O Delta do Nilo, em azul a subida do nível médio do mar com um aumento de 2°C acima dos níveis pré-industriais, dados do Sentinel. Territorial Agency: Oceans in Transformation, 2020
Quanto pesa uma cidade, e o que esse peso significa para o nosso futuro coletivo? Essa questão provocativa norteia a 7ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa, que propõe uma investigação sobre as transformações da vida urbana e as consequências materiais, sociais e ambientais de habitar o planeta hoje. De 2 de outubro a 8 de dezembro, Lisboa voltará a sediar um dos eventos de arquitetura mais importantes da Europa.
Com curadoria de Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores do escritório Territorial Agency, a Trienal investiga a magnitude das cidades contemporâneas e seu impacto planetário. Compostas por quase 30 trilhões de toneladas de materiais, as cidades globais formam uma rede densa e intrincada de estruturas em constante evolução. Para destrinchar essas complexidades, a Trienal se apresenta como um espaço de aprendizado, curiosidade, imaginação e debate — um ponto de encontro para arquitetos/as, pesquisadores/as, artistas e o público em geral.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143055/quao-pesada-e-uma-cidade-explorando-a-trienal-de-arquitetura-de-lisboa-2025ArchDaily Team
Os/As egressos/as do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no cenário global do design, abrindo caminhos para novas abordagens na arquitetura, na tecnologia e nas práticas interdisciplinares. Com a reputação de fomentar a experimentação radical, a escola formou diplomados/as cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes desses/as ex-alunos/as destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos/as e pensadores/as criativos/as.
Prompt: Uma imagem que personifica a essência das mídias sociais: uma tela gigante exibindo fotografias de projetos de arquitetura e interiores, com uma pessoa no centro, de costas, absorvendo a cena. Imagem cortesia de Enrique Tovar usando DaVinci AI
"Eu vi no Instagram!" Esta é uma frase recorrente em vários contextos, desde a recomendação do restaurante mais recente até o hotel mais badalado da cidade. A janela para observar e nos expor ao mundo exterior agora cabe na tela de nossos smartphones. Isso não significa necessariamente que tudo seja um cenário desolador. Ainda assim, reflete o fato de que somos constantemente inundados por dados e informações segmentados por algoritmos, tudo em um formato extremamente fácil de consumir. No mundo atual, bastam alguns segundos para se ter uma impressão duradoura de um edifício e de sua atmosfera — e essas primeiras impressões importam mais do que costumamos perceber.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143084/design-voltado-para-as-redes-sociais-a-arquitetura-esta-se-adaptando-as-tendencias-virais-e-aos-algoritmosEnrique Tovar
VARID: Um Kit de Ferramentas de RA-RV para Design Inclusivo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Na última década, o projeto de arquitetura baseou-se em métodos bidimensionais de representação, como elevações, cortes e plantas baixas, combinados com renderizações digitais de modelos 3D. Embora essas ferramentas sejam essenciais para transmitir a geometria e a intenção projetual, elas continuam limitadas por seu formato bidimensional. Mesmo as renderizações mais realistas, criadas em softwares como SketchUp, Revit ou AutoCAD, ainda achatam o espaço e distanciam o observador da experiência vivenciada de um projeto. Recentemente, arquitetos/as começaram a explorar tecnologias imersivas como uma forma de encurtar essa distância entre o desenho e a experiência, oferecendo novas maneiras de habitar e avaliar propostas espaciais.
Como é possível alcançar o bem-estar emocional no âmbito público? Qual é o papel dos espaços públicos na promoção do bem-estar urbano? Considerando que as práticas esportivas podem constituir um componente vital na geração de espaços públicos saudáveis, a prática do skate, uma das atividades urbanas mais reconhecidas em nível global, representa uma alternativa na construção de oportunidades para o desenvolvimento físico, recreativo, social, cultural e também profissional de múltiplas gerações.
Nos últimos anos, a arquitetura tem adotado cada vez mais a adaptabilidade, a flexibilidade e a responsividade como princípios fundamentais de projeto. Essa evolução reflete uma transição das noções tradicionais de estruturas estáticas e permanentes para ambientes dinâmicos que conseguem se ajustar a necessidades e condições em constante transformação. No cerne dessa transformação está o conceito de "arquitetura maleável", que utiliza materiais flexíveis e sistemas inovadores para criar espaços funcionais, sustentáveis e centrados nas pessoas. A arquitetura maleável ganha forma por meio de membranas que respiram, fachadas que se movem, estruturas que inflam ou se dobram e superfícies que se curvam em vez de quebrar. Isso envolve projetar para a transformação — não apenas no desempenho ambiental do edifício, mas também em como ele pode acomodar funções dinâmicas, interações de quem o utiliza ou ocupações temporárias. Essa abordagem construtiva contesta as noções tradicionais de durabilidade e controle, propondo, em contrapartida, uma arquitetura mais responsiva e de caráter aberto. Isso reflete uma consciência crescente de que os edifícios, assim como as sociedades que atendem, precisam ser capazes de evoluir.
"Os limites da nossa linguagem de projeto são os limites do nosso pensamento de projeto". A declaração de Patrik Schumacher sugere sutilmente uma mudança em curso no ambiente construído, que vai além da mera integração tecnológica para incorporar a inteligência nos espaços e cidades que habitamos. O futuro aponta para a possibilidade de os edifícios desempenharem funções que vão além de abrigar a atividade humana, passando a participar ativamente na configuração da vida urbana.
Na Índia, o tijolo como material de construção carrega memória, significado e modernidade. Dos tijolos cozidos e alinhados da Civilização do Vale do Indo aos intrincados jaalis de tijolo que decoram residências, edifícios públicos e marcos urbanos, o legado do material está profundamente enraizado na identidade arquitetônica do subcontinente. No entanto, ninguém moldou a narrativa do tijolo na arquitetura indiana moderna com tanta eloquência quanto Laurie Baker.
É interessante resumir o que aconteceu em Pamplona há alguns dias, onde se celebrou pela 7ª vez a Bienal de Arquitetura Latino-Americana no Centro Cultural Civican. À primeira vista, também pode parecer curioso que uma cidade espanhola como Pamplona seja a anfitriã de um evento cujo foco principal é a arquitetura latino-americana, que com o passar dos anos desenvolveu uma identidade tão própria e enraizada em seu contexto continental que, atualmente, pode-se pensar que pouco tem a ver com a arquitetura ibérica. No entanto, são dias em que a cidade se orgulha de ser essa ponte entre a América Latina e a Espanha, com a presença de jovens práticas de arquitetura que, com um ar de frescor e motivação, chegam para apresentar seu trabalho repleto de potencial e ideias promissoras para o futuro da cena arquitetônica latino-americana.
Via Wikimedia. Autor: Alejandro Núñez. Licenciado sob CC BY-SA 4.0
O Ministério das Culturas, das Artes e do Patrimônio, em colaboração com a Construtora Presidente Riesco, assinou um convênio histórico para dar início aos trabalhos de valorização e recuperação dos vestígios do Bloco 14, onde será implantado o museu em questão. O projeto prevê manter a altura original do conjunto de 10,62 m, contando ainda com uma área de até 800 m². Este será acompanhado, de igual modo, por uma proposta paisagística que será executada dentro dos 1.000 m² de área de preservação no entorno, no setor leste da cidade de Santiago.
“O que é arquitetura?” Esta pergunta, de formulação simples mas com uma essência complexa, continua a ser uma indagação existencial para muitos estudantes e jovens arquitetos/as. Para definir esse questionamento em constante mutação e revelar diferentes perspectivas, a série de entrevistas WIA – What is Architecture? propõe quatro perguntas diretas a alguns dos principais arquitetos/as e pensadores/as do mundo. Os vídeos curtos buscam revelar as visões desses profissionais sobre o que é a arquitetura e o que ela é capaz de realizar, respondendo às seguintes questões: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Como você se posiciona no campo da arquitetura? Qual é o seu método de projeto?”
Localizado na Av. Leandro N. Alem, 852, na Cidade Autônoma de Buenos Aires, o Mercado de los Carruajes abrigava a “Cochera Garaje Presidencial” e funcionava como local de guarda e manutenção de carruagens. Com o passar do tempo, o edifício passou a ser utilizado para a frota de veículos da Presidência da Nação. Após uma série de intervenções e ampliações, desde 2017 o edifício de patrimônio histórico começou seu processo de reconversão, encontrando-se atualmente finalizado e em fase de acabamentos. Uma proposta de mercado gourmet com boxes de alimentação, venda de produtos, lojas comerciais e um terraço para eventos ainda aguarda ansiosamente sua inauguração, que foi adiada devido à pandemia.
Simples na forma, mas complexa na substância, “O que é arquitetura?” continua sendo uma questão existencial para estudantes de arquitetura e jovens profissionais. Na tentativa de definir essa interrogação em constante mudança e expor as diferentes visões existentes, a série de entrevistas: WIA – What is architecture? propõe quatro perguntas diretas a nomes de destaque no pensamento e projeto de arquitetura de relevância mundial. Buscando revelar suas opiniões sobre o que é a arquitetura e o que ela pode fazer, esses vídeos curtos trazem respostas para: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é o seu posicionamento arquitetônico? e Qual é o seu método de projeto?”.
O ArchDaily colaborou com o WIA para publicar semanalmente quatro dessas conversas e convidar você a aceitar o desafio de responder a essas perguntas. Este segundo artigo da série destaca as ideias e visões de Odile Decq, do Studio Decq; Kjetil Thorsen, do Snøhetta; Florencia Pita & Jackilin Hah Bloom, do Pita & Bloom, um coletivo de projeto arquitetônico sediado em Los Angeles; e Jeffrey Kipnis, nome de destaque na crítica e teoria da arquitetura norte-americana.
A equipe da Cazú Zegers Arquitectura compartilha conosco o novo registro de suas três obras chilenas: Casa Ye, Casa Llu e Casa del Fuego. Capturadas pelas lentes da ClaraFilms, as produções buscaram incorporar a dimensão humana e mostrar como os espaços são vivenciados com o passar do tempo.
Clara Larraín, integrante da equipe, escreveu o texto a seguir, acompanhando a visão da arquiteta para sintetizar de forma poética o sentido desses três vídeos:
O México é um país localizado na América do Norte, situado entre o Oceano Pacífico e o Golfo do México. Com uma área de 1.964.375 km², possui uma transbordante e riquíssima diversidade cultural que se estende para além das fronteiras nacionais. Isso se evidencia nos 3.141 km de fronteira com os Estados Unidos, que vão do Golfo do México ao Oceano Pacífico, abrangendo territórios situados em uma faixa de 100 km de largura de cada lado do limite internacional — o que inclui 48 condados em 4 estados norte-americanos e 94 municípios em estados mexicanos.
Embora seja verdade que a obra do arquiteto mexicano Luis Barragán é mundialmente reconhecida e estudada devido ao inestimável compromisso com a arquitetura de seu tempo e de seu contexto — mas, sobretudo, erguida sobre bases profundamente harmônicas e poéticas que se conectam com uma busca muito pessoal em uma "solidão cósmica, com o México como a morada temporária que aceita amorosamente", como descreveu o Júri do Prêmio Pritzker ao premiá-lo em 1980 —, até recentemente (e antes mesmo do lançamento do site da Barragan Foundation) era um tanto difícil compreender o espectro completo que Barragán representa dentro da história da arquitetura, já que algumas de suas obras permaneceram privadas (ou de difícil acesso) por muitos anos.
A escala define a experiência espacial. De um único cômodo ou espaço a masterplans inteiros e desenhos urbanos, transitar entre diferentes escalas mostra como designers aproximam ou afastam seu olhar. Trabalhando em diversos programas e contextos pelo mundo, arquitetos e arquitetas exploram o potencial da escala para moldar a experiência humana. No caso de projetos não construídos, essas propostas combinam conceitos de estrutura, materialidade e forma para redefinir tipologias e o futuro dos ambientes urbanos.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos foca em diversas escalas de edificação. Provenientes de uma variedade de escritórios e contextos locais, os projetos representam propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Eles apresentam abordagens distintas para projetar em diferentes escalas, desde a dimensão de um único cômodo até um arranha-céu. A seleção inclui desde um museu de transporte de toras em Oslo e um centro de saúde no Havaí até um laboratório em Shenzhen e um arranha-céu na Costa Rica.
Children’s Community Centre The Playscape / waa. Imagem
Em seu ensaio “Place Making and Change in learning environments”, Bruce Jilk apresenta uma visão radical da educação contemporânea que, segundo ele, está desatualizada e não atende às necessidades do mundo moderno. Em vez de preparar para um mundo de indivíduos que atuam em um ambiente urbano mais amplo, as escolas se tornaram guetos internalizados da infância, isolados das comunidades que deveriam servir e administrados de forma centralizada sob a lógica do “tamanho único”. Profissionais de arquitetura e design ao redor do mundo sempre buscaram um modelo arquitetônico mais flexível, capaz de permitir muito mais criatividade tanto no processo de aprendizagem quanto nos ambientes que o acolhem.
A ACF divulgou uma nova série de imagens que mostra o recém-concluído TAG Art Museum, projetado pelo escritório Ateliers Jean Nouvel como parte do projeto Artists’ Garden, desenvolvido em colaboração com a Shandong International Coastal Cultural Industry. O museu está localizado na Baía de West Sea, em Qingdao, na China. Dispostas ao longo de um passeio coberto que serpenteia por jardins planejados e bosques, estendendo-se pela costa em direção a uma nova marina, as estruturas são compostas por 12 salas de exposição interconectadas.
Qualquer ícone da arquitetura e do design — seja um edifício célebre, uma obra de arte ou uma peça de mobiliário consagrada — carrega consigo um elevado grau de reconhecimento, admiração e originalidade. No entanto, para além disso, um ícone deve ser capaz de manter sua relevância e atemporalidade, cativando continuamente o público sem a necessidade de se reinventar por completo. Em uma era dominada pelas redes sociais e pelo desejo de gratificação instantânea, o campo do design é, hoje mais do que nunca, pautado por tendências efêmeras, onde as criações desaparecem com a mesma velocidade com que surgem. É precisamente aí que reside o valor do design atemporal: peças clássicas, de alta qualidade e duradouras dificilmente se tornam obsoletas.
Projetada pelo/a premiado/a arquiteto/a Rudy Ricciotti — autor/a do MuCEM em Marselha, do Estádio Jean-Bouin em Paris e da ala de Arte Islâmica no Museu do Louvre —, a Manufacture de la Mode reintroduz o minucioso trabalho artesanal da Chanel em um contexto arquitetônico e urbano. O/A fotógrafo/a de arquitetura Simon Garcia revela esse recém-inaugurado polo da moda em uma série de fotografias.
Todos nós já comentamos sobre o "caráter" de um edifício. Um apartamento, por exemplo, pode tê-lo devido a algum detalhe especial em carvalho, ao passo que outro edifício pode não se enquadrar no "caráter" de seu bairro. Neste vídeo, o designer de arquitetura e professor Stewart Hicks examina de perto as origens e os significados desse conceito fluido. Por que usamos essa mesma palavra tanto para pessoas quanto para edificações? Como os personagens também fazem parte da ficção, será que isso nos ajuda a entender como os edifícios contam histórias? Dos arquitetos iluministas Ledoux, Boullée e Lequeu à casa do filme Beetlejuice, passando por práticas contemporâneas que investigam o que significa um edifício ter um rosto ou uma postura, vamos a fundo para compreender por que profissionais de arquitetura consideram o "caráter arquitetônico" uma proposta tão instigante.
A arquitetura residencial é uma das categorias mais populares entre o nosso público leitor. Em 2021, publicamos mais de 3.800 projetos de casas em diferentes regiões do mundo, apresentando uma grande variedade de soluções, materiais, contextos, ambientes, escalas e tipologias. O conjunto serve como uma rica fonte de inspiração para quem busca referências para o próprio projeto residencial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131490/melhores-casas-de-2021Clara Ott