1. ArchDaily
  2. Craftsman

Craftsman: O mais recente de arquitetura e notícia

Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil

Áudio disponível

Filippo Brunelleschi e a cúpula de Santa Maria del Fiore, concluída em 1436 na cidade italiana de Florença, representam um capítulo importante na história da arquitetura, frequentemente associado ao crescente distanciamento entre o desenho e a construção. Essa separação, consolidada gradualmente ao longo do tempo, encontra um ponto de inflexão decisivo no Renascimento. O desenho torna-se um instrumento para antecipar e impor autoridade sobre a construção. O canteiro de obras, outrora um espaço de invenção e tomada de decisões, passa a ser compreendido primordialmente como um local de execução.

Nos séculos seguintes, esse distanciamento torna-se cada vez mais acentuado, sobretudo com a construção moderna. A industrialização, la especialização técnica e a organização corporativa fragmentam o processo construtivo em etapas progressivamente distintas. Quem projeta raramente constrói; quem constrói nem sempre participa das decisões; quem financia, gerencia e habita ocupa posições ainda mais distanciadas entre si. A eficiência desse modelo permitiu construir em escala, mas também concentrou o conhecimento e o poder de decisão nas mãos de determinados agentes.

Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 17 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 2 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 1 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Image 4 of 4Construir como prática política: a USINA e o legado da construção coletiva no Brasil - Mais Imagens+ 18

Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer

Áudio disponível

Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização? Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.

Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer - Image 1 of 4Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer - Image 2 of 4Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer - Image 3 of 4Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer - Image 4 of 4Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer - Mais Imagens+ 23

A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos

Áudio disponível

O artesanato em interiores contemporâneos adquire um valor crescente na maneira como os materiais são unidos e postos em relação uns com os outros. À medida que cresce a demanda por reformas rápidas, baratas e lucrativas, surge também um desejo paralelo por interiores que transmitam uma resolução cuidadosa: espaços onde os detalhes são integrados, as composições de materiais são ponderadas, as transições de textura ocorrem com intencionalidade e as ferragens são tratadas como parte da própria linguagem arquitetônica, e não como um improviso de última hora. Em muitos interiores chineses contemporâneos, o fazer artesanal opera de forma sutil no tratamento de superfícies e estruturas: madeiras que preservam suas irregularidades, terrazzos que registram agregados e o trabalho manual, ou acabamentos que revelam o esmero de sua execução.

Isso assume particular relevância em uma era na qual as imagens digitais priorizam cada vez mais a homogeneidade das superfícies. Interiores renderizados frequentemente parecem contínuos, sem atritos e concluídos antes mesmo de a construção ter início. O fazer artesanal tensiona essa imagem. Ele introduz margens de tolerância, textura, resistência material e a percepção de que a superfície passou pelas mãos humanas antes de se converter em arquitetura. A imperfeição não se traduz necessariamente em falta de precisão. Para o olhar atento que sabe decifrá-la, ela se torna o próprio testemunho do processo de feitura.

A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos - Imagem 1 de 4A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos - Imagem 2 de 4A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos - Imagem 3 de 4A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos - Imagem 4 de 4A superfície feita à mão: imperfeição, textura e artesanato em interiores chineses contemporâneos - Mais Imagens+ 16

Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção

Áudio disponível

Nunca houve um momento tão celebrado para o trabalho artesanal na arquitetura. Em revistas, premiações e exposições internacionais, o tijolo artesanal, o revestimento de cal, a pedra entalhada, o bambu trançado e a taipa de pilão ressurgiram como símbolos de responsabilidade ambiental, continuidade cultural e autenticidade arquitetônica. No entanto, por trás desses projetos cuidadosamente documentados, reside outra realidade. A esmagadora maioria dos edifícios construídos hoje — de blocos de apartamentos e torres de escritórios a habitações de interesse social e empreendimentos comerciais — continua a depender de sistemas industrializados que deixam pouco espaço para artesãos/ãs qualificados/as. O ofício tornou-se cada vez mais visível justamente no momento em que se tornou cada vez mais incomum. Em países como a Índia, o contraste é difícil de ignorar. Tradições construtivas centenárias coexistem com uma das indústrias da construção que mais cresce no mundo. Para reformular a questão de por que o trabalho artesanal está retornando, talvez a verdadeira intriga seja por que ele agora surge principalmente onde os orçamentos de construção, os cronogramas e os/as clientes podem financiá-lo.

Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção - 1 的图像 4Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção - 2 的图像 4Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção - 3 的图像 4Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção - 4 的图像 4Além da estética do feito à mão: por que o fazer artesanal precisa de novas economias da construção - Mais Imagens+ 15

Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea

Áudio disponível

O movimento Arts and Crafts costuma ser lembrado como um estilo arquitetônico definido por detalhes artesanais, escala íntima, materiais naturais e pela rejeição ao excesso e à indústria. Sua influência é frequentemente rastreada por meio de características visuais que continuam a aparecer na arquitetura e nos interiores contemporâneos — da madeira exposta e da marcenaria artesanal à ênfase na textura e na permanência —, contudo, reduzir o movimento a um vocabulário estético significa ignorar sua contribuição muito mais significativa. Para William Morris, Philip Webb, John Ruskin e seus contemporâneos, a arquitetura era uma questão de como as coisas eram feitas, quem as fazia e se o processo de feitura poderia cultivar dignidade, significado, cultura e beleza.

Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea - Image 1 of 4Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea - Image 2 of 4Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea - Image 3 of 4Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea - Image 4 of 4Como o movimento Arts and Crafts ainda molda a arquitetura contemporânea - Mais Imagens+ 44

Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal

Áudio disponível

O bambu é frequentemente elogiado antes mesmo de ser compreendido. De crescimento rápido, ele carrega uma longa história de culturas construtivas e parece oferecer à arquitetura uma linguagem ecológica imediata. Em fotografias, sua lógica parece quase autoexplicativa: leve, natural, renovável e já alinhado a um futuro mais sustentável. No entanto, essa aparente clareza é justamente o que torna o bambu difícil de discutir com precisão. Uma vez transformado em símbolo de responsabilidade ambiental, o material em si corre o risco de desaparecer por trás da imagem que projeta.

Este é o risco do renascimento contemporâneo do bambu. Ele pode ser facilmente idealizado como um substituto ecológico para materiais industriais, uma atmosfera regional ou uma alternativa mais suave às linguagens rígidas do aço e do concreto. Em cada um desses casos, o bambu é admirado antes que suas condições reais sejam compreendidas. A questão fundamental não é se o bambu é sustentável em um sentido genérico, mas sim que tipo de cultura arquitetônica ele exige: quais formas de conhecimento, manutenção, regulamentação, mão de obra e tempo são necessárias para que sua sustentabilidade se concretize.

Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal - Imagem 1 de 4Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal - Imagem 2 de 4Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal - Imagem 3 de 4Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal - Imagem 4 de 4Políticas do bambu: da prática vernacular à infraestrutura temporal - Mais Imagens+ 19

Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano

Acesso exclusivo | 
Áudio disponível

Situado na paisagem montanhosa de Zabbougha, no Líbano, o Capsule Retreat, projetado pelo EAST Architecture Studio, é moldado pelo próprio processo de sua feitura. O projeto se desenrola por meio de decisões materiais, ajustes no canteiro de obras e condições em constante evolução, permitindo que a própria construção guie sua lógica espacial.

O processo de construção desempenhou um papel central na definição do projeto. Construída durante um período marcado pelo colapso econômico, pela escassez de materiais e pela instabilidade contínua no Líbano, a casa se desenvolveu por meio de uma adaptação constante. Sem uma empreiteira geral, a equipe de arquitetura assumiu um papel ampliado, coordenando artífices locais, testando ideias diretamente no canteiro e respondendo a condicionantes em constante mudança. Nesse contexto, as condições sociopolíticas tornaram-se não apenas um desafio, mas um catalisador para repensar o projeto. "Estávamos constantemente testando ideias no canteiro", afirmam os arquitetos e fundadores do EAST Architecture Studio, Charles Kettaneh e Nicolas Fayad, "adaptando essas decisões do ponto de vista econômico e, ao mesmo tempo, explorando o que o artesanato local poderia oferecer."

Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano - Imagem de DestaqueRefúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano - Imagem 1 de 4Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano - Imagem 2 de 4Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano - Imagem 3 de 4Refúgio Cápsula: Construção através do processo na paisagem montanhosa do Líbano - Mais Imagens+ 8

Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia

Acesso exclusivo | 

Nos últimos anos, a Índia testemunhou o ressurgimento do interesse em materiais de construção naturais, impulsionado pelo aumento das preocupações ambientais e um crescente desejo de resgatar estilos de vida tradicionais. De Mumbai, com suas movimentadas ruas, às tranquilas aldeias de Kerala, arquitetos, construtores e comunidades estão se unindo para explorar o potencial da terra, do bambu, da cal e de outros materiais orgânicos na criação de estruturas que sejam relevantes para cada contexto e que também incorporem os ideais contemporâneos do país. Essa mudança em direção ao uso de materiais naturais e recursos vernaculares reflete um movimento em prol da sustentabilidade e de uma conexão mais profunda com a natureza.

Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia - Image 1 of 4Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia - Image 2 of 4Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia - Image 3 of 4Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia - Image 4 of 4Os méritos do greenwashing: estigma social em torno da construção natural na Índia - Mais Imagens+ 3

Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma

A 3ª edição do Shaping the City, um fórum sobre desenvolvimento urbano sustentável, ocorreu em Veneza entre os dias 24 e 25 de novembro, após eventos bem-sucedidos em Chicago e Nova Orleans. Organizado pelo European Cultural Centre, o fórum faz parte da exposição Time Space Existence, da Bienal de Arquitetura de Veneza, e reuniu urbanistas, arquitetos, acadêmicos e políticos de todo o mundo. O arquiteto japonês Kengo Kuma estava entre os especialistas convidados para falar sobre a interseção entre a natureza e o ambiente construído na arquitetura japonesa.

Ao longo de dois dias, a conferência buscou explorar temas cruciais como educação, bens comuns urbanos, deslocamento, integração da natureza e o futuro da mídia arquitetônica, assunto discutido durante um painel com a presença de Christele Harrouk, editora-chefe do ArchDaily. Enquanto estava em Veneza, a equipe do ArchDaily conversou com Kengo Kuma para discutir sua abordagem única nos projetos inspirados na natureza e específicos para cada local.

Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma - Image 1 of 4Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma - Image 2 of 4Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma - Image 3 of 4Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma - Image 4 of 4Harmonia com o lugar: uma conversa com Kengo Kuma - Mais Imagens+ 3

Técnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana

Os indianos tradicionalmente viviam perto da terra, suas culturas eram moldadas por relações simbióticas com os ecossistemas. Com isso, as artes e ofícios indianos dependem fortemente da natureza para sua forma, filosofia e existência. As paisagens nativas despertaram a sensibilidade artística das comunidades, desenvolvendo práticas artesanais que atendiam a necessidades utilitárias e ritualísticas. A interseccionalidade da ecologia e da cultura é evidente através de formas ancestrais de artesanato.

Técnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana - Image 1 of 4Técnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana - Imagem de DestaqueTécnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana - Image 2 of 4Técnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana - Image 3 of 4Técnicas artesanais contra as mudanças climáticas: materiais ecológicos da arquitetura indiana - Mais Imagens+ 4

5 modos de redefinir o artesanato na era pós-industrial

Acesso exclusivo | 

O artesanato é um daqueles temas que quase todo mundo tem uma opinião forte. Mas enquanto muitos lamentam o fato de que as práticas artesanais tradicionais estarem em declínio desde a revolução industrial, hoje uma nova geração de arquitetos e designers começam a redefinir e atualizar a noção de artesanato incluindo as mais modernas técnicas de design e fabricação existentes. Neste artigo, originalmente publicado em Autodesk Line//Shape//Space, como "5 Ways Architects and Postdigital Artisans Are Modernizing Craftsmanship,", Jeff Link explora alguns dos traços que conectam esses pioneiros com os artesãos de uma época passada.

Artesanato na era digital é algo difícil de definir. Para alguns, artesanato evoca uma pureza de estilo, uma preferência para o feito à mão sobre a máquina. Para outros, ele lembra a arquitetura artesanal de residências do início do século XX: telhados com empenas em balanço, varandas amplas e trabalhos manuais detalhados.

Mas, independentemente da compreensão intuitiva do termo, a noção de artesanato está evoluindo. Cada vez mais, o conhecimento milenar de entalhadores, pedreiros e outros artesãos é incorporado em processos de design inteligentes usando modelos computacionais geométricos e fabricação de máquina para desenvolver novos ofícios e ramos de arquitetura  -- desde conjuntos de móveis que desafiam a gravidade a fluxos de trabalho complexos para autômatos robóticos. Essas inovações ajudaram inserir arquitetos ao lado de artesãos no centro de um renascimento na cultura "maker", que, por exemplo, está em exibição em mercados artesanais, tais como Folksy e Etsy.

Então, o que é exatamente artesanato digital? E como aparece no trabalho de designers de ponta? Aqui, arquitetos inovadores identificam cinco coisas que artesãos pós-digitais estão fazendo para transformar o artesanato.