Uma semana de notícias de arquitetura destacou as crescentes conexões entre as mudanças ambientais, os sistemas públicos e o papel em evolução da prática arquitetônica. Eventos climáticos extremos em diferentes regiões chamaram a atenção para a vulnerabilidade de assentamentos, infraestruturas e redes territoriais, ao passo que novas abordagens para a habitação demonstram como mudanças na contratação, na construção e na governança podem influenciar os resultados arquitetônicos. Paralelamente, o reconhecimento de profissionais de destaque aponta para o impacto duradouro das ideias arquitetônicas ao longo de gerações, no momento em que a profissão continua a se engajar com questões de resiliência, mudanças sistêmicas e as condições mais amplas que moldam o ambiente construído.
Elia Zenghelis. Foto: Harvard Graduate School of Design
Elia Zenghelis, arquiteto grego, cofundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA) e um dos mais influentes educadores de arquitetura do final do século XX, faleceu ontem, 30 de agosto de 2026, aos 89 anos. Sua morte marca a partida de uma figura cuja influência no pensamento arquitetônico foi muito além dos edifícios que projetou, moldando a formação intelectual de várias gerações de arquitetos/as ao longo de décadas de docência na Europa e nos Estados Unidos.
Nascido em Atenas em 1937, Zenghelis estudou arquitetura na Architectural Association School of Architecture (AA) em Londres, concluindo seus estudos em 1961. Integrou o escritório Douglas Stephen and Partners, onde trabalhou até 1971, ao mesmo tempo em que iniciava sua trajetória docente na AA, em 1963. Na instituição, tornou-se uma voz proeminente em defesa de um discurso arquitetônico mais radical e de vanguarda, contribuindo para transformar a AA em um terreno fértil para ideias radicais.
A artista japonesa Yayoi Kusama, cuja carreira de sete décadas abrangeu pintura, escultura, instalação, performance, literatura e cinema, faleceu aos 97 anos. Kusama faleceu em um hospital em Tóquio em 14 de agosto de 2026, de acordo com um comunicado da Yayoi Kusama Inc. e da Yayoi Kusama Studio Inc. Conhecida internacionalmente por suas estampas de poá, suas abóboras e pelas salas Infinity Mirror Rooms, Kusama desenvolveu uma linguagem artística marcante em torno da repetição, do infinito, da autodissolução e da relação entre o indivíduo e o mundo.
Todos os anos trazem novas ideias, projetos e deslocamentos na cultura arquitetônica, mas também marcam a perda de vozes que moldaram a disciplina ao longo de décadas. A arquitetura avança, mas também se constrói por meio da ausência. Quando desaparecem figuras que ajudaram a formular sua linguagem e suas ambições, o que fica vai além de obras concluídas ou textos influentes. A ausência se torna um limiar — um momento em que a disciplina pausa para compreender o que permanece, o que se transforma e o que continua a nos orientar. Essas perdas nos lembram que a arquitetura é uma construção longa e coletiva, sustentada não apenas por quem atua no presente, mas também por aqueles cujas visões seguem moldando a maneira como pensamos cidades e paisagens.
Os arquitetos e pensadores que perdemos em 2025 vieram de contextos muito distintos, mas as questões que atravessaram seus trabalhos frequentemente se cruzam. Alguns abordaram a cidade a partir da identidade, do simbolismo e da continuidade histórica, buscando ancorar o ambiente construído na memória cultural. Outros a interpretaram por meio da precisão técnica, dos sistemas ecológicos ou da experimentação radical, expandindo os limites do que a arquitetura pode ser e de como pode ser vivenciada. Suas obras atravessam contextos tão diversos quanto a Grã-Bretanha do pós-guerra, a urbanização acelerada da China, as vanguardas centro-europeias e as instituições culturais em transformação de Berlim e Nova York. Juntos, compõem um espectro de respostas que definiu — e continua a definir — a cultura arquitetônica dos últimos cinquenta anos, revelando a multiplicidade de formas pelas quais a arquitetura pode se relacionar com a sociedade, a tecnologia e o meio ambiente.
Faleceu ontem, 7 de agosto, o arquiteto, crítico e curador Jean-Louis Cohen aos 74 anos. Reconhecido por sua extensa pesquisa no campo da arquitetura moderna e planejamento urbano, ocupava, desde 1994, a cátedra Sheldon H. Solow de História da Arquitetura na Universidade de Nova York. Cohen desempenhou o papel de curador em diversas exposições prestigiosas, incluindo algumas realizadas no Museum of Modern Art, no Canadian Centre for Architecture, no Centre Georges Pompidou, na Cité de l'Architecture et du Patrimoine e no MAXXI. Mais recentemente, na companhia da pesquisadora brasileira Vanessa Grossman, foi curador da exposição Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha, inaugurada em maio na Casa da Arquitectura de Portugal.
O arquiteto italiano e historiador de arquitetura Paolo Portoghesi, primeiro diretor da Bienal de Arquitetura de Veneza, faleceu aos 92 anos de idade em Calcata, na Itália, conforme informado pela própria organização hoje, terça-feira, 30 de maio.
Vista panorâmica do 432 Park Avenue Condominiums, projetado por Viñoly em Nova York. Imagem via Shutterstock / Sergii Figurnyi
O mundo da arquitetura está de luto pela morte do renomado arquiteto uruguaio-americano Rafael Viñoly, de 78 anos de idade. Com mais de meio século de experiência profissional, Viñoly se destacou por projetos ousados e imponentes construídos em diversas cidades do mundo.
A profissão de arquiteto é muitas vezes marcada por aqueles indivíduos que usam seu talento e recursos para proporcionar mudanças e trazer uma visão de um futuro melhor. Enquanto alguns iniciaram o seu percurso com gestos arrojados que chamaram a atenção do mundo arquitetônico e mudaram paradigmas, outros trabalharam de forma mais tranquila, voltando o foco para os usuários dos espaços e questionando-se sobre como podem contribuir da melhor forma para a melhoria da vida daqueles que os cercam.
Com o início do novo ano, paramos para olhar para os arquitetos que faleceram ao longo do ano passado, mas cujo legado e contribuição para a arquitetura sobrevivem. Entre eles, lembramos o ganhador do Prêmio Pritzker e pioneiro da alta tecnologia Richard Rogers, o ícone pós-moderno Ricardo Bofill, o atencioso Gyo Obata, a defensora e inovadora Doreen Adengo, a pioneira da habitação social Renée Gailhoustet e o multifacetado ganhador do Prêmio Pritzker Arata Isozaki.
Balkrishna Vithaldas Doshi, arquiteto, urbanista, educador, vencedor do Prêmio Pritzker 2018 e da Medalha de Ouro RIBA 2022, faleceu hoje aos 95 anos, em Ahmedabad, Índia. A informação foi divulgada pela mídia indiana e pelo Architectural Digest India em sua página no Instagram. Um dos mais prestigiados arquitetos indianos, Doshi ajudou a moldar a arquitetura do país e regiões adjacentes, tendo como inspiração as obras de Le Corbusier e Louis Khan, "combinando modernismo pioneiro com o vernacular”. Conhecido especialmente por seus projetos de planejamento urbano e habitação social, e também por seu trabalho acadêmico como professor visitante em várias universidades do mundo, Balkrishna Doshi projetou, ao longo de seus 70 anos de carreira, alguns dos edifícios mais emblemáticos da Índia.
Renée Gailhoustet, arquiteta francesa, pioneira da habitação social e vencedora do Prêmio de Arquitetura 2022 da Royal Academy, faleceu aos 93 anos. Conforme anunciado pela Royal Academy, ela faleceu em sua casa em Le Liégat, Ivry-sur-Seine, um de seus projetos mais conhecidos, concluído em 1982. Ao longo de sua carreira, iniciada na década de 1960, Renée Gailhoustet foi uma forte defensora da habitação social, exemplificando por meio de seu trabalho uma visão de moradia generosa em harmonia com o ambiente urbano.
O arquiteto japonês Arata Isozaki, laureado com o Prêmio Pritzker de 2019, faleceu nesta quinta-feira, 29 de dezembro, aos 91 anos de idade, conforme noticiado pelo jornal espanhol La Vanguardia.
Clásicos de Arquitectura: Árbol para Vivir / Fruto Vivas. Image Cortesía de IX BIAU
O arquiteto venezuelano José Fructoso Vivas, mais conhecido como Fruto Vivas, faleceu ontem na cidade de Caracas, na Venezuela.
Reconhecido pelo projeto da habitação social Árbol para Vivir, o Clube Táchira, a Igreja do Divino Redentor e a mais recente obra do Mausoléu dos Quatro Elementos onde se encontram os restos mortais de Hugo Chávez, Vivas sempre procurou integrar a vida do ser humano à natureza.
Ricardo Bofill, arquiteto espanhol fundador do Taller de Arquitectura (RBTA), autor do icônico projeto Muralha Vermelha e mais de mil obras construídas em quarenta países, faleceu hoje, 14 de janeiro, aos 82 anos em Barcelona, segundo informações oficiais de seu escritório.
Richard Rogers, o quarto arquiteto britânico a receber o Prêmio Pritzker, faleceu aos 88 anos no sábado, 18 de dezembro, conforme noticiado pelo The New York Times.
Gottfried Böhm, o primeiro arquiteto alemão a receber o prestigioso Prêmio Pritzker, faleceu aos 101 anos, segundo informações da Deutsche Welle e WDR.
Um dos maiores nomes da arquitetura brasileira e mundial, Paulo Mendes da Rocha, faleceu ao 92 anos. O arquiteto estava com câncer de pulmão e encontrava-se internado em São Paulo. Ele nos deixou na madrugada deste domingo (23 de maio), conforme informou seu filho Pedro Mendes da Rocha.
Paulo Mendes da Rocha será lembrando pelo grande papel formador que possuía. Sua criação arquitetônica debatia sobretudo a vida, levantando indagações que questionam as ideias prontas e o conformismo. Consolidou uma influência além da linguagem ou estética, formada principalmente pelo modo de agir e de pensar, no qual cada projeto era uma oportunidade de transformação. Suas ideias e desenhos transbordavam os limites do programa, lote e materialidade, trazendo sempre um novo olhar para uma simplicidade revolucionária.
O arquiteto, urbanista e escritor Michael Sorkin faleceu no dia 26 de março, em Manhattan, devido a complicações causadas por COVID-19. Diretor e fundador do Michael Sorkin Studios e presidente do grupo de pesquisa sem fins lucrativos Terreform, Sorkin era conhecido por seus artigos publicados no Village Voice, The Nation e muitas outras revistas.
Vittorio Gregotti em 1975. Imagem via Wikipedia Commons
O arquiteto italiano Vittorio Gregotti, coautor do estádio para os Jogos Olímpicos de Verão de Barcelona de 1992 e do estádio Marassi da Copa do Mundo de 1990, morreu de pneumonia no domingo, 15 de março, em decorrência do coronavírus. Gregotti estava hospitalizado com sua esposa Mariana Mazza em Milão.