e ativista, com um extenso portfólio de projetos construídos que inclui mais de cem obras, abrangendo quatro décadas, em três continentes e diversas tipologias diferentes. Reconhecido por sua abordagem "sutil, porém poderosa, discreta e elegante", bem como por seu "compromisso com uma arquitetura de presença cívica discreta, mas transformadora, sempre feita com austeridade, evitando movimentos desnecessários e mantendo-se longe de tendências e modismos", Chipperfield foi nomeado Cavaleiro por seus serviços ao mundo da arquitetura em 2010, recebeu a Medalha de Ouro Real da RIBA em 2011 e foi curador da 13ª Bienal de Arquitetura de Veneza em 2012.
Villa Peer / UAU Collectiv Architects. Imagem cortesia de Randers Tegl
Identificados como pequenos blocos retangulares de argila cozida ou seca ao sol, os tijolos têm sido tradicionalmente utilizados na construção de pavimentos, paredes e outros elementos de alvenaria. Assentados em fiadas ou fileiras e unidos com argamassa, os tijolos são reconhecidos por sua elevada resistência estrutural e durabilidade. No entanto, para além de suas funções básicas, a variedade de paginações, tamanhos e formatos proporciona uma estética singular com infinita versatilidade, tornando o próprio material um elemento de destaque no projeto. Como exemplo desse potencial estético da alvenaria, analisamos a Villa Peer, um projeto de arquitetura na Bélgica que utiliza os tijolos waterstruck de formato longo da Randers Tegl como principal elemento de design em toda a fachada do edifício.
Enquanto agricultores regam plantações sob a luz do luar, crianças sem documentos vão à escola e moradores locais vasculham o céu em busca de aviões de vigilância — estes são vislumbres de uma cultura complexa que emerge no sul do Líbano depois do anoitecer. Ao reunir algumas dessas práticas noturnas, Mohamad Nahleh — docente de arquitetura e urbanismo no MIT — viajou pelas paisagens de Jabal ‘Amil na esperança de construir uma nova aliança entre a arquitetura e a noite. Sua pesquisa "Path of Nightrise" transformou-se em uma construção física para reabilitar um caminho fluvial esquecido e foi publicada pelo Places Journal. A entrevista com Nahleh defende uma nova imaginação noturna no design e revela não apenas como a noite mudou no Líbano ao longo do tempo, mas também como ele mudou junto com ela.
O escritório de arquitetura e paisagismo norueguês Snøhetta foi escolhido para projetar o novo Tribunal Nacional de Asilo para Refugiados e o novo Tribunal Administrativo de Montreuil, na França. A proposta reúne as duas instituições em um único local cercado por áreas verdes. O projeto inclui o desenho dos edifícios, paisagismo, sinalização, interiores e mobiliário. As obras devem iniciar em 2024, com conclusão prevista para 2026.
Em 31 de janeiro, andaimes e barreiras de construção foram desmontados na 56 Leonard Street, revelando a primeira obra de arte permanente de Anish Kapoor na cidade de Nova York. A escultura de 15 metros de comprimento, 6 metros de altura e 40 toneladas é parcialmente coberta por um edifício residencial projetado por Herzog & de Meuron. A escultura espelhada lembra outra obra de Kapoor, a Cloud Gate, também conhecida como The Bean, localizada em Chicago.
Apesar de não serem encontrados na natureza, os ângulos retos são os mais utilizados pelos arquitetos. Na busca por mais funcionalidade e praticidade na construção, quadrados e retângulos surgem como a opção principal no momento de projetar. Por outro lado, diversas arquiteturas vernaculares e ancestrais adotavam arcos e plantas circulares como solução. O jogo de formas geométricas na composição arquitetônica é vasto, mas não podemos esquecer de um polígono que também se destaca nele: o hexágono.
Como parte de nossa tradição anual, perguntamos aos nossos leitores quem deveria ganhar o Prêmio Pritzker 2023, a premiação mais importante no campo da arquitetura.
O Prêmio Pritzker — financiado por Jay Pritzker por meio da Hyatt Foundation nos Estados Unidos — tem sido concedido a arquitetos vivos, independentemente de sua nacionalidade, cuja obra construída "produziu contribuições consistentes e significativas para a humanidade por meio da arte da arquitetura”.
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Coluna de chuveiro AXOR Citterio E I AXOR Starck. Imagem cortesia de AXOR
Hadi Teherani adota uma abordagem holística em seus projetos de arquitetura e design. Nascido em Teerã e criado em Hamburgo, o designer prolífico e versátil tem obras espalhadas pela Alemanha e por todo o mundo. Seus projetos receberam prêmios de prestígio internacional por sua sustentabilidade ecologicamente correta e visão holística. Talvez resida aí a razão de seu fluxo constante de ideias: ele encara o processo de criação como uma reação àquilo que vê, percebe e sente.
O conceito de banheiro concebido por Teherani para o projeto AXOR DISTINCTIVE nasceu de suas percepções e inspirações pessoais. Ao ser questionado pela marca sobre como definiria seu "banheiro com personalidade", o arquiteto respondeu com uma proposta que reflete uma visão particular desse espaço, derivada dessa autoimagem — no uso diário, no desenho e no mobiliário.
O Winter Stations 2023 acaba de anunciar os oito projetos vencedores de seu 9º concurso internacional anual. Os projetos vencedores foram selecionados entre centenas de propostas enviadas de todo o mundo, além de três projetos estudantis da Toronto Metropolitan University, do Departamento de Arquitetura de Waterloo e da Universidade de Guelph. O concurso foi idealizado originalmente na praia de Woodbine pelos escritórios RAW design,Ferris + Associates e Curio, com o objetivo de capturar a imaginação de designers e arquitetos/as para criar propostas ousadas que estimulem o diálogo, transformando os postos de salvamento na praia de Woodbine, em Toronto. Além disso, como esses postos de salvamento costumam ficar inativos durante o inverno, a exposição inspira artistas a trazer o público de volta às áreas externas com suas propostas singulares.
Quando pesquisamos 'moradia em Copenhague' no Google, a primeira coisa que aparece são as perguntas mais comuns feitas pelos usuários: quanto custa morar em Copenhague? É difícil encontrar moradia em Copenhague? É verdade. Viver aqui é significativamente mais caro do que a média europeia, especialmente em Indre By, o bairro central. Embora os preços das moradias sejam adequados aos salários de seus cidadãos, e o índice de qualidade de vida seja condizente com esse alto custo, ainda é complexo para um estrangeiro se fixar definitivamente na cidade.
No entanto, as autoridades e as partes interessadas estão seriamente comprometidas em abrir a cidade para novos habitantes, oferecendo moradias acessíveis projetadas por seus melhores arquitetos – tanto nos subúrbios quanto em áreas centrais reformadas. Em 2023, Copenhague será a Capital Mundial da Arquitetura UNESCO-UIA e anfitriã do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA. Portanto, muitas pessoas poderão ver em primeira mão como é morar nos projetos de grande qualidade arquitetônica da cidade, que além de integrar a vida urbana vibrante, também propõem formas inovadoras de viver.
Projeto Cuevas Civilizadas do arquiteto mexicano Carlos Lazo na Cidade do México. Imagem cortesia de The Isamu Noguchi Foundation and Garden Museum
A abordagem do espaço na arquitetura contemporânea é bastante linear: diz respeito a um volume específico dentro de alguma forma de construção material. Mas, se dermos uma olhada nas primeiras moradias intencionais da humanidade, fica claro que elas foram muito menos premeditadas.
Em vez de espaços feitos pelo homem para serem mobiliados, nossos primeiros lares eram covis em cavernas naturais que ofereciam aos caçadores-coletores proteção temporária contra as intempéries e predadores em potencial. Apenas com o desenvolvimento da agricultura é que nossos ancestrais começaram a construir residências permanentes. Até hoje, o "trogloditismo" - ou vida em cavernas - continua conectado a ideias de dissociação social e a um desejo hermético de existir fora das normas arquitetônicas ortodoxas. No entanto, do norte da China ao oeste da França, à Turquia central, centenas de milhões de pessoas ainda optam por passar suas vidas, pelo menos parcialmente, no subsolo.
Perto do centro de Helsinque, na Finlândia, no bairro de Töölö, encontra-se a Igreja Temppeliaukio, um templo luterano de aparência incomum, aninhado entre rochas de granito. Aproximando-se da praça pela rua Fredrikinkatu, a igreja surge sutilmente: uma cúpula plana que se eleva pouco acima da paisagem circundante. Uma entrada despretensiosa, flanqueada por paredes de concreto, conduz os visitantes por um corredor escuro até o santuário iluminado esculpido na rocha. As paredes de pedra exposta renderam-lhe o nome alternativo de “A Igreja da Rocha”. Para contrastar com o peso dos materiais, claraboias ao redor da cúpula criam um jogo de luz e sombras e uma sensação de leveza.
A igreja é resultado de um concurso de arquitetura vencido pelos irmãos arquitetos Timo e Tuomo Suomalainen em 1961. Foram reconhecidos não apenas pela criatividade, mas também pelo respeito que demonstraram ao objetivo do concurso: “incluir o plano de organização para toda a Praça Temppeliaukio, tendo em mente que a maior parte possível do afloramento rochoso da praça deve ser preservada.” A proposta vencedora consegue isso incorporando a igreja dentro da rocha e colocando as instalações paroquiais nas bordas da colina. Este artigo explora a história por trás da Igreja Temppeliaukio, narrativamente e visualmente, através das lentes de Aleksandra Kostadinovska, uma fotógrafa profissional de Skopje.
Às vésperas de embarcarmos, coletivamente, à bordo de mais uma aventura conhecida como carnaval, o primeiro propriamente dito após o longo e difícil período da pandemia de Covid-19, é importante falarmos sobre um outro aspecto da folia, menos abordado e visibilizado nas narrativas dominantes sobre o tema. Num recorte temporal mais recente, é possível perceber que em algumas cidades, com o aumento da escala, proporção e engajamento dos festejos carnavalescos, aliado ao grande interesse turístico e econômico disparado pela festa, o carnaval passou a mobilizar engendramentos cada vez mais amplos de logísticas, equipamentos e estruturas. Esses elementos passaram a tensionar uma série de espacialidades e outras dinâmicas urbanas existentes, incorporando-se, cada vez mais invasivamente, na relação entre essa importante festa popular e determinados espaços das cidades.
via usuário do Wikipedia: Tktktk. Licenciado sob CC BY 2.0. Autor da imagem: Wagner T. Cassimiro "Aranha"
A cerca de treze quilômetros de Punta del Este, ergue-se o complexo conhecido como Casapueblo, um manifesto reflexo de uma arquitetura modelada que se apresenta como referência cultural e arquitetônica do Uruguai. Obra do artista Carlos Páez Vilaró, foi desde o início concebida como casa de veraneio e ateliê do artista, tornando-se posteriormente a residência permanente e de trabalho do autor. Atualmente, é reconhecida por seu museu, galeria de arte, cafeteria e hotel.
Smar base 2M. Image Courtesy of Koninklijke Auping
Você já acordou e se perguntou quantas horas você realmente dormiu? Atualmente, uma variedade de dispositivos - como smartwatches ou sensores inteligentes - estão disponíveis para rastrear seu sono, reconhecendo certos padrões para interpretar seu ritmo circadiano e aumentar a qualidade do descanso. Além de medir e melhorar a duração e a qualidade do sono, entender as tendências atuais e futuras para as camas (e seus arredores) pode ser uma estratégia importante para arquitetos e designers criarem ambientes eficazes para dormir e relaxar. Através da análise de nove tipologias diferentes, o artigo a seguir mostra o que esperamos para os leitos do futuro, impulsionado por avanços tecnológicos, operações sustentáveis e estratégias de organização espacial.
No período de chuvas mais intensas, é recorrente o noticiário de desastres urbanos, como deslizamentos de terras, enchentes e alagamentos, com perda de vidas humanas e gravíssimos danos materiais. Na maioria dos casos, a vulnerabilidade das áreas atingidas já era conhecida, mas não se impediu sua ocupação. Via de regra, as áreas devastadas serão novamente ocupadas pelos sobreviventes tão logo quanto possível, sem que qualquer obra seja realizada para remover o risco.