O grafite, como forma de arte, tem uma relação complexa com a gentrificação. Por um lado, ele envolve as ruas e o tecido urbano como uma tela para as pessoas se expressarem cultural, social e politicamente. Essa expressão pode ser uma forma de rebelião por minorias étnicas e grupos desfavorecidos em certos bairros, ou pode construir um senso de singularidade cultural e expressão social, conferindo a um bairro um caráter positivo e atraindo novos moradores. No entanto, ao longo dos anos, ele tem sido um agente de gentrificação, aumentando os valores imobiliários para acomodar residentes mais ricos e alienando as comunidades mais antigas.
Em certos casos, os artistas reconhecem seu papel nesse esquema urbano e modificam sua forma de arte por meio de seu estilo, mensagem, localização e ação como formas diretas de protesto contra a gentrificação. De Brixton, Shoreditch e Hackney em Londres, Williamsburg e Bushwick em Nova York, até o Canal Saint-Denis e Belleville em Paris, o uso do grafite nas paisagens urbanas desses bairros pode protestar ou inspirar diferentes formas de desenvolvimento.
Vectura CampusF / Schmidt Hammer Lassen Architects. Imagem cortesia de Schmidt Hammer Lassen Architects _ Por WAX
Explorar projetos não construídos pode trazer insights valiosos sobre o processo de projeto e as principais estratégias empregadas por escritórios de arquitetura contemporâneos, revelando soluções inesperadas, abordagens experimentais e conceitos de design inovadores. A seleção com curadoria desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados por escritórios de arquitetura consagrados. Desde a regeneração da orla de um fiorde e um centro de pesquisa oceanográfica até uma sede corporativa projetada para refletir a atividade principal da empresa ou um restaurante adaptado a condições extremas, esta compilação de projetos não construídos apresenta a variedade de conceitos, filosofias projetuais e programas propostos por importantes escritórios de arquitetura globais.
Apresentando escritórios reconhecidos internacionalmente como CRA-Carlo Ratti Associati, Herzog & de Meuron, OODA, KCAP e Aedas, esta seleção apresenta propostas globais que ilustram intervenções arquitetônicas e cívicas em diversas escalas e programas. Seja lidando com a restauração de monumentos, intervenções em espaços públicos ou a transformação da orla de uma cidade, cada um desses projetos busca oferecer uma resposta adequada às exigências espaciais, funcionais, sociais e ecológicas de seu contexto.
A 10ª edição do Passages Insolites acontece de 22 de junho a 9 de outubro de 2023, reunindo artistas de todo o mundo. O circuito de arte pública é apresentado pela cidade de Quebec e realizado pela EXMURO arts publics para exibir um percurso artístico retrospectivo pela cidade, resgatando edições anteriores do evento. O festival de arte pública ocorre todo verão em Quebec, nos bairros de Place Royale, Petit Champlain e Porto Antigo. Este ano, o evento apresenta obras de 40 artistas, tendo como destaque Felice Varini, que exibe um trabalho monumental tridimensional na Place-Royale.
Le Masurier (documentado em 1769-1775). Esclaves noirs à la Martinique, 1775. Óleo sobre tela – 125 x 106 cm. Paris, ministère des Outre-mer / Archives nationales. Imagem cortesia de Archives nationales
A presença da escravidão moldou as paisagens em ambos os lados do Atlântico. Em contrapartida, africanos livres e escravizados — bem como seus descendentes — criaram novas paisagens nos Estados Unidos, no Caribe e na África subsaariana. Uma relação íntima e singular com a terra permitiu que essas populações esculpissem suas próprias instituições e culturas.
Em uma recente palestra do TED, Thomas Heatherwick condenou o avanço de uma arquitetura monótona nas áreas urbanas, classificando esse fenômeno como uma “epidemia de tédio”. Embora reconheça o caráter essencial da funcionalidade por trás desses projetos, ele destaca que a utilidade, por si só, não basta para tornar essas edificações elementos dinâmicos da vida urbana, uma vez que elas raramente despertam reações emocionais em quem transita por elas. Heatherwick explica que essa “função emocional” — a capacidade da arquitetura de gerar um impacto significativo em usuários/as e visitantes — é, na verdade, fundamental. Quando alcançada, ela permite que o ambiente construído contribua ativamente para a qualidade de vida e o bem-estar dos/as habitantes, fortalecendo a coesão social e a identidade local. Diante disso, como a arquitetura pode promover conexões emocionais positivas e, ao mesmo tempo, qualificar a paisagem urbana das comunidades que atende?
O escritório Zaha Hadid Architects divulgou o projeto da Daxia Tower, a ser construída na zona de desenvolvimento econômico e tecnológico de Xi'an, uma das maiores cidades do interior da China, com uma população de quase nove milhões de pessoas. A torre marcará o centro do distrito comercial de Xi'an e incluirá escritórios, comércio e equipamentos diversos, projetados a partir de análise de dados e modelagem de comportamento para garantir um arranjo equilibrado dos espaços.
Yucatán é um estado localizado no sudeste do México, na península de Yucatán, fazendo fronteira com o Golfo do México, Quintana Roo e Campeche. Dentro deste estado estão situados quatro povoados mágicos: Izamal, Maní, Sisal e Valladolid. A arquitetura tradicional da região é uma mistura de influência indígena, espanhola, mexicana, francesa, italiana e norte-americana.
Dado que os arquitetos da modernidade estavam em busca da pureza da forma, é razoável supor que a imagem desta arquitetura moderna seja quase inevitavelmente representada em branco no imaginário coletivo. Livre de decorações supérfluas, a arquitetura moderna passou a ser associada ao uso predominante de superfícies brancas para destacar a composição volumétrica. Combinada com o conceito de "verdade material" articulado pela primeira vez pelo crítico vitoriano John Ruskin, a arquitetura em cores brancas é frequentemente entendida como direta, clara e franca.
1 De Haro / Perkins&Will. Imagem cortesia de Quebec Wood Export Bureau
Profissionais de arquitetura sempre adaptaram seus projetos aos principais indicadores da construção de sua época. Após décadas de foco na eficiência energética, o carbono incorporado está se tornando rapidamente o principal indicador para a próxima geração de edifícios. No entanto, a maioria de nós está apenas começando a compreender o trabalho da análise de ciclo de vida (ACV), fundamental para avaliar os impactos ambientais dos produtos de construção antes, durante e após a construção.
O escritório DAGOpen OÜ venceu recentemente o concurso de projeto de arquitetura para residências ucranianas com sua proposta "Hata". A competição convidou 17 escritórios estonianos e ucranianos para desenvolverem "um projeto padrão para pequenos grupos de residências unifamiliares modernas a serem construídas na Ucrânia".
As autoridades de Los Angeles votaram para implementar o primeiro Park Block, um projeto-piloto que propõe uma malha viária livre de carros. A ideia é abrir o espaço público para pedestres e ciclistas, segundo a NBC Los Angeles. O plano se inspira nas superquadras de Barcelona, que propõe grupos quarteirões sem tráfego de automóveis no distrito de Eixample, liberando parte das ruas apenas para pedestres e trânsito local. Implementado em 2016, o projeto resultou na redução dos níveis de poluição do ar, ruído urbano e acidentes de trânsito.
Faleceu ontem, 7 de agosto, o arquiteto, crítico e curador Jean-Louis Cohen aos 74 anos. Reconhecido por sua extensa pesquisa no campo da arquitetura moderna e planejamento urbano, ocupava, desde 1994, a cátedra Sheldon H. Solow de História da Arquitetura na Universidade de Nova York. Cohen desempenhou o papel de curador em diversas exposições prestigiosas, incluindo algumas realizadas no Museum of Modern Art, no Canadian Centre for Architecture, no Centre Georges Pompidou, na Cité de l'Architecture et du Patrimoine e no MAXXI. Mais recentemente, na companhia da pesquisadora brasileira Vanessa Grossman, foi curador da exposição Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha, inaugurada em maio na Casa da Arquitectura de Portugal.
No verão de 2022, Iwan Baan completou uma peregrinação urbana pelas ruas de Praga, na República Tcheca. Durante sete dias, o fotógrafo registrou a cidade a pé, de bicicleta e de helicóptero, capturando a essência do tecido urbano, desde o centro até a periferia, além da paisagem ao longo do rio Vltava. Apresentando a cidade como uma entidade crua e muitas vezes negligenciada, Baan exibiu suas fotografias na exposiçãoIwan Baan: Prague Diary, realizada no ano passado no CAMP.
O estúdio Urban Radicals apresentou o pavilhão temporário “A Brick for Venice” (Um tijolo para Veneza) como parte do programa “Time Space Existence” do Centro Cultural Europeu, uma iniciativa paralela à Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023. Todas as paredes do pavilhão foram feitas com barro dos canais da cidade de Veneza. A instalação é o primeiro protótipo para o novo material de construção à base de resíduos desenvolvido pelo estúdio.
No competitivo mundo dos restaurantes — especialmente em um momento no qual os influenciadores estão ganhando cada vez mais controle sobre a esfera da alta gastronomia — criar uma experiência memorável de refeição é crucial para atrair e reter clientes. Enquanto fatores como qualidade da comida e serviço desempenham papéis cruciais para fazer com que os clientes voltem ao restaurante de sua escolha, o impacto que os interiores podem ter na longevidade do estabelecimento não deve ser negligenciado. Entre os vários elementos que contribuem para uma atmosfera memorável, a cor se destaca.
Transcender a ideia de um tempo progressivo, linear e ocidental. Criar estratégias de contorno, atravessar limites e escapar das impossibilidades colocadas pelo mundo. Atenta à “política de movimento e movimentos políticos entrelaçados nas expressões artísticas,” a 35ª Bienal de Artes de São Paulo - coreografias do impossívelapresenta, através da intervenção espacial e de sua lista de participantes, modos de se relacionar que expandem os aspectos culturais e sociais que demarcam o sentido – aparentemente insuperável – da crise que enfrentamos como sociedade.
Para se aprofundar em como as questões espacial, territorial e arquitetônica se colocam na próxima edição de uma das maiores e mais importantes exposições de arte do mundo, conversamos com o coletivo de curadores* formado por Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel.
O que é a cidade? E o contrário de mata. O contrário de natureza. A cidade é um território artificializado, humanizado. A cidade é um território arquitetado exclusivamente para os humanos. Os humanos excluíram todas as possibilidades de outras vidas na cidade. Qualquer outra vida que tenta existir na cidade é destruída. Se existe, é graças à força do orgânico, não porque os humanos queiram.
Fui criado numa casa de chão batido, onde andava descalço. As galinhas e os outros animais conviviam conosco dentro de casa. Quando uma galinha estercava na casa de chão batido, a parte úmida do esterco, das fezes da galinha, era absorvida pela terra. Tirávamos a parte sólida e jogávamos no quintal para servir de adubo. Para o povo da cidade, isso é um horror. Pisar as fezes da galinha? Impossível! Tem que ter uma cerâmica bem lisinha para poder enxergar qualquer outra vida, qualquer outro vivente que estiver ali, para poder desinfetar e matar qualquer microrganismo. Matar até o que não se vê. Para andar descalço, é preciso desinfetar o chão: a cerâmica foi criada porque os humanos não podem pisar a terra. Os calçados foram criados porque os humanos não podem pisar a terra. Porque a terra é o anseio original.
https://www.archdaily.com.br/pt/1004170/cidades-e-cosmofobiaAntônio Bispo dos Santos
À medida que reconhecem a crescente importância da inovação no cenário empresarial de hoje, os escritórios de arquitetura estão passando por uma transformação. Empresas de diversas indústrias também começaram a valorizar o impacto do design na resolução de desafios, graças ao sucesso de startups focadas neste âmbito, como o Airbnb. Tradicionalmente confinados ao desenho de estruturas físicas, os escritórios de arquitetura estão ampliando seu escopo e abraçando a pesquisa e a inovação como elementos integrais de seu processo de projeto. Com a criação de divisões de pesquisa e inovação, esses escritórios não apenas aprimoram suas próprias práticas, mas também oferecem sua expertise para lidar com as necessidades em constante evolução de nossa era — desde avanços humanos e tecnológicos até inovação estratégica.
Infraestudio é uma prática de arquitetura e arte radicada em Havana, Cuba, que tem se mantido obcecada pela ficção desde a sua fundação em 2016. Fernando Martirena, Anadis González, entre outros membros e colaboradores, trabalham com o narrativo e o discursivo em diferentes frentes: do projeto de edifícios, a pesquisas, exposições, textos e ativismo. Isso lhes permite operar discretamente em uma cidade singular, mostrando como é fazer arquitetura contemporânea em Cuba.
Por esses motivos, o Infraestudio foi selecionado pelo ArchDaily como uma das melhores novas práticas de arquitetura de 2023. Eles preocupam-se em criar uma arquitetura que se esconde na paisagem, mostrando o vazio como representação de uma ideia, não pensando em formas, mas em estratégias, e construindo com o mínimo necessário.
Nos últimos anos, o foco em materiais sustentáveis, alinhados à agenda ecológica e de baixo carbono se intensificou na indústria da arquitetura. Em meio a esse interesse, a arquitetura derivada do cânhamo está gradualmente ganhando força e escala global. Materiais à base de cânhamo surgiram como uma alternativa favorável aos industrializados tradicionais, apresentando uma infinidade de benefícios que poderiam revolucionar a indústria da construção. Apesar de sua grande promessa, vários obstáculos impedem a adoção generalizada do cânhamo, inibindo seu potencial transformador na indústria da construção.
O Arquicast conversa com um dos mais instigantes e renomados arquitetos brasileiros, Eduardo Longo. Descrever a obra de um profissional é um desafio complexo, especialmente quando falamos de uma figura como ele, cujo trabalho se destaca por uma negação aos princípios estabelecidos em sua época, buscando constantemente inovações e experimentações na arquitetura.
O ano era 1969. Lina Bo Bardi vagava pelo bairro paulistano do Bixiga, que na época mais parecia uma zona de guerra. As clareiras e pilhas de escombros eram resultado de uma urbanização violenta que cortava a região sob a forma do complexo viário leste-oeste de São Paulo.
Nesse contexto, Lina recolhia objetos pessoais encontrados nos entulhos, catava o que havia de mais sórdido, como Zé Celso, diretor e criador do Teatro Oficina, afirmou em entrevista. Essa operação tinha um motivo, compor o cenário da peça Na selva das cidades, desenhado pela própria arquiteta. Nela, conformava-se um palco em forma de ringue de boxe materializado pelos entulhos das demolições ocorridas no entorno do teatro. Uma peça dividida em 11 rounds no qual em cada um deles destrói-se uma instituição até destruir o próprio ringue. No final, os atores retiram o até o piso do teatro e chegam na terra.
Questões ambientais se colocam como o grande tema para a arquitetura há alguns anos. A iminente escassez de recursos naturais e a conscientização acerca dos danos ambientais da indústria construtiva têm forçado o campo profissional a posicionar-se e desenvolver soluções que mitiguem o impacto da área de atuação no planeta. O desenvolvimento de novas tecnologias que possibilitam materiais mais sustentáveis é fundamental, mas esse incentivo pode (e deve) partir do ponto inicial da prática arquitetônica: o projeto.
No seu livro Curadoria: o poder da seleção no mundo do excesso, Michael Bhaskar define curadoria como "usar atos de seleção e organização (mas também refinar, reduzir, exibir, simplificar, apresentar e explicar) para agregar valor." Originário da palavra latina "curare", que significa "cuidar", o papel do curador em dissecar nossa compreensão do mundo ao nosso redor não pode ser negligenciado. Ao longo do tempo, à medida que a definição se transforma, a prática da curadoria continua a evoluir, desempenhando o papel de cuidadora de nosso ambiente construído.