Ao examinar o universo do cinema africano, há poucos nomes mais proeminentes que o do diretor senegalês Ousmane Sembène. Seus filmes “La Noire de...” e “Mandabi”, lançados em 1966 e 1968, respectivamente, narram histórias evocativas sobre os legados do colonialismo, da identidade e da imigração. Embora essas duas obras apresentem um ritmo mais lento, funcionando como crônicas do cotidiano, elas também oferecem uma valiosa crítica espacial do cenário onde se ambientam, fornecendo um referencial importante para compreender as complexidades da cidade africana pós-colonial e o contraste entre as metrópoles africanas e europeias.
"Por mais de uma geração, os incentivos fiscais históricos (HTCs) financiados pelo governo federal têm sido fundamentais para incentivar as incorporadoras a recuperar e reutilizar edifícios históricos, mantendo-os economicamente viáveis em vez de substituí-los por novos empreendimentos reluzentes. Esses incentivos geram empregos, promovem o desenvolvimento responsável e alavancam bilhões em investimentos privados para viabilizar edifícios geradores de receita". Leia a entrevista de Justin R. Wolf com Meghan Elliott, diretora fundadora da New History, empresa especializada em reúso adaptativo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131369/por-que-o-uso-e-a-melhor-forma-de-preservacaoJustin R. Wolf
Ao longo dos últimos 18 meses da pandemia de COVID-19, proprietários e proprietárias de restaurantes em todo o mundo sofreram perdas contínuas — especialmente os estabelecimentos de pequeno porte e independentes. Se há um vislumbre de esperança para muitos desses negócios, à medida que as diretrizes de saúde pública continuam a evoluir, é o fato de que muitas cidades flexibilizaram suas políticas e permitiram a construção de estruturas temporárias em calçadas e vias públicas para mantê-los em funcionamento. No entanto, no cenário pós-pandemia, como devemos lidar com essas instalações? Deveríamos transformá-las em algo permanente e permitir que as refeições ao ar livre permaneçam?
Decidir onde um edifício deve ser implantado envolve uma negociação complexa entre forças visíveis e invisíveis, objetivas e subjetivas. Arquitetos/as realizam a análise do terreno para identificar e articular todos esses fatores, mas em quais deles se concentram? Este vídeo é um levantamento (com o perdão do trocadilho) do que envolve determinar a localização de um edifício na superfície da Terra. Desde requisitos legais, como limites de lote e recuos, passando por questões de infraestrutura, como pontos de conexão de serviços públicos e fluxos de pedestres, até fatores ambientais, como insolação e topografia, o vídeo aborda como arquitetos/as e construtores/as posicionam as estruturas. Além de examinar regras práticas gerais, o vídeo também apresenta exemplos arquitetônicos importantes, como a Casa Malaparte e o Centro de Estudantes do OMA no IIT, para inspirar abordagens singulares sobre o tema.
Em um momento de questionamento do "novo agora", especialmente diante dos novos desafios da Covid-19, cidades ao redor do mundo defendem mudanças estruturais e ações coletivas. A Berlin questions, uma conferência anual de vários dias que serve como plataforma para o diálogo transdisciplinar, abordou o presente imediato em sua edição de 2021, intitulada “Metropolis: The New Now”, criando um espaço para debate. Dedicado a soluções locais para desafios globais, o evento adotou um formato híbrido — ocorrendo em diversos locais de Berlim e também online —, assemelhando-se ao mundo em que vivemos.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Lesley Lokko, arquiteta, acadêmica e romancista, durante a Berlin Questions, para discutir sua palestra “África como o laboratório para o futuro”, suas visões sobre o futuro do ensino de arquitetura e o futuro das grandes cidades nos âmbitos social, cultural e urbano.
Questionando o "novo agora", especialmente diante dos novos desafios da Covid-19, cidades de todo o mundo vêm defendendo mudanças estruturais e ações coletivas. A Berlin Questions, uma conferência anual de múltiplos dias que funciona como plataforma para o diálogo transdisciplinar, abordou em sua edição de 2021, “Metropolis: The New Now”, o presente imediato, estabelecendo um espaço de debate. Dedicado a buscar soluções locais para desafios globais, o evento adotou um formato híbrido, realizado em diversos locais de Berlim e também online, refletindo o próprio mundo em que vivemos.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a vencedora do Iconic Awards 2021 na categoria Architects of the Year, Dorte Mandrup — arquiteta, fundadora e diretora criativa do escritório Dorte Mandrup Arkitekter — durante o Berlin Questions, para discutir o mais recente projeto do escritório na capital alemã, o Exile Museum, bem como refletir sobre sua carreira e visões.
A “Cidade Rainha” do Canadá tornou-se famosa por seu boom imobiliário. Sendo o local mais populoso do país, Toronto é também um dos mercados imobiliários de luxo mais aquecidos do mundo. Polo de artes, negócios e mídia, a cidade situa-se em um planalto inclinado com um sistema singular de ravinas. Embora ostente uma arquitetura incrível e projetos de alto padrão, Toronto corre o risco de uma correção no mercado habitacional. O rápido aumento nos preços dos imóveis, a supervalorização e a construção excessiva têm contribuído para a situação delicada da cidade. Em meio a essas condições instáveis e de incerteza, novos projetos residenciais continuam a ser construídos.
O coletivo artístico Space Saloon concluiu recentemente o programa inaugural de Residência Artística em Arte Pública e Ecologia na região de Okoboji, no noroeste de Iowa. A partir da observação das paisagens locais e de seus diversos ecossistemas, a equipe desenvolveu uma série de instalações temporárias, esculturas site-specific e performances multiespécies. Realizado em parceria com a Imagine Iowa Great Lakes e o Iowa Lakeside Lab, o processo resultou em uma série de eventos públicos que propõem novas formas de interação com as ecologias regionais.
Neste vídeo, Will Quam, do Brick of Chicago, nos conduz pela cidade norte-americana para questionar o famoso ditado de Louis Kahn de que todo tijolo aspira a ser um arco. Aqui, no bairro de Logan Square, encontramos tijolos de todos os tipos que — além dos arcos — assumem outras configurações e metáforas para descrever suas qualidades: tijolos têxteis e paginações ornamentais, pinceladas de uma pintura, juntas finas e acabamentos vitrificados, tijolos em pé (soldados) e de cantos arredondados.
O Salone é o evento de mobiliário mais importante do mundo, fortemente conectado à cidade e à cultura do design. Este ano, apresenta-se um novo formato expandido para marcar o 60º aniversário do Salone del Mobile, intitulado "SuperSalone", uma prévia da edição de 2022, com um foco bastante acentuado na materialidade e no aspecto sustentável.
Ao conseguir conciliar o físico e o digital, de modo a tornar o evento mais acessível ao mundo todo, o Salone ocorreu durante a primeira semana de setembro, na Rho Fiera. Durante esses dias dedicados ao design, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com o curador, Stefano Boeri, para discutir esta edição tão especial, a relação entre a cidade de Milão e o Salone, a democratização do design, bem como a qualidade ambiental em seus projetos ao redor do mundo.
Cinco perfis de escritórios de arquitetura emergentes da Suíça, França, Países Baixos, Áustria, Reino Unido e Eslováquia foram selecionados pela New Generations, uma plataforma europeia que analisa as práticas emergentes mais inovadoras em âmbito europeu, proporcionando um novo espaço para troca de conhecimento, debate, teoria e produção. Desde 2013, New Generations envolveu mais de 300 escritórios em uma programação diversa de atividades culturais, como festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas em vídeo, workshops e formatos experimentais.
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Unique Circle Yachts projetado por Zaha Hadid Architects para Bloom+Voss Shipyards. Imagem
Os barcos representam uma fascinante distração para um número surpreendentemente grande de profissionais de arquitetura. Tantos, na verdade, que parece haver algo nas embarcações que atrai especificamente quem tem formação na área.
O “walket” do Rebar, um protótipo de sistema de parklet implantado no distrito de Mission, em São Francisco, em 2009. / Rebar. Imagem Cortesia de The Dirt
No início de 2020, São Francisco já contava com 70 parklets espalhados por todos os cantos da cidade, e o programa municipal de parklets, hoje integrado ao Groundplay SF, havia se tornado um modelo para cidades de todo o mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130483/espacos-de-rua-na-era-da-pandemia-parklets-patios-e-o-futuro-do-espaco-publicoJohn Bela
A arquitetura e a fotografia dependem profundamente uma da outra. A primeira fotografia já registrada na história traz edifícios como tema. Mais do que isso: foi necessária uma sala inteira para produzir a imagem por meio de uma câmera escura. Nos primórdios da técnica, as edificações eram um dos poucos elementos capazes de permanecer imóveis pelas oito horas necessárias para gravar a imagem em um meio fotossensível. Por outro lado, a arquitetura também depende da fotografia. Edifícios são grandes, lentos e imóveis. Sem as imagens, seria difícil conhecer as grandes obras arquitetônicas ao redor do mundo. Nesse sentido, as fotografias funcionam como substitutas facilmente compartilháveis das edificações. No entanto, as fotos não são representações literais em escala 1:1, de modo que os/as fotógrafos/as têm grande autonomia na maneira como vivenciamos a arquitetura. Este vídeo oferece uma perspectiva sobre essa relação e apresenta alguns/as profissionais como exemplos de como interpretam as intenções do/a arquiteto/a, imprimindo sua própria assinatura. Entre eles, destacam-se Julius Shulman, Ezra Stoller, Stephen Shore, Iwan Baan, entre outros.
Se você ainda não assistiu a Respect, recomendo fortemente. A cinebiografia dirigida por Liesl Tommy sobre a vida da cantora norte-americana Aretha Franklin nos transporta visualmente de volta aos anos 1960 por meio de um trabalho cenográfico impecável. Aqui, a designer de produção Ina Mayhew teve a tarefa de criar uma série de locações onde as paletas de cores sem dúvida evocam muito mais do que emoções: sua casa suburbana de infância em Detroit, os vibrantes clubes de jazz de Nova York, seu luxuoso apartamento no Upper West Side e, por fim, sua residência ultramoderna em Los Angeles.
A proteção do clima e dos recursos naturais está entre os desafios mais urgentes para o futuro do nosso planeta. Longe de ser uma questão isolada, trata-se de um tema complexo que afeta todas as esferas da atividade humana, incluindo mobilidade, arquitetura, modos de vida sustentáveis e educação. Existe um equívoco comum de que materiais de construção — como os painéis translúcidos de policarbonato — não podem ser sustentáveis. O plástico, como material, causa um impacto tão profundo no mundo e atrai tanta atenção negativa que se torna difícil romper com a generalização de que ele é fundamentalmente "ruim". Empresas como a Rodeca, por exemplo, inseridas no setor de produção de plásticos, desenvolveram materiais de construção translúcidos capazes de durar muitos anos como elemento construtivo integral, sem a necessidade de um descarte rápido. Como fabricante de painéis de policarbonato, a Rodeca mantém o olhar constantemente voltado para o futuro da sustentabilidade.
Lendager Group foi fundado com o objetivo explícito de se tornar o principal escritório de arquitetura sustentável da Dinamarca. Explorando o conceito de Projeto para Desmontagem (DfD, na sigla em inglês), seu projeto recente em Milão fundamenta-se na crescente preocupação com o consumo de recursos e as baixas taxas de reciclagem na indústria da construção. Ampliando os temas da economia circular, a obra foi concebida utilizando cadeiras feitas de plástico retirado dos oceanos, com a estrutura do pavilhão totalmente projetada para desmontagem.
A Casa do Futuro foi projetada por Alison e Peter Smithson em 1956 para demonstrar como seriam os projetos residenciais 25 anos no futuro. Trata-se de um volume retangular voltado para o interior, configurado por paredes de formas amorfas, módulos de armazenamento e um pátio central, além de contar com tecnologias de ponta de todos os tipos. Parece algo saído de Os Jetsons. Embora o projeto permaneça como uma obra singular no portfólio dos Smithson, ele influenciou profundamente o trabalho de seus estudantes, servindo de base para que escritórios como o Archigram desenvolvessem conceitos audaciosamente inovadores. Apesar dessa influência duradoura e marcante, a estrutura física permaneceu de pé por pouquíssimo tempo. Neste vídeo, a casa é reconstruída e explorada em tempo real. Como teria sido habitar a Casa do Futuro? Veja por si só.
A arquitetura pode ser engraçada. Naturalmente, ela costuma ser um alvo fácil e bem-humorado de piadas, como quando Frank Gehry é satirizado em Os Simpsons; no entanto, os próprios edifícios também podem ser divertidos. Filósofos como Kant acreditavam que o humor residia na incongruência entre o que se espera e o que se vivencia. Existe todo tipo de expectativa depositada sobre as edificações, bem como uma infinidade de maneiras pelas quais essa incongruência pode se desenvolver entre tais expectativas e o que o edifício realmente entrega. Este vídeo explora alguns dos edifícios humorísticos mais interessantes da história, desde o Maneirismo de Giulio Romano até as lojas BEST do SITE Architects, entre muitos outros. Por fim, o vídeo aponta para algumas práticas contemporâneas que recorrem ao humor para alcançar algo que vai muito além de uma simples risada.
A Comissão de Engajamento Cívico de Nova York (CEC), o Departamento de Assuntos Culturais (DCLA), o Mayor’s Fund to Advance New York City e o/a artista público/a em residência (PAIR) Yazmany Arboleda lançaram oficialmente o The People’s Festival. Esta série de eventos ao ar livre realizada nos cinco distritos da cidade contou com apresentações ao vivo, oficinas interativas, além de informações e recursos comunitários. O festival teve como âncora o The People’s Bus, um ônibus municipal aposentado que anteriormente era utilizado para transportar pessoas detidas em Rikers Island.
Há apenas 18 meses, a população global teve sua vida virada de cabeça para baixo pela pandemia de COVID-19. Quase imediatamente, arquitetos/as e designers começaram a especular sobre como projetar um mundo melhor, que fosse flexível, funcional e saudável. Embora a pandemia esteja longe de acabar — com muitos avanços científicos e políticas de saúde pública ainda necessários para de fato nos permitir vivenciar o nosso “novo normal” —, talvez seja o momento de refletir sobre nossas previsões e analisar quais aspectos da pandemia foram reações de curto prazo e quais aspectos da vida podem se refletir permanentemente na forma como pensamos o ambiente construído.
Reformar um espaço para fins gastronômicos pode ser um dos desafios mais interessantes para um/a arquiteto/a, devido à liberdade projetual que costuma caracterizar esses projetos. Isso nos permite brincar com revestimentos, iluminação e mobiliário para criar espaços únicos que sejam atraentes e funcionais, tanto para a equipe do restaurante quanto para os clientes.
Mergulhamos em nossa biblioteca de projetos para selecionar 5 restaurantes que aproveitaram o processo de reforma e suas complexidades para criar espaços singulares, apresentados pela ICEX e Interiors from Spain.
Recentemente, tem se observado um interesse crescente e a adoção de uma estética surgida em refúgios rurais, conhecida como cottagecore. Essa tendência remete à época de Laura Ingalls Wilder e a outros tempos mais simples de pioneirismo, colonização e antigos assentamentos europeus. O cottagecore engloba elementos como flores, madeira, tons quentes, telhados de palha, móveis desgastados pelo tempo e outros objetos e motivos associados à vida no campo. Embora o poder restaurador dos chalés e refúgios seja reconhecido há muito tempo, sua popularidade e o interesse renovado por eles coincidem com a pandemia, em um momento no qual nossas vidas são marcadas pelo tempo excessivo em espaços fechados e pela comunicação feita exclusivamente por meios digitais.
As maquetes são úteis para arquitetos/as em diversas etapas, desde as fases iniciais do projeto até a divulgação de um edifício após sua conclusão. No entanto, o que há nas maquetes que as torna uma ferramenta tão importante e poderosa? E de que maneira diferentes escritórios de arquitetura as incorporam em seus processos de projeto singulares? Este vídeo explora essas questões analisando três escritórios: Morphosis, MVRDV e Herzog & de Meuron. Frequentemente, as empresas contam com oficinas de maquetes e equipes dedicadas a essa produção, responsáveis por tudo, desde as primeiras decisões de projeto até apresentações cruciais para clientes e, inclusive, o marketing do edifício. Ouvimos os profissionais que trabalham nessas oficinas e analisamos como os três escritórios estudados abordam as maquetes de forma única.