Profissionais de arquitetura recebem treinamento para escolher materiais, comparar suas propriedades e decidir como devem ser usados. No entanto, alguns escritórios estão assumindo uma tarefa diferente: desenvolver o próprio material.
Para o Material Cultures, o BC architects e o Studio Ossidiana, esse processo pode começar com o cultivo de cânhamo para a construção civil, terra escavada de canteiros de obras ou misturas de concreto, pigmentos, pedras e conchas. Seu trabalho conecta a pesquisa de materiais com o processamento, a fabricação e a construção.
O trabalho artesanal carrega os vestígios de quem o moldou, revelando como os materiais reagem a diferentes técnicas e oferecendo pistas sobre as ferramentas utilizadas em sua criação. Na experiência arquitetônica, contudo, esse fazer pode se expressar não apenas por meio de materiais e estruturas, mas também pelo próprio espaço. Buscando aprofundar e extrair aprendizados das conexões entre projeto e execução, o amass studio tem explorado a tradução de métodos construtivos informais e cotidianos em sistemas espaciais em diversos de seus projetos. Ao integrar mecanismos, materiais, estruturas e mobiliário, o estúdio cria novas narrativas espaciais nas quais o diálogo entre o artesanal e o industrial se fortalece mutuamente. Para além do fazer artesanal em si, por que não tornar visíveis também os processos que o trazem à existência?
O que os materiais leves trazem ao espaço público sob um princípio de projeto ético, ecológico e não extrativo? Diversas texturas têxteis oferecem um ponto de partida, aproximando-se mais do corpo do que os materiais estruturais pesados convencionais. Graças à sua flexibilidade e responsividade, o tecido possibilita um fechamento suave em vez de uma fronteira fixa no espaço arquitetônico. Ao responder a estímulos ambientais mínimos, ele introduz um movimento contínuo no espaço. Quando sobreposto ou montado, gera gradações de densidade, profundidade e fechamento, ao mesmo tempo que as tecnologias inovadoras de fabricação recentes ampliam as possibilidades de sua forma e durabilidade estrutural.
Os materiais semitransparentes atuam também como mediadores das condições de permeabilidade visual e da experiência corporal do espaço. Ao transmitir e filtrar a luz, eles atenuam os limites claros entre interior e exterior, cheio e vazio, gerando limiares que não são totalmente abertos nem totalmente fechados, mas que estão em constante negociação. Reinterpretar a estrutura no espaço urbano por meio da leveza, da translucidez e da suavidade abre caminho para modos alternativos de percepção espacial e engajamento físico.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenhado pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para a produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo a pesquisa à preservação arquivística e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um lugar para ler, indagar e conectar ideias.