Casa. Nosso abrigo. Nosso espaço privado. Em um mundo super urbanizado e com densas megalópoles como Tóquio, Xangai e São Paulo, as casas estão ficando cada vez menores e mais caras. Se você é claustrofóbico, Marie Kondo é sua melhor aliada na busca por ganhar algum espaço extra. E embora os quintais privados tenham se tornado um luxo para a maioria, nossos dados mostram que as casas unifamiliares ainda são a tipologia projetual mais popular no ArchDaily. O que isso significa? (Especialmente quando parece contraditório, dada a realidade da lotação das cidades hoje em dia). Por que algumas universidades ainda insistem em projetar casas como exercícios acadêmicos? Não seria mais criativo - e mais útil - desenvolver arquitetura em espaços de pequena escala? Haveria maior recompensa desenvolver soluções em escalas maiores?
Para a maioria dos/as arquitetos/as, além de cumprir as regulamentações obrigatórias de acessibilidade arquitetônica (que variam de país para país), raramente se consideram as necessidades cotidianas das pessoas com deficiência. A mera presença de rampas ou corrimãos está longe de garantir uma real qualidade de vida a esse público.
Desenvolvido pela IKEA de Israel em parceria com as organizações sem fins lucrativos Milbat e Access Israel, o projeto “This Ables” busca criar um ambiente doméstico mais acolhedor para pessoas com deficiência por meio de pequenas adaptações no mobiliário. Juntos, eles lançaram 13 novos produtos, que incluem puxadores de porta acionáveis com o antebraço e suportes para elevar sofás (que facilitam o ato de se levantar). Todos esses itens estão disponíveis ao público no site ThisAbles.com, e alguns deles podem até ser fabricados em impressoras 3D.
Eu tenho paralisia cerebral e faço tudo o que posso para ser como qualquer outra pessoa. Mas, na minha própria casa ou em qualquer outro lugar, os móveis ao meu redor me impedem de ser independente. - Eldar
Frente ao desafio de projetar unidades habitacionais para as áreas rurais do sul da cidade de Bogotá, a Sociedade Colombiana de Arquitetos convocou a participação de propostas que apresentam soluções tecnológicas e espaciais, não só que permitam o desenvolvimento de formas de produtividade e crescimento viáveis, mas também apliquem critérios de sustentabilidade, eficiência e conforto.
Considerando a adaptabilidade da arquitetura da unidade aos terrenos situados em três geografias variadas e características da paisagem andina, o juri concedeu o primeiro lugar à equipe de FP Arquitectura e o segundo lugar ao Espacio Colectivo Arquitectos + Estación Espacial Arquitectos. Conheça este último em detalhe pelas palavras de seus autores a seguir.
A grande entrega final realizada para a obtenção do título de arquiteto/a merece ser celebrada, e uma das formas mais justas de fazer isso é promovendo sua difusão e visibilidade. Para conhecer a valiosa produção universitária peruana, lançamos em janeiro nossa chamada aberta convidando arquitetos e arquitetas a enviarem seus respectivos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) defendidos até o ano de 2018. Embora originalmente tenha sido feita em 2015 uma publicação de teses de graduação, esta é a primeira convocatória oficial realizada no Peru no mesmo nível das edições anteriores de outros países da América Latina, como Argentina, México, Colômbia e Brasil, inserindo a produção local no debate internacional.
A convocatória desta primeira edição recebeu 75 projetos de 17 universidades de diversas cidades de todo o país. Após uma avaliação minuciosa, 15 trabalhos de conclusão de curso foram selecionados pelo júri editorial do ArchDaily em Espanhol. Foram valorizados a precisão e o detalhamento, o traço que se estende do projeto à sua representação gráfica e, sobretudo, o caráter ousado que impulsiona ideias revolucionárias diante de uma realidade aparentemente hostil, porém diversa. Nem todos os trabalhos se materializam em um edifício; em vez disso, muitos se apresentam como o prenúncio de uma promessa de arquitetura sem limites, evidenciando um pensamento crítico e uma postura firme diante de importantes (e urgentes) problemáticas nacionais. Desse modo, abrem caminho para o trabalho multidisciplinar e colaborativo do/a arquiteto/a, com forte ênfase em seu papel social. Todos esses projetos arquitetônicos exploram ao máximo a capacidade de imaginar, experimentar e projetar, demonstrando não apenas o fim de uma etapa de lições bem aprendidas, mas o início da construção desses sonhos. Não devemos nos esquecer desse espírito transformador ao cruzar este limiar.
A seguir, conheça os projetos selecionados em detalhes.
Fotografia Otto Stupakoff via Acervo Felipe SS Rodrigues. ImageInstituto Moreira Salles Poços de Caldas - MG, 1990
A pesquisa Aurelio Martinez Flores: a produção do arquiteto mexicano no Brasil (1960-2015) investiga a trajetória de vida e a produção arquitetônica do arquiteto Aurelio Martinez Flores (1929-2015) no período de 1960-2015, em consonância com a história da arquitetura na América Latina, e o crescente interesse em resgatar arquitetos que correram em paralelo às principais correntes arquitetônicas predominantes nas últimas décadas no Brasil. Sua produção, embora desconhecida, exerce enorme influência sobre uma das mais bem-sucedidas vertentes da arquitetura brasileira contemporânea.
https://www.archdaily.com.br/pt/913700/voce-conhece-o-arquiteto-aurelio-martinez-floresFelipe SS Rodrigues
Nível de escolaridade – recorte do mapa da exposição Divisões Sólidas
A exposição Muros de Ar no pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza de 2018 apresentou 17 projetos de diferentes regiões do país, selecionados a partir de uma chamada aberta, além de uma série de grandes desenhos cartográficos que abordam diferentes aspectos da urbanização do país através das lentes da arquitetura. Nesta publicação apresentamos a série de dez mapas presentes no catálogo da exposição Muros de Ar, como recortes dos mapas da exposição, estudo desenvolvido pelo Mapping-lab em colaboração com os curadores do Pavilhão do Brasil (Gabriel Kozlowski, Laura González Fierro, Marcelo Maia Rosa e Sol Camacho) e equipe.
La Casa por el Tejado, empresa especializada em obras em edificações antigas, duplicou o número de pavimentos e unidades residenciais de um edifício em Barcelona. As novas residências foram construídas fora do canteiro de obras ao longo de doze semanas, levando em conta as dimensões e características do edifício dentro do qual seriam instaladas.
Programa Minha Casa Minha Vida - Luís Correia/PI. Foto: Otávio Nogueira, via Flickr. Licença CC BY 2.0
Depois de refletir sobre o desenho capaz de estabelecer 'pertencimento emocional' e os antipadrões de habitação social, Nikos A. Salingaros, David Brain, Andres M. Duany, Michael W. Mehaffy e Ernesto Philibert-Petit continuam com sua série de artigos sobre habitação social na América Latina. Nesta ocasião, o texto aborda como o controle influencia a forma urbana e os modos de habitar.
https://www.archdaily.com.br/pt/913584/habitacao-social-na-america-latina-geometria-do-controleNikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy & Ernesto Philibert-Petit
Para qualquer estudante de arquitetura, o trabalho final de graduação tende a ser o momento perfeito para dar o máximo de si. Seja através de visualizações 3D ou maquetes físicas notáveis, sua apresentação final é a chance de exibir todas as habilidades conceituais e técnicas adquiridas ao longo dos anos.
Para o trabalho final de pós-graduação, o arquiteto Mohammad Pirdavari, do Ati-Naghsh Hamraz Consultants, projetou um estádio representado através de uma série de desenhos à mão. Suas intrincadas ilustrações ajudam a destacar a materialidade do edifício e a relação entre estrutura exposta e revestimentos.
Os arquitetos estão cada vez mais conscientes da influência no bem-estar e boa saúde dos usuários de nossos projetos. A iluminação natural - e como deve ser complementada com iluminação artificial - é um fator essencial a considerar para o conforto visual dos espaços internos. Mas sabemos como lidar com isso corretamente?
A noção de autenticidade é indissociável das discussões teóricas e das ações realizadas na área de Conservação e Restauro, e guarda relação direta com a percepção dos valores associados a determinado bem cultural – sejam eles de natureza tangível ou intangível. A autenticidade se constitui como um princípio basilar e estruturante da ética que sustenta e alinha critérios, conceitos e justificativas pertinentes ao universo da preservação. Como todo processo de construção cultural, a autenticidade não pode ser compreendida ou definida em termos absolutos e preestabelecidos, e seu reconhecimento está intrinsecamente ligado ao contexto a que se refere – a um determinado momento e a um determinado lugar.
A concepção do sustentável na arquitetura é fundamentada a partir do ambiente. Os múltiplos focos que são abordados em projetos a partir do conceito de sustentabilidade permitiram configurar uma diversidade de espaços habitáveis com melhores rendimentos quando comparados com outros tipos de aproximações projetuais.
Os benefícios da incorporação de vegetação - tanto em fachadas como em coberturas - e os estudos em relação ao desenho de conforto térmico e os sistemas construtivos - respeito ao material e sua manufatura - outorgam uma série de questões que permitem considerar o desenho sustentável como um fator determinante na busca de edificações que melhoram as condições de vida e respeitam seu entorno natural.
Veja uma seleção de 30 esquemas e detalhes construtivos de projetos que se destacam por sua abordagem sustentável.
O chamado “direito de protocolo” é hoje um equívoco jurídico, pois permite que o empreendedor imobiliário privado escolha a legislação aplicável a seu empreendimento. O mecanismo foi estabelecido nos anos 1970, em contexto anterior a avanços democráticos, especialmente àqueles relacionados à função social da propriedade e a direitos como ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, à moradia e ao patrimônio cultural. Hoje, a manutenção desse “direito” de protocolo afasta no tempo a concretização das mudanças previstas nas novas legislações urbanas, corrigindo as disfunções que vivenciamos no dia a dia da cidade, como as enchentes.
Tezontle Ludens é o nome do projeto vencedor do Concurso Arquine No.21 | Pavilhão Mextrópoli 2019, inaugurado na última sexta-feira, 8 de março, na Alameda Central da Cidade do México, juntamente com uma série de pavilhões que buscaram ativar o espaço público. O pavilhão construído por Factor Eficiencia e projetado por Suma Estudio | Roberto Aguilar, Diego García, Fernando Franco, Diego Aguilar e Jalil Miguel foi descrito pelo júri como "uma experiência lúdica simples, bem narrada, que se materializa em um espaço leve e em uma aposta na sutileza. O projeto consegue se comunicar com essa mesma clareza, sem excessos discursivos ou de justificativas."
Considerando que 90% das cidades são construídas sem arquitetos e urbanistas, quais são os reais arquitetos que estão imaginando e construindo o mundo que queremos viver? Quais os modos de produção, os materiais, os modos de relação e reprodução social que são praticados por esses coletivos e apontam caminhos de futuros possíveis, inclusivos, diversos, justos e ecológicos? Quais arquiteturas existem para instigar a liberdade, a colaboração, a co-responsabilidade, o cuidado consigo, com o outro e com o espaço que habitamos?
Pier 17 South Street Seaport. Image Courtesy of Bendheim
Hoje em dia, novas tecnologias para o tratamento de vidro proporcionam novas maneiras de usar este material na arquitetura. Aplicados internamente, especificamente em espaços comerciais, o vidro em suas diferentes texturas, cores, acabamentos e níveis de transparência pode permitir a visão desobstruída de certos produtos, ocultar áreas privadas sem bloquear a passagem da luz e atrair a atenção dos clientes para pontos focais, entre muitos outros usos.
Analise, abaixo, uma seleção de aplicações em projetos comerciais.
Continuando a série de artigos desenvolvidos por Nikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy e Ernesto Philibert-Petit, as reflexões sobre a habitação social na América Latina são agora abordadas do ponto de vista antagônico de crenças desatualizadas. Nestas, noções e erros cometidos - em alguns casos simplesmente por inércia - são discutidos no contexto latino-americano, e as soluções adaptáveis focam no longo prazo e nas raízes urbanas dos moradores.
https://www.archdaily.com.br/pt/913162/antipadroes-da-habitacao-social-na-america-latinaNikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy & Ernesto Philibert-Petit
A arquitetura, em todas as suas formas, possui a capacidade inata de despertar as mais distintas emoções nos seres humanos. Consequentemente, muito se discute sobre a relação entre a arquitetura, a paisagem e o bem-estar das pessoas.
Na última edição do Fairytales Competition, organizado pela Blank Space no ano passado, a arquiteta Katie Flaxman (Studio 31 Landscape Architects), apresentou uma história surpreendente. Um arquiteto chamado Horace, que sofria muito com o seu frágil estado de saúde mental e sua filha, Rowan. A historia fictícia criada por Katie descreve a jornada de Horace através da arquitetura das diferentes instituições de saúde por onde ele passa, e como um bom projeto de arquitetura pode colaborar para com o bem-estar físico e mental das pessoas doentes.
Transcrevemos aqui alguns trechos da surpreendente história criada por Flaxman, acompanhada pelas elegantes ilustrações de arquitetura de Sam Wilson.
Desde os anos 1970, a arquitetura tem buscado conexões com outros campos da arte, procurando inspiração para romper com os paradigmas da época na escultura e pintura, bem como na música e na literatura. Em escolas e na prática profissional, projetos de arquitetura foram desenvolvidos a partir do estudo de "pinturas de Vermeer, bem como dos cubistas, da música de Bach, bem como de Maredith Monk, de fragmentos literários de Hareclitus, bem como de Moby Dick de Herman Melville e de Finnegan’s Wake de James Joyce.”[1]
O Museu de Artes Aplicadas / Arte Contemporânea (MAK) de Viena, na Áustria, apresentou recentemente o trabalho da agência criativa nova-iorquina Sagmeister & Walsh — uma investigação sobre o que torna as coisas belas tão fascinantes.
Sob o tema “Beleza”, a exposição aborda a estética como uma função autônoma, que por si só constitui a razão de ser da arquitetura — ou seja, a forma também é uma função. Em colaboração com o canal do YouTube e estúdio de animação Kurzgesagt (In A Nutshell), este vídeo lançado paralelamente à mostra explica por que as coisas belas nos trazem felicidade.
Hoje completa um ano do brutal assassinato da socióloga e vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco. Na semana anterior de seu assassinato, Marielle participou de uma série de debates organizada pelo CAU/RJ chamada "Arquitetura - Substantivo Feminino" com o objetivo de fortalecer as mobilizações do Dia Internacional da Mulher.
https://www.archdaily.com.br/pt/913236/assista-marielle-franco-no-debate-arquitetura-substantivo-femininoPedro Vada
O melhor é lembrar da Lima diversa, não da capitalina e centralizada. Lembrar que precisamente essa centralidade a converteu no ponto de encontro de diferentes cidades do Peru. Todos vêm para a capital, sim, mas nesta cidade as três regiões (costa, serra e selva) se misturam e conservam sua essência como em nenhuma outra parte. “Todas las sangres” é o título do romance (1964) mais ambicioso do escritor peruano José María Arguedas, uma tentativa de retratar o conjunto da vida por meio da representação de cenários geográficos e sociais de todo o país. Esta expressão, vigente até os nossos dias, alude à variedade racial, regional e cultural de nossa sociedade. Mencionar "todas las sangres" nos une e nos mistura: contém e integra a nossa diversidade. Mencionar todas as cores evoca essa natureza colorida e intercultural.