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Buildner lança o Unbuilt 2026 e revela os projetos vencedores do Unbuilt 2025

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A Buildner lançou o Buildner's Unbuilt Award 2026, a terceira edição de seu concurso anual, que oferece um fundo de prêmios de 100.000 EUR.

A Buildner também anunciou os resultados do Buildner's Unbuilt Award 2025, a segunda edição do concurso que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. Com um expressivo fundo de prêmios de 100.000 EUR, a iniciativa oferece uma vitrine global para que arquitetos/as e designers apresentem suas propostas não construídas mais instigantes, sejam elas conceituais, publicadas, inéditas ou totalmente desenvolvidas.

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Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte

O Sudeste Asiático é frequentemente descrito como uma espécie de playground arquitetônico—uma arena onde os ideais modernos e contemporâneos foram testados em escala real por meio de edifícios singulares e icônicos. É fácil traçar uma linhagem por meio de nomes que ajudaram a moldar o imaginário das silhuetas urbanas da região: o Lippo Centre de Paul Rudolph em Hong Kong e o The Concourse em Cingapura; o OCBC Centre de I.M. Pei e a Bank of China Tower em Hong Kong; a Suprema Corte de Cingapura de Norman Foster e o HSBC Main Building em Hong Kong; a Prefeitura de Hong Kong de Ron Phillips; e o Marina Bay Sands de Moshe Safdie. Contudo, essa história familiar—contada por meio de objetos, colonialismo, autoria e formas de assinatura—corre o risco de ignorar uma camada de influência mais profunda e consequente: as lógicas de planejamento e as estruturas de infraestrutura que silenciosamente organizaram a maneira como essas cidades se expandem, se adensam e distribuem a vida cotidiana.

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Projetar para o tempo: o envelhecimento dos materiais como estratégia de projeto

A figura de Titono na mitologia grega propõe uma reflexão sobre o paradoxo da permanência. Ao suplicar a Zeus pela imortalidade, ele se esqueceu de pedir a juventude eterna, o que resultou em uma vida de envelhecimento sem fim. Com o passar do tempo, seu corpo se deteriora, transformando a própria imortalidade em um fardo. A narrativa sugere uma contradição fundamental: a permanência, quando desvinculada da capacidade de mudança, deixa de ser uma qualidade desejável. Em vez de estabilidade, gera uma decadência acumulada sem adaptação.

Historicamente, a arquitetura frequentemente caiu na chamada "Armadilha de Titono". Os materiais são especificados para resistir ao tempo, os sistemas são detalhados para evitar transformações e os edifícios são concebidos como imagens estáticas. No entanto, essa busca pelo estático raramente sobrevive à realidade das intempéries. Entre o momento do projeto — frequentemente associado a representações precisas e controladas — e a vida útil de uma edificação, as superfícies inevitavelmente sofrem desgaste, mudam de aparência e perdem seu acabamento original. O envelhecimento costuma ser interpretado como uma perda, em vez de ser incorporado como parte da linguagem arquitetônica.

A ilusão de leveza: projetando vazios cívicos para a vida pública

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Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e a valorização do solo frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas remanescentes no entorno da projeção de um edifício, mas essa estratégia se transformou com a introdução dos pilotis pelo movimento modernista no início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a livre circulação e a passagem de luz sob a estrutura, as exigências contemporâneas de cargas sísmicas, rotas de fuga contra incêndio e alta ocupação tornam os pilares delgados insuficientes para as demandas dos grandes projetos cívicos atuais.

Contudo, a busca pela leveza arquitetônica não é um fenômeno estritamente contemporâneo. Após a introdução dos pilotis pelo modernismo, diversos projetos de meados do século passado começaram a experimentar com a ilusão de suspensão para alcançar uma transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios a um contexto legislativo. O edifício consiste em uma sólida câmara de assembleia elevada sobre uma série de pilares delgados. Como o terreno se situa em um terraço ao final de uma rua em declive, o vazio resultante faz mais do que apenas permitir a circulação; ele emmoldura vistas da cidade, criando a impressão de que o pesado volume legislativo flutua delicadamente sobre o tecido urbano.

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Futuros Alternativos: Cinco Marcos Modernistas Reimaginados para o Século XXI

O modernismo na arquitetura foi, talvez, a primeira filosofia de projeto de edifícios verdadeiramente global. Surgido no início do século XX, seus primeiros expoentes foram grandes nomes europeus, como Le Corbusier, Walter Gropius, e Mies van der Rohe. Em 1923, Le Corbusier publicou sua obra teórica seminal, conhecida em português como Por uma arquitetura. A novidade e a rejeição da história eram preceitos centrais do modernismo, manifestando-se no uso de novos materiais, como o aço e o concreto, que propiciaram uma liberdade de expressão formal sem precedentes.

Em meados do século XX, o modernismo foi adotado em todo o mundo por nações que se recuperavam da Segunda Guerra Mundial e superavam o legado do colonialismo. O movimento tornou-se a linguagem da reconstrução e da afirmação nacional, fortalecido por sua rejeição ao passado. Sua ênfase na tecnologia se adequava a esse "admirável mundo novo" da indústria, do desenvolvimento em larga escala e das novas tipologias arquitetônicas. Um século após seu surgimento, o próprio modernismo tornou-se o legado. À medida que os edifícios se tornam obsoletos ou atingem o fim de sua vida útil, cresce a valorização do patrimônio histórico dessas estruturas, tanto como objetos de design quanto como símbolos do espírito da época em que foram construídos. Apresentamos aqui cinco edifícios modernistas de cinco regiões diferentes que passam por propostas de reutilização adaptativa. Se outrora a forma seguia a função, aqui, a função deve seguir a forma.

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Espai Verd: A Utopia Habitável da Catedral Verde de Valência

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Mesmo o transeunte mais distraído é capturado pela presença monumental dessa estrutura situada no consolidado bairro valenciano de Benimaclet. Diante dela, qualquer tentativa de apreensão racional se desfaz. A lógica construtiva parece escapar enquanto o espaço se desdobra em tensões e desvios onde nada se oferece de imediato. Entre massas de concreto e a insurgência da vegetação, emerge um jogo quase coreográfico de planos, ângulos e rotações. Na vertigem desse encontro, percebe-se que o edifício não foi feito para ser compreendido, mas para ser experimentado.

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Mestrados em arquitetura em Barcelona 2026: inovação, especialização e uma cidade em ebulição

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Em 2026, Barcelona se tornará o epicentro mundial da arquitetura ao ser nomeada Capital Mundial da Arquitetura pela UNESCO e pela UIA. Esse reconhecimento reforça o papel da cidade como laboratório urbano de inovação, sustentabilidade e design contemporâneo. Nesse contexto, estudar um mestrado em arquitetura em Barcelona representa uma oportunidade para arquitetos, arquitetas e profissionais do setor que buscam se especializar e se conectar com as tendências que estão transformando a disciplina.

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Armenta Ressurge: arquitetura comunitária junto ao rio em Honduras

São oito horas da manhã e o painel do carro indica 36°C nas ruas de San Pedro Sula, em Honduras. O céu está quase limpo: seu azul é intenso e as poucas nuvens que passam brilham sob o sol. O ar-condicionado dos carros — todos com vidros escurecidos — faz esquecer que, ao descer, o ar quente e úmido pesará sobre os ombros, provocando suor imediato.

Puerto Cortés, no Caribe, fica longe demais para um mergulho rápido, mas, no bairro de Armenta, o rio homônimo desce quase em silêncio da Sierra del Merendón e corre de oeste a leste entre pedras cinzentas. Na margem norte, as árvores altas e frondosas no topo do barranco dão sombra a uma praça longa, seca e empoeirada, enquanto as grossas raízes expostas conferem rugosidade ao terreno. Ali, o sol castiga menos.

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Plástico que não é plástico: Redefinindo a circularidade no design de planta livre

 | Em colaboração
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Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.

Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?

De galpão a hub de inovação: renovação, reúso e design centrado no ser humano para menor impacto ambiental

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O que acontece quando se escolhe o reuso em vez da demolição? Em Østbirk, na Dinamarca, um antigo galpão de madeira de 30 anos foi transformado em um hub de inovação de referência internacional, com 14.000 metros quadrados, voltado para a equipe de quase 500 profissionais da VELUX. Este artigo explora como o projeto da LKR Innovation House desafia as práticas convencionais de construção, preserva o legado dos materiais e oferece lições práticas para profissionais de arquitetura que trabalham com estruturas existentes. Um novo livro documenta esse processo por meio de ensaios, entrevistas e fotografias.

Construindo com Leveza em Zonas de Inundação: Arquitetura para Inundações Sazonais

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A enchente não chega de surpresa. Ela retorna, acompanhando os mesmos rios transbordantes e céus de monção, amolecendo a terra e invadindo casas que nunca foram feitas para resistir a ela. Paredes são desamarradas antes de serem perdidas, materiais são recolhidos antes de flutuarem para longe, e as estruturas são reconstruídas com uma familiaridade que sugere que isso não é destruição, mas sequência. Em paisagens onde a água retorna a cada ano, a sobrevivência é definida pela capacidade de recomeçar.

Nas planícies de inundação de Bangladesh, da bacia do Brahmaputra e do Delta do Mekong, a inundação é uma certeza sazonal. Relatórios de instituições como o Banco Mundial e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas frequentemente abordam as enchentes sob a ótica da exposição e do dano, medindo o sucesso através da resistência e da durabilidade. No entanto, em territórios que ficam submersos anualmente, essas métricas descrevem o problema apenas em parte. O próprio solo oscila entre os estados sólido e líquido. Construir como se ele fosse fixo significa projetar contra a própria condição que o define.

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Unindo design e comunicação em projetos residenciais

Os desenhos de arquitetura operam por meio da abstração. Plantas, cortes e elevações condensam informações espaciais, construtivas e dimensionais em um conjunto de códigos que fazem sentido dentro da disciplina, mas que nem sempre são imediatamente legíveis para quem não está familiarizado com essa linguagem. Em alguns projetos, essa condição pode gerar uma tensão recorrente entre o que é projetado e o que pode ser compreendido. Isso se intensifica quando as ferramentas utilizadas não correspondem à escala e à complexidade do projeto. Em contextos como casas unifamiliares, reformas ou ampliações, softwares excessivamente complexos podem introduzir ruídos, atrasos e dependências desnecessárias, tornando as propostas mais difíceis de desenvolver e transmitir.

Clima e uso coletivo: permeabilidade arquitetônica na América Latina

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A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.

Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.

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Design do Século XX em Fluxo: Foco Editorial de Maio do ArchDaily

"A história da arquitetura não está errada", argumentou Lesley Lokko em sua introdução para a Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, "mas está incompleta." Durante a maior parte do século XX, a história da arquitetura falou uma única língua: uma narrativa singular e dominante, centrada em um punhado de movimentos, nomes e cidades, cujo alcance e influência pareciam universais justamente porque as vozes alternativas eram silenciadas. Os movimentos de design, contudo, raramente cruzavam fronteiras intactos. Eram frequentemente absorvidos, resistidos, reinterpretados e transformados a depender da geografia, da política, da economia, do clima e dos materiais disponíveis. O que chegava a um lugar como doutrina tornava-se, em outro, algo inteiramente diferente.

Este mês, o ArchDaily explora Design do Século XX em Fluxo: Uma Reinterpretação Global da História da Arquitetura, um tema que mapeia as linguagens projetuais do século não como um cânone único, mas como uma constelação de trajetórias em evolução, cruzamento e contínua reinvenção. O tema desafia a premissa de que as arquiteturas regionais e não ocidentais eram meramente derivadas — posicionando-as, em vez disso, como locais de reinterpretação ativa, onde ideias globais eram filtradas por materiais, climas, mão de obra e práticas culturais locais para produzir algo inteiramente singular.

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“A terra não é nostalgia”: Hand Over sobre design-build e materiais locais

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A cada ano, o ArchDaily Next Practices Awards destaca escritórios emergentes que estão expandindo os limites da arquitetura por meio de novos métodos, materiais e formas de trabalhar. Selecionadas a partir de um panorama global, essas práticas refletem um distanciamento de definições singulares da disciplina, voltando-se a questões mais amplas de construção, meio ambiente e impacto social. Em vez de operar em categorias rígidas, muitos desses escritórios se posicionam de forma transversal entre diferentes campos, combinando projeto, pesquisa e produção para responder às condições contemporâneas.

Escolhido como um dos vencedores da edição de 2025, o Hand Over é um escritório sediado no Cairo que atua na interseção entre projeto, construção e pesquisa. Fundado por Radwa Rostom, engenheira civil com mais de quinze anos de experiência em desenvolvimento e sustentabilidade, o estúdio trabalha por meio de um modelo integrado de projeto e construção, engajando-se com a construção com terra, materiais locais e processos de base comunitária.

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Art Nouveau Revisitado: Artesania, Materialidade e Detalhe em Espaços de Hospitalidade Contemporâneos

Na virada do século XX, movimentos paralelos, mas interligados, ao redor do mundo inauguraram um novo estilo e uma nova era arquitetônica. Do Arts and Crafts na Inglaterra, passando pelo Art Nouveau e posteriormente pelo Art Deco na França, ao Jugendstil na Alemanha e Áustria, esses desdobramentos artísticos e de design se espalharam globalmente, assumindo diferentes formas de acordo com o contexto local. A premissa básica, no entanto, permaneceu semelhante, com foco no valor artesanal e no fazer manual; no uso de madeira, vidro e diversos metais; na integração de formas orgânicas nas fachadas e na estrutura interna; e na incorporação refinada da ornamentação como elemento arquitetônico, frequentemente sob a forma de motivos vegetais ou padrões geométricos.

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Escuelita Lochiel: Projeto vencedor do ArchDaily Student Project Awards ressignifica a educação por meio do adobe

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No deserto de altitude do Vale de San Rafael, a poucos quilômetros da fronteira entre os Estados Unidos e o México em Lochiel, Arizona, uma escola de adobe permanece de pé há mais de um século. Construída antes de 1905, antes mesmo de o Arizona se tornar um estado incorporado, a escola atendeu a gerações de estudantes de origem mexicano-americana do Arizona e de Sonora, cultivando experiências culturais compartilhadas, histórias e relações que transcendem fronteiras físicas e políticas. Ao longo de décadas de educação e histórias compartilhadas, o local tornou-se um espaço onde a língua e a narrativa fluíam livremente, mesmo com o aumento contínuo das tensões geopolíticas na fronteira. Hoje, trata-se de uma das últimas escolas de adobe de sala única ainda existentes nos Estados Unidos.

O adobe está entre as tecnologias construtivas mais antigas do sudoeste americano e figura entre as mais exigentes em termos de conservação. Em climas desérticos, as paredes de terra enfrentam um desgaste intenso decorrente de temperaturas extremas, fissuras causadas por variações sazonais e deterioração acelerada após tempestades. Essas vulnerabilidades exigem uma manutenção contínua e especializada ao longo de muitas estações e décadas consecutivas. Após anos de abandono progressivo e ameaças estruturais, um esforço de restauração que durou doze anos — promovido por membros da comunidade local que compreendiam este edifício como uma infraestrutura cultural crucial — salvou a escola da iminente demolição. O fato de a comunidade ter optado por assumir esse esforço, diante de tudo o que a construção em adobe exige de quem dela cuida, é uma afirmação clara do custo que a perda deste edifício representaria. O resultado é uma estrutura que hoje se ergue como um monumento ao patrimônio mexicano-americano e um arquivo vivo da educação rural fronteiriça.

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Projetando para o movimento em um espaço de trabalho feito para sentar

Apesar de toda a experimentação espacial no espaço de trabalho contemporâneo, uma condição permanece praticamente inalterada: as pessoas continuam sentadas. Estudos sugerem que profissionais de escritório passam até 89% de sua jornada de trabalho em posição sentada — o que equivale a quase 36 horas por semana —, a despeito de décadas de conscientização ergonômica. À medida que os espaços de trabalho se tornam mais flexíveis, sociais e focados em design, essa contradição se torna cada vez mais difícil de ignorar.

O escritório já não se organiza em torno de um único modo de operação, tampouco por uma lógica espacial rígida. O trabalho tornou-se multifuncional, alternando entre colaboração e concentração, trocas coletivas e foco individual. Em resposta, a arquitetura e o design de interiores se afastam de layouts uniformes e repetitivos em direção a ambientes que refletem a variabilidade do comportamento humano.

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"Instabilidade calibrada": Daryan Knoblauch sobre construir com tensão, tempo e luz

O trabalho de Daryan Knoblauch situa-se na interseção entre a arquitetura e a produção cultural ao vivo, com foco em como o espaço se torna legível por meio da tensão e da atmosfera. Em vez de tratar o trabalho temporário como uma categoria menor da arquitetura, Knoblauch aborda instalações, palcos e arquiteturas efêmeras de eventos como problemas disciplinares em sua totalidade — nos quais fechamento, estabilidade, luz e movimento devem ser resolvidos com a mesma seriedade que qualquer edifício, frequentemente sob restrições mais severas e prazos mais curtos.

Ao longo de seus projetos, um fio condutor constante é a tensão produtiva entre a precisão do alto modernismo e uma clareza de montagem intencionalmente crua. Membranas e sistemas leves não são aplicados como meros efeitos de superfície, mas como instrumentos estruturais e espaciais — ajustados ao vento, à carga e à ocupação, e calibrados para produzir uma sublimidade que é tanto sentida quanto vista. Aqui, a efemeridade não é simplesmente uma duração, mas uma condição de projeto: a temporalidade torna as forças — clima, desgaste, performance — mais visíveis e exige uma ética do fazer que é ao mesmo tempo rigorosa e adaptável.

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200 anos de inovação em vidro arquitetônico

Cientificamente, o vidro é definido como um sólido amorfo, o que significa que seus átomos não estão dispostos em uma estrutura cristalina regular. É por isso que o material é frequentemente descrito como um "líquido congelado no tempo". Essa configuração estrutural explica uma de suas qualidades mais marcantes: a transparência. Sem uma rede cristalina capaz de dispersar a luz, a radiação atravessa o material com pouca interferência. Embora muitas vezes pareça delicada, essa mesma estrutura também permite que o vidro alcance um desempenho mecânico significativo. Por meio de processos industriais como têmpera, laminação e revestimentos especializados, o material pode atingir altos níveis de resistência, segurança e desempenho ambiental.

Por que queremos flutuar? A psicologia da leveza na arquitetura

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Em 1962, o arquiteto Buckminster Fuller imaginou uma cidade flutuante que libertaria a humanidade da dependência da Terra. O projeto hipotético consistia em enormes esferas geodésicas aéreas que levitariam naturalmente no ar quente aquecido pelo sol e que seriam ancoradas no topo das montanhas. Propondo abrigar milhares de pessoas, as Cloud Nine de Fuller tinham como objetivo aliviar a política de propriedade da terra, a escassez de moradias e auxiliar na preservação da natureza.

Passado mais de meio século, seguimos distantes de concretizar a ideia de Fuller. Criar uma estrutura verdadeiramente flutuante na superfície da Terra permanece, até o momento, um ideal inatingível. Enquanto os suportes ainda se impõem como necessidade, manipulamos sua posição, sua intensidade, sua quantidade, desenvolvendo acrobacias para, ao menos, nos aproximarmos da ideia de vencer a gravidade, esse desejo que há tanto tempo fascina a humanidade.

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Paisagens salinas regenerativas: projeto vencedor do ArchDaily Student Project Awards repensa a extração na Argentina

Quando se pensa na Argentina, costuma-se imaginar marcos como o Obelisco de Buenos Aires. No entanto, o país se estende por mais de 2.780.400 km², sendo um dos maiores da América do Sul e abrigando uma ampla diversidade de paisagens e realidades que frequentemente passam despercebidas. De fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, está localizada no Triângulo do Lítio: uma região de alta altitude compartilhada com a Bolívia e o Chile que concentra cerca de 54% das reservas mundiais de lítio. Nesse território encontra-se o Salar de Olaroz, um local onde hoje convergem duas dinâmicas conflitantes: a expansão da extração industrial de lítio e a preservação da cultura e das terras ancestrais habitadas pelas comunidades Kolla e Atacama, gerando um embate entre a extração industrial de alta capacidade e as práticas agrícolas tradicionais de baixo impacto.

Diante dessa problemática, uma das equipes vencedoras do ArchDaily Student Project Awards, composta por Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez, decidiu investigar o tema. O trabalho foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso para a graduação em Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba. A proposta nasce do interesse em dialogar com territórios que permanecem periféricos ao discurso arquitetônico, utilizando o trabalho de conclusão como uma oportunidade para uma pesquisa profunda e contínua. Isso possibilitou a formulação de respostas projetuais embasadas e fundamentadas nas realidades territorial e socioeconômica. Ao rejeitar a oposição binária entre extração e preservação, o projeto aborda o território como um sistema no qual ambas as dinâmicas podem coexistir por meio da mediação espacial e técnica.

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Memória da Terra: 4 Exemplos que Reinventam as Antigas Fábricas de Cerâmica

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Há um gesto ancestral em dar forma à terra. Muito antes da arquitetura se constituir como disciplina, o barro já era moldado pelas mãos e transformado pelo fogo, convertendo matéria bruta em utensílio doméstico e objeto cultural. Na história desse ofício, as fábricas de cerâmica marcam a transição do saber manual para a produção em série, ampliando sua escala sem romper completamente com a origem material. Dispersas por diferentes territórios, essas estruturas registram a relação entre técnica, paisagem e tempo. Com o passar das décadas, no entanto, muitas delas acabaram perdendo sua função original, sendo substituídas por processos mais tecnológicos ou fagocitadas pelo desenvolvimento urbano ao seu redor, passando a ocupar um estado intermediário, entre permanência e obsolescência.

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Leveza Transparente: Quando a Arquitetura Pneumática se Conecta com o Meio Ambiente

Em Seis propostas para o próximo milênio, Italo Calvino explora a leveza sob uma perspectiva literária e argumenta: "À leveza se opõe o peso. Retirar peso produz leveza; ela é um valor, não um defeito." Apoiando-se na mitologia grega, ele reflete sobre um dos feitos de Perseu após decapitar a terrível Górgona Medusa sem ser transformado em pedra. Auxiliado pelos deuses Hades, Hermes e Atena, Perseu voa com suas sandálias aladas e usa um escudo de bronze como espelho para refletir a imagem dela. Apoiando-se, como muitos arquitetos e arquitetas, naquilo que há de mais leve — o vento e as nuvens —, ele também fixa o olhar no que se revela por meio de uma visão indireta: uma imagem refletida no espelho.

Historicamente, a transparência foi naturalizada como uma condição inerente à arquitetura moderna. Com a transição das pesadas paredes portantes para os fechamentos leves em vidro, este material foi introduzido na disciplina, diluindo as fronteiras entre os espaços internos e externos. Em relação à arquitetura inflável, a transparência vincula-se à leveza e à impermanência, deixando rastros temporários nas paisagens que habita. Ao utilizar tecidos ou plásticos como principais materiais e o ar como sistema estrutural, a busca pela leveza no ambiente construído agora reconhece mais de uma única atmosfera de aplicação.

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