Senior Content Editor no DAAily Platforms. Arquiteta, mestre em Projeto Urbano pela Pontificia Universidad Católica de Chile (2021). Reside em Santiago, Chile
Durante seus anos de universidade, arquitetos adquirem uma ampla gama de habilidades que vão além de aprender a projetar edifícios. Isso inclui a resolução criativa de problemas, gerenciamento de projetos, alta atenção aos detalhes, coordenação de equipes e resposta precisa às necessidades do cliente. Um diploma geralmente fornece as ferramentas necessárias para projetar em qualquer escala – do urbano ao design de produto – e explorar outros campos criativos, como arte, fotografia, jornalismo ou design industrial. Das muitas possibilidades que se abrem, é especialmente comum que muitos deem o salto para o design de móveis, principalmente o design de cadeiras, em vez de seguir o caminho tradicional.
Ao projetar o espaço interno de uma residência, é comum cometer o erro de não dar a devida importância ao piso. Frequentemente, a prioridade costuma ser as paredes, o mobiliário e a iluminação, sem levar em conta essa grande superfície que, com sua textura e aparência, pode definir a percepção, o caráter e o estilo de um ambiente. No entanto, para além do seu valor estético, a resistência do piso é indispensável – afinal, os móveis ou a decoração podem mudar com frequência, mas o revestimento deve permanecer em bom estado por anos. Isso se aplica especialmente no caso da cozinha, considerando que é uma das áreas da casa que mais sofre com o uso intenso, o tráfego e o desgaste.
A luz serve a um propósito essencial na arquitetura: nos ajudar a ver. Seja através de métodos naturais ou artificiais, os ambientes devem ser iluminados adequadamente para que os ocupantes possam habitá-los com segurança e cumprir suas funções diárias. Quando o sistema certo é selecionado, a iluminação também pode contribuir para a eficiência energética e sustentabilidade no edifício como um todo. No entanto, para além do seu evidente valor funcional e ambiental, o projeto de iluminação pode ter um grande impacto no conforto visual e na atmosfera dos interiores, chamando a atenção para as texturas, realçando as cores e definindo os volumes. Portanto, das muitas peças envolvidas no design de interiores, a iluminação é certamente aquela que pode melhorar ou destruir um espaço e até afetar o bem-estar dos usuários, razão pela qual deve ser considerada um elemento crucial do design por si só.
Para a maioria das pessoas, a vida moderna exige passar a maior parte do dia em espaços interiores - na verdade, de acordo com um relatório da Environmental Protection Agency, a pessoa média passa cerca de 90% de sua vida em ambientes fechados. Como resultado, isso implica perder benefícios para a saúde associados à exposição à luz solar, como absorção de vitamina D, regulação dos ritmos circadianos, níveis mais altos de energia e até melhora do humor. Uma opção é aumentar a quantidade de tempo que passamos ao ar livre. Mas como a maioria das funções diárias são realizadas no interior dos edifícios, é crucial incorporar e priorizar a iluminação natural nos interiores.
Mobiliário interno nos escritórios da Coromandel | Andreu World. Imagem cortesia de Andreu World
Contar com um espaço físico de trabalho traz inúmeros benefícios intrínsecos, como reunir as equipes em um ambiente colaborativo e oferecer às empresas a oportunidade de consolidar sua cultura e identidade. No entanto, com a ascensão do trabalho híbrido e remoto no início da pandemia, muitos se questionaram se isso significaria o fim do escritório físico. Hoje, decorridos dois anos, a tendência se mostra evidente: em vez de serem completamente substituídos pelo modelo remoto, os escritórios físicos foram adaptados por muitas empresas para atender às novas necessidades de seus colaboradores e colaboradoras. A opção tem sido por espaços integrados, confortáveis e flexíveis que estimulam a criatividade, a colaboração e a produtividade.
Temos usado tecido para criar abrigos por milhares de anos, tornando-se uma forma arquetípica de construção. Hoje, a arquitetura contemporânea tem redescobrindo o princípio da tenda e levou seu desenvolvimento adiante, implementando novas tecnologias para gerar tecidos mais avançados e duráveis que permitem a extensão de áreas maiores. Tornando-se um setor altamente especializado na indústria da construção, várias formas têxteis tornaram-se comuns em uma ampla gama de aplicações arquitetônicas - não apenas para estruturas temporárias, mas também para edifícios permanentes. Para além da sua utilização em fachadas, estas podem ser utilizadas em interiores para criar espaços altamente funcionais com experiências sensoriais únicas.
Banheiro CYO Metropolitan. Imagem cortesia de Dornbracht
À medida que as cidades se tornam mais densas e a pandemia continua a moldar os padrões de vida e de trabalho, as pessoas passaram a ter plena consciência de que o espaço que habitam influencia profundamente o seu bem-estar físico e mental. Diante disso, o design de interiores residencial passou a focar na promoção da sensibilidade, do conforto e da tranquilidade como uma forma de escapar das incertezas do mundo exterior. Por ser um espaço seguro onde praticamente começamos e terminamos cada dia, o banheiro moderno também se adaptou a essa realidade, assumindo um papel fundamental como um ambiente dedicado ao relaxamento e ao autocuidado. Assim, o que costumava ser uma zona puramente funcional é agora percebido como um refúgio pessoal revigorante e um espaço de convivência flexível que pode até adotar outras funções – de academia a spa privado.
Embora inovações como a impressão 3D e a tecnologia a laser estejam se impondo no mercado, as impressões em papel – ou, melhor dizendo, em uma ampla gama de materiais – continuam sendo indispensáveis para o dia a dia de arquitetos/as, designers e engenheiros/as. Comumente conhecidas como "plotters", as impressoras de grande formato permitem transferir desenhos do computador para o meio físico por meio de um software que reconhece suas coordenadas, calculando a rota mais eficiente para traduzir, de forma permanente, uma linguagem digital para o papel. Portanto, seja para imprimir planimetrias, anúncios, fotografias o sinalizações, contar com uma impressora versátil, precisa e de alta tecnologia é fundamental em qualquer disciplina criativa.
Puerto Vallarta ensuite bathroom / Studio Utkan Gunerkan. Image Courtesy of Studio Utkan Gunerkan
Embora o minimalismo branco continue sendo a norma, as tendências retrô estão voltando seriamente nos designs modernos de banheiros, incorporando toques de cor, acessórios clássicos e superfícies padronizadas. Apesar de muitas vezes serem espaços estáticos e tradicionais nas residências, os banheiros certamente sofreram transformações significativas ao longo dos anos. Enquanto os da década de 1970 trouxeram cores vibrantes como o verde abacate e o amarelo mostarda, os anos 80 introduziram os ladrilhos cerâmicos em tons pastéis mais suaves. Por outro lado, este século estabeleceu o ideal em superfícies brancas e marmorizadas, acabamentos lisos e brilhantes e acessórios prateados. No entanto, mesmo que esse visual todo branco continue a ser o protagonista, aprimoramentos retrô arrojados estão revivendo e se misturando com elementos contemporâneos para criar atmosferas elegantes, mas animadas, com um caráter forte.
À medida que continuamos a lidar com as repercussões da pandemia, o futuro dos escritórios e espaços de trabalho tem sido amplamente debatido. No entanto, alguns efeitos imediatos já são evidentes: o modelo rígido, essencialmente presencial, foi rapidamente substituído pelo trabalho híbrido, no qual a adaptabilidade e o conforto se tornaram as principais prioridades. Assim, embora as consequências a longo prazo ainda não estejam totalmente claras, as empresas certamente precisarão buscar o equilíbrio ideal entre os métodos tradicionais e o trabalho remoto, visando promover a eficiência e o bem-estar das equipes. Sob a perspectiva do design e da arquitetura, a demanda se concentrará em ambientes de trabalho flexíveis que estimulem a criatividade, a produtividade e o conforto – além de responderem aos desafios tecnológicos, econômicos e de sustentabilidade associados.
A popularidade de casas pré-projetadas e pré-fabricadas vem crescendo, transferindo grande parte do processo de construção do canteiro de obras para as fábricas. Enquanto países como Cingapura, Austrália e Reino Unido estão adotando cada vez mais edifícios modulares para atender à escassez de mão de obra e moradias, países nórdicos como a Suécia já constroem 90% das residências unifamiliares em madeira pré-fabricada. Apesar do recente aumento de interesse, a construção off-site não é, de forma alguma, um conceito novo. Na verdade, o método construtivo esteve presente ao longo da história em muitas tentativas de consolidar seu uso: ainda em 43 DC, o exército romano trouxe consigo fortes pré-fabricados para a Grã-Bretanha, enquanto o Japão já vinha construindo em madeira off-site e partes móveis em pré-montagens por pelo menos mil anos.
Diante de uma crise climática sem precedentes, os telhados verdes consolidam-se cada vez mais como uma tendência global na arquitetura, proporcionando múltiplos benefícios sociais, econômicos e ambientais em áreas urbanas. Seguindo o exemplo de modelos pioneiros como o de Copenhague, cidades ao redor do mundo estão substituindo coberturas cinzas por verdes, com o anseio de caminhar rumo a um futuro mais sustentável e saudável. Dessa forma, essa prática tem se tornado uma operação recorrente em projetos que buscam responder aos desafios da cidade contemporânea.
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Porta pivotante interna alta e larga / Govaert & Vanhoutte. Imagem cortesia de FritsJurgens
Entre os muitos fatores que podem impactar a personalidade, o estilo e a funcionalidade de um espaço residencial, as portas certamente desempenham um papel fundamental na definição do tom do ambiente. Além de sua função decorativa, elas protegem os cômodos das intempéries e dos ruídos, delimitam espaços, definem circulações e proporcionam privacidade. À medida que as tendências recentes de design continuam a apontar para linhas limpas e modernas, a porta pivotante nunca esteve tão em alta — sendo aplicada não apenas em entradas principais, mas também aparecendo com maior frequência no design de interiores. Além de serem maiores, mais pesadas e oferecerem um visual contemporâneo marcante, as portas pivotantes proporcionam um movimento belo e elegante com ferragens quase invisíveis que rotacionam em torno de um eixo vertical, diferenciando-as das portas de dobradiça comuns.
Sem dúvida, a pandemia redefiniu todos os aspectos da vida cotidiana, desde a forma como as pessoas se relacionan entre si até seus padrões de habitabilidade e trabalho. Por essa razão, a arquitetura teve que se adaptar a novos paradigmas e modos de vida. Considerando que as viagens e o turismo ficaram paralisados por mais de um ano, uma das indústrias mais afetadas foi a de hotelaria, obrigando os hotéis a se reinventarem rapidamente diante de novas demandas. Desse modo, o foco está em oferecer espaços de descanso que permitam a desconexão e o relaxamento do/a usuário/a, buscando criar ambientes únicos, confortáveis e diferentes do lar — onde atualmente se costuma passar a maior parte do tempo.
De acordo com o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos de 2021 da ONU, cerca de 17% da produção global de alimentos é desperdiçada, tornando-se a terceira maior fonte de emissões de gases de efeito estufa. Desse total, 11% do desperdício é gerado pelas próprias residências, o que não apenas agrava a crise climática, mas também resulta em enormes perdas econômicas, declínio da biodiversidade e níveis de poluição que crescem a um ritmo sem precedentes. Diante disso, considerando o papel crucial que a arquitetura e o design desempenham ao oferecer opções de habitação mais ecológicas, torna-se essencial adotar e fortalecer abordagens mais autossuficientes e de poluição zero.
Embora uma obra de arquitetura nasça de materiais palpáveis, também se define por qualidades intangíveis que lhe conferem riqueza, dinamismo e vitalidade. Entre eles, o jogo de luz e sombra - com suas várias nuances - pode transformar ambientes e definir a percepção de suas formas, determinando a experiência espacial do usuário. As treliças, além de proporcionarem ventilação natural, privacidade e conforto térmico, permitem essa dualidade ao filtrar a entrada da luz solar enquanto projetam figuras repetitivas na superfície. Desta forma, através de paredes ou tetos perfurados, emergem padrões geométricos de luz e sombra que se tornam mais um elemento projetual; em um gesto físico capaz de criar atmosferas únicas.
O concreto e a sustentabilidade são duas palavras frequentemente consideradas incompatíveis. Utilizado desde a era romana, o concreto moldou grande parte do nosso ambiente construído, sendo o material manufaturado mais consumido no planeta devido à sua resistência, versatilidade, excelente relação custo-benefício e acessibilidade, entre outros benefícios inerentes. Seu uso generalizado em edifícios e infraestruturas constitui a base das cidades, conecta comunidades e continuará a desempenhar um papel vital no desenvolvimento de soluções para os desafios do futuro — especialmente diante da necessidade de resposta das cidades a uma população global em constante crescimento. No entanto, tendo o cimento como ingrediente principal, ele também acarreta custos ambientais significativos, sendo responsável por pelo menos 8% das emissões globais de carbono no contexto das mudanças climáticas. Contudo, esse cenário não é inevitável. Com o surgimento de tecnologias e produtos inovadores, existem hoje diversas formas de tornar o concreto mais ecológico.
Desde sua inauguração na década de 1960, mais de 10 milhões de turistas visitam anualmente a Calçada da Fama de Hollywood na esperança de vivenciar o brilho e o glamour da atração mais famosa de Los Angeles. Até hoje, seus 18 quarteirões de pisos de terrazzo permanecem em excelente estado, revelando a longevidade e a durabilidade de um material capaz de resistir ao fluxo intenso de pedestres ao longo de décadas.