Uma estufa é uma edificação projetada para criar um clima dentro de outro. Ao controlar a luz solar, o calor e a ventilação por meio de sua envoltória, ela produz condições distintas daquelas do exterior. Tradicionalmente, esse ambiente controlado era projetado em função das plantas. Na habitação, esse mesmo princípio é cada vez mais empregado para conformar espaços para pessoas.
Trazer a construção de estufas para o âmbito residencial oferece muito mais do que um fechamento adicional. Essa estratégia permite criar espaços abrigados sem a necessidade de climatizá-los como os cômodos internos convencionais, capturar o calor solar quando oportuno, proporcionar ventilação quando as temperaturas se elevam e prolongar os períodos do ano em que determinadas áreas da casa permanecem confortáveis para o uso.
A gestão da água, a qualidade do ar e a mitigação do calor costumam ser planejadas por meio de sistemas muito maiores do que os espaços onde as pessoas realmente as vivenciam. As redes de drenagem ficam sob as ruas. A poluição do ar é medida em cidades inteiras. No entanto, essas condições são sentidas muito mais perto do corpo: ao esperar um ônibus sob o sol, ao caminhar por uma rua alagada, ao atravessar uma praça exposta ou ao procurar um lugar para sentar quando o próprio ar parece difícil de respirar.
O calor torna essa questão especialmente urgente. À medida que as cidades esquentam, ruas, parques, áreas de circulação e outros espaços públicos tornam-se, cada vez mais, locais onde o design pode reduzir a exposição por meio de sombra, vegetação, fluxo de ar e água. Para a arquitetura, isso traz parte da adaptação climática para os espaços que as pessoas utilizam no dia a dia.
O colapso da seção inferior de uma geleira no Himalaia na quarta-feira, 26 de agosto, provocou uma avalanche de gelo e rochas no vale do rio Lhende, desencadeando graves enchentes repentinas na fronteira entre o Nepal e o Tibete. As inundações destruíram vilarejos inteiros, com pelo menos 350 mortes confirmadas e mais de 1.300 pessoas ainda desaparecidas. Caracterizadas por sua natureza súbita e violenta, as enchentes repentinas ocorrem nas primeiras seis horas após fortes chuvas ou outra fonte de inundação. Neste caso, o evento foi atribuído ao colapso de uma geleira em uma altitude mais elevada no Himalaia, associado, segundo algumas análises, a uma onda de calor na região. A velocidade do deslocamento também é uma característica desse tipo de inundação, cujo rastro de destruição, neste caso, segue a bacia do rio Trishuli, no Nepal. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, as áreas mais afetadas são os distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Uma avaliação mais detalhada é esperada para os próximos dias, à medida que o nível da água baixar; enquanto isso, já é possível delinear algumas das consequências sob o ponto de vista territorial.
A ideia de uma "Grande Muralha Verde" designa uma iniciativa de reflorestamento em larga escala realizada especificamente para conter a desertificação. Em andamento na África para evitar o avanço do Deserto do Saara e na China no entorno do Deserto de Gobi, trata-se de um projeto de desenvolvimento paisagístico, agrícola, econômico e social surgido em resposta ao aumento das temperaturas globais, à superexploração agrícola e ao manejo inadequado da terra. Ambas as iniciativas, atualmente em execução, são projetos interseccionais que envolvem governos de diferentes países, organizações da sociedade civil, além de voluntários/as individuais e grupos organizados, orientados pela proposta de uma resposta unificada aos problemas ambientais globais por meio da restauração da fauna e da flora. Trata-se de uma aplicação infraestrutural em larga escala do conceito de 'corredor verde' ou 'corredor ecológico': uma faixa linear de vegetação ou paisagem natural que conecta ecossistemas fragmentados e populações de vida selvagem separadas pelo desenvolvimento humano em escala continental.
O que torna um lar resiliente? Eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes em todo o mundo. De apagões, furacões e terremotos a incêndios florestais, enchentes e secas, o mundo passa por um processo de transformação e adaptação que exige a colaboração entre diversas disciplinas. O papel da arquitetura no ambiente construído reflete uma oportunidade de repensar o desempenho das habitações sob condições ambientais em constante mudança — e não apenas antecipando o inesperado. Projetar visando à resiliência significa pensar de forma holística, considerando escolhas de materiais, sistemas de energia, paisagismo e detalhes construtivos que prevejam interrupções e ajudem as residências a se recuperarem rapidamente. Envolve a criação de uma arquitetura que evolui junto com o meio ambiente, que vale a pena ser preservada e que perdura por anos e gerações.
O artista, diretor e produtor australiano indicado ao BAFTA Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente perturbador. Em sua prática de construção de mundos nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Ele é considerado um "futurista" que trabalha na intersecção de estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, com base em suas pesquisas acadêmicas, mas alcançando um público mais amplo em exposições como "In Other Worlds" no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature" no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o nosso futuro: desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.
Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.
A imagem é familiar: uma fachada revestida com brise-soleil, a luz suavizada em uma sombra rendilhada, interiores mantidos resfriados sem o uso de máquinas. Apresenta-se como inteligência tornada visível, uma arquitetura que compreende o sol. No entanto, raramente essa imagem é examinada de perto. Os mesmos dispositivos que atenuam o calor também organizam o acesso, distribuem o conforto e dependem de formas específicas de trabalho. O que parece ser uma resposta climática é, na verdade, uma decisão sobre quem recebe alívio do calor, e de que forma. O modernismo tropical, frequentemente reduzido a uma linguagem visual de sombra e porosidade, revela-se, ao contrário, um conjunto de práticas situadas onde o clima, o trabalho e o poder são negociados de maneiras distintas em diferentes contextos.
Na escala do elemento, o modernismo tropical começa como um problema técnico. Em climas quentes, a radiação solar não é incidental, mas constante, exigindo que os edifícios façam a mediação da luz, do calor e do ar antes que estes atinjam o interior. Nomes da arquitetura como Maxwell Fry e Jane Drew abordaram essa questão com um nível de precisão que resiste a qualquer leitura decorativa desses elementos. Dispositivos de sombreamento são calibrados de acordo com os ângulos solares, a orientação e a variação sazonal. Os brises-soleils são dimensionados para bloquear o sol de ângulo alto ao mesmo tempo que admitem luz difusa; os beirais estendem-se o suficiente para evitar o ganho térmico direto nas horas de pico; as aberturas são alinhadas para favorecer a ventilação cruzada. Pesquisas de meados do século XX testaram exaustivamente essas estratégias, medindo reduções de temperatura e melhorias no fluxo de ar. Nesse sentido, a linguagem do modernismo tropical não é simbólica. Ela é performática: cada projeção, vazio e elemento vazado faz parte de um sistema ambiental.
No dia 21 de novembro de 2025, ocorreu o encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP), a reunião anual dos Estados-membros das Nações Unidas dedicada à negociação de acordos internacionais sobre o clima e à avaliação do progresso global na redução de emissões. Nesta edição, o evento foi realizado em Belém, no Brasil — uma cidade portuária com menos de 1,5 milhão de habitantes, amplamente reconhecida como porta de entrada para a região do baixo Amazonas. Criadas em 1992, as Conferências do Clima da ONU (ou COPs) são um fórum internacional de tomada de decisão multilateral que envolve 198 “Partes” (197 países, a depender das definições, além da União Europeia). Seu objetivo central é avaliar os esforços globais para cumprir a meta principal do Acordo de Paris: limitar o aquecimento global ao mais próximo possível de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O evento reúne líderes e negociadores dos países-membros, representantes do setor privado, jovens, cientistas do clima, povos indígenas e diversos segmentos da sociedade civil em debates essenciais para atingir essa meta. Em 2025, a COP30 foi marcada por fortes críticas às suas relações com a indústria de combustíveis fósseis, por descrições dos acordos como frágeis e insuficientes, e pelo desafio de transformar promessas financeiras em ações concretas — “de compromisso a linha de vida”.
“Em diversas regiões do planeta, a natureza impõe condições adversas ao corpo humano. Nesses locais, projetar um edifício é quase como criar uma vestimenta: um artefato que protege e oferece conforto. Esse desafio exige um desempenho tecnológico que deve estar aliado à estética. Fazer o ser humano sentir-se bem envolve mais do que apenas atender às noções de conforto e segurança; é também uma questão de trabalhar os espaços em suas dimensões simbólicas e perceptivas.” Este é o início da descrição para o projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz, do Estúdio 41, localizada na Península Keller, onde o mar ao redor congela por cerca de seis a sete meses do ano, em que tudo e todos chegam por avião ou navio e a loja de ferragens mais próxima está a dias de distância. Se projetar uma edificação já apresenta inúmeras complexidades, não é difícil imaginar os desafios adicionais ao desenvolver algo em um ambiente extremo, como temperaturas muito altas ou baixas, ou em locais suscetíveis à corrosão, radiação, entre outros. Neste artigo, vamos explorar as dificuldades, as principais soluções e os materiais utilizados nesses contextos.
PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 07.05.2024 - Fotos gerais enchentes, Av Loureiro da Silva, CAFF e região. Fotos: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini. Flickr user licensed under CC BY-NC 2.0 DEED Attribution-NonCommercial 2.0 Generic
O mundo mudou e aceitar este fato não é mais uma questão de escolha, e sim, de sobrevivência. Nossos regimes de chuvas, períodos de seca, temperaturas médias, nível do mar, tudo está em constante mudança e o posicionamento negacionista de muitos países, incluindo o Brasil, tem gerado situações calamitosas como esta que estamos enfrentando agora.
As enchentes que devastaram o sul do país nos últimos dias não podem ser consideradas fatos isolados. Por conta do aquecimento global, eventos climáticos como esse serão cada vez mais recorrentes. Ou seja, infelizmente, não poderemos impedir que eles aconteçam, mas podemos – e devemos - tornar nossas cidades mais resilientes a essas situações.
Parque Manancial de Águas Pluviais / Turenscape. Cortesia de Turenscape
A emergência climática manifesta-se nas cidades brasileiras de diversas maneiras: enchentes no Sul, ressacas no Rio de Janeiro, tempestades em São Paulo causando apagões, fumaça de queimadas em Manaus, seca nos rios da Amazônia e ondas de calor no Centro-Oeste. Nesse sentido, é crucial integrar a luta contra as mudanças climáticas no planejamento público.
https://www.archdaily.com.br/pt/1009631/e-book-gratuito-ensina-como-usar-solucoes-baseadas-na-natureza-em-projetos-urbanosArchDaily Team
O desestímulo ao uso de carros particulares é uma medida fundamental para o enfrentamento às mudanças climáticas, melhoria da qualidade do ar e redução dos sinistros de trânsito. As cidades precisam encontrar maneiras de reduzir o tráfego e priorizar o bem-estar das pessoas, além de considerar os impactos ambientais e sociais do uso do automóvel, oferecendo opções de transporte que gerem menos emissões de carbono.
Recentemente, as zonas de baixa emissão (LEZ, na sigla em inglês para low emission zones) têm se tornado uma estratégia popular em diversas cidades do mundo e as ações implementadas nessas áreas são eficazes para as pessoas dependerem menos dos carros, a partir da oferta de alternativas de transporte mais limpas, econômicas e acessíveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/1008042/o-que-e-uma-zona-de-baixa-emissaoITDP Brasil
Todos os dias, governos, instituições financeiras e corporações têm uma decisão a tomar: investir em ativos físicos que emitem gases do efeito estufa e prejudicam a natureza ou priorizar o desenvolvimento de soluções verdes que fomentam uma economia estável, resiliente e equitativa. À medida que as comunidades enfrentam os impactos severos das mudanças climáticas, a decisão de construir um futuro sustentável fica mais evidente.
https://www.archdaily.com.br/pt/1006690/6-mudancas-necessarias-para-o-sistema-financeiro-ajudar-a-promover-um-futuro-sustentavelAnderson Lee
Como os municípios brasileiros estão se preparando para enfrentar as mudanças climáticas? Que leis estão sendo criadas? Como os recursos estão sendo investidos? Para aumentar a transparência sobre as políticas públicas voltadas ao clima e ao meio ambiente foi criado o Diário do Clima.
Foto de fundo: Rafael Kellermann Streit, via Unsplash
Em abril de 2021, legisladores franceses votaram pelo cancelamento de voos em rotas curtas e que podem ser realizadas por trens em menos de duas horas e meia. A medida visa contribuir com a redução das emissões de carbono no país.
A redução das emissões é uma dos compromissos firmados no Acordo de Paris para o mundo frear as mudanças climáticas. Entre as várias mudanças que precisam ser implementadas pelos países, o setor de aviação é um ponto de destaque: estima-se que o transporte aéreo seja responsável por 2,5% a 3% das emissões globais de CO2.
Plan B Guatemala / DEOC Arquitectos. Image Cortesía de DEOC Arquitectos
“Aqui nos trópicos, é a sombra que refresca aquele que se reúne e, ao contrário do fogão, ela está em todo lugar”, diz Bruno Stagno ao explicar sobre a arquitetura tropical.
A Guatemala vem construindo sua sombra ao longo dos anos. Encontramos 3 exemplos que propõem respostas interessantes a este clima. Projetos que materializam tanto grandes telhados com inclinações para criar sombra e evacuar rapidamente as águas da chuva, quanto fachadas perfuradas que permitem o fluxo de ventilação.