A Bienal de Arquitetura Beta 2024, em Timișoara, na Romênia, marca o décimo aniversário deste influente evento. Com curadoria de Oana Stănescu, a edição deste ano, intitulada "cover me softly", explora as nuances da relação entre originalidade e influência, desafiando noções convencionais de cópia, imitação e apropriação. Além do Beta Awards, que busca destacar contribuições significativas para a arquitetura na Romênia, Hungria e Sérvia, a exposição principal oferece uma interpretação singular de temas recorrentes no campo da arquitetura.
La Valiente Focaccería + Maíz / OHIO Estudio. Image Cortesía de OHIO Estudio
Criar espaços de interação social envolve processos de projeto que buscam enfrentar a individualização do ser, fomentando os vínculos e as conexões entre as pessoas. Embora o avanço das tecnologias de informação e comunicação traga novas ferramentas que otimizam o desenvolvimento de certas atividades e funções, seu impacto na sociedade tende, por vezes, a intensificar práticas individuais como o trabalho remoto, atividades físicas à distância por aplicativos ou o consumo digital de bens, serviços e eventos, entre outros. Da arquitetura ao design de interiores, passando pelo urbanismo, inúmeros escritórios emergentes enfrentam o desafio de consolidar espaços de interação social por meio de estratégias de projeto, usos e conexões naturais que evitem a substituição do espaço físico pelo virtual.
Buildner anunciou os resultados de seu concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No. 4. A competição é realizada anualmente em apoio à proibição universal de armas nucleares. Em 2017, no 75º aniversário dos bombardeios de 1945 em Nagasaki e Hiroshima, que tiraram a vida de mais de 100 mil pessoas, a Organização das Nações Unidas adotou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Em reconhecimento a esse tratado, a Buildner convida o desenvolvimento de projetos conceituais para um memorial a ser implantado em qualquer local conhecido de testes de armas nucleares desativado. O memorial conceitual busca refletir sobre a história e a ameaça contínua das armas nucleares, com o objetivo de promover a conscientização pública sobre o desarmamento nuclear.
Playtime movie (Jaques Tati 1967) . Image via screenshot
Espera-se que a crítica de arquitetura e o jornalismo anunciem “o bom, o ruim e o feio” na arquitetura e no ambiente construído. Seus propósitos, porém, vão além disso. Como disse Michael Sorkin, “vendo além da novidade brilhante da forma, é papel da crítica avaliar e promover os efeitos positivos que a arquitetura pode trazer à sociedade e ao mundo em geral”. Em outras palavras, ao nos dizer o que estão vendo, os críticos também estão nos mostrando onde olhar para identificar e abordar os problemas que assolam nosso ambiente construído.
O campo do jornalismo de arquitetura tem sido liderado por escritoras mesmo em tempos nos quais que a busca pela carreira na arquitetura era desencorajada e inacessível para as mulheres. Ada Louise Huxtable estabeleceu a profissão de jornalista de arquitetura ao ocupar o primeiro cargo em tempo integral de crítica de arquitetura em um jornal americano de interesse geral. Em 1970, ela também recebeu o primeiro Prêmio Pulitzer de crítica. Esther McCoy começou sua carreira como desenhista em um escritório de arquitetura mas, por causa de seu gênero, foi desencorajada a se formar como arquiteta profissional, apesar de suas ambições de se especializar na área. Através de seus escritos, ela conseguiu chamar atenção para a cena arquitetônica negligenciada da costa oeste americana e defender os valores do modernismo regional.
Documentário “Women in Architecture”: Tosin Oshinowo. Imagem cortesia de SkyFrame
A arquitetura é uma disciplina em que teoria e prática se encontram, transformando ideias abstratas em espaços que moldam e respondem às vidas e identidades humanas. Para a arquiteta e curadora nigeriana Tosin Oshinowo, essa dinâmica está no cerne de seu trabalho. Como fundadora do Oshinowo Studio e curadora da Trienal de Arquitetura de Sharjah de 2023, ela traçou um caminho singular na arquitetura contemporânea, combinando especificidade cultural, consciência climática e relevância global.
O mundo perdeu 60% de suas populações de animais desde 1970. Esse declínio impressionante reflete as crescentes pressões sobre os ecossistemas, desde a destruição de habitats até as mudanças climáticas. Além disso, um milhão de espécies enfrentam hoje a ameaça de extinção. À medida que esses problemas continuam a se agravar, a importância de preservar a biodiversidade e restaurar os ecossistemas torna-se cada vez mais evidente.
A Forestier colabora com designers de renome para criar peças de iluminação que misturam formas geométricas e orgânicas, valorizando qualquer espaço interior. Imagem cortesia de Forestier
Lida isoladamente, a premissa da Maison Forestier de uma constante "busca pela originalidade perpétua e o domínio do delicado equilíbrio entre a natureza e o design" pode soar um pouco abstrata. No entanto, a marca parisiense de iluminação – desde sua fundação inspirada na topiaria por Bernard Forestier em 1992 – conquistou um nicho singular em seu setor, unindo paixão, liberdade e descoberta para criar peças radiantes que mesclam uma estética única com extrema funcionalidade, adaptando-se aos mais diversos ambientes.
Temos o prazer de anunciar nossos próximos workshops de dezembro em parceria com a Parametric Architecture, nossa parceira do ArchDaily Plus. Esses workshops foram cuidadosamente planejados para capacitar arquitetos/as, designers e entusiastas, proporcionando-lhes as mais recentes perspectivas e habilidades no dinâmico campo do design paramétrico. Conduzidas por especialistas e profissionais visionários do setor, essas sessões imersivas explorarão técnicas de ponta, ferramentas inovadoras e aplicações práticas, criando um ambiente de aprendizado dinâmico e inspirador onde os/as participantes poderão elevar seus conhecimentos em design a patamares inéditos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140218/workshops-de-dezembro-de-arquitetura-parametricaArchDaily Team
Há alguns meses, a arquiteta francesa Renée Gailhoustet ganhou o Prêmio de Arquitetura da Royal Academy 2022. Como Paris e outras cidades francesas continuam enfrentando desafios habitacionais até hoje, Gailhoustet foi uma escolha oportuna. Seu trabalho nos subúrbios de Paris na década de 1960 continua sendo um exemplo convincente de uma abordagem de habitação social que, ao mesmo tempo, abraça a comunidade e tem uma forma única.
Embora exista mais equilíbrio entre o número de mulheres e homens na arquitetura atualmente, a paisagem era bem diferente há algumas décadas. As mulheres pioneiras arquitetas tiveram que resistir em uma profissão dominada por homens e enfrentaram ceticismo em contextos desafiadores, como os próprios canteiros de obra. Zaha Hadid comentou sobre a dificuldade de inclusão no que chamou de "Boys Club", listando as dificuldades em chegar a acordos ou criar parcerias. Lina Bo Bardi, por sua vez, usou sua forte personalidade para superar o machismo de seu tempo. Embora com essas dificuldades, algumas mulheres sempre encontraram uma maneira de se destacar e trazer contribuições inestimáveis à profissão.
Em diversas ocasiões, lembramos de arquitetos famosos e suas descobertas materiais ao longo do tempo. Mas que tal reconhecer as contribuições das mulheres para a disciplina? Discutir suas explorações materiais pioneiras é essencial para entender seu papel nos projetos. Com uma análise do trabalho das conhecidas arquitetas Lina Bo Bardi, Norma Merrick Sklarek e Zaha Hadid - que introduziram técnicas inovadoras e tendências materiais - a discussão a seguir traz à luz como as ideias das mulheres influenciaram o desenvolvimento da arquitetura. Identificar suas abordagens sobre como gerenciar estruturas e materiais ajuda a entender a personalidade de seu trabalho e como implementar estratégias semelhantes no futuro.
A construção modular, também conhecida como pré-fabricação, vem despontando rapidamente como uma tendência transformadora na indústria da construção. Essa abordagem inovadora envolve a montagem de componentes edilícios fora do canteiro de obras, em um ambiente de fábrica controlado, antes de serem transportados para o local para a montagem final. A ascensão da construção modular é impulsionada, em grande parte, por sua capacidade de superar diversos desafios associados aos métodos tradicionais de construção.
Lydia Kallipoliti é uma reconhecida arquiteta, autora e educadora cuja pesquisa transformou a maneira como a arquitetura se engaja com os desafios urgentes da sustentabilidade, da tecnologia e das políticas ambientais. Como professora associada na Graduate School of Architecture, Planning, and Preservation (GSAPP) da Columbia University, a abordagem de Kallipoliti para o ensino de arquitetura incentiva os/as estudantes a confrontarem questões críticas como resíduos, reutilização e sistemas de ciclo fechado. Sua filosofia pedagógica capacita o corpo discente a enxergar o projeto não apenas como uma busca estética ou funcional, mas como uma ferramenta poderosa para enfrentar crises ecológicas globais, instando-os a pensar de forma sistêmica e criativa sobre o futuro do ambiente construído.
Além de sua atuação na academia, Kallipoliti é autora de obras como The Architecture of Closed Worlds e Histories of Ecological Design: an Unfinished Cyclopedia, que se aprofundam na relação entre arquitetura e política ambiental. Suas pesquisas e escritos têm estimulado debates sobre métodos para que arquitetos e arquitetas reconsiderem os paradigmas tradicionais de projeto e adotem a sustentabilidade como um princípio fundamental da prática profissional.
Há algum tempo, o ArchDaily vem se dedicando a aprimorar a sua experiência – explorando formas de aprofundar a relação com nosso conteúdo e redefinir a maneira como ele é entregue. Que valor adicional pode ser oferecido tanto a novos(as) quanto a antigos(as) membros da comunidade para potencializar o que o ArchDaily representa?
O resultado é o ArchDaily Plus – um plano de assinatura que oferece uma interface de usuário totalmente renovada e recursos exclusivos, ao mesmo tempo em que apoia a continuidade da entrega de ferramentas e conhecimentos fundamentais para todas as pessoas envolvidas na criação de um ambiente construído melhor. Ele proporciona ainda mais inspiração diária, mantendo o acesso gratuito a informações essenciais (projetos, notícias e artigos próprios publicados nos últimos seis meses).
A arte há muito tempo é percebida como elitista, uma imagem consolidada por seus profundos laços com o poder e a riqueza. Na Antiguidade, as obras de arte eram símbolos de status reservados a governantes e figuras religiosas, ao passo que o Renascimento marcou um período em que patronos abastados, como a família Médici, promoveram a arte como uma ferramenta de prestígio social e político. No século XVII, com a ascensão das academias de arte, estabeleceram-se padrões rígidos para o que era considerado "alta cultura", distanciando ainda mais a arte das massas.
No século XIX, o mercado da arte passou a ser moldado por colecionadores particulares e galerias comerciais que viam a arte como um produto de luxo, o que acentuou sua exclusividade e tornou a acessibilidade uma questão secundária. Movimentos artísticos como o Impressionismo, o Modernismo e a arte urbana desafiaram esse elitismo, ampliando o alcance da arte e questionando sua exclusividade institucional. Embora o sistema contemporâneo continue dominado por colecionadores ricos e por um mercado que prioriza o lucro em detrimento da acessibilidade, ainda existem iniciativas que buscam transformar essa dinâmica.
Em 21 de janeiro de 1958, três mulheres participaram como competidoras em um episódio do popular programa de televisão “To Tell the Truth”, um jogo de perguntas em que se tentava adivinhar quem era cada um dos competidores. O apresentador revela que se trata de uma arquiteta, que ela já projetou um hotel Hilton, é casada e mãe de quatro filhos. Cada uma das mulheres, vestida formalmente com saias lápis e blusas, se apresenta como Natalie De Blois. Enquanto os palestrantes revelam sua falta de conhecimento sobre arquitetura, apenas disparando perguntas sobre Frank Lloyd Wright, pergunta-se “Qual é o nome do prédio que foi demolido para construir a Union Carbide?” A verdadeira Natalie De Blois, na época arquiteta sênior da SOM, responde com firmeza: “Hotel Margery”.
Quando pensamos em mulheres que foram conhecidas como pioneiras da indústria, é surpreendente que muitas vezes falamos sobre aquelas com quem pudemos interagir no cotidiano de trabalho ou com quem tenhamos aprendido algo. Natalie De Blois foi uma pioneira moderna das mulheres arquitetas na força de trabalho e, embora seu legado tenha começado há apenas setenta anos, mudou significativamente a maneira como as mulheres podem participar da profissão hoje.
Com a aceleração da urbanização global, a demanda por estratégias inovadoras de desenvolvimento urbano e construção é mais urgente do que nunca, visto que se estima que 80% da população mundial viverá em cidades até 2080 — especialmente no Oriente Médio, na África e no Sul da Ásia. De 26 a 29 de novembro, o Big 5 Global, em conjunto com os eventos integrados LiveableCitiesX, GeoWorld e Future FM, sediará cinco cúpulas estratégicas, reunindo 1.500 líderes dos setores público e privado para moldar o futuro das comunidades urbanas.
Propostas de destaque. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da segunda edição anual do seu Architect's Chair Competition, que recebeu excelentes propostas de todo o mundo. À medida que a série de concursos ganha força e gera mais interesse, a Buildner anuncia com entusiasmo o lançamento do concurso Architect's Chair Edition 3, com prazo de inscrição até 15 de janeiro de 2025. A Buildner também publicou seu primeiro livro sobre o tema, destacando as principais ideias e os projetos de destaque de edições passadas.
Atualmente, grande parte dos profissionais da construção civil sabe que mitigar as emissões de carbono provenientes do ambiente construído é fundamental para enfrentar o desafio climático. No entanto, saber por onde começar pode ser um desafio para muitos/as profissionais. É por isso que a educação e a capacitação em toda a cadeia de valor — de arquitetos/as a urbanistas, e de incorporadores/as imobiliários/as a engenheiros/as — são essenciais para promover práticas de construção sustentável.
Um conjunto de países do sul da Ásia experimentou em meados do século XX uma catarse coletiva do domínio colonizador. O período seguinte desencadeou em uma era de ideias e filosofias para um novo futuro. Durante este tempo, os arquitetos foram fundamentais na criação de estruturas modernistas que definiram as identidades pós-coloniais, pós-partição e pós-imperiais dos países. Arquitetos do sul da Ásia usaram o design como expressão de uma visão social de esperança. Mesmo com este sucesso na construção da nação, as mulheres arquitetas não são creditadas na formação da história do sul da Ásia.
Carl Pruscha é um arquiteto austríaco que dedicou a maior parte de sua carreira profissional a investigar e trabalhar de perto com a arquitetura regional no Oriente — um território negligenciado em uma época em que o movimento moderno na arquitetura e no resto do mundo estava em plena expansão. Através de uma retrospectiva de sua vida, destacamos algumas de suas obras mais relevantes no Nepal e no Sri Lanka, compreendendo como Pruscha conseguiu imprimir sua visão singular de arquitetura e de cidade em seus projetos construídos.
A arquiteta hondurenha Angela Stassano vem contribuindo para a paisagem arquitetônica da América Central com sua pesquisa aplicada sobre projetos bioclimáticos. Sediada em San Pedro Sula, em Honduras, seus projetos partem de técnicas do patrimônio local para atender às demandas de ambientes tropicais quentes e úmidos. Stassano desenvolveu sua especialidade ao longo de mais de 30 anos de pesquisa prática, culminando em um guia de arquitetura bioclimática que detalha seus métodos construtivos para essa região. Um de seus projetos mais notáveis, o Las Casitas, é um complexo residencial que materializa essa pesquisa. O projeto engloba várias residências tropicais energeticamente eficientes que tiram proveito do clima local, resultando em baixos custos operacionais e de energia.
“Um dos primeiros resultados que encontrei quando estava pesquisando sobre arquitetura feminina no Google foi um arranha-céu na Austrália, cujos arquitetos disseram ter se inspirado nas curvas de Beyoncé quando o construíram”, narrou a arquiteta holandesa Afaina de Jong em sua última palestra do TEDxAmsterdamWomen em 2021. “É sério? O corpo dela? Beyoncé? Claro, ela é incrível, mas literalmente traduzir seu corpo em um prédio... Isso é arquitetura feminina?”, continuou ela, indignada.
De Jong é fundadora do estúdio AFARAI, onde trabalha com uma metodologia interdisciplinar combinando teoria e pesquisa com design. Ela considera seu ateliê “uma prática feminista que incentiva a mudança em questões sociais e espaciais e que acomoda as diferenças”, então Afaina provavelmente está familiarizada com o conceito de 'interseccionalidade'.