A necessidade global de buscar meios mais sustentáveis para atender novas demandas é um dos pontos mais estimulantes para o reuso de materiais ou estruturas na arquitetura atualmente. No campo da cenografia, a ressignificação de materiais para compor cenários é uma realidade há muito tempo. A prática profissional na área lida com a representação de uma cena, e para tal são utilizados elementos de caráter temporário e que buscam estimular a imaginação do espectador. Nesse sentido, o trabalho da cenógrafa Renata Mota tem aliado a ressignificação ao reuso de materiais - descartados ou doados - que perderam seu uso original para compor cenografias de espetáculos, exposições e outros eventos.
A Igreja Changtteul é um antigo local de culto em Gyeonggi-do, Coreia do Sul, cujo nome remete à imagem de "uma moldura contendo uma janela". Nesse sentido, o caráter do edifício é definido por sua série de janelas, proporcionando aos visitantes uma experiência única de luz e paisagens emolduradas.
Os arquitetos Hanyoung Jang e Hanjin Jang, do estúdio minorormajor, utilizaram as janelas de Changtteul como metáfora para seu partido projetual. A dupla explora o elemento arquitetônico a partir de duas perspectivas: a "janela entre o homem e Deus" e "a janela entre o homem e a natureza".
Kimbell Art Museum / Louis Kahn. Imagem cortesia de Xavier de Jauréguiberry
(Traduzido por Sun Cong) A seção AD Classics apresenta as maiores obras arquitetônicas do passado, aquelas que influenciaram e moldaram a arquitetura de hoje. Ao longo dos 11 anos de história do ArchDaily, apresentamos mais de 200 clássicos e, nesta edição, reunimos as 20 obras mais populares da coluna AD Classics até o momento.
As vecindades na Cidade do México são assentamentos urbanos que se concentraram principalmente no centro da cidade. Segundo dados do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), esses edifícios surgiram no final do século XVIII, embora seu auge no país tenha ocorrido durante o século XIX, fruto do crescimento populacional e da necessidade de oferecer moradias acessíveis às parcelas mais vulneráveis da população.
No Brasil, tem se tornado cada vez maior o número de pessoas optando por morar em apartamentos em vez de residências. Na mesma intensidade, a oferta por edifícios residenciais com uma variedade de plantas e tipologias tem crescido. Dentro desse panorama, buscando a aproximação á ideia de casa, é cada vez mais comum que uma série de edifícios ofertem lofts e apartamentos duplex, favorecendo a amplitude espacial, soluções funcionais, maior iluminação e ventilação natural através de grande aberturas e panos de vidro, pé direito duplo que permitem uma interrelação visual entre os diferentes pavimentos, entre outras qualidades que trazem maior comodidade aos seus moradores.
No âmbito da arquitetura e da engenharia, a palavra "vão" designa a distância entre dois apoios em uma estrutura, em geral em referência ao espaço ininterrupto entre pilares da trama de sustentação dos edifícios. Alguns vãos notáveis ficaram famosos por suas grandes e impressionantes dimensões, sobretudo em programas públicos, como é o caso do MASP de Lina Bo Bardi e do MuBE de Paulo Mendes da Rocha, ambos em São Paulo. No entanto, os grandes vãos podem representar generosidade espacial e liberdade visual em qualquer tipo de projeto, inclusive de menor escala.
Uma pessoa que mora em Moema, bairro com uma das maiores concentrações de renda de São Paulo, vive 20 anos a mais do que uma pessoa que nasce em Cidade Tiradentes, extremo leste da capital. A cidade mais rica do Brasil expõe o quanto o país é desigual, e também o quanto o acesso às políticas públicas variam de acordo com o território onde se vive.
O que acontece quando a cidade repleta de sensores adquire a capacidade de ver – quase como se tivesse olhos? Antes da Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (Urban Interactions), o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Eyes of the City" (Olhos da Cidade) na Bienal para estimular uma discussão sobre como as novas tecnologias – e a Inteligência Artificial em particular – podem impactar a arquitetura e a vida urbana. Aquivocê pode ler o manifesto de curadoria da seção "Eyes of the City", escrito por Carlo Ratti, Politecnico di Torino e SCUT.
A Arquitetura de Mídia (Media Architecture) é a fusão de novas tecnologias com a forma construída para explorar narrativas e conferir personalidade, engajando as pessoas e criando novos diálogos por meio de uma camada de experiência significativa.
Não se trata de um conceito novo — contar uma história sobre um edifício por meio de sua forma, especialmente por sua fachada, é algo que acompanha a história da humanidade. Basta pensar nos vitrais da Catedral de York, na Basílica de São Marcos em Veneza ou no Templo de Meenakshi em Tamil Nadu. O aspecto fascinante do cenário atual, contudo, são as oportunidades trazidas pela tecnologia para criar novas narrativas e formas inéditas de interação humana.
A história dos espaços construídos ao longo do tempo apresenta uma diversidade significativa em todo o mundo, refletindo diferentes momentos e condições geográficas, econômicas e culturais. Nesse contexto, a tecnologia desempenha um papel fundamental, uma vez que as construções que resistiram ao tempo funcionam também como uma espécie de mostruário que revela os avanços e as ambições vigentes em sua época, deixando reflexões cruciais para os dias de hoje.
A 5ª edição do PNAM, Prêmio Nacional de Arquitetura em Madeira de Portugal, foi entregue no último dia 8 de novembro no Mosteiro de Alcobaça. Organizado pela Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP), Ordem dos Arquitectos (OA) e Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário (CPCI), a premiação bienal destina-se a arquitetos portugueses que escolhem a madeira como matéria prima para as suas construções.
O Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi uma das principais bandeiras da política habitacional em nível federal dos últimos governos. O MCMV, que se configura através do financiamento de novas habitações populares, incentiva incorporadoras a desenvolver seus projetos em áreas distantes dos centros urbanos. Isto ocorre pois, em razão das métricas de desempenho considerarem apenas quantidade de unidades entregues, há um forte incentivo econômico às incorporadoras para construir longe dos centros urbanos, onde os terrenos são mais baratos. Isso significa que boa parte dos empreendimentos estão distantes de boas oportunidades de emprego e serviços básicos, assim como isolados das redes públicas de transporte de massa que, por natureza, não têm condições de atender áreas periféricas de baixa densidade urbana.
No final de outubro, o crítico de arquitetura do The Guardian, Oliver Wainwright, relatou que o primeiro sindicato de arquitetura do Reino Unido havia sido fundado. A Section of Architecture Workers (UVW-SAW) é uma divisão do United Voices of the World, um novo modelo de sindicato de base que apoia a expansão dos ideais sindicais para profissões e setores que tradicionalmente não contavam com essa representação. O lançamento da organização, bem como os motivos que o impulsionaram, representam o mais recente capítulo de uma antiga preocupação em relação às condições de trabalho enfrentadas por arquitetos e arquitetas no Reino Unido e em todo o mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1070801/chegou-a-hora-de-os-as-arquitetos-as-se-sindicalizarem-o-reino-unido-diz-que-simNiall Patrick Walsh
A ideia de margem implica na existência de um centro. Assim, tudo aquilo que não faz parte da centralidade é considerado externo, periférico. A divisão entre centro/margem, ou centro/periferia alcança não só a esfera arquitetônica, mas também a política, social e regional. Portanto, ao se falar de práticas profissionais nas margens da arquitetura, se fala também de práticas num campo multidisciplinar, pois consistem mais em uma busca pelo entendimento das questões a serem trabalhadas e menos em uma busca por responder a determinadas questões. Em culturas ou contextos marcados por descontinuidades e interrupções historiográficas, existe um esforço para definir a identidade, passando por um processo de auto-conhecimento e descobrimento para, por fim, chegar à elaboração de projetos para responder a demandas específicas. Por isso, a pesquisa e divulgação de conhecimentos, além de métodos alternativos de produção arquitetônica, são etapas importantes nesse processo.
Em um discurso sobre o futuro das cidades, alguém poderia ser perdoado por limitar seu escopo geográfico às inovações na Europa, nos Estados Unidos e, cada vez mais, na China e no Sudeste Asiático. Afinal, Shenzhen está prestes a sediar mais uma vez a única Bienal do mundo dedicada exclusivamente à urbanização, enquanto a arquitetura inteligente e responsiva se manifesta em visões de cidades como Toronto e Londres e gigantes da tecnologia como Microsoft e Siemens. No entanto, apesar de nossa preocupação com os problemas e as oportunidades da urbanização no 'Norte Global' e as inovações arquitetônicas que ele anuncia, há mérito em expandir nossos horizontes - e não apenas em direção a Marte. Até o final do século, nenhuma das maiores 20 cidades do mundo estará na China, Europa ou nas Américas. Enquanto isso, a África receberá 13 das 20, incluindo as 3 primeiras.
https://www.archdaily.com.br/pt/927993/porque-a-africa-e-o-futuro-das-megacidadesNiall Patrick Walsh
A história do conjunto habitacional dos “Redondinhos”, em Heliópolis, São Paulo, começou com uma fala mal interpretada de Ruy Ohtake. Em 2003, uma revista publicou a seguinte declaração atribuída ao prestigiado arquiteto e urbanista: “O que acho mais feio em São Paulo é Heliópolis”. Depois de ver a reportagem, Ohtake esclareceu que a intenção foi dizer que o mais feio na cidade era a diferença entre bairros ricos e pobres – “a diferença entre o bairro e Heliópolis, a maior favela”, corrigiu.
A madeira laminada colada (MLC), também conhecida como Glulam (por seu nome inglês 'Glued Laminated Timber'), é um material estrutural fabricado através da união de segmentos individuais de madeira, colados com adesivos industriais (geralmente adesivos de resina de melamina ou poliuretano). As peças resultantes oferecem alta durabilidade e resistência à umidade, podendo vencer grandes vãos e conformar formas únicas.
Há cerca de quatro anos a Avenida Paulista ganha cores, dança, música e circulação intensa de pedestres e ciclistas aos domingos e feriados. Este é o fruto da mobilização de organizações da sociedade civil e da população, que em 2015 levou à criação do Programa Paulista Aberta pela Prefeitura de São Paulo, no contexto do programa Ruas Abertas. Desde então, uma das avenidas mais movimentadas da capital paulista é palco de atividades econômicas, culturais e de lazer, além de proporcionar um espaço gratuito e amplo para a prática de exercícios físicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/928149/paulista-aberta-os-impactos-para-visitantes-e-moradores-apos-quatro-anos-do-programaITDP Brasil
Abrindo as portas de estúdios de arquitetura, Open More Doors é uma série desenvolvida pelo ArchDaily em parceria com o MINI Clubman que, por meio de entrevistas em vídeo cativantes e ensaios fotográficos exclusivos, convida a explorar os bastidores das mentes e dos escritórios de design mais inovadores do mundo.
Este mês, visitamos o escritório de design Heatherwick Studio, com sede em Londres, para conversar sobre sua prática multidisciplinar, seus espaços de trabalho e como materializam a filosofia colaborativa de projeto em seu ambiente de trabalho, integrando equipes e projetos.
Os centros Maggie's são uma instituição de acolhimento a pessoas com câncer em rápida expansão, para a qual diversos/as renomados/as arquitetos/as e designers projetaram espaços confortáveis e acolhedores.
Após a fundação do primeiro centro Maggie's em Edimburgo, em 1996, com o objetivo de oferecer apoio psicológico e social a pacientes com câncer e seus familiares e cuidadores, uma rede cada vez maior de novos centros foi rapidamente projetada e construída.
Muito utilizados em obras de infraestrutura, os muros de gabião são constituídos por gaiolas metálicas conformadas por malhas hexagonais de fios de aço galvanizados, de modo que resistam às intempéries por um extenso período de tempo, livres de oxidação. Internamente são preenchidos por pedras de diferentes tamanhos, tornando-se uma estrutura permeável.
Igreja em Belém de São Francisco, Pernambuco. Foto de Oliver de Luccia, 2019
As viagens fluviais têm o intuito da pesquisa, registro e coleta de informações in loco tendo como assunto os rios. São realizadas por membros pesquisadores do Grupo Metrópole Fluvial da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), coordenado pelo Professor Alexandre Delijaicov. Cada um traça seu percurso de acordo com seus interesses pessoais, mas com um objetivo comum: reunir referências de projeto de arquitetura de infraestrutura fluvial para expandir o imaginário e repertório do grupo de pesquisa. A pergunta que motiva os pesquisadores é: como as pessoas se relacionam com as águas fluviais que correm em suas metrópoles, cidades ou vilas, no espaço construído ao longo dos rios? A linha definida pelos elementos terra e água é o eixo de partida dessa observação.
Como resultado dos três meses de formação em articulação local no pioneiro Programa de Embaixadores COURB, mobilizadores de diferentes cidades brasileiras promoveram ações nos seus territórios. Almejando a construção colaborativa de cidades inclusivas, a Jornada de Articulação, realizada a muitas mãos, aconteceu entre os meses de agosto e setembro e contou com três tipos de ações: rodas de conversa, intervenções no território e proposições coletivas. Os embaixadores mapearam e engajaram no programa mais de 150 instituições - entre prefeituras, universidades, coletivos, empresas e organizações.
https://www.archdaily.com.br/pt/928039/tres-formas-de-ativar-o-espaco-urbano-jornada-de-articulacao-courbCOURB Brasil
A Rua Miguel Calmon foi cenário de transformações importantes em Salvador. Até o início do século 20, antes da construção do aterro em que foi erguido o lado esquerdo da via e um novo porto para a cidade, ela se chamava Rua do Cais e era banhada pelo mar. Cem anos depois, a rua no bairro Comércio tornou-se a primeira Rua Completa da capital baiana e um dos símbolos das intervenções que têm revitalizado seu centro histórico.
https://www.archdaily.com.br/pt/927819/de-rua-do-cais-a-rua-completa-intervencao-em-salvador-devolve-vitalidade-a-rua-miguel-calmonFernando Corrêa e Bruno Batista
Muita coisa pode mudar em uma cidade no período de um ano; de demolições a reconstruções e conclusões de projetos, a malha urbana de uma cidade está em constante transformação. Ao longo dos últimos 4 anos, o arquiteto chileno e fotógrafo Francisco Ibáñez Hantke, do Estudio Ibanez, desenvolveu uma série fotográfica intitulada Non-Structures, focada na regeneração e transformação urbana de Londres, capturando seus diversos momentos de ruína, planejamento, processo e, por fim, a arquitetura concluída.