Consagrada como uma excelente ferramenta para vivenciar um edifício antes mesmo de sua construção, a visualização em tempo real também se mostra um recurso valioso para compreender a história de estruturas que já deixaram de existir.
A seguir, veja como duas pesquisadoras da Universidade de Salerno (UNISA) reconstituíram séculos de história e revelaram o rico passado da Villa Rufolo com o auxílio da visualização em tempo real.
O design de interiores é a arte de transformar a experiência do espaço interno por meio da manipulação do volume espacial e do tratamento de superfícies, melhorando o interior de casas, apartamentos, edifícios, restaurantes, etc. De forma complementar, a arquitetura de paisagem consiste na conformação de espaços abertos e externos.
Vicuña Mackenna 20 (VM20), a poucos metros da estação Baquedano do Metrô e em pleno coração de Santiago, é um novo projeto da Universidade do Chile que busca tanto se tornar um polo de extensão artística e cultural quanto impactar o plano de recuperação de espaços públicos no entorno central da capital.
Ao percorrer visualmente a cidade, é comum notar estruturas que rompem o ritmo das obras de arquitetura concluídas. São edifícios envoltos em tramas de metal ou madeira, por vezes cobertos por redes coloridas, que anunciam um momento de construção, reparo, reforma ou demolição. Conhecidos como sistemas de andaimes, essas estruturas temporárias são instaladas no espaço urbano para viabilizar a construção ou manutenção de edifícios. Contudo, com o tempo, passaram a expressar uma linguagem arquitetônica própria. Como o fazer urbano é um processo contínuo, os andaimes atuam como marcos visuais, antecipando silhuetas, alturas e formas de novas edificações. Eles avançam sobre as calçadas, servindo de sombra ou criando obstáculos ao fluxo de pedestres e veículos. Em contraposição à permanência da arquitetura, exibem uma noção de temporalidade que ajuda a registrar a passagem do tempo, o crescimento dos bairros e a evolução da própria cidade.
Nesta quarta reportagem especial, conversamos com os copresidentes do paineldesign para a Saúde: o arquitetoArif Hasan, ex-professor visitante na NED University de Karachi e membro do Grupo Consultivo da ONU sobre Despejos Forçados, e o arquitetoChristian Benimana, diretor principal e codiretor executivo doMASS Design Group.
Liubliana é o pequeno segredo da Europa. Esta pequena capital (com menos de 300.000 habitantes) é surpreendentemente grandiosa em termos de arquitetura, e a variedade de sua história construída a torna uma parada obrigatória em qualquer jornada arquitetônica. De igrejas ricamente pintadas ao brutalismo sóbrio. Do barroco clássico e da arquitetura de inspiração habsburga a encantadoras fachadas e interiores em Art Nouveau. E, claro, áreas verdes abundantes (Liubliana é a capital verde da Eslovênia – e agora da Europa) e boa gastronomia.
Liubliana é uma cidade repleta de camadas. Seus primórdios como cidade romana ainda são visíveis (uma muralha, a roda de madeira mais antiga do mundo e as vias de entrada e saída da cidade, para citar apenas alguns exemplos). Seus vestígios contemporâneos podem ter envelhecido, mas seu significado permanece intacto – basta pensar na Praça da República ou nos postos de combustíveis brutalistas. É ao visitá-la pessoalmente que conseguimos realmente sentir esses lugares e compreender essas camadas.
A maior exposição da obra de Norman Foster até o momento, sediada pelo Centre Pompidou, explora seis décadas da ilustre carreira do arquiteto por meio de uma série de cadernos de esboços reveladores, desenhos, imagens, maquetes originais e vídeos. A exposição foi projetada por Norman Foster e executada em conjunto com a Foster + Partners e a Norman Foster Foundation. Uma série sob medida de vitrines modulares foi projetada por Norman Foster e por uma equipe da Norman Foster Foundation, com engenharia da Goppion, líder mundial na fabricação e instalação de vitrines de museus, para expor os cadernos de esboços e as transparências do arquiteto.
Você já se perguntou o que o futuro reserva para a visualização arquitetônica? Para responder a essa pergunta e compreender o estado atual e as expectativas para o futuro desse campo, mais de 2.000 arquitetos/as e designers responderam a uma pesquisa encomendada pela Architizer em nome da Chaos Enscape.
“Juntas somos mais fortes”, dizem os cartazes das massivas marchas latino-americanas no Dia Internacional da Mulher. Elas tecem redes em todas as suas esferas de atuação: suas famílias, comunidades e ambientes de trabalho. E o mundo da arquitetura não fica de fora. Entre as arquitetas, esses laços permitem que se mantenham conectadas — como demonstra o caso destas quase 30 redes de mulheres arquitetas na região que apresentamos a seguir.
Enquanto agricultores regam plantações sob a luz do luar, crianças sem documentos vão à escola e moradores locais vasculham o céu em busca de aviões de vigilância — estes são vislumbres de uma cultura complexa que emerge no sul do Líbano depois do anoitecer. Ao reunir algumas dessas práticas noturnas, Mohamad Nahleh — docente de arquitetura e urbanismo no MIT — viajou pelas paisagens de Jabal ‘Amil na esperança de construir uma nova aliança entre a arquitetura e a noite. Sua pesquisa "Path of Nightrise" transformou-se em uma construção física para reabilitar um caminho fluvial esquecido e foi publicada pelo Places Journal. A entrevista com Nahleh defende uma nova imaginação noturna no design e revela não apenas como a noite mudou no Líbano ao longo do tempo, mas também como ele mudou junto com ela.
No âmbito do Festival de Intervenções Urbanas do Gran Concepción FUGAZ, a equipe formada por Álvaro Parraguez, Beatriz Harriet, Bárbara Schumacher, Josefa Acevedo e Luis Cambiaso desenvolveu uma instalação no balneário de Villarrica, em Dichato (Concepción, Chile), que foi a vencedora do Concurso de Instalações Efêmeras 2022. O concurso propunha a necessidade de uma instalação efêmera que funcionasse como espaço de uso para o festival, integrando diversas propostas relacionadas à dança, ao teatro, à música e a outras disciplinas a serem desenvolvidas ao longo do dia.
Os arquitetos Smiljan Radic e Nicolás Schmidt projetaram uma estrutura inflável para a XXII Bienal de Arquitetura e Urbanismo do Chile. Localizada no entorno urbano do Palacio de la Moneda, em Santiago, a instalação funcionou como um palco temporário para a programação de encontros, debates e palestras que promoveram as discussões públicas sobre a temática central do evento: "Habitats Vulneráveis".
A Copa do Mundo da FIFA de 2022 foi única por ter sido o primeiro torneio da FIFA realizado no Oriente Médio. Outro fato inédito foi que a Copa do Mundo, historicamente realizada entre os meses de junho e julho, foi transferida para novembro e dezembro devido ao clima de mais de 40 °C do Catar durante o verão. Mesmo nos meses mais amenos, a temperatura média do país chega a 26 °C. A combinação disso com o calor emitido pelo público concentrado nas arquibancadas tornaria, por vezes, a experiência desconfortável. Como resultado, o Catar climatizou oito de seus nove estádios de futebol ao ar livre — um desafio significativo superado por meio de design, tecnologia e arquitetura inovadores, além do uso de resfriamento localizado (spot cooling); uma iniciativa complexa, especialmente diante da necessidade de manter as credenciais de sustentabilidade.
Para resfriar os estádios de forma eficaz, o desafio mais crítico era impedir — ou ao menos reduzir — a entrada do ar quente externo, o que foi alcançado por meio do desenho e da arquitetura das próprias arenas.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais das áreas criativas em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem os/as arquitetos/as Lyndon Neri e Rossana Hu, dupla fundadora do Neri&Hu Design and Research Office, para conversar sobre suas trajetórias pessoais e a mudança para os Estados Unidos na juventude; como se conheceram em Berkeley; a experiência de estudar e lecionar arquitetura; a mudança para a China; a fundação do escritório em conjunto; a gestão de uma prática multidisciplinar; sua filosofia de trabalho e muito mais.
Uma das principais funções da arquitetura é proporcionar abrigo, atendendo às necessidades fisiológicas e de segurança na base da hierarquia da motivação humana de Abraham Maslow. Ao longo da história, a necessidade de proteção ficou evidente no comportamento de nossos ancestrais, que buscavam refúgio em cavernas para se proteger de intempéries climáticas e predadores. À medida que as sociedades passaram do estilo de vida nômade para o sedentário e as necessidades básicas foram mais facilmente supridas, os abrigos tornaram-se mais avançados, evoluindo para espaços construídos com propósitos específicos. Esses primeiros abrigos resistiram aos elementos de seu tempo e lançaram as bases para a arquitetura moderna como a conhecemos hoje.
Hoje, as condições climáticas extremas decorrentes das mudanças no clima testam cidades, edifícios e materiais. Veneza sofre com inundações, e o Svalbard Global Seed Vault enfrenta o derretimento do gelo. Sem medidas concretas, a situação continuará a se agravar, aumentando a necessidade de estratégias eficazes que nos permitam coexistir com o meio ambiente e desenvolver materiais mais resistentes para nossos edifícios. Um exemplo desses materiais do futuro é o NATURCLAD-B, um sistema de painéis de madeira de alta qualidade e livre de manutenção, projetado para arquitetura, design de interiores e construção.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138602/arquitetura-a-prova-de-clima-revestimentos-supertexturizados-para-condicoes-extremasEnrique Tovar
A escolha do autor para o melhor terminal de aeroporto internacional: o magnífico Aeroporto Dulles de Eero Saarinen. 1962 . Imagem cortesia de Wikimedia Commons
Recentemente, decidi que não me deixaria arrastar pelos debates vazios sobre como o ChatGPT roubaria o emprego de todo/a arquiteto/a experiente no mundo antes de 2030, mas um artigo inteligente publicado neste site por Geethanjali Raman e Mohik Acharya me fez mudar de ideia. O que não está sendo enfatizado é que os algoritmos que analisam informações na internet são tão bons quanto a qualidade dessas próprias informações. A história da arquitetura sugere que toda novidade tem prazo de validade, desaparecendo rapidamente de vista após o esgotamento do frisson inicial. Apenas o que há de melhor resiste após um longo período de avaliação e crítica. Qualquer nova arquitetura amplamente elogiada e difundida desde o surgimento da internet provavelmente ainda não foi testada pelo tempo e, portanto, não serve como parâmetro de referência. E sejamos francos: alguns dos piores edifícios já projetados por seres humanos estão espalhados pelo ciberespaço, soterrando obras muito melhores que ainda não foram digitalizadas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138619/arquitetos-e-arquitetas-devem-resistir-a-revolucao-da-iaMark Alan Hewitt
Os mercados públicos há muito ocupam uma posição de destaque na rica história da arquitetura, atuando como polos dinâmicos de comércio, comunidade e cultura. Caracterizados por suas estruturas imponentes e interiores movimentados, esses espaços desempenharam um papel fundamental na configuração das paisagens urbanas e na facilitação da troca de mercadorias e ideias ao longo dos séculos.
Das antigas ágoras e bazares aos grandes mercados do Renascimento e aos modernos mercados gastronômicos — que passaram por um renascimento próprio —, os mercados públicos testemunham a sinergia duradoura entre arquitetura, atividade econômica e o tecido social da sociedade. Estes quatro projetos recém-concluídos ao redor do mundo provam que essas estruturas altamente especializadas não perderam nada de seu apelo — e exemplificam como elas podem revitalizar comunidades ao aproximar funções comerciais e culturais, bem como o passado, o presente e o futuro.
A percepção espacial é a capacidade cognitiva de processar informações visuais relacionadas à posição, ao movimento, ao tamanho e à forma dos objetos no espaço. Segundo Auguste Perret, em sua obra "Contribuição para uma teoria da arquitetura", a arquitetura pode influenciar essa percepção ao delimitar, fechar e cercar o espaço. Quando essa habilidade se alia à arquitetura, nosso cérebro interpreta e processa as informações visuais para definir se um espaço é visualmente amplo ou estreito. Em espaços interiores, existem elementos capazes de influenciar de forma determinante a nossa percepção espacial, tais como a cor, as dimensões do mobiliário e os materiais que o compõem. Estes últimos são particularmente importantes, uma vez que seu uso em condições específicas pode modificar nossa percepção espacial e a maneira como vivenciamos o ambiente, dependendo de sua textura e formato.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138613/moodboards-com-revestimentos-de-grande-formato-para-inspirar-o-design-de-interioresEnrique Tovar
Ambiente interativo de jogo virtual - Workshop de Design BS de verão da SCI-Arc. Imagem cortesia de SCI-Arc
O programa de Bacharelado em Ciências do Design* (BS Design) da SCI-Arc é um curso de graduação com duração de quatro anos que prepara estudantes para carreiras criativas interdisciplinares em design cinematográfico, games e planejamento e design urbano baseados em dados, utilizando a arquitetura como plataforma de exploração.
A digitalização revolucionou a forma como vivenciamos a arte em plataformas como a SINGULART, que combina múltiplas influências de vários artistas. Imagem cortesia de SINGULART
A relação entre arte e arquitetura é um tema recorrente de debate, dado que a arquitetura se posiciona na interseção entre estrutura, tecnologia e estética. Apesar do uso do conhecimento técnico, a arquitetura e o design de interiores também incorporam conceitos artísticos em seus processos. De ilustrações cativantes na fase de desenvolvimento do projeto a murais e peças artísticas que integram a concepção espacial, a arte desempenha um papel essencial na produção arquitetônica e na sociedade.
No contexto da sociedade contemporânea, muitas de nossas atividades são realizadas digitalmente, desde a reserva de acomodações para viagens até a fabricação de materiais e a criação de exposições de arte. Nesse sentido, a digitalização também permeou o mundo da arte, dando origem a iniciativas como a SINGULART, que desafia o conceito tradicional de galeria de arte ao existir em formato digital. Essa plataforma reúne obras de diversas fontes de inspiração e técnicas artísticas, englobando desde esboços e pinturas até fotografia de arquitetura. Ela funde múltiplas influências de vários contextos, incluindo o trabalho arquitetônico.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138631/do-croqui-a-pintura-uma-galeria-de-arte-digital-para-inspirar-o-trabalho-diario-na-arquiteturaEnrique Tovar
Se há alguém que realmente entende os desejos e sonhos das futuras noivas, certamente são as mentes por trás da criação daquele mítico objeto matrimonial: o vestido de noiva. Há mais de 30 anos, Lars Wallin, um dos estilistas mais famosos da Suécia, cria vestidos para mulheres prestes a vivenciar o que, para muitas, é a experiência romântica definitiva. E com o projeto de uma recém-concluída suíte nupcial no hotel Radisson Blu Scandinavia em Gotemburgo, Wallin demonstrou não apenas sua delicadeza de alta costura em materializar sonhos de glamour e romance, mas também a habilidade de transferir perfeitamente seus talentos criativos do ateliê para o quarto.
Em um contexto no qual as manifestações da nossa cultura adquirem cada vez mais valor, e suas apresentações e representações são fundamentais para transmitir diferentes conteúdos, o design de espaços expositivos assume especial relevância na hora de projetar e estabelecer diferentes percepções e narrativas, tanto no cotidiano quanto em eventos específicos.
Instalación LAGUNA. Image Cortesía de Diego González Albarrán
O bairro Doctores (Cidade do México) é um território complexo cujo entendimento envolve observar as inter-relações entre os objetos no espaço, mais do que o espaço e os objetos em si. Anteriormente conhecida como colônia Hidalgo e posteriormente rebatizada devido ao nome de suas ruas, a região apresentou múltiplos processos de transformação e apropriação ao longo do tempo, desde a construção de suas primeiras moradias durante o período colonial até a mudança espacial e social provocada pelo terremoto de 1985.
Não estou me referindo a jovens designers, cantores/as, atores/atrizes, poetas ou artistas em início de carreira que trabalham como baristas ou bartenders para pagar as contas e agarram as oportunidades profissionais que surgem. Assim como ocorre com médicos/as, advogados/as e engenheiros/as que não exercem a profissão, a docência sempre foi uma forma de garantir a credibilidade do estilo de vida de um/a “arquiteto/a” sem o desgaste diário de realmente projetar e construir. Há um paradoxo evidente na figura dos/as arquitetos/as que não praticam a arte de construir. As escolas de arquitetura multiplicaram o número de especializações que não têm como foco profissional o projeto de edifícios: gestão de obras, planejamento, sustentabilidade, entre outras. Por dois séculos, a profissão de arquiteto/a refletiu as melhores aspirações da nossa sociedade manifestadas nos edifícios. No entanto, há muitas pessoas que não querem construir — elas apenas amam a identidade do título.