Esta semana começou com a celebração do Dia Internacional da Paz pelas Nações Unidas, um convite para refletir sobre as condições necessárias para cultivar a não violência, a estabilidade social e o respeito à dignidade humana. Diante de um cenário de crescente isolamento individual, autoritarismo e uma crise material multidimensional, reunimos artigos nos quais a arquitetura atua como mediadora entre o conflito e a coexistência por meio da construção de espaços de encontro e memória. Outras notícias desta semana destacam uma ferramenta disciplinar que une esses dois conceitos: a transformação do ambiente já construído para adaptá-lo às nossas necessidades e aspirações atuais, ao mesmo tempo em que um novo conjunto de projetos de grande escala e alta visibilidade é inaugurado no Norte Global. Em nosso radar, também analisamos novos projetos em Dubai, Oxford, Portland e Paris, assinados por grandes escritórios internacionais.
Ben-Avid por Atelier Aveta. Destaque na exposição Central da Bienal. Imagem cortesia de Bienal Internacional de Arquitectura de Buenos Aires
A arquitetura esta semana volta-se para a questão do que o ambiente construído pode tornar possível e do que ele pede em troca. Discussões sobre democracia e espaço público analisam como a arquitetura pode apoiar a participação, a equidade e a vida coletiva, enquanto novos projetos residenciais e culturais exploram como os edifícios podem responder às mudanças nas necessidades sociais por meio da adaptabilidade, do compartilhamento de espaços e do reúso de estruturas existentes. Essas preocupações estendem-se aos espaços de exposição, onde a Bienal de Arquitetura de Tallinn examina os custos menos visíveis da construção e a Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires analisa as diversas formas pelas quais a arquitetura molda o habitar. Diante desses diferentes contextos, a arquitetura surge como uma forma de negociar acesso, recursos, comunidade e o valor a longo prazo do ambiente construído.
As notícias desta semana destacaram como a arquitetura dialoga com o preexistente e se comunica para além do próprio edifício. Diversas reportagens exploraram a restauração e o reuso, desde a renovação de um salão universitário histórico até a preservação de espaços expositivos de um artista e a incorporação de materiais reaproveitados em novas construções. Em outras frentes, a arquitetura continuou a servir tanto como tema quanto como cenário de exposições, com anúncios de novos museus e espaços culturais que analisam os contextos social, tecnológico e ecológico mais amplos da disciplina. No radar, três projetos para acompanhar: em Berlim, o escritório sauerbruch hutton venceu o concurso para ampliar a sede do Ministério Federal da Defesa no Bendlerblock; em Santa Barbara, a SOM e a Mithun revelaram o projeto de um novo e importante complexo de habitação estudantil na UC Santa Barbara; e, abordando uma forma totalmente diferente de intervenção, o escritório Autonoma, liderado pelo arquiteto Paulo Tavares, lançou a Documental, uma plataforma de código aberto que permite a jornalistas, pesquisadores/as e organizações civis transformar dados, fotos e imagens de satélite em narrativas digitais geolocalizadas em defesa dos direitos humanos e ambientais.
Ao longo do ano, a equipe de curadoria do ArchDaily se dedica em abastecer e expandir nossa biblioteca de projetos. Distribuídas por todo o mundo, cada curadora analisa cuidadosamente os melhores projetos provenientes de suas respectivas regiões, em um esforço para alcançar uma representação diversificada das mais inspiradoras e inovadoras obras construídas. A equipe está sempre buscando por práticas emergentes, novas tecnologias e o resgate de técnicas de construção tradicionais. Ao promover tanto iniciativas de cunho social, bem como grandes obras de arquitetos renomados, procuramos oferecer uma visão holística atual do ambiente construído, que é transmitida por meio da retrospectiva anual de projetos.
Em 21 de janeiro de 1958, três mulheres participaram como competidoras em um episódio do popular programa de televisão “To Tell the Truth”, um jogo de perguntas em que se tentava adivinhar quem era cada um dos competidores. O apresentador revela que se trata de uma arquiteta, que ela já projetou um hotel Hilton, é casada e mãe de quatro filhos. Cada uma das mulheres, vestida formalmente com saias lápis e blusas, se apresenta como Natalie De Blois. Enquanto os palestrantes revelam sua falta de conhecimento sobre arquitetura, apenas disparando perguntas sobre Frank Lloyd Wright, pergunta-se “Qual é o nome do prédio que foi demolido para construir a Union Carbide?” A verdadeira Natalie De Blois, na época arquiteta sênior da SOM, responde com firmeza: “Hotel Margery”.
Quando pensamos em mulheres que foram conhecidas como pioneiras da indústria, é surpreendente que muitas vezes falamos sobre aquelas com quem pudemos interagir no cotidiano de trabalho ou com quem tenhamos aprendido algo. Natalie De Blois foi uma pioneira moderna das mulheres arquitetas na força de trabalho e, embora seu legado tenha começado há apenas setenta anos, mudou significativamente a maneira como as mulheres podem participar da profissão hoje.
A firma Skidmore, Owings & Merrill (SOM) concluiu as obras de restauração da Lever House, um dos marcos modernistas de Nova York. O edifício foi concluído em 1952, seguindo o projeto da SOM. Na época, o crítico de arquitetura Reyner Banham disse que o edifício "deu expressão arquitetônica a uma época no exato momento em que ela estava nascendo". Desde então, a SOM tem se comprometido em fazer visitas técnicas ao edifício e, mais recentemente, garantir que as obras de restauração preservassem sua imagem original sem comprometer padrões contemporâneos de desempenho.
Os termos resiliência e sustentabilidade, embora tenham significados semelhantes, referem-se a abordagens de design distintas no contexto da arquitetura e das cidades. Sustentabilidade está relacionada à preservação dos recursos naturais para manter o equilíbrio ecológico, enquanto resiliência implica a capacidade de se recuperar, adaptar e persistir em momentos de adversidade. Esses conceitos não apenas influenciam, mas também se complementam, especialmente em projetos de edifícios resilientes a desastres. Enquanto os processos de design convencionais para infraestrutura resiliente costumam se basear em princípios de robustez estrutural e integridade como medida contra desastres naturais previstos, a resiliência sustentável sugere a oportunidade de fortalecer os edifícios ao incorporá-los em sistemas biológicos e ecológicos.
Para a abertura da CAB 5, a 5ª edição da Bienal de Arquitetura de Chicago,Skidmore, Owings & Merrill (SOM) apresentou uma alternativa ecológica ao concreto tradicional. Chamada de "Bio-Block Spiral", a instalação está localizada no Fulton Market, em Chicago. A criação foi desenvolvida em colaboração com a Prometheus Material, uma empresa que fornece materiais de construção sustentáveis para um futuro neutro em carbono.
Na Bienal de Arquitetura de Veneza deste ano, o Centro Cultural Europeu (ECC) apresentou a sexta edição de sua extensa exposição de arquitetura intitulada Time Space Existence. A edição de 2023 da mostra coletiva chama a atenção para as expressões de sustentabilidade em suas várias formas, abrangendo desde o foco no meio ambiente e paisagem urbana até debates sobre inovação, reuso, comunidade e inclusão. 217 projetos de participantes renomados como Snøhetta ou MADWORKSHOP e profissionais emergentes como Urban Radicals ou ACTA estão atualmente em exibição até 26 de novembro de 2023, nos Palazzos Bembo e Mora, e nos Jardins de Marinaressa em Veneza.
Em resposta às mudanças climáticas, as instalações apresentadas investigam novas tecnologias e métodos de construção que reduzem o consumo de energia por meio de design circular e desenvolvem materiais de construção inovadores, orgânicos e reciclados. Os participantes também abordam a justiça social ao apresentar soluções habitacionais idealizadas para comunidades deslocadas e minorias, enquanto outros examinam as tensões entre o ambiente urbano construído e a natureza que o cerca para identificar oportunidades de coexistência.
O escritório Skidmore, Owings & Merrill foi selecionado para projetar a Bolsa de Clima de Nova York em parceria com a Stony Brook University, um instituto de pesquisa pública nova-iorquino. O novo campus net-zero, localizado na Governors Island, será uma instituição âncora no desenvolvimento de novas soluções climáticas. Sendo um centro internacional pioneiro, "A Bolsa" também atuará como um hub regional para a economia verde.
Com o início do novo ano, aguardamos com expectativa os projetos mais emocionantes planejados para 2023. A segunda torre mais alta do mundo está atualmente em construção na Malásia; no Egito, o maior museu arqueológico está quase pronto para abrir suas portas; na Albânia o MVRDV está atualmente trabalhando na requalificação de um importante marco brutalista. De escritórios como Snøhetta, OMA, Studio Gang, Zaha Hadid Architects, BIG, e o mais recente vencedor do Prêmio Pritzker, Francis Kéré, a seleção a seguir reúne projetos localizados em várias partes do mundo, de diferentes escalas e programas, de aeroportos internacionais a galerias de arte e museus.
Vários projetos aqui apresentados também constaram na compilação do ano anterior. A disponibilidade de recursos e as questões trabalhistas geradas pela pandemia também continuaram a influenciar os cronogramas de abertura, mas com um impacto cada vez menor. Seguindo as tendências previstas para 2023, mais e mais projetos envolvem a reutilização adaptativa das estruturas existentes. Um tema subjacente é visível no crescente interesse em expandir os espaços artísticos e culturais e integrar o patrimônio histórico na expressão da arquitetura contemporânea.
Andar pelas ruas de Mumbai, Índia, é uma experiência inigualável. A energia da maior e mais populosa cidade da Índia é sentida através de seu povo, de suas atividades e de seu ambiente construído. A cultura dinâmica da cidade fica expressa de forma evidente através das estruturas que pontuam sua paisagem.
Mumbai combina uma mistura eclética de edifícios de grande e pequena escala, antigos e novos, tradicionais e modernos. A cidade dos contrastes ostenta um legado arquitetônico de mais de 2 mi anos. Localizada no estado de Maharashtra, na costa oeste da Índia, Mumbai abriga uma variedade de estilos arquitetônicos como Vitoriano, Gótico, Art Deco, Indo-Saracênico, Moderno e Pós-moderno. A cidade é caracterizada por seu antigo encanto e vivacidade, um palco diversificado e de oportunidades.
Um novo prêmio da NASA apoiará a ICON no desenvolvimento de tecnologia de construção que pode ser usada na Lua e em Marte. Imagem Cortesia de ICON/BIG-Bjarke Ingels Group
De estruturas infláveis e impressas em 3D a habitats inteiros, a arquitetura desempenha um papel inédito nas missões de exploração do espaço. Como a NASA pretende a longo prazo enviar pessoas para explorar a Lua e Marte por meio das missões Artemis e CHAPEA, novas tecnologias são necessárias para enfrentar os desafios únicos de viver e trabalhar fora do nosso planeta. Em resposta a esses desafios, figuras como Buckminster Fuller, Foster + Partners, SOM e BIG-Bjarke Ingels Group, em colaboração com empresas emergentes como ICON e SEArch+, ampliaram o repertório arquitetônico do espaço sideral.
Na última atualização, a NASA concedeu à empresa de Austin ICON um contrato para continuar a Olympus em parceria com o BIG-Bjarke Ingels Group. O projeto ajudará a construir infraestruturas como plataformas de pouso, habitats, cápsulas e estradas na superfície lunar e em Marte, usando tecnologia de construção aditiva baseada em extrusão (impressão 3D) e materiais locais como o regolito lunar. O contrato vai até 2028 e colabora com Artemis, uma missão de exploração humana de longo prazo da Lua.
Em uma apresentação no Buildings Pavilion Auditorium durante a COP27, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Sharm El-Sheikh, Egito, Skidmore, Owings & Merrill (SOM) apresentou o conceito Urban Sequoia NOW. A proposta, desenvolvida por uma equipe interdisciplinar da SOM, apresenta um sistema que pode absorver o carbono da atmosfera durante todo o seu ciclo de vida. O projeto pode ser implementado com as tecnologias atuais. O modelo representa o conceito da SOM de ir além do carbono líquido zero, combinando múltiplas estratégias: reduzir o carbono incorporado, gerar energia, absorver carbono e aumentar a vida útil típica de 60 anos do edifício.
Skidmore, Owings & Merrill (SOM) divulgou o projeto 8 Shenton Way, uma torre de 305 metros de altura. Uma vez concluída, ela se tornaria não apenas o edifício mais alto mas um dos arranha-céus mais sustentáveis da Ásia. A torre de uso misto se inspira nas florestas de bambu para criar uma comunidade vertical interna-externa com espaços públicos, escritórios, varejo, hotel e residências. Em parceria com a DCA Architects, o projeto está programado para ser concluído em 2028 e se tornará o mais novo marco na paisagem urbana de Singapura, junto com a Marina Bay e a CapitaSpring Tower.
Museu Hirshhorn. Imagem Cortesia do Museu Hirshhorn
O Museu Hirshhorn e o Jardim de Esculturas do Smithsonian selecionou Skidmore, Owings & Merrill e Selldorf Architects para desenvolver em conjunto o projeto de modernização do interior e da praça do Museu Hirshhorn. Como a primeira reforma nos últimos cinquenta anos, o museu planeja atualizar suas galerias e espaços públicos para atender às exigências contemporâneas de um museu público de arte moderna. Ele também representa uma resposta ao aumento da frequência de visitação durante os últimos cinco anos. O contrato federal foi concedido após um processo competitivo pela Smithsonian Facilities em consulta com o Hirshhorn. O projeto conceitual, a ser apresentado em 2023, será submetido a uma consulta pública.
Skidmore, Owings & Merrill (SOM) inaugurou uma sede dinâmica, controlada pelo usuário, para o campus do distrito de Xuhui da empresa multinacional chinesa de tecnologia Alibaba, em Xangai. Localizado em um dos principais distritos de artes e inovação da cidade, o novo local transforma o típico edifício da sede “de dentro para fora”, destacando a “colaboração e criatividade” da empresa. O edifício foi projetado para se assemelhar a uma nuvem, simbolizando a presença digital da empresa na nuvem, bem como os céus inovadores do setor de tecnologia.
Skidmore, Owings & Merrill (SOM) e Raafat Miller Consulting (RMC) foram selecionados para reimaginar a experiência do visitante nas históricas Pirâmides do Egito. Skidmore, Owings & Merrill (SOM) e Raafat Miller Consulting (RMC), com sede no Egito, foram selecionados pela OSL for Entertainment Projects para reimaginar a experiência do visitante em uma das Sete Maravilhas do Mundo, as históricas Pirâmides e a Esfinge de Gizé, no Egito. O SOM atuará como líder do conceito, design e plano diretor do projeto, que contará com a transformação das instalações existentes em uma experiência de excelência para os visitantes, com um programa que garante medidas ambientais e de preservação.