Após dois anos de ciclos interrompidos devido à pandemia, 2022 vem testemunhando um ressurgimento dos eventos de arquitetura: bienais, trienais, semanas de design e festivais estão de volta à cena, com reflexões ainda maiores e abordagens temáticas mais amplas, alinhadas aos desafios do mundo.
Relevantes hoje mais do que nunca, esses acontecimentos espalhados pelo mundo abordam questões relacionadas ao clima, problemas urbanos, bem como preocupações fomentadas pela covid-19, como resiliência, modos de vida, futuro da arquitetura e o desconhecido.
Para ajudar arquitetos e estudantes a conhecerem os melhores Mestrados Internacionais disponíveis no mundo, o ranking anual BAM comparou e avaliou os programas das melhores escolas de arquitetura. O método utilizado para a formulação do ranking foi desenvolvido por 13 especialistas internacionais e tem caráter comparativo e objetivo. Para a edição de 2022, diferentes Programas de Mestrado do recente Ranking QS – Arquitetura / Ambiente Construído foram selecionados para integrar o Ranking BAM.
Semelhante aos anos anteriores, o ranking de 2022 mostra Harvard e Colômbia nas posições de liderança em primeiro e segundo lugar. O MIT voltou à lista com dois programas de mestrado, na quarta posição, o Master of Science in Architecture Studies in Urbanism (SMArch Urbanism), e na sexta posição, o Master of Science in Architecture Studies in Design (SMArchS Design) . A Universidad Politécnica de Madrid e a ETH Zurich ficaram em terceiro lugar, oferecendo o melhor programa de mestrado da Europa. A Pontificia Universidad Católica no Chile ocupou a 18ª posição, apresentando um mestrado de excelência na América do Sul, seguida de perto na 20ª posição pela Universidade de São Paulo.
O International High-Rise Award 2022/23 nomeou 34 projetos de destaque de 13 países diferentes para concorrer à edição deste ano. Selecionados pelo Deutsches Architekturmuseum (DAM), os edifícios selecionados foram escolhidos entre mais de 1.000 novos arranha-céus em todo o mundo, datados dos últimos dois anos. Como em anos anteriores, observou-se um declínio considerável nos arranha-céus concluídos.
O júri de jurados internacionais para o High-Rise Award deste ano foi composto pelo arquiteto Sven Thorissen (MVRDV) e incluiu arquitetos, engenheiros, críticos de arquitetura e representantes do DekaBank, da cidade de Frankfurt e do Deutsches Architekturmuseum (DAM). No outono, cinco finalistas serão anunciados para segunda etapa do processo, e o vencedor será lançado em 8 de novembro de 2022.
UN-Habitat acaba de lançar o seu Relatório Mundial sobre as Cidades anual durante a décima primeira sessão do Fórum Urbano Mundial, que ocorreu em Katowice, Polônia, de 27 a 30 de junho de 2022. Sob o título “Envisaging the Future of Cities” (Vislumbrando o Futuro das Cidades), a edição de 2022 destaca percepções sobre o futuro do ambiente urbano com base em “tendências, desafios e oportunidades existentes, bem como condições disruptivas, incluindo as valiosas lições da pandemia de COVID-19”. O documento busca, de fato, apresentar caminhos para que as cidades se preparem para desafios futuros e enfrentem as questões atuais.
Diante da previsão de que a população global em áreas urbanas passará de 56% em 2021 para 68% em 2050 — principalmente na África e no Oriente Médio —, a transformação de nossas cidades com vistas a um futuro melhor deve ser um interesse global. Diante da necessidade urgente de “soluções inovadoras para que as áreas urbanas respondam a essa tripla crise de COVID, clima e conflito”, conforme declarado pela Subsecretária-Geral da ONU e Diretora Executiva do ONU-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, o Relatório Mundial das Cidades de 2022 clama por um maior compromisso por parte dos governos nacionais, regionais e locais, além de incentivar a adoção contínua de tecnologias inovadoras e conceitos de vida urbana.
O escritório MAD Architects, liderado por Ma Yansong, revelou as primeiras imagens do MoLo, sigla para Mobility and Logistic hub (Hub de Mobilidade e Logística), um novo portal de entrada situado no limite oeste do Milano Innovation District (MIND). Em colaboração com o arquiteto Andrea Nonni, o Open Project e a Progeca, o complexo de 28,5 metros de altura reúne diversas instalações em uma área de 68.700 m². Projetado como uma integração entre natureza e arquitetura, o MoLo “funciona como uma entrada acolhedora e um espaço educativo para questões relacionadas à mobilidade, no qual os visitantes podem deixar seus carros para explorar o distrito a pé e conhecer de perto tecnologias inovadoras de transporte”.
Doreen Adengo. Imagem cortesia de Adengo Architecture
Doreen Adengo, arquiteta de Kampala, Uganda, faleceu, conforme relatado pela conta do Instagram do African Futures Institute, após uma longa batalha contra o câncer. Fundadora do escritório Adengo Architecture em 2015, uma prática multidisciplinar baseada em pesquisa sediada em sua cidade natal, Kampala, Doreen, que era arquiteta registrada nos Estados Unidos e em Uganda, concluiu sua graduação na Universidade Católica (Bachelor of Science in Architecture) e sua pós-graduação em Yale (Master of Architecture). Ela lecionou na The New School e no Pratt Institute, em Nova York, na Graduate School of Architecture da Universidade de Joanesburgo, e atualmente lecionava na Uganda Martyrs University. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher de 2022, Doreen Adengo foi reconhecida pelo ArchDaily como uma das profissionais consagradas atuando em prol da mudança.
Viena, na Áustria, liderou o ranking de habitabilidade global 2022 feito pelo The Economist Intelligence Unit (EIU) recuperando a posição obtida em 2019 e 2018, principalmente por sua estabilidade e boa infraestrutura, apoiada por bons cuidados de saúde e muitas oportunidades de cultura e entretenimento. As cidades da Europa ocidental e do Canadá dominaram as primeiras posições, com Copenhague, na Dinamarca, em segundo lugar e Zurique, na Suíça, e Calgary, no Canadá, empatadas em terceiro lugar. Adicionando 33 novas cidades à pesquisa, um terço das quais na China, e elevando o total para 172 cidades, a classificação excluiu este ano Kyiv, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Dividido em 5 categorias: estabilidade, sistema de saúde, educação, cultura, meio ambiente e infraestrutura, o índice foi muito influenciado pela pandemia de covid-19. À medida que as restrições diminuíram em grande parte do mundo, os rankings de habitabilidade começaram a se assemelhar “aos anteriores à pandemia”, mas a pontuação média global permaneceu abaixo do período pré-pandemia. Embora a pandemia de covid-19 tenha recuado, uma nova ameaça à habitabilidade surgiu quando a Rússia invadiu a Ucrânia este ano.
Housing Upcycle Program, Barrio Mugica of Buenos Aires. Image Courtesy of Special Project Unit Barrio Padre Carlos Mugica, Buenos Aires City Government
Na décima primeira sessão do Fórum Urbano Mundial em Katowice, Polônia, a União Internacional de Arquitetos (UIA), juntamente com a UN-HABITAT, anunciou os vencedores do Prêmio UIA 2030. Buscando reconhecer contribuições da arquitetura para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e a Nova Agenda Urbana, esta edição premiou obras da Alemanha, Hong Kong, Argentina, Bangladesh e China dentre um total de 125 projetos de 40 países. As obras premiadas demonstram qualidade de projeto e alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Organizado em seis categorias — Categoria Aberta; Melhorando a Eficiência Energética; Habitação Adequada, Segura e Acessível; Planejamento Territorial Participativo, Eficiente e Inclusivo; Acesso a Espaços Verdes e Públicos; e Utilizando Materiais Locais —, os jurados escolheram um vencedor por seção, mas não conseguiram identificar um vencedor geral na categoria aberta e optaram por reconhecer seis projetos como Altamente Recomendados, homenageando no total 5 premiados e 15 recomendações.
A primeira edição do UIA 2030 Award celebrou projetos que contribuem para a realização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Localizadas na Alemanha, em Hong Kong, na Argentina, em Bangladesh e na China, as intervenções vencedoras foram anunciadas durante a 11ª sessão do Fórum Urbano Mundial em Katowice, na Polônia. Organizado pela União Internacional de Arquitetos (UIA), em conjunto com o ONU-Habitat, o prêmio reuniu 125 propostas de 40 países.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com as mentes por trás dessas arquiteturas aclamadas, aprofundando o debate sobre as intervenções e as especificidades de cada projeto. Além disso, as equipes vencedoras compartilharam seus trabalhos futuros e em andamento, bem como suas perspectivas sobre a importância do engajamento de arquitetos e arquitetas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Rem Koolhaas, co-fundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA), ganhador do Prêmio Pritzker em 2000 e um dos mais proeminentes teóricos do urbanismo hoje em dia, foi um dos primeiros a questionar o fenômeno dos arranha-céus e sua influência na transformação da cidade. Particularmente intrigado com a região do Golfo Pérsico e as ambições urbanas desta área, em 2009, durante a 9ª edição da Bienal de Sharjah, fez uma palestra sobre o potencial de reinventar a urbanização nos Emirados Árabes Unidos.
Por ocasião do jubileu de ouro dos Emirados Árabes Unidos, marcando 50 anos desde que foram fundados em 1971, 50U, publicado pela Archis, explora os diferentes desenvolvimentos no Golfo, esta região que "testemunhou a transformação de uma cidade parcialmente nômade, parcialmente baseada na comunidade em uma sociedade metropolitana globalmente ativa”. Depois de Al Manakh, em 2007, seguido em 2010 por Al Manakh Cont’d, 50U conta a história dos Emirados Árabes Unidos por meio de 50 retratos de pessoas, plantas e lugares. O livro também compartilha um trecho da palestra de Koolhaas em 2009 que reflete sobre as condições contemporâneas, focando especificamente em sua leitura de Dubai, seu envolvimento arquitetônico e suas previsões urbanas futuras.
Atualmente, metade da população mundial vive em cidades, segundo os últimos relatórios da ONU-Habitat, e as previsões mostram que esse número deve aumentar para dois terços da população até 2050. Essa realidade intensifica exponencialmente os desafios urbanísticos, tornando mais evidente do que nunca a necessidade de transformação de nossas cidades. Anualmente, a estimativa da população mundial avalia o crescimento das cidades e o número de moradores que vivem em áreas metropolitanas para que as tendências globais sejam analisadas. Em 2022, a lista dos 20 países mais populosos manteve-se semelhante à edição de 2021, com ligeira alteração em números e posições. Tóquio manteve o status de maior cidade do mundo, com 37 milhões de habitantes, enquanto Delhi e Xangai seguiram em segunda e terceira posições.
Comparando os resultados com a edição de 2021, a única queda que pode ser observada no top 20, envolve ambas as cidades japonesas, Tóquio e Osaka. O restante da lista teve, em média, um crescimento de 1,8% no total de pessoas residentes em regiões metropolitanas. De fato, as cidades africanas Kinshasa, na República Democrática do Congo, e Lagos, na Nigéria, reuniram as taxas mais altas, com um aumento de residentes de 4,39% e 3,54%, respectivamente, em 1 ano. A maior cidade do continente americano ainda é São Paulo no Brasil, seguida de perto pela Cidade do México e Buenos Aires. Na Europa, Istambul é a mais populosa, com mais de 14,5 milhões de habitantes.
O presidente da La Biennale di Venezia, Roberto Cicutto, e o curador da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura, Lesley Lokko de Jacopo Salvi. Imagem cortesia de La Biennale di Venezia
De 20 de maio a 26 de novembro de 2023, a 18ª Exposição Internacional de Arquitetura ocupará os espaços do Giardini, Arsenale e outros locais de Veneza. Intitulada O Laboratório do Futuro, a mostra foi anunciada hoje pelo presidente da Biennale di Venezia, Roberto Cicutto, e pela curadora da exposição, Lesley Lokko.
O tema e título desta edição considerará o continente africano como protagonista do futuro. “Há um lugar neste planeta onde todas essas questões de equidade, raça, esperança e medo convergem e se unem. África. A nível antropológico, somos todos africanos. E o que acontece na África acontece com todos nós”, explica Lokko.
O Prêmio Aga Khan de Arquitetura (AKAA) anunciou 20 projetos finalistas para a edição de 2022. Concorrendo ao prêmio de US$ 1 milhão, um dos maiores da arquitetura, os 20 projetos localizados em 16 países diferentes foram selecionados pelo júri dentre 463 obras indicadas ao 15º Ciclo de Prêmios (2020-2022). O júri, do qual fazem parte Anne Lacaton, Francis Kéré, Nader Tehrani e Amale Andraos, se reunirá novamente este ano para visitar os projetos e escolher os vencedores.
Balkrishna Doshi foi formalmente presentado, em 15 de junho, com a 2022 Royal Gold Medal for Architecture pelo presidente do RIBA, Simon Allford. Concedido pelo Royal Institute of British Architects, em nome de Sua Majestade a Rainha, o prêmio anual é “oferecido a uma pessoa ou grupo de pessoas que tiveram uma influência significativa direta ou indiretamente no avanço da arquitetura”.
Figura principal na formação da arquitetura indiana e suas regiões adjacentes, conhecido especialmente por seu planejamento urbano visionário e projetos de habitação social, Balkrishna Doshi “combinou o modernismo pioneiro com o vernáculo”, enquanto seus edifícios carregam “uma profunda apreciação das tradições da arquitetura, clima, cultura e artesanato da Índia”. Com 70 anos de carreira, mais de 100 projetos construídos e sua atuação na educação, tornou-se reconhecido internacionalmente por suas contribuições no cenário arquitetônico. Aos 90 anos e ainda atuando, Balkrishna Doshi “continua tão prolífico quanto inspirador”, afirma o Comitê de Honra do RIBA de 2022.
O escritório dinamarquês BIG venceu o concurso para o Basque Culinary Center, um novo centro de tecnologia de alimentos localizado em San Sebastian, Espanha. Além do projeto do BIG, outros quatro escritórios de renome apresentaram suas propostas: OMA, Snøhetta, 3XN e Toyo Ito & Associates. The Gastronomy Open Ecosystem (GOe) é um projeto de 9.000 m2 que busca impulsionar a arte e a ciência da inovação gastronômica, reunindo startups de alimentos, pesquisadores e chefs. O edifício se concentrará no desenvolvimento de proteínas alternativas, robótica agrícola, prevenção do desperdício de alimentos e muito mais.
A Fundação Naomi Milgrom anunciou que o escritório de arquitetura e design de renome internacional all(zone) será o responsável pelo MPavilion 2022. Demonstrando como a arquitetura e o design podem contribuir para a criação de cidades equitativas, o estúdio com sede em Bangkok foi elogiado por seu compromisso de projetar ambientes construídos onde as pessoas possam se sentir em casa, reutilizando e reciclando materiais locais de maneiras ousadas e inovadoras.
A Milan Design Week está de volta, maior e mais ambiciosa do que nunca, e 2022 é um ano muito especial. A Designboom, a Architonic e o ArchDaily, que compõem as plataformas DAAily, criaram para os visitantes da Milan Design Week 2022 um espaço único, programado com foco em narrativas — feito por arquitetos/as e designers para arquitetos/as e designers.
Embora cada uma das nossas três plataformas online continue sendo líder em seu campo específico, atendendo às necessidades de sua comunidade, estamos aproveitando a oportunidade para subir ao palco juntos — literalmente — em nosso local especial e imperdível em Milão, a leste de Brera. O Swiss Corner na Piazza Cavour / Via Palestro 2 sediará o DAAily bar de 7 a 10 de junho, onde uma série de palestras curadas, apresentadas por nossos três editores-chefes, buscará inspirar e entreter, enquanto nosso bar, lounge e terraço ao ar livre proporcionarão uma dose saudável de convivência e conexão.