
Ao examinar o universo do cinema africano, há poucos nomes mais proeminentes que o do diretor senegalês Ousmane Sembène. Seus filmes “La Noire de...” e “Mandabi”, lançados em 1966 e 1968, respectivamente, narram histórias evocativas sobre os legados do colonialismo, da identidade e da imigração. Embora essas duas obras apresentem um ritmo mais lento, funcionando como crônicas do cotidiano, elas também oferecem uma valiosa crítica espacial do cenário onde se ambientam, fornecendo um referencial importante para compreender as complexidades da cidade africana pós-colonial e o contraste entre as metrópoles africanas e europeias.
“La Noire de...” é um filme pungente e tocante que centra seu olhar em uma mulher senegalesa, uma babá que trabalha para seus empregadores brancos na França. Ela já havia trabalhado para eles no Senegal — principalmente cuidando das crianças —, mas, na França, vê-se relegada à função de empregada doméstica, cozinhando, limpando e sendo tratada com desprezo generalizado por seus patrões. Alienada, ela vive uma existência solitária na França, confinada a um apartamento em um edifício alto.













