Torre de Observação Siete Colores. Imagem cortesia da Fundación Cosmos
Como o projeto de arquitetura pode se tornar uma ferramenta ativa de conservação? Ao considerar a natureza como uma fonte inesgotável de inspiração, uma conexão harmoniosa com ela contextualiza as inúmeras inter-relações existentes entre seres humanos, organismos vivos e ciclos naturais. Projetar com a paisagem significa aprender a coexistir com suas dinâmicas temporais sem tentar controlar seus processos. Tradições, ecologia e o passado e o presente de um lugar contribuem para criar espaços que interpretam suas comunidades. A arquitetura paisagística pode se inspirar em aves, plantas e outros elementos naturais para moldar a complexa e dinâmica rede de ecossistemas e atividades humanas que compõem o meio ambiente.
Chilean Atacama Desert. Image by European Southern Observatory with known IDsCC-BY-4.0European Southern Observatory Images ESO files uploaded by OptimusPrimeBot licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International license
A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.
O projeto Down to Earth de Francelle Cane e Marija Marić foi escolhido por unanimidade para ocupar o Pavilhão de Luxemburgo para a 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza. O júri elogiou a análise detalhada do território nacional e dos seus habitantes, dando ao projeto uma inflexão universal. A equipe vencedora é composta por duas curadoras, Francelle Cane e Marija Marić, apoiadas por um Conselho Consultivo e uma equipe de colaboradores nas áreas de cenografia, produção de conteúdo e mídia. A equipe também contará com uma rede de parceiros nacionais e internacionais.
Este mês, no dia 5, foi celebrado o dia da Amazônia. A data foi instituída em 2007 e preza pela conscientização da população sobre a importância deste bioma fundamental para o equilíbrio ambiental e climático do planeta. Em constante risco e conformando um território de disputa, o maior bioma natural da Terra é cenário constante de intervenções humanas. Como a arquitetura e o urbanismo tem se relacionado com isso?
Convivir en la Amazonía en el Siglo XXI: Guía de Planificación y Diseño Urbano para las ciudades en la selva baja peruana. Image Cortesía de Belen Desmaison
É comum encontrar em Planos Diretores (PD) e em Leis de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS), o conceito de Solo Criado, que torna possível a implementação de alguns instrumentos urbanísticos, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) e a Transferência do Direito de Construir. Mas o que é Solo Criado?
https://www.archdaily.com.br/pt/986031/o-que-e-solo-criado-conceitos-e-exemplos-na-cidadeAdriano Costa
O curso de pós-graduaçãoCidades em Disputa – pesquisa, história e processos sociais, da Escola da Cidade, recebeu Tainá de Paula, que ministrou a aula aberta “Corpo e territorialidades: o debate necessário da não cidade”. Criada em uma das favelas da Praça Seca, zona oeste do Rio de Janeiro, a arquiteta e urbanista se define como mulher preta, mãe e ativista das lutas urbanas, principalmente nas periferias e favelas. Na exposição, Tainá, que desde 2020 também atua como vereadora, discutiu os territórios subalternizados e a “não cidade”, que exclui e segrega, além de apresentar a necessidade urgente da elaboração de uma agenda de rompimento dessas condições, com a emancipação de raça, classe e gênero.
https://www.archdaily.com.br/pt/978200/taina-de-paula-fala-sobre-corpo-territorialidades-e-a-nao-cidadeEscola da Cidade
Instant City - ICSID 1971. Image Cortesía de OAB Office of Architecture in Barcelona
André Ricard e Daniel Giralt-Miracle, membro responsável pelo o ADI/FAD, propõem a ilha de Ibiza como sede do congresso bienal do ICSID em 1971. Assim começa a história. A essa altura, o chamado “Urquinaona Design Open Group” já existia em Barcelona. O grupo, com Carlos Ferrater à frente, ofereceu ajuda à organização do congresso. Eles negaram pois tudo parecia já organizado. Junto com Fernando Bendito, Ferrater pergunta sobre a hospedagem dos alunos. Eles ainda não tinham nada. Surge a oportunidade que estavam esperando. Milhares de convites são enviados para estudantes de todo o mundo. O número de respostas é maior que o número de inscritos.
O arquiteto italiano Vittorio Gregotti, autor de Território da arquitetura (1966), acreditava que a arquitetura tem origem no gesto de fincar a primeira pedra no chão. O reconhecimento do lugar é, voluntariamente ou não, o primeiro passo em um projeto arquitetônico. A compreensão do contexto em que a obra será inserida é responsável pela fundamentação de uma série de decisões de desenho, configurando-se assim como uma atividade substancial no ofício dos arquitetos e arquitetas.
Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro. Imagem: Mariana Gil/EMBARQ Brasil
A crescente presença das Tecnologias da Informação e Comunicação, as chamadas TICs, no cotidiano dos indivíduos vem provocando transformações profundas na sociedade, permeadas por novas formas de interação baseadas na intensa produção e uso de informações. Numa sociedade na qual a informação é matéria-prima essencial, o termo big data assumiu papel de destaque no âmbito empresarial, governamental e acadêmico. Big data remete, por si, à questão dos grandes volumes de dados, variados e velozes, gerados constantemente.
A chamada “Revolução dos Dados” é certamente perceptível nas cidades brasileiras. Mas de que forma ela pode avançar rumo a uma melhor compreensão e planejamento das nossas áreas urbanas? São inegáveis as possibilidades abertas pelo big data para a exploração de questões inovadoras sobre fenômenos e dinâmicas urbanas, especialmente as que envolvem análises em tempo real.
A Usina Hidrelétrica Belo Monte, quarta maior hidrelétrica do mundo e 100% brasileira foi inaugurada em novembro de 2019 na bacia do Rio Xingu, no norte do Pará. O projeto da obra, operado pelo Consórcio Norte Energia S.A. estava inserido no PAC (Plano de Aceleração de Crescimento) – programa do governo federal estabelecido em 2007 que visa à implementação de grandes obras de infraestrutura a fim de alavancar o desenvolvimento nacional analogamente a planos anteriores existentes.
https://www.archdaily.com.br/pt/941563/usina-hidreletrica-de-belo-monte-a-desterritorializacao-dos-ribeirinhos-do-rio-xinguBruna Ribeiro Alves e Maytê Tosta Coelho
Está no ar o Mapa Corona nas Periferias, uma iniciativa digital do Instituto Marielle Franco e do canal Favela em Pauta. O mapa digital visibiliza iniciativas solidárias de combate ao COVID-19 em espaços de vulnerabilidade social como favelas, comunidades, quilombos ou territórios sertanejos.
Em exercício recente, nós debruçamos sobre as principais narrativas em torno da desigualdade brasileira para uma formação interna do Instituto Pólis. Não foi exatamente uma surpresa identificarmos a predominância da renda no centro do debate, seja em veículos de mídia ou em estudos acadêmicos. Nosso objetivo com esse estudo era compreender como o Direito à Cidade [1] pode contribuir nas leituras das desigualdades e ser uma ferramenta de luta para diminuir as distâncias entre os cidadãos.
https://www.archdaily.com.br/pt/928808/termometro-da-desigualdade-o-20-de-novembro-tambem-pode-te-tirar-do-lugarFelipe Moreira e Jéssica Tavares
Uma pessoa que mora em Moema, bairro com uma das maiores concentrações de renda de São Paulo, vive 20 anos a mais do que uma pessoa que nasce em Cidade Tiradentes, extremo leste da capital. A cidade mais rica do Brasil expõe o quanto o país é desigual, e também o quanto o acesso às políticas públicas variam de acordo com o território onde se vive.
Como exercitar um olhar holístico, complexo e sistêmico para o habitar do que chamamos de casa? Como produzir outras formas de valorizar e reconhecer culturas não hegemônicas? Quais as patologias dos sistemas que somos ensinados a acreditar e como criar novas formas de percepção e ação que entendam como os sistemas de produção e organização de vida estão interconectados?
O poder público deve se valer de instrumentos de planejamento disponíveis em lei para promover uma gestão coordenada do território e, assim, garantir a todos o acesso à cidade. Foto: Mariana Gil/WRI Brasil
Do chão, erguemos nossas cidades. Os lugares onde moramos, trabalhamos, por onde caminhamos e passamos nossas vidas – todos construídos sobre a mesma superfície. O solo é um dos bens mais importantes de uma cidade e promover uma gestão coordenada desse território é fundamental para garantir que todos tenham seu espaço e que ele seja distribuído de modo equilibrado.
A urbanização das cidades brasileiras se concentrou principalmente nas últimas décadas, mas o processo teve início ainda no final do século XIX. Foto: Daniel Hunter/WRI Brasil
Que imagens vêm à nossa cabeça quando pensamos nas grandes cidades brasileiras? Talvez de congestionamentos, poluição, falta de segurança, ruídos. Talvez de pessoas indo e vindo. Pedestres. Bicicletas. Ônibus. Afinal, oito em cada dez de nós, brasileiros e brasileiras, vivemos em áreas urbanas. Áreas essas que passaram por uma urbanização acelerada: nas últimas seis décadas, passamos de 70,2 milhões para 209,3 milhões, e a população urbana subiu de 44% para os atuais 85%.
https://www.archdaily.com.br/pt/918452/a-historia-da-urbanizacao-brasileiraPriscila Pacheco e Laura Azeredo
Com o objetivo de jogar luz sobre as possibilidades dos vazios urbanos, foi recentemente realizada a Chamada Internacional de Projetos para Intervenção Urbana “Outros Territórios”, que reuniu propostas de intervenções efêmeras para as “palafitas” dos prédios do bairro Buritis, em Belo Horizonte.