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Borde Costero: O mais recente de arquitetura e notícia

Transformando a orla de Barcelona: uma história de renovação urbana

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Ao caminhar pela orla de Barcelona, a linha da costa parece sempre ter estado ali: areia, palmeiras, um longo calçadão, restaurantes, lojas e hotéis modernos. No entanto, a realidade é que nem sempre foi assim. Até a década de 1980, a frente marítima de Barcelona era uma barreira ativa de linhas ferroviárias, fábricas e habitações informais, com águas residuais escoando diretamente para o Mediterrâneo. A partir de 1987, a cidade começou a criar continuamente grandes calçadões e passagens entre o tecido urbano e o mar, moldando um ambiente que hoje muitos podem interpretar como um espaço outrora vazio, mas que, na verdade, resulta de décadas de intervenções de infraestrutura e complexidade social, somadas a um esforço municipal para transformar o território urbano e sua relação com a água. Acompanhar essa transformação levanta três questões que estruturam este artigo: quem foi deslocado para abrir a orla, quem a governa hoje e quem a mantém de pé?

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Terras Planas, Água Oculta: Arquitetura sobre Terras Conquistadas

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As terras conquistadas à água são frequentemente apresentadas como um novo solo: plano, disponível e pronto para a arquitetura. Elas prometem mais espaço às cidades onde a terra é escassa, permitindo-lhes estender frentes de água e construir distritos culturais. Em alguns casos, essas novas áreas conquistadas também se convertem em centros financeiros, dão origem a parques e projetam futuros além dos limites do território existente. No entanto, a terra conquistada nunca é apenas terra. Trata-se de uma superfície de engenharia, produzida por meio de aterros, diques, sistemas de drenagem e estabilização do solo — uma negociação de longo prazo com a água que ela afirma ter deslocado.

Isso faz da conquista de terras uma das fantasias espaciais mais poderosas e ambíguas da arquitetura. Por um lado, oferece liberdade: uma tábula rasa onde ruas e edifícios podem ser planejados praticamente do zero. Por outro, essa aparente liberdade esconde uma dependência. A terra construída deve constantemente se provar como solo firme. Ela precisa resistir a inundações, suportar fundações, nutrir árvores e sustentar a vida pública sobre um terreno que antes simplesmente não existia.

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A Arquitetura da Água: Foco Editorial de Outubro do ArchDaily

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A água é vida. Animais, plantas, fungos e bactérias dependem dela: a água estrutura suas células, transporta seus nutrientes e abriga as reações químicas que os mantêm vivos. Mesmo as raras exceções confirmam a regra. Algumas sementes e esporos podem perder quase toda a sua água e entrar em uma dormência tão profunda que seu metabolismo quase para, mas é a água que os traz de volta. No sentido mais literal, a água nos conecta.

Mas ela também nos divide. A cada ano, milhares de pessoas deixam o Norte da África em barcos superlotados rumo a Lampedusa, buscando melhores condições de vida na Europa; mais de 30 mil pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo desde 2014. A água desenha fronteiras e controla fluxos. Antes do início da guerra no Irã, em fevereiro de 2026, o Estreito de Ormuz transportava cerca de 25% do petróleo bruto transportado por via marítima no mundo, com efeitos sentidos nos preços dos combustíveis bem longe do Golfo. A água também está no centro do debate ambiental, onde seu excesso pode ser tão letal quanto sua ausência. Inundações severas atingem cada vez mais os países que menos contribuíram para as emissões globais, enquanto os maiores poluidores continuam mais bem equipados para resistir. Se a água é vida, ela também pode significar a morte. Em última análise, a água é política.

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Qual madeira utilizar no litoral?

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Madeira e arquitetura litorânea sempre caminharam juntas. Trata-se de um dos materiais que mais definem as estruturas costeiras. No entanto, viabilizar essa estética em um ambiente onde as intempéries são uma constante exige muito mais da madeira escolhida.  

A chuva não é exclusividade das regiões litorâneas. O diferencial do litoral reside na combinação e na frequência da exposição. Umidade, ventos marítimos, maresia, sol direto e tempestades frequentes submetem a madeira a ciclos constantes de umedecimento e secagem. Em muitas regiões costeiras, esses fenômenos não são eventos climáticos esporádicos; são, simplesmente, parte do cotidiano local. Diante disso, duas características tornam-se fundamentais ao selecionar a madeira para construções litorâneas: durabilidade e estabilidade dimensional.

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Madeira Accoya, Modern Sea Ranch Kirkland. Imagem © Aaron Locke

O Grande Garuda: A visão inacabada de Jacarta para um litoral à prova de mudanças climáticas

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Houve um momento em que a futura defesa costeira de Jacarta assumiu a forma de um Garuda gigante surgindo do mar. A ave mítica, símbolo nacional da Indonésia, deu forma a uma vasta intervenção costeira destinada a proteger a capital em processo de afundamento contra inundações, ao mesmo tempo em que criava um novo território em mar aberto. Era uma imagem extraordinária: uma muralha costeira transformada em cidade. O projeto Great Garuda é revelador porque mostra o que acontece quando a adaptação climática começa a se sobrepor ao desenvolvimento urbano. A partir do momento em que a infraestrutura de proteção também gera terras valiosas, defender uma cidade e reconstruí-la tornam-se processos difíceis de separar.

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MAD conclui o Shenzhen Bay Culture Square, um museu de design costeiro e parque público na China

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O projeto do pavilhão de exposições e do parque da Shenzhen Bay Culture Square, desenvolvido pelo escritório MAD, de Ma Yansong, teve início em 2018, com a etapa de projeto finalizada em 2020. O edifício de 188.000 m² ocupa um terreno de aproximadamente 51,000 m² à beira-mar, no coração de Houhai, no distrito de Nanshan — polo corporativo da Greater Bay Area de Shenzhen. O plano diretor da área, que inclui o Pavilhão de Design Criativo, o Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen e uma ampla área verde pública, foi anunciado pelo MAD em 2020 com previsão de conclusão para 2023. Após oito anos de trabalho, a obra, liderada por Ma Yansong, Dang Qun e Yosuke Hayano, está concluída e servirá como um equipamento cultural voltado ao design e ao intercâmbio cultural.

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Transformando uma casca de concreto em um interior de madeira moldado pelo mar

 | Em colaboração
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Situada no quebra-mar externo do Port de Cap-d'Ail, ao lado de Mônaco, a Beach House ocupa um limiar entre a terra e o mar. Cercada por água e barcos ancorados, a edificação estabelece um diálogo próximo com o porto, exposta às mudanças de luz, aos reflexos e à atmosfera do Mediterrâneo. Diante desse cenário, a casa se apresenta quase como mais uma embarcação atracada ao longo da muralha do porto.

No entanto, quando Dave Rowles assumiu o projeto de arquitetura, a residência apresentava pouco desse caráter em seu interior. A antiga casa unifamiliar havia sido completamente desmantelada, restando apenas uma casca de concreto aparente. A reforma, portanto, partiu de uma questão fundamental: como um espaço interno pode capturar as qualidades de seu entorno? Em vez de competir com o forte contexto marítimo, a proposta se concentrou em criar um interior sereno e focado na materialidade, que emoldura e amplifica a beleza e a experiência da paisagem circundante, utilizando detalhes em carvalho, cedro, mármore e aço inoxidável. Em colaboração com a barth, empresa especializada em execução de interiores sob medida, Rowles transformou a estrutura de concreto em um espaço coeso, no qual materiais naturais, luz e detalhes refinados definem tanto os ambientes internos quanto os externos.

BIG apresenta maior projeto de regeneração urbana da Europa

O Bjarke Ingels Group anunciou o projeto Park Rise Residences, um novo empreendimento no bairro de Little Athens, em Ellinikon, com casas modernas, espaços verdes, lojas, escritórios e hotéis. Ellinikon é um ambicioso projeto de regeneração urbana que reimagina os terrenos do antigo Aeroporto Internacional de Atenas e os transforma em uma "smart city" de 6,2 milhões de metros quadrados. Dentro deste empreendimento, o bairro Little Athens pretende se tornar uma parte integrada do ecossistema urbano inteligente Ellinikon, levando 1.100 novas residências para a costa noroeste do projeto.

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MVRDV, Adrian Lahoud e HCH desenvolvem ferramentas e estratégias para apresentar adaptações à crise climática

Arquitetos, urbanistas e pesquisadores de todo o mundo estão trabalhando em soluções para combater a crescente ameaça da crise climáticas, em especial no que diz respeito ao aumento do nível do mar e frequência de inundações. Entre eles, o MVRDV, como parte do North Creek Collective, lançou uma série de propostas para a cidade de Vancouver, mapeando possíveis adaptações de edifícios, paisagens e infraestruturas à beira-mar. Em uma iniciativa semelhante, um grupo de pesquisadores liderado por Adrian Lahoud desenvolveu a Second Sea Calculator, uma ferramenta digital que estima os danos financeiros causados à cidades costeiras, ao passo que a Human Climate Horizons desenvolveu uma plataforma para visualizar como diferentes níveis de aquecimento global afetarão a vida das pessoas.

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O impacto dos aterros e do manejo da terra em cidades costeiras

O manejo do terreno junto ao mar tornou-se um fenômeno popular no desenvolvimento costeiro. É a solução mais comum para suprir a necessidade de terra em áreas costeiras e foi implementada para vários tipos de uso, incluindo controle de inundação e agricultura. Hoje em dia, tornou-se uma conhecida resposta para o rápido aumento da urbanização costeira, da atividade econômica e para o aumento da população mundial. Países como a China e os Países Baixos lideram a lista em área. No entanto, a maioria dos projetos ocorrem dentro de centros urbanos no sul global. Cidades na África Ocidental, Leste Asiático e Oriente Médio criam essas novas porções de terra para impulsionar a economia industrial ou para gerar espaço para projetos residenciais de luxo.

Mas a relação entre o design do aumento da faixa de terra e a resposta da água em ambientes oceânicos é complexa. Requer uma relação simbiótica com corpos d'água para estabilidade, mas pode provocar forças naturais quando negligenciado no mar. Comportamentos da água do oceano, incluindo acúmulo de maré, aumento do nível do mar, conexão com áreas úmidas e biodiversidade aquática, podem questionar o sucesso ou fracasso dos projetos em diferentes contextos.

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Vice-presidente dos EUA Kamala Harris defende soluções baseadas na natureza

No Dia da Terra, a Vice-Presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, destacou os muitos benefícios das soluções baseadas na natureza e reconheceu o importante papel dos arquitetos paisagistas neste trabalho. Na Universidade de Miami, ela também anunciou US$ 562 milhões em financiamento para projetos de resiliência costeira, apoiando 149 projetos em 30 Estados, por meio da Iniciativa de Prontidão Climática das Costas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). As observações da Vice-Presidente Harris se baseiam no apoio da administração Biden-Harris ao planejamento e ao design com sistemas ecológicos de maneira equitativa.

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Josephine Michau é a curadora do pavilhão dinamarquês na Bienal de Veneza 2023

O Centro de Arquitetura Dinamarquês anunciou Josephine Michau como curadora do Pavilhão Dinamarquês na 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia. Sob o título provisório Paisagens (Extra)ordinárias, o pavilhão irá abordar a adaptação climática e as paisagens costeiras do futuro, explorando o papel da arquitetura no que diz respeito ao clima global e à agenda da biodiversidade. A 18ª Exposição Internacional de Arquitetura será realizada de 20 de maio a 26 de novembro de 2023.

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Paisagens costeiras do futuro: o pavilhão dinamarquês na Bienal de Veneza de 2023 tem curadoria de Josephine Michau

O Pavilhão da Dinamarca anunciou Josephine Michau como curadora da exposição Imaginários da Costa para representar a Dinamarca na 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia. A exposição destaca soluções de design baseadas na natureza para aliviar os desafios globais como a elevação do nível do mar e as enchentes. A equipe por trás da exposição representa uma colaboração entre o escritório de arquitetura paisagística Schønherr e pesquisadores, artistas, organizações comerciais dinamarquesas e instituições científicas. O assunto selecionado se alinha com o tema abrangente da bienal, Laboratório do Futuro, que vai de 20 de maio a 26 de novembro de 2023, no Giardini, Arsenale e outros locais de Veneza.

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Novo centro marítimo projetado pelo Snøhetta na Dinamarca é aberto ao público

Projetado por WERK Arkitekter e Snøhetta, o novo centro marítimo na costa de Esbjerg, Dinamarca, foi aberto ao público. A estrutura de madeira foi concebida como um espaço de encontro para clubes náuticos e outros visitantes do porto, proporcionando à cidade costeira um centro social à beira mar. A estrutura circular protege os visitantes das condições climáticas adversas, enquanto as grandes janelas e escadas do anfiteatro abrem vistas para o mar. Apelidado de The Lantern (ou, A Lanterna), o projeto foi vencedor de um concurso organizado em 2019.

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A história da Costa Suaíli através da arquitetura de suas portas

Uma característica marcante da arquitetura da Costa Suaíli — além de seus edifícios de pedra coral — é, sem dúvida, a porta ornamentada tão comumente encontrada nesta área costeira. Ricamente decoradas, e muitas vezes repletas de significado, estas portas, além de servirem à função mais utilitária de uma entrada, também eram indicadores de status e riqueza. Da Costa Suaíli até a Península Arábica, as portas são indicativos de sua localização, representativas do comércio e da migração.

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Aeroporto abandonado em Atenas será transformado no maior parque costeiro da Europa

O Aeroporto Internacional de Atenas foi desativado em 2001 e levou duas décadas para o governo local reunir fundos e estabelecer diretrizes para transformar os 242 hectares (600 acres) não utilizados no maior parque costeiro da Europa. O escritório de arquitetura Sasaki está liderando o projeto de transformação para criar o Parque Metropolitano Ellinikon, que contará com diversos equipamentos de uso público e um centro cultural para a cidade de Atenas.

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Proteção contra tempestades baseada na natureza

“A supertempestade Sandy em 2012 foi um alerta para Nova York e fez a cidade perceber que precisava se preparar melhor para as mudanças climáticas”, disse Adrian Smith, vice-presidente da ASLA e líder da equipe de projetos de capital de Staten Island com a NYC Parks. Devido às tempestades de Sandy, “várias pessoas em Staten Island morreram e milhões foram perdidos em danos materiais”.

No 10º aniversário de Sandy, Smith, junto com Pippa Brashear, diretora da SCAPE, e Donna Walcavage, diretora da Stantec, explicaram como projetar com a natureza pode levar a comunidades costeiras mais resilientes. Durante a Semana do Clima de Nova York, elas conduziram centenas de pessoas por dois projetos on-line interconectados no extremo sudoeste da ilha: Living Breakwaters e seu companheiro em terra — o Tottenville Shoreline Protection Project.

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O direito à praia: murando a erosão costeira

No início da pandemia de coronavírus, em março de 2020, os parisienses abastados afluíram para suas segundas residências na costa atlântica da França, quando foi declarado o lockdown no país. Em junho de 2020, quando as restrições afrouxaram na Inglaterra, os moradores se dirigiram para cidades litorâneas como Bournemouth para aproveitar o tempo ensolarado. O primeiro cenário reflete a crescente lacuna entre ricos e pobres da França, enquanto o último é um reflexo do poder democratizante das praias de acesso público.

Em ambas as situações, o que se busca é a tranquilidade natural normalmente encontrada nas praias. Globalmente, no entanto, há um fenômeno inquietante, segundo o qual, entrelaçado com mudanças climáticas e decisões políticas, as praias estão se tornando cada vez mais espaços privados e inacessíveis.

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