Marie Combette e Daniel Moreno Flores fundaram em 2019 o La Cabina de la Curiosidad, um estúdio de arquitetura e território com sede em Quito, Equador. Sua abordagem arquitetônica baseia-se em um exaustivo trabalho de campo, com um olhar urbano e territorial que prioriza o uso de recursos disponíveis, a gestão da água e a reciclagem. Utilizam o desenho e as cartografias como ferramentas essenciais para plasmar suas ideias e transformá-las em espacialidades. O nome do estúdio evoca um "baú" convertido em uma cabine cheia de curiosidades que convidam a explorar diversas possibilidades. Esse baú se alimenta de experiências cotidianas, derivadas da simples interação com a cidade ou o entorno, o que desencadeia um processo criativo continuamente nutrido pela experimentação e pela descoberta diária, sem medo do desconhecido.
Vencedor do Primeiro Prêmio. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner concluiu recentemente seu Iceland Ski Snow Cabin International Design Competition, convidando arquitetos/as e designers a criarem uma cabana de esqui acolhedora e ecológica que se integre harmoniosamente à impressionante paisagem da Islândia. O objetivo do concurso era desenvolver propostas práticas e sustentáveis que oferecessem um refúgio para quem pratica esqui, equipado com comodidades essenciais, como armazenamento de equipamentos e um espaço comum acolhedor. O desafio foi ambientado na região de Mývatn, uma área pitoresca no norte da Islândia, famosa por suas belezas naturais impressionantes, incluindo o Lago Mývatn, as crateras de Skútustaðagígar e a maravilha geotérmica da caldeira de Krafla.
Na arquitetura, a forma como comunicamos nossas ideias é tão importante quanto os espaços que projetamos. No entanto, como podemos transmitir esses pensamentos de maneira mais eficaz? Embora as palavras tenham sua força, os recursos visuais são indispensáveis. Assim como uma partitura musical dá forma a uma melodia, os desenhos transformam conceitos abstratos em formas tangíveis, funcionando como uma linguagem comum para arquitetos/as e designers. Eles facilitam a compreensão e o refinamento dos conceitos de projeto, especialmente em uma era digital em que a precisão da comunicação gráfica é essencial para traduzir a experiência do espaço. Sob essa perspectiva, o Architecture Candy explora a representação gráfica na arquitetura para otimizar e aprimorar a comunicação visual no dinâmico campo profissional da área, que depende cada vez mais de fluxos de trabalho e ferramentas digitais avançadas. O estúdio busca ser uma referência para elevar o nível das propostas com clareza, combinando design e storytelling para traduzir conceitos complexos por meio de uma linguagem minimalista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140268/conceito-storytelling-e-visualizacao-o-poder-da-comunicacao-grafica-na-arquiteturaEnrique Tovar
Atualmente, existem múltiplas vozes que abordam as diversas questões da arquitetura contemporânea. Os temas são numerosos e transitam desde a sustentabilidade e a inclusão até a justiça social e a crise na gestão do solo. À primeira vista, parece não haver um terreno comum onde todos esses conceitos possam coexistir de maneira transversal. No entanto, se olharmos em retrospectiva, podemos ver que, para além dos conceitos arquitetônicos formais, o verdadeiro propósito da arquitetura são, provavelmente, as pessoas e as vidas que nela se desenvolvem.
Assim, muitos poderiam argumentar que a vida é, possivelmente, mais importante do que a arquitetura, abrindo espaço para um amplo debate. O fato é que, hoje, surgem e se consolidam narrativas e vozes orientadas à renovação de ferramentas e linguagens arquitetônicas, transformando o ambiente construído em um meio para promover um futuro mais equitativo e otimista para todas as pessoas. Uma dessas vozes é a de Tatiana Bilbao, reconhecida por sua abordagem centrada no processo, onde a vida e as interações humanas desempenham um papel crucial na definição do hábitat.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140271/a-vida-muda-a-cada-segundo-e-a-arquitetura-nao-muda-nunca-uma-conversa-com-tatiana-bilbaoEnrique Tovar
A inteligência artificial (IA) está reconfigurando o cenário arquitetônico, oferecendo ferramentas que potencializam a criatividade, otimizam fluxos de trabalho e redefinem os processos de projeto. Desde o auxílio no planejamento urbano até a conceituação de residências e criação de visualizações, a IA abre novas possibilidades para arquitetos/as, designers e até mesmo pessoas leigas. No entanto, à medida que os resultados gerados por IA se tornam mais frequentes, surgem preocupações quanto à possibilidade de gerar projetos com aparência genérica ou ao desaparecimento de habilidades tradicionais de projeto. Esses desafios nos levam a examinar criticamente como a IA complementa a criatividade humana e as implicações éticas em torno da autoria, originalidade e direitos de propriedade intelectual nesta era digital em rápida evolução.
Para quem busca o visual refinado do vidro com baixo teor de ferro, o vidro Guardian CrystalClear™ oferece uma opção avançada para diversas aplicações arquitetônicas. Combinando uma clareza aprimorada e uma neutralidade de cor que superam o vidro incolor padrão a um preço mais acessível do que o do vidro convencional com baixo teor de ferro, esse substrato foi desenvolvido para atender tanto a requisitos estéticos quanto funcionais no projeto.
As transações de direitos sobre o espaço aéreo tornaram-se fundamentais no desenvolvimento urbano, permitindo que as cidades cresçam verticalmente ao mesmo tempo em que preservam recursos de solo limitados. Tipicamente definidos como o direito de usar ou vender o espaço acima de uma propriedade, esses direitos permitem que proprietários/as de imóveis transfiram o coeficiente de aproveitamento (FAR) não utilizado para lotes vizinhos, gerando maior densidade e oportunidades de ganho financeiro. Contudo, essa definição pode variar de acordo com a localidade e a região, uma vez que cada país interpreta de maneira distinta os direitos sobre o espaço aéreo e a capacidade de construí-lo ou transferi-lo. À medida que os centros urbanos enfrentam pressões crescentes devido à escassez de terras e ao crescimento populacional, esses direitos continuam a oferecer uma solução criativa que fomenta a inovação arquitetônica e a eficiência econômica.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com o sociólogo chileno e acadêmico da Universidade San Sebastián Ricardo Greene, editor do histórico livro "Ciudad Fritanga", publicado pela Editorial Bifurcaciones em 2014.
Em "Ciudad Fritanga", estão reunidas 34 crônicas sobre cidades chilenas não metropolitanas como Arica, Talca e Punta Arenas, sob o olhar de poetas, artistas e escritores/as como Lina Meruane, Jorge Baradit, Marcelo Mellado e María José Navia.
"Quando se escreve sobre cidades, escreve-se sobre Londres, Berlim e Nova York. Essa é a crônica urbana. No entanto, as cidades não metropolitanas também são cidades", comenta Greene nesta entrevista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140249/ricardo-greene-talvez-o-tedio-defina-as-cidades-nao-metropolitanasArchDaily Team
Como as sociedades apoiam e incentivam arquitetos/as em início de carreira? Jovens arquitetos/as são profundamente influenciados/as por sua educação formal e pelo contato inicial com o setor. Diferentes sistemas organizacionais em cada região — sejam passivos, por meio de fatores contextuais, ou ativos, mediante benefícios tangíveis — existem para ajudá-los/as a ingressar no mercado. No entanto, cabe questionar com que frequência refletimos sobre esses sistemas de apoio estabelecidos. Seriam eles eficazes em formar profissionais completos/as ou, sem querer, acabam reforçando certos vieses na prática da arquitetura?
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta venezuelana Betina Rincón, coordenadora de pesquisa do re:arc institute, sobre o trabalho da organização filantrópica dinamarquesa no apoio e financiamento de soluções comunitárias para enfrentar a crise climática em todo o mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140284/betina-rincon-o-sul-global-nao-e-a-regiao-que-mais-polui-mas-sera-a-mais-afetadaArchDaily Team
O Sul da Ásia tem passado por transformações notáveis nas esferas econômica, política, social, entre outras. Refletindo esses padrões de mudança social, estão as práticas arquitetônicas em toda a região. Os modernos Estados-nação do Sul da Ásia — Afeganistão, Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka — compartilham histórias semelhantes e um futuro marcado pelo rápido desenvolvimento econômico e pela urbanização acelerada. Contudo, cada região apresenta nuances distintas em relação ao estado atual e potencial da práxis arquitetônica, influenciadas por seus contextos socioculturais e climas políticos emergentes.
Ao longo de sua história relativamente recente, os museus evoluíram para condensar aspectos específicos de uma cultura e apresentá-los de forma coerente e unificada. Desse modo, a relação entre a arquitetura e a exposição torna-se crucial, pois cabe ao/à arquiteto/a desenhar não apenas o suporte e o plano de fundo das obras de arte ou artefatos expostos, mas também se responsabilizar pelo percurso do/a visitante, aliando o enriquecimento cultural com a experiência espacial vivenciada ao percorrer as salas de exposição. Contudo, nem todos os museus foram originalmente construídos para essa finalidade.
Por toda a Europa, museus estão sendo instalados ou se expandindo a partir de monumentos históricos e edifícios que perderam sua função original. Frequentemente em estado de deterioração, a decisão de convertê-los em espaços culturais interrompe essa degradação e preserva a matéria histórica, agregando uma nova camada de complexidade às exposições planejadas. O papel do/a arquiteto/a passa a ser o de introduzir uma ordem e um sistema capazes de equilibrar o patrimônio do local com as demandas de funcionalidade modernas, garantindo a preservação da essência da estrutura original enquanto atende às necessidades das exposições contemporâneas e do engajamento do público.
"Pensamos que somos diversos e que temos igualdade, mas será que esse é realmente o caso?"
Destacando as histórias de mulheres na arquitetura que moldam o ambiente construído, o documentário "Women in Architecture", dirigido por Boris Noir, retorna para seu segundo capítulo. Iniciada pela Sky-Frame, em colaboração com o ArchDaily, esta nova edição da série documental aprofunda-se nas trajetórias de Dorte Mandrup e Tosin Oshinowo, traçando um paralelo entre suas vidas e focando em seus caminhos e desafios singulares. Fique atento/a para a exibição online em 12 de novembro, às 7h30 EST / 12h30 CET no ArchDaily.
Há muito tempo, os pátios constituem um aspecto fundamental da arquitetura tradicional chinesa, atuando como espaços centrais em torno dos quais a vida doméstica se organiza. Esses locais desempenham um papel vital na criação de um ambiente residencial harmonioso, oferecendo benefícios que vão desde a regulação da temperatura interna até o estímulo às interações sociais e a promoção de uma estreita conexão com a natureza.
A indústria da construção civil, tradicionalmente dependente do uso intensivo de materiais naturais não renováveis, encontra-se em um momento decisivo para reavaliar seus processos e mitigar seu significativo impacto ambiental. Como atender à crescente demanda por infraestrutura, habitação, saúde e educação sem esgotar os recursos naturais? Embora as iniciativas de reciclagem estejam ganhando força, elas ainda se mostram insuficientes. Nesse cenário, surgem soluções mais inovadoras, que propõem o aproveitamento de resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar, para criar alternativas sustentáveis e disruptivas para o setor.
A tipologia dos edifícios de escritórios surgiu da necessidade de reunir milhares de pessoas em um ambiente de trabalho relativamente rígido. Nas grandes cidades, essas estruturas se concentraram em Distritos Centrais de Negócios (CBDs), que se tornaram bairros dedicados a abrigar o comércio e as empresas. No entanto, a pandemia de COVID-19 interrompeu esse modelo, impulsionando a ascensão do trabalho remoto e híbrido. Hoje, quase quatro anos depois, as taxas de ocupação nesses centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente de trabalho. Para enfrentar esse desafio, incorporadores/as têm buscado cada vez mais o "reposicionamento" de seus projetos, procurando redefinir sua imagem ao adaptá-los às demandas contemporâneas. Essa tipologia considera a malha urbana circundante, visando expandir o uso do edifício para além de seu propósito original e atrair as pessoas de volta aos CBDs.
Cortesia de BCT Design Group e Gensler | The Wildset
Planos diretores são estratégias abrangentes de projeto que orientam o desenvolvimento futuro de cidades, distritos ou empreendimentos de grande escala. Sob a perspectiva do projeto e da arquitetura, eles buscam equilibrar a necessidade de flexibilidade, a visão de longo prazo e a integração da infraestrutura com o espaço público. Os temas-chave no planejamento de planos diretores costumam incluir desenvolvimento sustentável, conectividade urbana e integração cultural. Os planos diretores moldam não apenas o ambiente físico, mas também o tecido social das comunidades, ao enfatizarem a caminhabilidade, os espaços de uso misto e a fusão entre os ambientes natural e construído. Essas diretrizes de grande escala demonstram o papel fundamental da arquitetura na modelagem do futuro da vida urbana.
Esta seleção com curadoria de projetos não construídos,enviados pela comunidade do ArchDaily, ilustra uma série de estratégias urbanas visionárias. Seja no renascimento da aldeia de Ad-Damun na Palestina, reconectando-se com um rico passado histórico, ou na ousada reconstrução do Complexo Al-Nouri no Iraque como um polo cultural e espiritual, alguns desses projetos dialogam com narrativas complexas de memória e restauração. Do projeto sustentável de Mokolo Green Scarf City em Camarões ao centro de pesquisa de vida marinha no Iêmen, tais propostas evidenciam diversas abordagens para desafios arquitetônicos, com foco na comunidade, no meio ambiente e na preservação do patrimônio cultural. Ao abordarem contextos regionais singulares, essas propostas refletem um compromisso amplo em repensar como a arquitetura pode promover resiliência e inclusão.
A ergonomia é uma abordagem multifacetada que promete tornar as equipes mais felizes e eficientes. Ela é material, acústica e cerebral, exigindo soluções altamente criativas que aprimoram diversas dimensões simultaneamente. A equipe da Hushoffice apresenta aqui algumas considerações com o objetivo de aprimorar a ergonomia, propondo suas cabines hushFree como fortes aliadas, agora equipadas com o sistema intuitivo hushAssistant.
La Valiente Focaccería + Maíz / OHIO Estudio. Image Cortesía de OHIO Estudio
Criar espaços de interação social envolve processos de projeto que buscam enfrentar a individualização do ser, fomentando os vínculos e as conexões entre as pessoas. Embora o avanço das tecnologias de informação e comunicação traga novas ferramentas que otimizam o desenvolvimento de certas atividades e funções, seu impacto na sociedade tende, por vezes, a intensificar práticas individuais como o trabalho remoto, atividades físicas à distância por aplicativos ou o consumo digital de bens, serviços e eventos, entre outros. Da arquitetura ao design de interiores, passando pelo urbanismo, inúmeros escritórios emergentes enfrentam o desafio de consolidar espaços de interação social por meio de estratégias de projeto, usos e conexões naturais que evitem a substituição do espaço físico pelo virtual.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com o arquiteto chileno Rodrigo Tisi sobre seu livro Objetos e espaços performativos (Ediciones ARQ), uma pesquisa que examina momentos-chave para observar, explicar e estabelecer as possibilidades de certas práticas de performance na academia e em ambientes de disciplinas criativas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140258/o-que-sao-os-espacos-performativos-na-arquitetura-segundo-rodrigo-tisiArchDaily Team
Sumayya Vally, arquiteta, curadora e fundadora do escritório de arquitetura Counterspace, passa a integrar o júri do Obel Award 2024. Este prêmio internacional de arquitetura, organizado pela Henrik Frode Obel Foundation, homenageia projetos que causam um impacto significativo nas pessoas e no planeta. O tema de 2024, "Architecture WITH" (Arquitetura COM), propõe repensar a profissão, enfatizando processos colaborativos e de cocriação que integram saberes diversos no cerne do projeto. A perspectiva de Vally sobre a redefinição dos papéis na arquitetura se alinha ao foco do tema em abordagens não hierárquicas e cocriativas.
Proposta para a cobertura da Catedral de Málaga. Imagem cortesia de Marina Uno Arquitectos
Assim como uma composição musical, existe uma categoria particular de edifícios cuja história se assemelha a uma sinfonia inacabada. Alternando entre notas altas e momentos de silêncio, essas estruturas constituem narrativas intermitentes que atravessam séculos. Um dos casos mais emblemáticos é a Sagrada Família, que está em construção há mais de um século e tem sua conclusão prevista para esta década. Se cem anos de obras não são pouca coisa, outro edifício desse grupo supera de longe essa marca: a Catedral de Málaga, no sul da Espanha, está em construção há mais de cinco séculos.
Impulsionada por influências renascentistas, a construção da catedral teve início em 1528. Desde então, o projeto passou por diversos períodos de interrupção ao longo de sua história, resultando em um marco inacabado. À catedral ainda falta uma de suas torres, há elementos incompletos na fachada e suas abóbadas estão expostas às intempéries devido à ausência de uma estrutura de cobertura. Ao longo dos anos, várias intervenções foram realizadas—incluindo a recente adaptação do acesso turístico às cúpulas—, mas resta uma grande tarefa: o telhado de duas águas. Proposto originalmente em 1764 por Ventura Rodríguez, seu desenho foi reimaginado e agora será executado utilizando técnicas contemporâneas de construção em madeira.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140296/rumo-a-conclusao-da-catedral-de-malaga-o-papel-da-madeira-no-projeto-da-nova-cobertura-de-duas-aguasEnrique Tovar