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Chandigarh: O mais recente de arquitetura e notícia

Clima, cultura e modernismo: o campus pós-colonial como laboratório de arquitetura

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Nas décadas que se seguiram à independência, alguns dos experimentos arquitetônicos mais ambiciosos do mundo não surgiram em museus, monumentos ou palácios governamentais. Eles surgiram por meio de universidades. No Sul da Ásia e na África, nações recém-formadas transformaram seus campi em campos de teste para maneiras inteiramente novas de conceber a vida coletiva. Esses campi funcionaram como muito mais do que simples instituições de ensino. Tornaram-se territórios onde o Estado testava como organizar a modernidade — espaços voltados para a convivência cidadã, o funcionamento das instituições, a definição da arquitetura a partir do clima e a transformação das realidades locais por ideias importadas.

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Mobiliário como Arquitetura: Micro-modernismos no Interior da Casa

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O modernismo é frequentemente vivenciado por meio da forma construída, de fachadas fotografadas, plantas canônicas, manifestos de concreto. Para a maior parte das pessoas, contudo, esse primeiro contato foi muito mais imediato. Foi uma cadeira em um escritório, uma estante em uma sala de estar, um volume compacto que reorganizou o sentar, o guardar ou o dormir. Muito antes de a arquitetura moderna poder ser amplamente encomendada, foi o mobiliário que adentrou o espaço cotidiano, trazendo consigo uma nova lógica de viver. A promessa modernista de transformar a vida era frequentemente cumprida por meio desses objetos menores e replicáveis.

Para compreender essa mudança, o mobiliário precisa ser interpretado como uma forma condensada de arquitetura, e não como mera decoração. Profissionais do design do início do século XX o tratavam exatamente dessa forma. Le Corbusier descreveu o mobiliário como équipement de l'habitation (equipamento da habitação), inserindo-o no sistema operacional do edifício, e não fora dele. Da mesma forma, a Bauhaus abordou cadeiras e mesas como protótipos industriais, incorporando princípios de padronização, eficiência e produção em massa em seus desenhos. Como argumenta a historiadora da arquitetura Beatriz Colomina, a arquitetura moderna não circulava apenas através de edifícios, mas por meio de mídias e objetos que traduziam suas ideias para a vida cotidiana. O mobiliário tornou-se arquitetura em miniatura: portátil, reproduzível e capaz de reorganizar o espaço sem reconstruí-lo.

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Brasília e Chandigarh: duas utopias modernistas separadas por um oceano

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Entre as décadas de 1950 e 1960 foram construídas duas cidades que marcariam a história da arquitetura e do urbanismo. Filhas de um mesmo conceito, mas separadas por mais de 14 mil quilômetros, Brasília, no Brasil, e Chandigarh, na Índia, embebidas pelos princípios modernistas, foram planejadas e erguidas do zero.

Ao surgirem em um contexto de profundas transformações políticas e sociais, no qual diversos países buscavam reformular suas capitais como símbolos de progresso, ambas as cidades assumiram um papel estratégico. Por meio da linguagem arquitetônica adotada, reafirmavam narrativas ideológicas e identitárias vinculadas ao poder do Estado.

Tratava-se de cidades criadas em abstrato, seguindo uma visão utópica. Seriam urbes vanguardistas, livres das deficiências que assolavam as cidades de meados do século XX, exemplificando princípios estéticos que refletiriam ideologias políticas progressistas e que abraçariam novas tecnologias – principalmente o automóvel.

No entanto, essa promessa de futuro acabou gerando grandes desafios. Dificuldades que, claro, refletem os percalços sociais e econômicos dos seus países, mas também pode se dizer que são "temperadas" por uma ideia modernista que hoje é colocada em discussão.

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Casa à Sombra da Mangueira / Design i.O

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Chandigarh, Índia
  • Arquitetos: Design i.O
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  353
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2023
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  ALCOI, Asian Paints, Jaguar, Kriglow, Legrand, +1

O laboratório modernista do futuro: explorando a arquitetura de Le Corbusier e Louis Kahn na Índia

No início de 2022, a curadora Lesley Lokko anunciou o título da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia: O Laboratório do Futuro. A intenção do tema é destacar o continente africano como protagonista do futuro, um lugar “onde todas essas questões de equidade, raça, esperança e medo convergem e se aglutinam”. Como o continente de urbanização mais rápida, a África é vista como uma terra com potencial, mas também repleta de desafios, onde questões de equidade racial e justiça climática são tratadas com um impacto significativo no mundo em geral.

No entanto, no final dos anos 1950, outro laboratório do futuro estava se formando, onde as novas ideias do modernismo produziram projetos monumentais e estruturas urbanas completas em uma escala sem precedentes: a Índia. Em busca de uma imagem moderna e democrática, o país recém-independente acolheu mestres da arquitetura ocidental como Le Corbusier e Louis I. Kahn e confiou a eles uma ampla gama de encomendas, desde o traçado urbano de Chandigarh e seus principais edifícios governamentais até universidades, museus e projetos domésticos de menor escala. O resultado é uma mistura de culturas influenciando-se mutuamente para gerar resultados inesperados.

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Café e Padaria BEIGE / Arch.Lab

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Chandigarh, Índia
  • Arquitetos: Arch.Lab
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  3800 ft²
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2023
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  Gem Furnishings, Kriglow, Raybright Technologies, Viero

O legado de Jane Drew: uma pioneira para mulheres na arquitetura

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Em 1950, Le Corbusier foi convidado a projetar a nova capital do estado indiano de Punjab, a cidade de Chandigarh, após sua separação e recente independência. A oportunidade de criar uma nova utopia foi inigualável e agora é vista como uma das maiores experiências urbanas da história do planejamento e da arquitetura. A cidade foi formada por padrões viários em retícula ortogonal, de estilo europeu, e edifícios em concreto aparente — o auge dos ideais de Corbusier ao longo de sua carreira. Mas o que é menos conhecido sobre a concepção e realização de Chandigarh foi a mulher que trouxe para o projeto sua experiência em projetar habitações sociais em toda a África. Por três anos, trabalhando ao lado de Corbusier e ajudando-o a projetar alguns dos edifícios mais conhecidos de Chandigarh, esteve Jane Drew.

Casa Prairie / Arch.Lab

Casa Prairie / Arch.Lab - Fotografia de Exterior, Casas, Aido, Fachada, PilarCasa Prairie / Arch.Lab - Fotografia de Interiores, Casas, Cozinha, Fachada, MesaCasa Prairie / Arch.Lab - Fotografia de Exterior, Casas, Jardim, FachadaCasa Prairie / Arch.Lab - Fotografia de Exterior, Casas, Jardim, FachadaCasa Prairie / Arch.Lab - Mais Imagens+ 18

Chandigarh, Índia
  • Arquitetos: Arch.Lab
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  869
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2020
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  American Standard, Grohe, XAL

Loja SHOP NO. 851 / Studio Ardete

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Chandigarh, Índia
  • Arquitetos: Studio Ardete
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  134
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2019
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  3M, Asian Paints, Kitply, Osram, Simpolo, +1

Como a Índia está moldando o futuro da habitação

A Índia está repensando o futuro da habitação por meio de novas tipologias. Definida por influências históricas e culturais, a arquitetura contemporânea do país centra-se em discussões sobre a melhor forma de se modernizar. Construídos ao longo de milênios, os projetos habitacionais da Índia são feitos para atender a diversas escalas, programas e funções. Explorando uma paisagem urbana revitalizada, estes projetos habitacionais modernos começaram a dar um novo tom para o futuro.

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Residência 1559/36 D / Studio Ardete

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Chandigarh, Índia
  • Arquitetos: Studio Ardete
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  796
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2018
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  AutoDesk, Carl Stahl (Germany), Flos, Garifoli (italy), Grohe, +4

As obras modernistas de Chandigarh, pelas lentes de Roberto Conte

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Famosa por seu plano urbano e edifícios cívicos, Chandigarh representa um fragmento icônico da arquitetura modernista. Este centro econômico e administrativo foi concebido para mostrar ao mundo o progresso da recém-independente Índia dos anos 50.

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Escritórios Nureca Inc / NOOR Architects Consultants

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  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  270
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2019
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  Aggarwal Bath Concepts, Ankit Dhawan, Duco, Dulux, FCML, +2

Fotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier

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Fotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Cinema E Arquitetura
© Edmund Sumner

O Neelam Cinema é um dos três teatros construídos em Chandigarh, cidade modernista planejada por Le Corbusier. Construído pouco depois da independência da Índia no início dos anos 1950, o cinema está localizado na movimentada área industrial do Setor 17. Projetado pelo arquiteto Aditya Prakash sob a orientação de Le Corbusier e seu primo Pierre Jeanneret, a estrutura modernista permanece até hoje em sua forma original e continua projetando filmes de Bollywood. No entanto, sem a proteção como Patrimônio Mundial da UNESCO, o futuro do cinema permanece incerto. Abaixo, o fotógrafo britânico Edmund Sumner discute sua experiência de fotografar o cinema de 960 lugares, o coração da cidade, e um ícone de Chandigarh.

Fotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Cinema E ArquiteturaFotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Cinema E ArquiteturaFotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Cinema E ArquiteturaFotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Cinema E ArquiteturaFotos do cinema Neelam, um ícone modernista na Chandigarh de Le Corbusier - Mais Imagens+ 5

Conheça a casa em que viveu Pierre Jeanneret, primo e colaborador de Le Corbusier

O fotógrafo da Archi-Photo, Paul Clemence, compartilhou conosco algumas raras imagens da casa de Pierre Jeanneret em Chandigarh. Ele descreveu esta fantástica experiência em um artigo publicado na revista Modern Magazine, que republicamos aqui com sua permissão.

Chandigarh, a cidade modernista concebida e planejada por Le Corbusier na Índia, oculta o trabalho de outro arquiteto de quem se fala muito pouco. Além do do plano urbanístico e da maioria dos mais importantes edifícios públicos da cidade, projetados pelo arquiteto ícone do modernismo, também é importante destacar o primoroso trabalho desenvolvido por seu primo mais jovem, Pierre Jeanneret, que foi seu colaborador ao longo de muitos anos e foi responsável por transformar as visões de Le Corbusier em realidade. Os dois trabalharam lado a lado nesse grande empreendimento, compartilhando a mesma sensibilidade projetual. Nomeado arquiteto sênior, Jeanneret, de origem suíça, supervisionou as obras deste ambicioso projeto e mostrou suas muitas habilidades, desenvolvendo importantes relações com os profissionais e a comunidade local. "Ele é respeitado como um pai, adorado como um irmão pelos quase cinquenta jovens que se candidataram para trabalhar no Gabinete do Arquiteto", escreveu Corbusier em admiração ao seu primo.

Clássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier

Em 15 de agosto de 1947, na véspera da independência da Índia do Reino Unido, veio uma diretiva que transformaria o subcontinente para as próximas seis décadas. A fim de salvaguardar a população muçulmana do país da maioria hindu, os líderes coloniais de partida deixaram de lado as porções noroeste e leste do território para seu uso. Muitos dos cerca de 100 milhões de muçulmanos espalhados por toda a Índia receberam pouco mais de 73 dias para se mudarem para esses territórios, as nações modernas do Paquistão e Bangladesh. À medida que as fronteiras dos novos países eram desenhadas por Sir Cyril Radcliffe (um inglês cuja ignorância da história e da cultura indianas era percebida pelo governo colonial como uma garantia de sua imparcialidade), o estado de Punjab foi dividido entre a Índia e o Paquistão, sendo que o último acabou ficando om a capital Lahore. [1] Foi na esteira dessa perda que o Punjab precisaria de uma nova capital do Estado: uma que não só servisse às exigências logísticas do estado, mas fizesse uma declaração inequívoca para o mundo inteiro de que uma nova Índia -modernizada, próspera e independente-tinha chegado.

Clássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier - PraçaClássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier - PraçaClássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier - PraçaClássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier - PraçaClássicos da Arquitetura: Projeto Urbano de Chandigarh / Le Corbusier - Mais Imagens+ 54

Uma viagem pelos edifícios de Chandigarh através das lentes de Fernanda Antonio

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Le Corbusier e Pierre Jeanneret construíram obras sublimes em meio à paisagem singular de Chandigarh, aos pés do Himalaia. Traçaram sobre ela uma nova ordem: novos eixos, novas manchas, novas perspectivas. Os edifícios erguidos na década de 1950 e começo da década de 1960 formam um dos conjuntos arquitetônicos mais significativos do século XX, e permitem uma das experiências mais singulares.

A arquiteta e fotógrafa Fernanda Antonio compartilhou conosco o registro da sua viagem pela cidade. Um passeio por oito edifícios e monumentos, com especial atenção para o complexo do Capitólio. Acompanhe o seu percurso e o seu olhar.

Archasm promove concurso para a conclusão do Capitólio de Chandigarh, projetado por Le Corbusier

A Archasm, uma organização online de concursos internacionais de arquitetura, lançou recentemente a competição “Chandigarh Unbuilt: Completing the Capitol”, que busca ideias para concluir e complementar o complexo do Capitólio em Chandigarh, Índia, projetado por Le Corbusier.

Três edifícios do complexo foram construídos segundo o projeto de Le Corbusier - o Secretariado, a Assembleia Municipal, e a Suprema Corte - mas o quarto e último edifício, chamado de Museu do Conhecimento, ainda não foi iniciado.

A Archasm busca propostas para um museu do conhecimento que se enquadrem no contexto do século XXI e, ao mesmo tempo, considerem a importância da arquitetura de Le Corbusier, o uso do espaço público e seu impacto na comunidade.