Construir é complexo. Se você já esteve lá, no canteiro de obras, entenderá isso. Não se trata apenas de ter atitude e compreender como liderar uma equipe de artesãos talentosos, pedreiros e especialistas, mas também de fornecer — ou, no mínimo, conhecer — os instrumentos necessários e corretos para que eles possam realizar cada tarefa da melhor forma possível.
É possível que os conhecimentos de construção adquiridos durante a sua graduação sobre este aspecto sejam mínimos até que você tenha acumulado a experiência de algumas obras, mas garantimos que conhecer as ferramentas disponíveis no mercado não apenas permitirá economizar, mas também acelerar o processo de construção e reduzir os esforços físicos, o que traz grandes vantagens.
Nesta ocasião, apresentamos um panorama geral dos diferentes equipamentos, ferramentas e máquinas mais utilizados na construção de obras de arquitetura.
Projetos complexos geralmente exigem sistemas estruturais robustos para suportar formas imaginativas. No entanto, a tecnologia de impressão 3D já demonstra o potencial de liberar possibilidades infinitas de design arquitetônico, sem comprometer a estética ou a durabilidade. A equipe de pesquisa do ETH Zurich, liderada por Benjamin Dillenburger, desenvolveu uma nova tecnologia de impressão 3D em areia que permite uma prototipagem rápida e a reutilização de materiais.
A tecnologia foi utilizada no projeto “DFAB House” para construir uma laje de concreto leve de 80 metros quadrados, o maior componente já fabricado com esse método. Sobre essa laje inteligente (Smart Slab), foi montada uma unidade habitacional de madeira com dois pavimentos, demonstrando como é possível simplificar projetos que combinam a resistência e a durabilidade das estruturas de concreto.
Espera-se de arquitetos e arquitetas a criação dos edifícios mais emblemáticos da sociedade. Ficamos maravilhados com museus, centros de artes cênicas e templos religiosos espalhados pelo globo, representações da singularidade de diversas culturas do mundo. No entanto, o cerne do papel e da responsabilidade desses profissionais deve residir na necessidade humana mais fundamental: o abrigo.
Isso não significa que esses profissionais participem do projeto de todas as formas de abrigo. Contudo, uma compreensão profunda das maneiras de habitar pode proporcionar uma percepção mais clara sobre a diversidade, a resiliência e a adaptabilidade humanas. The Human Shelter é um documentário sobre o que as pessoas valorizam ou necessitam em suas vidas, conectando-se a uma qualidade fundamental que todos os profissionais da arquitetura deveriam cultivar: a capacidade de escutar e de perceber o que faz alguém se sentir em casa.
A gentrificação não é apenas um tema atual, mas um assunto que preocupa muitas pessoas. Pode ser que hoje faça mais sentido falar em turistificação, ou que o fenômeno em si tenha mudado, mas, de certa forma, podemos englobar sob o termo gentrificação todos esses conceitos relacionados à expulsão de moradores "originais" de um bairro para serem substituídos por outros com maior poder aquisitivo ou por aluguéis de temporada.
Trata-se de um assunto que atrai o interesse de pessoas de todos os tipos, e não apenas de profissionais ligados ao urbanismo ou à arquitetura. Ele desperta a atenção de cidadãos que, como eu, buscam explicações ou tentam obter pistas sobre o que o futuro reserva em relação a essa tendência.
Do meu ponto de vista como engenheiro —mas, sobretudo, como morador de Madri—, decidi investigar os dados publicados pela Prefeitura sobre os estabelecimentos comerciais da cidade para ver se era possível extrair alguma conclusão a respeito. Este estudo surgiu com uma finalidade puramente exploratória, de forma independente. Eu não tinha nenhuma hipótese ou meta preconcebida, além de identificar certos bairros como gentrificados; a partir daí, iniciou-se a análise, sem descartar possibilidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117768/quao-gentrificado-esta-o-seu-bairro-luis-nadal-explora-o-caso-de-madriLuis Nadal
De que maneira o ambiente construído — seja fictício ou totalmente baseado na realidade — impacta a forma como vivenciamos e processamos o cinema? De produções independentes de menor circulação a grandes blockbusters, o modo como a arquitetura e o ambiente construído influenciam desde a ambientação e o cenário até os diálogos e o desenvolvimento das personagens tem efeitos profundos na experiência cinematográfica do público. A seguir, uma seleção que vai de lançamentos recentes a clássicos adorados pelos cinéfilos revela as inúmeras maneiras pelas quais o cinema utiliza a arquitetura para alcançar uma narrativa mais autêntica e abrangente.
Ao analisar detalhadamente a produção audiovisual contemporânea, não é exagero dizer que os vídeos de renderização digital de superarranha-céus emergiram como um novo gênero cinematográfico. Profissionais da arquitetura sabem muito bem que essas produções costumam ser lançadas muito antes da conclusão física dos edifícios. Como colegas de profissão, também é fácil notar um padrão recorrente: a estrutura narrativa desses vídeos digitais segue quase sempre um formato “padrão”. Ao som de uma trilha sonora imponente, o horizonte da cidade desliza pela tela, guiando o olhar do espectador até o topo de um arranha-céu. Lá em cima, os vídeos revelam invariavelmente a mesma cena: um homem de negócios em silêncio, contemplativo, observando a paisagem urbana através da janela. Esse arquétipo do “executivo de elite” é quase sempre representado por um homem branco, elegantemente vestido e imerso em seus pensamentos. A seguir, apresentamos alguns exemplos emblemáticos desse fenômeno:
Como arquitetos/as, todos/as temos uma queda por paredes, janelas e tudo o que há entre elas. A conta do Instagram apropriadamente batizada de @ihaveathingforwalls celebra a beleza das paredes—descascadas, pintadas, coloridas ou em ruínas. A partir de uma curadoria de imagens enviadas por seus/suas seguidores/as, a página exibe fotografias de paredes que vão de Varsóvia a Hong Kong, em verdadeiros instantâneos da beleza cotidiana.
Faça um tour por paredes de todo o mundo a seguir e inspire-se a prestar um pouco mais de atenção às superfícies ao seu redor:
Os templates de Revit são o ponto de partida para se trabalhar no software, pois contêm os elementos e configurações básicas necessárias para qualquer tipo de projeto. Dessa forma, cada escritório de arquitetura vai criando diferentes templates para os seus diversos projetos.
Se você está começando a trabalhar no Revit ou quer complementar os seus templates já criados, apresentamos a seguir dois templates que contêm tudo o que você precisa para iniciar de forma eficaz no mundo BIM, em suas versões 2017 e 2018.
Por ocasião do falecimento do prolífico arquiteto equatoriano Rubén Moreira (1939-2018), no último dia 13 de julho, em Quito, a equipe da Revista Trama, integrada por Evelia Peralta, Rolando Moya Tasquer e Rómulo Moya Peralta, compartilhou as seguintes palavras como homenagem ao histórico arquiteto, acadêmico e presidente de associação profissional.
Despedimo-nos de Rubén Moreira com pesar, profundamente consternados por sua partida, em um momento no qual ele ainda tinha muito a pensar e desenvolver, a dar e viver.
Não esqueceremos o ser humano e o arquiteto que deixou uma marca indelével na arquitetura do Equador. Podemos atestar sua profunda qualidade humana; ele foi solidário e amigo, coerente com seus ideais e convicções. Encontramo-nos com ele em diversas ocasiões ao longo de mais de 42 anos, sempre buscando contribuir para uma construção mais justa e bela da sociedade, da cidade, da arquitetura, das instituições, da docência e dos seres humanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117959/homenagem-postuma-a-ruben-moreira-um-nome-historico-na-arquitetura-equatorianaRevista Trama
Verão. Férias. Duas palavras mágicas que certamente aliviarão toda a fadiga e o esgotamento de um ano inteiro de trabalho ou estudos. Com a chegada dessa época do ano, a maioria das pessoas já está ocupada planejando seus roteiros de viagem. Seja em uma viagem urbana a Paris para ver a Torre Eiffel e o Louvre, ou em uma jornada para caminhar pela Grande Muralha da China, a maior parte dos viajantes optará por riscar marcos icônicos de sua lista de desejos. No entanto, Londres vai muito além da Tower Bridge e do Palácio de Buckingham, assim como Barcelona é muito mais do que as obras de Gaudí. Na verdade, existem centenas de estruturas extraordinárias e subestimadas que passam completamente despercebidas.
Se você está planejando uma escapada em breve, apresentamos aqui uma lista de joias arquitetônicas escondidas que valem a visita.
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Vista noturna da Europa Ocidental: Inglaterra (canto superior direito), Paris (cidade brilhante perto do centro da imagem), Bélgica e Países Baixos (centro-direito do quadro). Imagem cortesia da Earth Science and Remote Sensing Unit, NASA Johnson Space Center
As imagens de satélite que revelam a Terra à noite são de uma beleza impressionante, mas também expõem a gravidade da nossa poluição luminosa. Por que desperdiçamos tanta energia iluminando áreas desnecessárias? Imagens de alta definição revelam como a humanidade ilumina o céu noturno e evidenciam o avanço da urbanização. Atualmente, esses dados integram o desenvolvimento de diversos projetos, uma vez que fenômenos ecológicos, políticos e sociais podem ser observados diretamente por meio dessas imagens noturnas.
Toda cidade tem uma história. Ao longo do tempo, transformações de ordem natural ou antrópica alteraram o desenho original de muitos centros urbanos. Em alguns casos, a forma urbana desenvolveu-se como resultado de disputas políticas, divisões religiosas ou segregações de classe. Em outros, uma abordagem mais híbrida gerou atmosferas de uma pluralidade cultural única. Embora o desenvolvimento urbano costume ser um processo lento, de tempos em tempos as cidades sofrem alterações drásticas e imediatas em sua malha — frutos de desastres naturais, conflitos armados ou catástrofes industriais.
O desdobramento desses episódios revela muito não apenas sobre o próprio município, mas também sobre a cultura local. As cidades se reconstroem exatamente como eram antes? Ou utilizam a tragédia como uma oportunidade de reinvenção? A seguir, apresentamos uma seleção de cidades que superaram catástrofes para renascer das cinzas.
A "Operação Chamartín", proposta há 25 anos e nunca iniciada, alcançou recentemente um acordo de bases entre a Prefeitura de Madri, a Adif/Ministério do Fomento e o consórcio Distrito Chamartín Norte, que reúne os operadores privados interessados na iniciativa: o BBVA e a Construtora San José.
Como costuma ocorrer nesses casos, o acordo propõe uma solução intermediária entre a postura maximalista representada pelo DCN (3,37 milhões de m² de área edificável lucrativa máxima, incluindo um total de 18.748 moradias, sendo 90,54% de mercado livre) e a proposta minimalista apresentada há menos de um ano pela Prefeitura de Madri (1,75 milhão de m² de área edificável, 4.587 moradias, das quais 20% seriam de habitação de interesse social).
https://www.archdaily.com.br/pt/1117426/operacao-chamartin-especulacao-ou-rentabilizacao-urbanisticaRamón López de Lucio
No final de novembro passado, publicamos as propostas vencedoras da segunda convocatória de trabalhos de conclusão de curso na Colômbia, também conhecidos como teses de graduação, na qual recebemos 70 projetos vindos de 14 cidades e 29 universidades. Ao final, nove projetos passaram pelas três etapas de avaliação, destacando-se por abordar questões conjunturais, desenvolver análises profundas de pesquisa e propor desafios tanto no âmbito urbano quanto no rural, assim como em 2016.
Nesta ocasião, conhecemos em detalhes o Modelo de assentamento rural sustentável em Yopal Casanare, proposta selecionada para a edição de 2017 do Archiprix Internacional e desenvolvida por Daniel Vanegas e Tatiana Cantor, ambos com formação pela Universidad Piloto de Colombia.
Arquitetura para a Paisagem: o curso de especialização da YACademy oferece 8 bolsas de estudo e estágios em escritórios de arquitetura de renome internacional. São 110 horas de aulas, um workshop de 60 horas e estágios/palestras em escritórios reconhecidos mundialmente como Eduardo Souto de Moura, Jean Nouvel Design, Snøhetta, HHF, Duque Motta & AA e Stefano Boeri Architetti.
Desde a Grécia Antiga, o espaço público tem sido o principal local de encontro e socialização em cidades e vilas, servindo de suporte para uma multiplicidade de atividades, bem como para o debate político e o empoderamento coletivo. Um bem comum a partir do qual é possível fomentar a igualdade, o respeito e a solidariedade como base para uma sociedade mais justa. Uma das principais características do espaço público é a sua capacidade de adaptação e abertura a novos desafios e novos usos.
No entanto, nos últimos anos, a concessão de licenças para a ocupação da via pública tornou-se um negócio em expansão para as prefeituras. A regulamentação e a limitação legal do uso de nossas praças e outros espaços por meio de posturas ou regulamentações municipais é uma das principais dimensões da privatização do espaço público. Entendemos a privatização como o processo pelo qual são estabelecidas as condições que restringem o livre acesso a um bem comum. A superexploração do espaço público para o benefício de empresas estabelece um modelo urbano consumista e pouco recomendável para a cidadania.
O falecido arquiteto britânico Will Alsop era conhecido por sua atitude exuberante e irreverente, que se materializava em um portfólio expressivo e pictórico de obras educacionais, cívicas e residenciais. Com apenas 23 anos, conquistou o segundo lugar no concurso para o Centre Georges Pompidou em 1971. A partir de então, colaborou com o sempre bem-humorado Cedric Price antes de fundar seu próprio escritório com John Lyall e, posteriormente, com diversos outros parceiros no início dos anos 1980. Com uma carreira de quase cinquenta anos, apresentamos a seguir dez obras icônicas de um/a arquiteto/a que nunca perdia a oportunidade de brincar.
O nome de Jorn Utzon está, para a maioria das pessoas, indissociavelmente ligado à sua obra mais famosa: a Ópera de Sydney. Concluído em 1973, o projeto foi declarado Patrimônio Mundial em 2007, tornando Utzon apenas o segundo arquiteto (depois de Oscar Niemeyer) a receber tal honra em vida. Trata-se, indiscutivelmente, de uma das obras de arquitetura mais reconhecíveis e significativas do século XX, que continua à frente de seu tempo. No entanto, o detalhamento intransigente e o caráter futurista de seus projetos fizeram com que muitas de suas obras permanecessem não construídas ou desconhecidas até sua morte, em 2008.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117460/concurso-utzon-unbuilt-lanca-nova-luz-sobre-as-obras-do-mestre-dinamarques-e-convida-o-publico-a-participarKatherine Allen
A percepção da arquitetura varia de pessoa para pessoa. O “estilo” costuma ser uma classificação fácil, seja ele tradicional ou moderno. A arquitetura residencial popular é frequentemente rotulada de forma desdenhosa por profissionais da área como “vernácula”. A consolidação da imagem do produto da profissão — um corpo de trabalho materializado em edifícios e seu significado em nossa cultura, celebrado pelo American Institute of Architects (AIA) — possui diversos níveis de reconhecimento, desde prêmios de delegações locais do AIA até distinções nacionais.
Nenhum prêmio do AIA tem mais significado ou prestígio dentro da profissão do que o “Twenty-five Year Award” (Prêmio de Vinte e Cinco Anos) para edifícios que “resistiram ao teste do tempo”. A honraria vinha sendo concedida ininterruptamente nos últimos 56 ans. No entanto, este ano, o júri de design encarregado de selecionar uma obra seminal optou por não premiar nenhum projeto, desconsiderando qualquer edifício construído há 25 ou 35 anos.
A partir do Blog da Fundación Arquia, a arquiteta María Álvarez García traz um artigo sobre o polêmico ressurgimento das cidades-jardim nos planos urbanísticos da Inglaterra, os quais estão esvaziando os centros de suas cidades — ideias que levam a uma inevitável segregação de usos que não é sustentável nem contribui para seu desenvolvimento social e econômico.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117476/cidades-jardim-do-amanhaMaría Álvarez García
Nas ruas movimentadas de Seul, o Dongdaemun Design Plaza, projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects, consolidou-se como um marco atípico na paisagem urbana. A arquitetura complexa, porém contínua e fluida, encapsula a energia do centro cultural de Dongdaemun, uma região que conquistou o título de "cidade que nunca dorme" graças ao dinamismo de seu mercado de moda noturno.
Ao explorar as curvas sinuosas do edifício, Andres Gallardo registrou os componentes fluidos e contínuos de sua estrutura. Embora as imagens quase não revelem a presença de pedestres, a própria tensão e o dinamismo da arquitetura expressam a intensidade das atividades que ali ocorrem tanto de dia quanto de noite. Situado sob um parque público de pedestres na cobertura, o Dongdaemun Design Plaza abriga amplos espaços para exposições internacionais, um museu de design, lojas de varejo com funcionamento 24 horas, um centro de mídia e diversas outras instalações distribuídas por seus múltiplos níveis.
Segundo o censo de 2007, o último do qual conhecemos os resultados, cerca de 50% da população de Lima vive em bairros urbanos marginais (BUM) [1], os quais se definem como núcleos urbanos que apresentam níveis de pobreza monetária e carecem de serviços de infraestrutura e equipamentos (MVCS 2012) [2]. Embora o grande crescimento desse tipo de assentamento tenha ocorrido entre 1985 e 1995, até o momento não cessou a invasão de terras públicas, o que representa, em seu conjunto, um dos principais problemas urbanos e sociais a serem resolvidos em nossas cidades.
Durante muitos anos, a Cidade do México tem sido o que muitos autores chamam de 'um organismo vivo', que se constrói dia após dia e se coreografa de diferentes formas. O trabalho de Santiago Arau retrata uma cidade onde o tempo passa, uma cidade que se constrói por seus/suas habitantes, passando de tomadas aéreas ao olhar cotidiano de um/a morador/a no transporte público. Não perca este time-lapse que permite imaginar (ou recordar) como é habitar a Cidade do México em um minuto.