O autor compreendeu o uso de materiais arquitetônicos inovadores e sua aplicação enquanto trabalhava para arquitetos como Rick Joy, cuja Mountain House em Tucson, Arizona, utilizou paredes de taipa de pilão. (Creative Commons/Usuário do Flickr designmilk)
Há um slide que gosto de mostrar no início das aulas de arquitetura que ministro; ele apresenta uma visão geral dos últimos cem anos em design e tecnologia. Na coluna da esquerda, um carro do início do século XX (um Ford Modelo T) está posicionado acima de um carro contemporâneo (um Tesla). A coluna do meio traz uma justaposição semelhante, mostrando um biplano da época da Primeira Guerra Mundial e um caça furtivo moderno (um F-117A). Na coluna da direita, o edifício da Bauhaus em Dessau, projetado por Walter Gropius em 1926, é visto ao lado de um edifício urbano de uso misto atual. O ponto culminante da comparação, naturalmente, é que os dois edifícios—separados por cerca de 100 anos—parecem basicamente os mesmos, ao passo que os carros e aviões separados pelo mesmo período parecem pertencer a mundos completamente diferentes. Qual é a razão disso?
Quantas vezes nos prendemos a uma imagem ou vídeo renderizado, nossos olhos incrédulos, incapazes de decifrar se aquilo que vemos é real ou apenas uma simulação virtual. Da mesma forma, não é raro ter que convencer amigos ou familiares que não têm relação com a arquitetura que um edifício ainda não existe concretamente e não passa de uma imagem confeccionada para uma propaganda. Não há mais limites para as visualizações hiperrealistas criadas por computador – elas estão cada vez mais enraizadas no mundo dos nossos desejos. É certo que estas imagens artificiais estabelecem novos padrões, mas seriam estes posteriormente atendidos pela arquitetura?
Queremos abrir a discussão e oferecer aos nossos leitores a possibilidade de expressar abertamente suas opiniões e experiências sobre o assunto. Se todos tivéssemos consciência de que a grande maioria do mercado contemporâneo da arquitetura se baseia em representações que simulam apenas a realidade visual, deixando de fora inúmeros aspectos da arquitetura, mudaríamos o modo de apresentar nossos projetos? Os futuros moradores ou usuários exigiriam outras informações complementares?
No exercício da arquitetura, os profissionais constantemente devem lidar com o desafio de representar um projeto de forma clara e compreensível antes de ser construído, tornando o espaço de alguma forma visível para um público muitas vezes não especializado na área. A renderização é um dos modos mais difundidos de representação tridimensional entre os arquitetos por apresentar o projeto de forma considerada “mais próxima da realidade”. A realidade, por sua vez, inclui a presença de pessoas e os modos de habitar os espaços – representados por meio de escalas humanas, que devem estar em consonância com a imagem que se pretende transmitir e o entendimento da arquitetura, do local em que está inserida e da forma como é habitada.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, lhe perguntamos: Você sabe para onde vai o “lixo” da sua casa? Como as cidades lidam com as toneladas de materiais eliminados diariamente? Tudo o que você joga “fora” deveria ser desperdiçado ao ser destinado para aterros sanitários?
A crise do coronavírus vem nos mostrando que certas atitudes, políticas e práticas devem ser abandonadas se quisermos ter um outro futuro. Socialmente, e também ambientalmente. Porém, a responsabilidade não é apenas individual. Para falar do futuro dos resíduos nas cidades é preciso jogar luz no fio da história recente, a construção da Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, aprovada em 2010 e nos desafios para sua implementação.
José Javier Alayón González, Dr. Arquiteto e professor assistente de tempo integral (TC) do Departamento de Arquitetura da Pontificia Universidad Javeriana, compartilha conosco no artigo a seguir sua perspectiva sobre os recintos de feiras e exposições e como eles se adaptam às circunstâncias.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127175/espacos-de-feiras-como-a-flexibilidade-permite-enfrentar-os-virusJosé Javier Alayón González
No âmbito da arquitetura, grande parte do século XX é marcada por uma produção que se lê, de modo geral, como moderna. As bases que configuram essa produção têm sido, há pelo menos seis décadas, objeto de discussão, reunindo opiniões divergentes sobre a verdadeira intenção por trás da gestalt moderna.
Na década de 1920, o bairro de habitação industrial Cité Frugès, em Pessac, França, estava sendo concluído. Um dos 17 sítios de Le Corbusier catalogado como patrimônio da UNESCO.
"Como viveremos juntos?". A pergunta, tema da 17ª Biennale di Venezia, tem se mostrado providencialmente oportuna. E adquire caráter de urgência com a eclosão da COVID-19 e a crise por ela desencadeada, instando-nos a voltar o olhar para a sustentabilidade do atual modelo civilizatório e para a necessidade de renovar tanto o pensamento quanto a ação sobre o entorno. A propósito de um artigo publicado no ArchDaily intitulado Como viveremos juntos com todas as outras espécies?, este texto busca somar elementos para o debate.
Atualmente a construção de cidade humanizadas parte do pressuposto da participação popular plena, como preveem as políticas públicas nacionais institucionalizadas no Estatuto da Cidade. Mas é visível que os mecanismos, em grande parte, são voltados para os adultos, deixando crianças e jovens às margens do processo de participação e tomada de decisões.
O desenvolvimento de Modelos BIM, compostos por Objetos BIM denominados famílias pela ferramenta Autodesk Revit, é cada vez mais frequente na indústria, já que estes constituem um meio para alcançar maior produtividade em cada projeto. No entanto, quais são os pontos-chave a se considerar ao iniciar o desenvolvimento de uma família? Neste artigo, apresentamos os principais pontos que devemos levar em conta no momento de planejar as famílias carregáveis, que são as que incorporamos à nossa Biblioteca BIM.
A crise gerada pela pandemia e a nova ordem global decorrente dela nos obrigam a revisar e ajustar todos os Planos de Ordenamento Territorial (ou o instrumento equivalente) em cada uma de nossas cidades latino-americanas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127172/covid-19-ordenamento-territorial-e-planejamento-urbano-na-america-latinaMarco Antonio Ramírez O.
Em conversa para a terceira edição da Revista CLEA, uma publicação anual da Coordinadora Latinoamericana de Estudiantes de Arquitectura (CLEA), a arquiteta equatoriana María Augusta Hermida explora a capacidade de descolonizar espaços e cidades nos tempos atuais.
Embora tenham sido desenvolvidos como uma fonte prática de energia na década de 1950, os sistemas solares eram caros demais para o uso em larga escala até a década de 1970. A partir de sua aplicação inicial no abastecimento de satélites militares da era da Guerra Fria, as células solares fotovoltaicas de silício alcançaram seu primeiro sucesso comercial em locais sem acesso à rede elétrica, como faróis e plataformas de petróleo marítimas.
A pandemia de Covid-19 transformou a maneira como vivemos. Repercussões significativas e duradouras serão sentidas em toda a sociedade e na indústria, muitas das quais certamente influenciarão a forma como abordamos o projeto de nossos edifícios e cidades. Nas últimas semanas, a equipe de Desenho Urbano da Foster + Partners vem explorando como os recentes e acelerados desdobramentos no planejamento urbano – instigados e incentivados pela crise atual – afetarão e moldarão o futuro de Londres e de outras cidades ao redor do mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126421/urbanismo-tatico-reimaginando-nossas-cidades-pos-covid-19Bruno Moser, Theo Malzieu & Paula Petkova
O arquiteto e urbanista chileno Germán Bannen, conhecido por suas obras na comuna de Providencia, tem sua trajetória minuciosamente analisada no novo documentário do artista visual Gabriel Del Favero e da jornalista Ana Rodríguez. “A cidade de Germán Bannen” percorre os principais marcos de seus projetos — a exemplo do projeto e da construção da avenida Nueva Providencia — por meio de uma compilação de fotografias, plantas, imagens de arquivo, aulas, desenhos arquitetônicos e cerca de dez entrevistas.
Por mais que algumas obras a ocultem, a estrutura é sempre uma preocupação em projetos de arquitetura. A definição do sistema estrutural está entre as primeiras decisões importantes a serem tomadas e, possivelmente, definirá uma série de outros aspectos da edificação. Há, no entanto, casos extremos em que a arquitetura se faz ver e ler, simplesmente, como a estrutura; projetos que têm seu caráter e imagem definidos em grande medida pela solução estrutural adotada.
A seleção desta semana de melhores projetos não construídos destaca propostas residenciais conceituais enviadas por nossa comunidade de leitores e leitoras de todo o mundo. Apresentando designs, abordagens e composições inovadoras, esta compilação reúne uma série de intervenções inspiradoras que propõem um novo olhar sobre a estrutura residencial tradicional.
Nesta seleção, o ArchDaily reuniu propostas vindas da Polônia, França, Hungria, Irã e Estados Unidos. Agrupados sob um mesmo tema, os projetos incluem uma nova perspectiva sobre os conjuntos habitacionais tradicionais, uma tentativa de aproximar a transição entre a casa e o apartamento, e uma coleção de modelos residenciais modulares que podem ser implantados em qualquer lugar. Além disso, o compilado traz ainda a mais recente intervenção de Christophe Benichou, a “Maison W - The Pleated House”, localizada nos Altos Alpes, na França; uma residência hipersustentável na praia; e uma estrutura que se dissolve e se integra perfeitamente à paisagem natural.
Mapas sonoros é um projeto do Archivo Usted no está aquí que registra de maneira não tradicional as cidades e povoados do território latino-americano. Constituindo um “mapa de mapas”, o site reúne mais de 40 páginas independentes com arquivos sonoros de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Uruguai, formando um grande diário de bordo de documentos de áudio georreferenciados que oferecem uma maneira alternativa de cartografar e compreender a América Latina.
Nova Orleans é uma cidade diferente de qualquer outra. Marcada por uma rica herança cultural, é definida pela geografia do Delta do Mississippi e pelo clima local. Após a destruição causada pelo furacão Katrina em 2005, designers e arquitetos voltaram sua atenção para a cidade, buscando soluções para garantir um futuro melhor para as comunidades que lá vivem.
A atuação profissional de um arquiteto urbanista pode assumir inúmeras frentes graças à diversa composição curricular em grande parte dos cursos de graduação, com disciplinas que lidam com o desenho e o projeto em diferentes âmbitos. Dos grandes planos urbanos às reformas de apartamentos, da metrópole ao mobiliário, esses profissionais trabalham com objetos diversos, mas levam em comum sua ferramenta expressiva e de comunicação de ideais, o desenho e as maquetes.
Seja qual for o propósito de projeto, o desenho está presente enquanto forma de representar a realidade, ideias, especulações, concepções. A escala, fator que estabelece o nível de leitura que se deve fazer dessas representações, determina o vínculo entre o mundo real e as dimensões do desenho ou maquete - não por acaso, a escala 1:1 é conhecida também como "escala real".
O analista GIS e cartógrafo húngaro Robert Szucs compartilhou conosco uma impressionante coleção de mapas que reúne todas as bacias hidrográficas do mundo, destacadas com cores vibrantes. Disponibilizadas no website de seu projeto Grasshopper Geography, as cartografias mostram o mapa mundi dos rios e cursos d'agua e, também, versões menores, com as bacias de alguns países e continentes.
As luzes de néon são uma afirmação ousada e cosmopolita que pode facilmente revitalizar ou acentuar um espaço ou estrutura arquitetônica. Com brilho atraente, uma infinidade de opções de cores e vínculos com uma estética retrô, essas peças de iluminação podem fazer com que um espaço pareça simultaneamente moderno e nostálgico. No entanto, poucos compreendem o funcionamento científico ou as propriedades materiais do néon, e muitos arquitetos negligenciam seu uso devido à sua estreita associação com sinalizações comerciais. Abaixo, exploramos como o néon funciona, sua história arquitetônica e como os arquitetos podem continuar a usá-lo hoje.
https://www.archdaily.com.br/pt/940792/como-a-iluminacao-de-neon-pode-moldar-a-arquiteturaLilly Cao
Para os/as estudantes que se formam este ano com a economia global em pausa, a “colação de grau” pode parecer mais com a entrada em um limbo. No entanto, embora a crise atual seja única, não é a primeira recessão de que se tem lembrança. Muitos/as arquitetos/as e designers do SOM já enfrentaram períodos de incerteza e, ao longo do caminho, aprenderam lições valiosas. Diante disso, a equipe decidiu compartilhar suas trajetórias.
Os assentamentos construídos sobre palafitas estão presentes em várias partes do mundo onde as populações sustentam suas vidas na constante interação com a água. Na Colômbia, as populações da Ciénaga Grande de Santa Marta, no departamento de Magdalena, são uma referência local que perdura desde os tempos anteriores à colonização espanhola nestes territórios. Atualmente, são habitações informais, fora do cadastro oficial. A Pontificia Universidad Javeriana e o escritório AGRA compartilharam conosco a pesquisa publicada em um livro com o qual apoiam a formalização documentada dessas moradias sob os parâmetros da representação arquitetônica, especificamente por meio do reconhecimento das tipologias de Nueva Venecia.