A infraestrutura urbana voltada para a conectividade das cidades muitas vezes fragmenta a malha urbana, deixando para trás uma série de espaços sem um uso claramente definido. Felizmente, a noção de espaço sob as infraestruturas vem sendo redefinida, à medida que arquitetos/as criam espaços públicos abrigados sob viadutos, pontes e outras estruturas urbanas.
Espaços antes negligenciados, ignorados ou descartados como meras sobras do planejamento urbano, agora se transformam em ambientes dinâmicos de engajamento comunitário e expressão artística. Arquitetos/as, urbanistas e os/as próprios/as usuários/as estão assumindo o desafio de recuperar áreas esquecidas ou subutilizadas para desenvolver soluções inovadoras, integrando vegetação, instalações artísticas e elementos sustentáveis ao tecido urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140490/renovacao-urbana-de-baixo-para-cima-10-espacos-publicos-que-recuperam-infraestruturas-urbanas-negligenciadasClara Ott
No projeto de piscinas, um grande desafio é garantir que ela se integre harmoniosamente ao restante da arquitetura. Se o projeto estiver sendo desenvolvido do zero, os materiais devem atender aos critérios projetuais necessários, bem como aos requisitos técnicos de áreas expostas às intempéries e em contato direto com a água.
Essas foram as premissas que o escritório Sebastián Arquitectos levou em consideração no projeto desta residência — a Casa EA! —, utilizando uma única coleção de pisos cerâmicos da Gres Aragón. Localizada em meio à reserva natural de Litago, aos pés do Monte Moncayo, em Zaragoza (Espanha), a casa se integra perfeitamente ao seu entorno natural.
Em sua primeira colaboração com a Forestier, David Fabbri projetou a cativante coleção Thésée, inspirando-se na natureza. Imagem cortesia de Forestier
É um paradoxo que, à medida que nossa sociedade se torna cada vez mais conectada por meio de viagens globais e do ambiente digital, muitas vezes nos sentimos mais desorientados e desconectados do que nunca. O poder dos interiores de nos ancorar no presente e nos ajudar a reconectar com o que valorizamos não deve ser subestimado. Uma das maneiras de trazer uma profundidade emocional autêntica ao espaço é através da iluminação atmosférica que, ao combinar luz e forma, pode transcender a função prática para atuar como um canal para a atenção plena.
Recursos limitados estão se tornando um desafio cada vez mais comum na arquitetura. Hoje, independentemente da região, os projetos são afetados pela disponibilidade de recursos, que agora são agravados por considerações ambientais. Essa situação, longe de ser restritiva, nos estimula a explorar novas possibilidades na forma como concebemos o ambiente construído. Nesse contexto, é crucial entender que os recursos não se limitam apenas à economia, mas também incluem aspectos tecnológicos, materiais e espaciais. Assim, podemos aumentar nossa criatividade e eficiência ampliando nossas considerações ao abordar o design arquitetônico e seus desafios, fazendo mais com menos.
No nível comunitário, o desafio se torna ainda mais significativo quando consideramos que nossos projetos não só devem ser projetados para superar essas "restrições", mas também para impactar positivamente suas comunidades. Portanto, os projetos contemporâneos devem apresentar diferentes estratégias para superar recursos limitados e materiais, dependendo do contexto, sempre visando alcançar um impacto positivo e se tornar propostas poderosas e engenhosas, enquanto democratizam o acesso à arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1016730/crescimento-comunitario-atraves-da-arquitetura-recursos-limitados-e-impactos-positivosEnrique Tovar
Ao ser convidado para projetar o 21º Serpentine Pavilion no Kensington Gardens, em Londres, o artista de Chicago Theaster Gates idealizou um espaço sereno que oferecesse refúgio e uma sutil exploração sobre o poder do som e da música na arquitetura. Construída em madeira tingida leve, a “Black Chapel” demonstra mais do que apenas sensibilidade artística e arquitetônica. Além do uso de materiais sustentáveis, o projeto também dedica atenção minuciosa à origem dos materiais de construção, trazendo visibilidade para o problema da escravidão moderna na cadeia de suprimentos da construção civil.
Segundo Norman Foster, "como arquiteto/a, você projeta para o presente, com a consciência do passado". Nesse sentido, a arquitetura, o design de interiores e o mobiliário contemporâneos passaram por uma evolução radical nos últimos anos, impulsionados por uma mudança de paradigma na concepção do espaço e na nossa interação com ele. Essa abordagem contemporânea tem nos direcionado para espaços multiuso, colaborativos e menos rígidos, que também são capazes de oferecer privacidade e funcionalidade. Além disso, eles devem funcionar como espaços de trabalho temporários em contextos específicos, adaptando-se ao dinamismo das necessidades e atividades contemporâneas.
A partir dessa nova abordagem, arquitetos/as e designers estão remodelando os ambientes internos para acomodar novos comportamentos, facilitando a descoberta de uma ergonomia renovada nas atividades humanas. Hoje, o pensamento arquitetônico converge para criar espaços que nos permitem viver em movimento, uma tendência particularmente evidente em ambientes dinâmicos como aeroportos, acolhendo tanto momentos individuais quanto interações sociais de pessoas em trânsito. Como consequência, um novo tipo de mobiliário ressurgiu, tornando-se comum em aeroportos e outros espaços compartilhados: as cabines de privacidade (ou booths).
https://www.archdaily.com.br/pt/1140254/um-novo-patamar-de-privacidade-funcional-em-aeroportos-a-ascensao-de-lounges-e-cabines-de-trabalhoEnrique Tovar
Diante das diferentes topografias e condições naturais presentes ao longo do território argentino, as obras de Luciano Kruk propõem uma arquitetura que trabalha em unidade com o entorno, a paisagem e a natureza onde se inserem, seja imersas em um bosque, sobre um terreno em declive ou uma planície rural, entre outras geografias. Tendo o concreto como material principal na maioria de seus trabalhos, sua intenção centra-se em potencializar a relação do interior da arquitetura com o exterior.
À medida que a demanda por habitação acessível cresce e a disponibilidade de imóveis de baixo custo diminui, os agentes do setor habitacional devem buscar abordagens mais inovadoras para o desenvolvimento de habitação social. Uma das oportunidades reside na restauração e na readequação de edifícios abandonados. Embora a construção de novas moradias continue sendo a principal estratégia das autoridades e associações de habitação, a reabilitação de edifícios degradados pode se consolidar como uma opção mais econômica. Essa abordagem não apenas maximiza o aproveitamento de infraestruturas deterioradas, mas também oferece uma oportunidade econômica para expandir a oferta de moradia acessível nas cidades. Se a reabilitação de edifícios residenciais abandonados parece uma solução óbvia, a estratégia se torna ainda mais crucial quando se considera a conversão de prédios comerciais, institucionais ou históricos em habitação de interesse social.
A composição de uma cobertura plana ou de baixa inclinação é constituída por diversos componentes que precisam atuar de forma conjunta, eficiente e consistente para oferecer uma solução sustentável e de longo prazo. Embora a membrana de impermeabilização seja frequentemente a camada superior e, portanto, a mais visível, o que está sob ela tem um impacto significativo no desempenho global da cobertura. A escolha de materiais adequados e sustentáveis — bem como a garantia de sua correta instalação — é o que permite a uma cobertura resistir ao teste do tempo e estar preparada para os desafios do futuro.
Este artigo é o nono de uma série focada na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily colaborou com John Marx, AIA, sócio-fundador de projeto e Diretor Artístico da Form4 Architecture, para trazer artigos mensais que buscam definir o Metaverso, transmitir o potencial deste novo reino e compreender suas limitações. Nesta matéria, o arquiteto John Marx entrevista Peter Hirshberg, presidente, e Anna Fedorova, diretora no Maker City Project.
O tijolo é um dos materiais mais antigos e versáteis na construção civil, indo além das simples paredes de alvenaria. Suas origens remontam a 7500 a.C., com exemplares cozidos em fornos surgindo por volta de 3000 a.C., representando um avanço tecnológico para edifícios mais resistentes. Espalhando-se pela Europa e Ásia por volta de 1200 a.C., substituíram materiais como madeira e pedra em regiões escassas. Os tijolos romanos, notáveis por seu formato comprido, foram amplamente utilizados na construção de suas cidades, perdurando ainda hoje. A história dos tijolos se entrelaça com a das civilizações, sendo um material de fácil produção, resistente e versátil, permitindo uma infinidade de aplicações e alcançando resultados impressionantes e inusitados.
Projetada pelo Coletivo de Arquitetos, a Residência Thai exemplifica as múltiplas possibilidades que o tijolo oferece na arquitetura contemporânea. Situada em uma área litorânea no estado de Sergipe, essa residência não só exemplifica a estética do material, mas também sua funcionalidade e adaptabilidade às condições locais. Uma das características mais marcantes do projeto é a implantação em dois blocos distintos. O pavilhão principal abriga a maior parte do programa da casa, enquanto um segundo bloco conectado abriga a área gourmet, serviços e garagem. Essa configuração proporciona uma distribuição inteligente dos espaços e uma integração harmoniosa com o entorno.
Seja por entusiasmo ou cautela, não há como escapar do debate em torno da IA na arquitetura. Ela oferece a arquitetos/as e designers o poder de inovar, otimizar processos e criar um ambiente construído que é tão funcional quanto visualmente atraente.
No entanto, diante de uma tecnologia tão revolucionária, não surpreende que surjam preocupações. A perda de criatividade, a substituição de postos de trabalho e dilemas éticos são apenas alguns exemplos de inquietações sobre a adoção da IA na arquitetura.
Para compreender o que o setor de fato pensa sobre a IA, mais de 1.200 profissionais de arquitetura foram consultados/as sobre como a utilizam em seu cotidiano de trabalho. Investigamos de que maneira a tecnologia influencia os processos de projeto e fluxos de trabalho, e o que seu impacto representa para o futuro da profissão.
O Sul da Ásia tem passado por transformações notáveis nas esferas econômica, política, social, entre outras. Refletindo esses padrões de mudança social, estão as práticas arquitetônicas em toda a região. Os modernos Estados-nação do Sul da Ásia — Afeganistão, Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka — compartilham histórias semelhantes e um futuro marcado pelo rápido desenvolvimento econômico e pela urbanização acelerada. Contudo, cada região apresenta nuances distintas em relação ao estado atual e potencial da práxis arquitetônica, influenciadas por seus contextos socioculturais e climas políticos emergentes.
"Toda vez que descrevo uma cidade, digo algo sobre Veneza”, disse Marco Polo a Kublai Khan no livro seminal de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis. Outrora o coração de uma poderosa república marítima, Veneza de fato abriga muitas cidades em sua intrincada rede de canais, becos, pontes e praças. Reconhecida por sua beleza arquitetônica única, história renascentista e relevância cultural — e, naturalmente, por ter sido erguida no meio da água —, nas últimas décadas Veneza tornou-se uma das vítimas mais emblemáticas do turismo excessivo, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.
Os números são impressionantes, superando de longe os 50 mil habitantes que fazem de Veneza seu lar — 120 mil a menos do que sua população no início da década de 1950, quando a população local começou a se afastar, incomodada pelo barulho constante e pelas vias superlotadas.
Este artigo foi publicado originalmenteno Common Edge em 2021 para celebrar o aniversário de 1.600 anos de Veneza.
"Nós, venezianos/as nativos/as e moradores/as de longa data, somamos pouco mais de 50 mil. Estamos em extinção. Em breve, desapareceremos. A cidade prefere ser habitada por outra pessoa: não tanto por outras categorias de seres humanos, mas por outra forma de estar no mundo.” – Tiziano Scarpa
O dia 25 de março de 2021 amanheceu silencioso em Veneza. A cidade ainda estava sob confinamento total, uma Zona Rossa. A Piazza estava deserta, as calli estavam estranhamente quietas. Foi um dia melancólico para celebrar o nascimento de Veneza. Segundo Marin Sanudo, historiador veneziano do século XVI, a cidade foi fundada em 421 d.C. Em uma cidade paralisada pela pandemia, o clamor alegre dos sinos ecoando por toda a parte para comemorar os 1.600 anos de existência foi um alívio bem-vindo em meio ao silêncio temido.
Em uma nova colaboração, a Trimo e a Pininfarina apresentam o Qbiss Notch Wall System, estabelecendo um novo padrão no design arquitetônico. A parceria une a expertise em engenharia da Trimo ao legado de inovação em design da Pininfarina, resultando em um sistema modular pré-fabricado de fachadas metálicas que promete redefinir a paisagem estética e funcional da arquitetura moderna.
Em 1956, quando a posse de carros e o desenvolvimento suburbano que ela viabilizava começavam a ser adotados como ideais culturais americanos, a urbanista pioneira Jane Jacobs escreveu que os EUA estavam se tornando “uma nação sem precedentes de centauros. … Nossa população de automóveis está crescendo quase tão rápido quanto a nossa população humana e promete continuar assim por mais uma geração.” Ela continuou: “o carro não é apenas um devorador de terras monstruoso por si só: ele fomenta aquele outro devorador insaciável de terras—a suburbanização interminável e dispersa.”
https://www.archdaily.com.br/pt/1140844/jane-jacobs-ciclistaPeter L. Laurence
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Tecnologia de descarga otimizada: TwistFlush[e³] foi desenvolvida especialmente para uso em projetos residenciais, bem como em instalações sanitárias públicas e comerciais. Imagem cortesia de Villeroy & Boch
Há três anos, a Villeroy & Boch vem implementando a tecnologia de descarga ciclônica TwistFlush em vasos sanitários selecionados. Essa tecnologia inovadora de descarga aproveita a força física do turbilhão para otimizar o desempenho do fluxo e a higiene do vaso sanitário. Dois bicos injetores geram um poderoso vórtice de água que limpa quase toda a superfície interna do vaso, arrastando todos os resíduos para o ralo com sua forte sucção. Aliado à geometria cônica e às paredes extremamente lisas da bacia, esse sistema torna as descargas repetidas e o uso de escovas sanitárias praticamente desnecessários. Em comparação com as descargas convencionais, essa inovação também economiza muita água, contribuindo significativamente para a preservação dos recursos naturais.
Mud Frontiers. Image Courtesy of Rael San Fratello
Compreender uma disciplina a partir de múltiplas perspectivas e interseções é essencial para adquirir uma compreensão profunda dela. Na arquitetura, a diversidade de abordagens para seu estudo enriquece nossa percepção, permitindo-nos apreciar sua complexidade por diferentes ângulos. Para estudantes e profissionais, explorar aspectos como história, fontes de materiais e produtos, processos de construção, implementação de novas tecnologias e desafios sociais contemporâneos é crucial. Esses aspectos se entrelaçam e expandem a noção convencional de "arquitetura", transcendendo a mera criação de edifícios ou a definição de espaços.
Ronald Rael, um arquiteto e titular da Cadeira Memorial Eva Li em Arquitetura na Universidade da Califórnia, Berkeley, exemplifica essa visão por meio de sua prática, que abrange desde pesquisa até a conexão de práticas tradicionais e indígenas de materiais com tecnologias e questões contemporâneas. Como ativista e arquiteto, os interesses de pesquisa de Rael exploram fabricação aditiva, estudos de muros de fronteira e construção com terra. Co-fundador de Rael San Fratello, Emerging Objects e Forust, sua prática mostra uma abordagem à arquitetura altamente relevante nos tempos contemporâneos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1016592/podemos-transformar-a-profissao-repensando-como-servir-a-sociedade-uma-conversa-com-ronald-raelEnrique Tovar
Visualizações mais realistas e fluxos de trabalho ágeis de modelagem as-built (diretamente no iPad com o Scan-to-Design [Labs]) fazem parte da versão mais recente do SketchUp, software de projeto de arquitetura. A versão 2024 traz atualizações de desempenho que impulsionam a produtividade, englobando desde um novo mecanismo gráfico até formas mais simples de compartilhar ideias com os envolvidos no projeto.
A misturadora DÉCA possui uma forma escultural e minimalista, com corpo unificado e manípulo geométrico de 10 faces. Imagem cortesia de TONI Copenhagen
Para profissionais de design que buscam evocar uma expressão sob medida de "luxo silencioso" em um interior, um elemento essencial para uma paleta minimalista é a adição de um objeto escultural — algo que chame a atenção, brilhe como uma joia e remeta a um refinamento discreto. Para cozinhas e banheiros onde a funcionalidade reina, que tal capturar esse momento de tensão elegante — esse je ne sais quoi — com uma torneira radical?
O A' Design Award and Competition foi criado para promover e reconhecer o melhor do design mundial em todas as disciplinas criativas. O prêmio é voltado a designers, profissionais de inovação e empresas que desejam se destacar e atrair a atenção da mídia, de editores/as e de compradores/as. Esses aspectos são especialmente importantes no mundo do design, no qual milhões de produtos e projetos são lançados e, muitas vezes, acabam sendo ofuscados sem receber o devido reconhecimento. Para lidar com essa realidade, centenas de projetos são enviados todos os anos com foco em inovação, tecnologia, design e criatividade. A premiação oferece uma oportunidade de reconhecimento, contando com a valiosa curadoria de um júri de renome e com a possibilidade de um lançamento internacional de sucesso. O A' Design Award inclui uma série de serviços de relações públicas, publicidade e marketing para celebrar o sucesso de seus/suas vencedores/as. Além disso, diferentemente de outras premiações de design, a participação é totalmente gratuita.
Ao assumir diversas possibilidades expressivas no design de interiores, o uso da madeira em regiões com uma ampla variedade de climas e temperaturas, como México, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia ou Equador, permite criar espaços atraentes e cativantes que capturam a atenção de quem os utiliza ao contrastar, fundir-se ou integrar-se ao seu entorno circundante. Por ser um elemento natural e apresentar uma pegada de carbono negativa ao fim de seu ciclo de vida, a madeira oferece múltiplos acabamentos, texturas e tonalidades que podem ser associados ao estar ao ar livre e proporcionar, em algumas ocasiões, amplitude, aconchego e relaxamento ao mesmo tempo.