Nesta oportunidade, o Blog da Fundación Arquia, juntamente com o artigo do arquiteto e docente Santiago de Molina, faz um chamado a quem deseja se tornar arquiteto/a em breve, para que cultive uma culta desconfiança de quase tudo, tenha a coragem de não confiar em nada e se esforce para manter e alimentar uma imaginação cultivada.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118102/deveriam-os-as-futuros-as-estudantes-de-arquitetura-desconfiar-de-tudoSantiago De Molina
Há uma década, enquanto a China se preparava para os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim e para a Expo 2010 em Xangai, uma onda impressionante de novas construções inundou as principais cidades do país. Arquitetos e arquitetas de renome internacional propuseram e desenvolveram estruturas ousadas que rapidamente se tornaram os novos símbolos nacionais. Tendo Pequim e Xangai como portas de entrada, esse fenômeno gradualmente se espalhou por outras cidades chinesas menos conhecidas. Com o crescimento dessas cidades de "segundo escalão", o governo buscou elevar a qualidade de vida da população e desenvolver identidades locais próprias, impulsionando a construção de novos teatros, estádios, escolas e edifícios corporativos.
Após focar em Pequim e Xangai em sua primeira série fotográfica, Kris Provoost dá continuidade ao seu projeto com a série "Beautified China", realizando uma observação aprofundada da arquitetura em 12 cidades chinesas, de Harbin a Hong Kong. A premissa permanece a mesma: uma seleção de 20 fotografias minimalistas de edifícios construídos ao longo de uma década, capturadas nos últimos oito anos.
Há algo na água que capta continuamente a nossa imaginação. Seja tranquila, dramática ou em constante mudança, a arquitetura dos banhos públicos e das piscinas pode realçar as qualidades inerentes da água. Tradicionalmente, as casas de banho eram espaços de encontro onde as diferenças sociais se dissipavam entre a pele e o vapor. Mesmo em projetos arquitetônicos contemporâneos, os espaços para natação e banho frequentemente parecem um mundo à parte, terapêuticos e íntimos.
Abaixo, apresentamos 12 projetos que revelam espaços deslumbrantes para banhos coletivos e natação.
As histórias das mulheres na arquitetura costumam ser menos conhecidas do que as do sexo oposto. Nesta ocasião, destacamos as biografias de arquitetas que configuram um elo importante na cadeia da arquitetura e cujos perfis foram os mais visitados entre os que divulgamos por cortesia do Un día | Una arquitecta.
Un día | Una arquitecta busca dar visibilidade — com um notável catálogo de mais de 700 biografias — à contribuição das arquitetas em diferentes frentes: projeto arquitetônico, urbano e paisagístico, tecnologia, curadoria e publicações, produção artística, política, gestão do habitat social, teoria e ensino; difundindo parte de suas histórias, formação e inspirações.
Conheça, a seguir, uma série de 12 histórias de arquitetas que se destacam na arquitetura.
Lecionei história da arquitetura em duas escolas de arquitetura durante as décadas de 1980 e 1990. Naquela época, era comum que os/as estudantes tivessem uma disciplina completa de três semestres que começava na Antiguidade e terminava no modernismo, com uma breve menção à arquitetura do final do século XX. Meu livro-texto para a parte intermediária era a magistral obra de Spiro Kostof, History of Architecture: Settings and Rituals. Com tantos séculos para cobrir, ele dedicou muito pouco esforço ao século XX. No último terço do curso, os/as estudantes liam textos como Por uma arquitetura, de Le Corbusier, e Teoria e Projeto na Primeira Era da Máquina, de Reyner Banham . Meus/minhas colegas e eu sentíamos que oferecíamos aos/às estudantes um panorama plural e abrangente dos principais desdobramentos na história do ambiente construído.
Renderização da Usina de Resíduos em Energia do BIG. Imagem cortesia de BIG.
O JP Morgan Chase anunciou esta semana que contratou o escritório Foster + Partners para projetar sua nova sede global em Nova York. O projeto, localizado em Midtown Manhattan, substituirá o edifício atual da década de 1960, projetado pelo SOM para o banco de investimentos norte-americano.
Esta não é a primeira vez que o Foster + Partners é contratado para desenvolver o projeto de uma sede corporativa: o escritório também é responsável pelos projetos da vizinha Hearst Tower, do Campus da Apple no Vale do Silício e da sede da Bloomberg em Londres, vencedora do Prêmio Stirling.
O papel do/a arquiteto/a — e até mesmo da própria arquitetura — na sociedade atual está mudando. A falta de interesse em questões sociais críticas por parte de uma profissão que detém tamanha responsabilidade perante a comunidade é um problema que não deve mais ser evitado.
Em uma exposição atualmente em cartaz no Center for Architecture and Design em Seattle, intitulada "In the Public Interest", Garrett Nelli Assoc. AIA desafia a profissão a focar em um design mais engajado com a comunidade. Com o apoio da bolsa de viagem para profissionais emergentes 2017 do AIA Seattle, Nelli viajou para Los Angeles, para o interior do Alabama, para o Haiti, para a Itália e para Nova Orleans, ao mesmo tempo em que analisava como o ambiente construído tem a capacidade de influenciar a mudança social.
Leia a seguir uma entrevista editada com Nelli sobre sua pesquisa e descubra como você pode começar a implementar elementos em sua prática projetual para ajudar a promover a mudança social em suas próprias comunidades.
Ao percorrer as ruas de Bogotá, é inevitável sentir-se envolvido pela mistura de correntes artísticas em cada quadra. As diferentes construções que refletem a história, o passar do tempo e a sobrevivência de casas e edifícios diante das iminentes transformações espaciais da cidade constroem uma espécie de palimpsesto arquitetônico, no qual algumas estruturas são reutilizadas, ou os espaços são renovados, mas a marca de sua história prevalece.
Justamente o bairro Niza Antigua foi uma das áreas declaradas patrimônio cultural: projetado pelo arquiteto Willy Drews, nos anos 1960 sua localização — na época distante do setor financeiro e comercial de Bogotá — provocou uma série de mudanças no estilo de vida de seus moradores e moradoras, ao mesmo tempo em que a ausência de grades e a proximidade entre as casas incentivaram o senso de comunidade entre a vizinhança.
A arquitetura é conhecida por ser um dos cursos universitários mais caros em relação aos gastos cotidianos, no mesmo nível de outras disciplinas como o design, as artes plásticas, a odontologia e a medicina. O ritmo frenético das disciplinas de projeto obriga os/as estudantes a apresentarem suas propostas por meio de peças gráficas, renders e/ou fotomontagens impressas, somando-se, na maioria dos casos, maquetes de estudo ou modelos em escala bem executados, dependendo da importância da entrega. Tudo isso gera um custo extra que parece já ser aceito como natural pelo corpo docente, estudantes e pela comunidade em geral.
Para quem não tem a sorte de ter nascido em um país onde o ensino superior é gratuito, ou pelo menos onde existem bons sistemas e bolsas de apoio, o financiamento de este gasto extraordinário (mas constante) torna-se exaustivo e precisa sair do bolso dos/as próprios/as estudantes. Com o apoio dos pais – no melhor dos casos – ou com a necessidade de trabalhar paralelamente para gerar renda, muitos/as estudantes se veem forçados/as a cumprir uma exigência normalizada que poderia ser abordada de outras maneiras.
Talvez uma das coisas mais surpreendentes no mundo seja o bambu — um material totalmente natural e sustentável, cuja impressionante resistência à tração e capacidade de crescer até 900 milímetros (3 pés) em apenas 24 horas o consagraram como um material de construção milagroso. Como muitos materiais de construção tradicionais, o bambu perdeu o amplo espaço que outrora ocupava na arquitetura da Ásia e do Pacífico, mas os esforços de Elora Hardy podem ajudar a restabelecer sua antiga glória. À frente da Ibuku, uma empresa de design especializada no uso do bambu, a recente palestra de Hardy no TED é um trabalho excepcional que exalta a elegância e as virtudes arquitetônicas do material, apresentando residências privadas sinuosas e edifícios escolares construídos de forma artesanal.
Com a abertura da exposição “Pós-Modernismo: Estilo e Subversão, 1970-1990” no Victoria and Albert Museum de Londres, em 2011, antecipou-se um ressurgimento do pós-modernismo no início do século XXI. Hoje, contudo, após anos de debates sobre essa “retomada”, podemos finalmente afirmar com segurança que o termo retornou em definitivo e continuará a ocupar o centro do debate contemporâneo. Embora seja evidente que o “pós-modernismo” está novamente na moda, talvez seu real significado nos escape ao utilizá-lo. De fato, a palavra tem sido amplamente desgastada para abarcar quase tudo: na prática profissional, é usada para classificar projetos descolados e “bonitinhos”; na crítica, serve para rotular qualquer proposta colorida; e, no campo teórico, o conceito é mobilizado para provar que a arquitetura foi subjugada pela tecnologia e pelo formalismo, reduzida a uma mera caricatura moralizante.
Independentemente de concordarmos ou não com essas visões, há uma questão que ainda exige debate: o que, afinal, significa “pós-modernismo”? De forma ainda mais urgente: o que esse termo representa hoje? Afinal, se formos reutilizar uma das palavras mais amplamente mal interpretadas e controversas do vocabulário arquitetônico, deveríamos, no mínimo, discutir seu real significado antes de fazê-lo.
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Eduardo Castillo. Image Cortesía de Dostercios Editorial
A notícia correu rapidamente naquela tarde de quarta-feira. O arquiteto chileno Eduardo Castillo, sócio de Smiljan Radic, estava em estado grave após um acidente automobilístico sofrido naquele mesmo dia em Santiago. A comunidade local da arquitetura mal teve tempo de reagir quando, na manhã seguinte, quinta-feira, 5 de outubro de 2017, foi confirmado seu inesperado falecimento aos 45 anos de idade.
Vista interior del gimnasio Colegio Maravillas / Alejandro de la Sota. Image Cortesía de Fundación Alejandro de la Sota
Por mais surpreendente que possa parecer, a Espanha atualmente não possui, em âmbito nacional, nenhuma Lei de Arquitetura e Habitabilidade que reconheça e promova o valor que essa profissão tem para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país.
No entanto, o ano de 2017 trouxe duas ótimas notícias que podem e devem servir de impulso para avançar em direção a uma lei nacional realmente necessária. Por um lado, a aprovação, no dia 8 de novembro passado, da Lei de Contratos do Setor Público que, segundo o próprio presidente do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE), Jordi Ludevid, representa “uma mudança espetacular e muito positiva” para os/as arquitetos/as. Por outro, a aprovação, em 28 de junho de 2017, da primeira Lei de Arquitetura promulgada na Espanha, a Lei de Arquitetura da Catalunha.
Corte Fugado. Image Cortesía de LLATAS_Municipalidad de Miraflores
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se as pessoas idosas não vão à prefeitura – para evitar os desgastes evidentes de trâmites burocráticos –, a prefeitura vai até elas. Em uma cidade não muito planejada como Lima, onde menos ainda se pensou em desenho urbano para a população idosa ou para pessoas com deficiência, locomover-se ou realizar certas atividades sociais exige o dobro de esforço. Assim, elas preferem ficar em casa, sem complicações.
É uma excelente ideia a ser colocada em prática que a forma de alcançar essa aproximação, para além da arquitetura estática, seja por meio da arquitetura móvel. Dessa forma, a Prefeitura de Miraflores colocaria em circulação, em um ônibus, diferentes funções valiosas para um bairro, mas, acima de tudo, muito valorizadas por um público que necessita de maior mobilidade. A arquitetura em ação é capaz de adaptar um ônibus "comum" para esse fim "múltiplo". Mais uma vez, a profissão demonstra seu poder de conectar, acolher, aproximar...
Em setembro lançamos na Colômbia a terceira edição da nossa convocatória para que arquitetas e arquitetos enviassem seus trabalhos de conclusão de curso (conhecidos no país como tesis de grado). Nesta edição, a convocatória recebeu 94 projetos de mais de 10 cidades e 22 universidades de todo o país, um aumento de 34% nas propostas recebidas em relação a 2017.
Após uma avaliação exaustiva, 6 trabalhos de conclusão de curso foram eleitos vencedores pelo nosso júri editorial (Fabián Dejtiar, Mónica Arellano, José Tomás Franco e Nicolás Valencia). Obras construídas, investigações históricas e planos diretores fazem parte da nossa seleção: desde um protótipo residencial rural até uma detalhada pesquisa sobre o Edificio de Renta, formato residencial popular em Bogotá entre as décadas de 1940 e 1970.
Além disso, incluímos pela primeira vez um júri externo de alto nível, encarregado de escolher o projeto Grande Vencedor2018. O júri foi composto por Lina Toro (Madri), Carlos Cano (OPUS, Medellín) e Jorge Noreña (Ruta 4, Pereira). "Embora a arquitetura exija rigor, dedicação e habilidades comunicativas, ela também necessita consolidar vínculos com o urbanismo e a paisagem, bem como com profissões que viabilizam ideias transformadoras", comenta Cano na avaliação do júri.
Não é comum falar amplamente sobre essas ideias na arquitetura, embora tenhamos recorrido a elas mais de uma vez. Diagnóstico, felicidade, reabilitação, vazio, tristeza, medo, saúde, paciente, salvar... palavras que se repetem seguidamente, integrando-se de forma cada vez mais coerente à medida que avançamos na leitura, transformando-se em um discurso que nos convence dessas utopias arquitetônicas. Não se trata de quem está por trás desta proposta, mas sim do que alcançam para a arquitetura e para a sociedade por meio desta união multidisciplinar alcançada a partir de suas diferentes abordagens — seja da filosofia, da escultura ou da ilustração —, todas elas remédios para a alma. No fundo, trata-se de uma crítica com o melhor estado de espírito dos anos 50.
Nesses projetos convergem diálogos de espaço e tempo: a possibilidade de o edifício mudar de lugar, de sua atmosfera evocar outra época. Uma filosofia baseada em curar as cidades por meio do desapego e da felicidade. Nenhum edifício pertence totalmente a um território, nenhum espírito é inerente a uma época em si. Como seus projetos escultóricos, um nasce em Nova York, outro fica no Peru e outro termina no Brasil. Com a feliz estética dos anos 50 que pretendem trazer de volta e viralizar na expressão de suas ilustrações contemporâneas, apresentamos aqui o discurso do DAD e três projetos que põem em prática seus princípios.
Sem mais delongas, pois felizmente eles nos contam tudo em detalhes.
Com o objetivo de dar visibilidade à valiosa produção das universidades argentinas, lançamos uma chamada aberta na qual convidamos nossos leitores e leitoras na Argentina a enviar seus projetos de conclusão de curso, difundindo o fruto do trabalho que lhes permitiu se tornarem, recentemente, arquitetos e arquitetas.
Após receber mais de 70 propostas de diferentes faculdades e cidades argentinas, nossa equipe editorial selecionou 10 delas, considerando os projetos que evidenciavam um pensamento crítico em relação às problemáticas, à forma adotada e à sua representação. A seleção não apenas valoriza os projetos que entregaram a melhor arquitetura possível por meio de um desenho simples, adequado ao seu contexto, ao seu programa e aos seus usuários e usuárias, mas também aqueles que demonstram uma atenção especial à escala humana, à mediação e transição, e a novas formas de abordar a arquitetura nas cidades.
Confira os nossos 10 projetos de destaque a seguir.
No contexto do XV Taller Social Latinoamericano, que atualmente ocorre em Puno, no Peru, visitamos a região de Iruito Tupi (província de Huancané) acompanhados por Francisco Mariscal, Diretor da Direção Desconcentrada de Cultura de Puno do Ministério da Cultura, que em sua conferência apresentou a história dos putucos, habitações construídas unicamente com blocos de terra e capim extraídos do próprio solo.
Às vezes, tem-se a impressão de que a história gira sobre si mesma. Um mesmo roteiro com outros nomes, outros rostos e outros lugares. Há 10.000 anos, o planalto andino e a bacia do Lago Titicaca — atualmente compartilhada por Peru e Bolívia — começaram a ser povoados por grupos de caçadores e coletores que chegaram a essas altitudes atraídos pelas lhamas, vicunhas, aves e peixes disponíveis.
Luciano Menghini (IG: @lmenghini) – Orientador: Peter Testa
Os/as estudantes do B.Arch da SCI-Arc apresentaram recentemente seus trabalhos finais de graduação nas bancas de TCC (B.Arch Thesis Reviews) de 2018, com o objetivo de promover discussões, debates e traçar novas direções para a arquitetura. Como ápice do currículo de cinco anos do curso de Bacharelado em Arquitetura (B.Arch) da instituição, o programa de TCC, com duração de um ano, desafia a próxima geração de designers a assumir posicionamentos claros, formular novas perspectivas sobre os desafios existentes e conceber soluções para questões que arquitetos e arquitetas enfrentarão no futuro.
O Bicentenário da independência do Peru, que será celebrado em 2021, representa não apenas uma grande oportunidade para fazer um balanço do que construímos como nação em duzentos anos de existência, mas também para refletir sobre quais são os desafios para os próximos cem anos, ou seja, no caminho rumo ao tricentenário.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118191/repensar-a-nacao-como-projeto-arquiteturas-para-o-bicentenario-do-peruJean Pierre Crousse
Modernos e surrealistas, mas sem deixar de lado a funcionalidade e o conforto. Os banheiros projetados por arquitetos/as e designers emergentes na atual mostra de design e arquitetura de interiores Casa FOA, em Santiago do Chile, buscam repensar um espaço tradicional em um contexto inovador, com o objetivo de provocar uma experiência diferente em seus usuários e espectadores.
Poucos nomes se ajustam tanto ao rótulo de “escritor de culto” quanto Raymond Queneau, que conta com uma minoria fanática de seguidores, quase militantes da causa: a literatura como um jogo muito sério. À primeira vista, e mesmo em uma leitura menos atenta, Exercícios de Estilo, escrito pelo francês em 1949, revela-se radicalmente diferente de uma obra literária convencional. O livro se situa, ou finge se situar, em uma espécie de terra de ninguém entre a teoria e a prática literárias, transmitindo a impressão de ter sido elaborado com base nos capítulos de um manual de estilística. Queneau rejeita qualquer esquema prévio que pudesse organizar os “exercícios” em agrupamentos temáticos, por sua complexidade gradual ou, simplesmente, por ordem alfabética. Ele sequer trabalha sobre um mesmo fragmento de partida. Em alguns momentos, prefere-se o mero jogo mecânico de transformação textual para alcançar uma sensação de puro absurdo.
Não é de surpreender que este livro de sete décadas atrás continue parecendo revolucionário e seja considerado um manual indispensável em todas as faculdades de letras. O que Queneau nos ensinou na época, essa liberdade criativa quase debochada, é algo ainda difícil de igualar hoje em dia. Por isso, esse exercício de variação, de não impor limites à imaginação, é e deve ser compatível com o trabalho com maquetes arquitetônicas. O que Queneau nos ensinava, partiendo de um texto irrelevante e transformando-o até 99 vezes, é o mesmo que qualquer arquiteto/a deveria tentar traduzir em seu trabalho com maquetes. A arte da variação e da acumulação. “Diferença e repetição”, como diria Gilles Deleuze. Trabalhar 99 vezes sobre uma mesma ideia, vê-la mudar até, em dado momento, saber enxergar nela a sua própria síntese.
Como arquitetos e arquitetas, frequentemente nos vemos em um dilema: o que fazer quando temos clientes que querem casas gigantescas, que superam de longe qualquer necessidade real? Como demovê-los da ideia de que precisam de uma residência de 325 metros quadrados para uma família de quatro pessoas?
Por um lado, queremos fazer o projeto. Afinal, um trabalho de maior porte nos mantém em atividade e financeiramente estáveis por muito mais tempo. Por outro lado, como conciliar isso com a ideia de sustentabilidade e com a responsabilidade que nós, profissionais da arquitetura, temos de promovê-la?
https://www.archdaily.com.br/pt/1118182/em-defesa-de-uma-casa-menor-convencendo-clientes-a-desistirem-da-casa-grande-que-querem-construirHenry Louis Miller