
Considerando que 90% das cidades são construídas sem arquitetos e urbanistas, quais são os reais arquitetos que estão imaginando e construindo o mundo que queremos viver? Quais os modos de produção, os materiais, os modos de relação e reprodução social que são praticados por esses coletivos e apontam caminhos de futuros possíveis, inclusivos, diversos, justos e ecológicos? Quais arquiteturas existem para instigar a liberdade, a colaboração, a co-responsabilidade, o cuidado consigo, com o outro e com o espaço que habitamos?
Diferentes alternativas baseadas em práticas inovadoras (econômica, material, social e ecologicamente) e construções coletivas têm sido desenvolvidas e prototipadas, apontando para uma experiência de democracia em ação e processos sociais emancipatórios. Contra-narrativas e vislumbres de outras possibilidades de mundo emergem, questionando nossa relação com identidade, tempo, trabalho, desejo, cuidado, o outro, a comunidade, a cidade e o território. A variedade de alternativas encoraja o debate sobre questões chave que precisam ser discutidas e aprofundadas, assim como aquelas que se referem a pedagogia e práticas da arquitetura contemporânea.
Ao discutir uma arquitetura para autonomia, reclama-se pelo direito à cidade, pela necessidade de desenvolver capacidade de resiliência, pela coprodução e gestão compartilhada dos comuns. Entender como empoderar o movimento de transição de uma prática hegemônica, exclusiva, colonial, rumo a práticas complexas, múltiplas, inclusivas, situadas, resilientes, social, cultural e ecologicamente integradas - que produzam afeto, valor, significado e pertencimento.
