Em 2005, quando eu era estudante de arquitetura na Universidade Columbia, visões de Bilbao pairavam na mente de meus colegas de turma, que corriam para um estúdio de arquitetura cujo briefing consistia em projetar um museu Guggenheim totalmente novo na Governors Island. Admito que a perspectiva de exibir um espetáculo na exposição de fim de ano de Columbia era sedutora. No entanto, a pesquisa de campo para aquela disciplina exigia apenas viagens de metrô e balsa, ao passo que uma matéria oferecida pelo programa de preservação histórica prometia uma viagem a Roma. Abri mão de criar mais um ícone de papel para Nova York e viajei para a Esposizione Universale Roma por uma semana naquele outono.
A história dos edifícios dos Estados Unidos foi moldada pela inegável cultura que seus/suas habitantes vêm construindo ao longo do tempo. Por isso, longe de serem apenas objetos arquitetônicos, eles evocam momentos que expressam os anseios de sua população em diferentes contextos políticos e econômicos. Em todos os casos, essas edificações representam a luta diária que traz consigo o legado monumental de quem ali viveu.
As refeições ao ar livre têm se mostrado uma verdadeira tábua de salvação para os restaurantes, não apenas em Nova York, mas em todo o país, já que o atendimento em ambientes fechados permanece inviável neste momento da crise do novo coronavírus. Diante de decretos restritivos, no entanto, arquitetos/as, urbanistas e proprietários/as de restaurantes em todo o território norte-americano foram forçados/as a buscar alternativas criativas para proteger os clientes do contágio, sem abrir mão de criar áreas externas esteticamente agradáveis.
Há um novo protagonista chamando a atenção no próspero bairro de Bushwick, no Brooklyn. Com sete pavimentos, 500 unidades residenciais e ocupando uma área de cerca de 45.400 metros quadrados, o The Rheingold é um dos maiores empreendimentos residenciais multifamiliares do Brooklyn até hoje.
Historicamente, os materiais pétreos ofereceram às culturas antigas a possibilidade de criar estruturas robustas a partir do entrelaçamento de pedras de diversas formas e tamanhos. A simplicidade da técnica e a possibilidade de obter resultados eficientes e duradouros incentivaram a transmissão deste método construtivo ao longo do tempo, permitindo o desenvolvimento de múltiplas variações e reinterpretações arquitetônicas contemporâneas.
No interior dos espaços residenciais, as arquitetas e os arquitetos decidem dar maior ou menor protagonismo a certas áreas dentro do programa, dependendo das preferências de cada cliente. Há quem prefira priorizar os espaços mais íntimos, e há quem prefira as áreas mais sociais, sendo a cozinha uma delas.
Embora a função pragmática da cozinha seja o preparo de alimentos, são poucos os lares onde esse ambiente não se torne um espaço de convivência. Mesmo em habitações como a ruca mapuche, há um fogo no centro utilizado tanto para cozinhar quanto para aquecer e secar com o calor e a fumaça. Conceitualmente, isso transmite a mesma atmosfera acolhedora das cozinhas urbanas integradas. Hoje em dia, o fogo é controlado por fogões que, por questões de combustível, atualmente tendem a ser substituídos por modelos de indução, mais seguros e com melhor controle de temperatura. No entanto, a essência do lar permanece a mesma, e a arquitetura contemporânea tem permitido que a cozinha se integre novamente às demais atividades e áreas sociais.
As imagens apresentadas por profissionais de visualização têm permitido uma imersão total em ambientes construídos virtualmente; explorando o espaço, observando como os raios de sol criam um diálogo entre luz e sombra e experimentando o que se poderia ouvir ou sentir ao caminhar de um cômodo a outro, tudo isso antes mesmo do início das escavações e do assentamento do primeiro bloco.
Em entrevista exclusiva ao ArchDaily, o profissional da Luxigon, Eric de Broche des Combes, fala sobre sua carreira, a criação de visualizações ampliadas, como elas influenciam um projeto e o que o futuro reserva para o setor.
Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge como "The Genius, Heart and Humility of Indian Architect B.V. Doshi"
Estou em uma movimentada cafeteria de subúrbio conversando com o pacato arquiteto indiano Jitendra Vaidya, com seu jeito sereno de avô. Quando comecei minha trajetória como estagiário/a de arquitetura no final dos anos 90, Jitendra era um dos projetistas técnicos mais experientes que eu conhecia. Sentindo-se igualmente à vontade para avaliar os méritos relativos de diferentes detalhes de rufos ou para discutir conceitos abstratos de projeto, Jitendra é um arquiteto universal, da velha guarda. Após mais de meio século em uma profissão famosa por prazos massacrantes, ele ainda mantém um brilho alegre no olhar ao falar sobre arquitetura. Assim, não surpreende que Jitendra esteja visivelmente animado hoje ao me falar sobre seu mestre, o homem que acaba de ser reconhecido como um dos maiores arquitetos vivos do mundo, B.V. Doshi.
Mapas sonoros é um projeto do Archivo Usted no está aquí que registra de maneira não tradicional as cidades e povoados do território latino-americano. Constituindo um “mapa de mapas”, o site reúne mais de 40 páginas independentes com arquivos sonoros de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Uruguai, formando um grande diário de bordo de documentos de áudio georreferenciados que oferecem uma maneira alternativa de cartografar e compreender a América Latina.
A habitação de interesse social é um dos temas de maior interesse para os nossos leitores, constituindo uma problemática transversal na grande maioria dos países latino-americanos. Na Colômbia, o desafio é ainda maior quando se trata de HIS rurais, visto que a infraestrutura existente não permite uma cobertura digna em toda a extensão do território.
Cada cidade possui edifícios singulares que definem sua identidade. Paris tem o Centro Pompidou, Londres tem o Lloyd's, Nova York tem o Museu Guggenheim. Obviamente, Chicago, a capital mundial da arquitetura, não é exceção, abrigando o James R. Thompson Center. O edifício foi nomeado em homenagem ao governador republicano de Illinois, que exerceu quatro mandatos consecutivos entre 1977 e 1991, cuja visão audaciosa viabilizou a inauguração da obra em 1985. Sede de escritórios do governo do estado de Illinois, a estrutura se diferenciava drasticamente de tudo o que havia sido construído até então.
Enquanto os governos do mundo clamam pelo “distanciamiento social” e alguns deles militarizam o espaço público recorrendo à violência e pulverizando a coletividade, o Exército Zapatista de Libertação Nacional faz um chamado para “erguer bem alto a bandeira da luta pela humanidade”, a não perder o contato humano e a não deixar cair as lutas sociais.
A COVID-19 chegou à América Latina há pouco mais de um mês e, para além dos grandes desafios que possa representar em termos de saúde e infraestrutura hospitalar, é alarmante o contexto particular de pobreza, desigualdade, extrativismo, violência de gênero e racismo que vivemos nesta região do mundo, o que torna esta crise – econômica e sanitária – uma batalha pelos direitos humanos. Se há um ponto em comum entre todos os países que enfrentam o vírus há meses, é que a única forma de frear a pandemia é ficando em casa e lavando as mãos constantemente. No entanto, #ParaFicarEmCasaÉPrecisoTerUma, como seguir tais recomendações quando não se tem um lar para se proteger? De que forma podem lavar as mãos as mais de 34 milhões de pessoas que não têm acesso à água no continente?
https://www.archdaily.com.br/pt/1126771/a-pandemia-torna-visivel-o-que-sempre-esteve-la-desigualdade-e-individualismoMariana Ordoñez y Jesica Amescua
Para esta seleção especial de fim de ano, o ArchDaily compilou uma lista com os Melhores Projetos Não Construídos enviados por escritórios consagrados e reconhecidos. Abrangendo desde propostas conceituais e em desenvolvimento até, em alguns casos, obras já em andamento, esta seleção curada cobre um amplo espectro de programas e abordagens.
Com projetos de KPF, Sasaki, COOKFOX e FCBStudios, para citar apenas alguns, o artigo desta semana destaca intervenções ao redor do mundo. As propostas abrangem a transformação de um terminal em Manhattan, um empreendimento integrado de uso misto no centro de Belfast, a regeneração de um distrito inteiro em Xangai e a modernização da infraestrutura da estação de pesquisa Davis, na Antártica.
Gonzalo Nicolau. Imagem adaptada do projeto 'HABANA PUERTO DE COMIDAS'. Publicado em Os 10 melhores projetos de fim de curso projetados por estudantes de arquitetura na Argentina em 2017
Consideramos que a produção das universidades da América Central e do Caribe é imensa, porém muitas vezes invisibilizada. Por isso, acreditamos ser necessário realizar uma chamada para divulgar os melhores projetos de conclusão de curso resultantes delas.
As abordagens acadêmicas podem ser verdadeiros trabalhos intelectuais e críticos. Assim, o objetivo desta chamada é evitar que fiquem guardados, acumulando poeira nas estantes e perdendo a oportunidade de gerar uma mudança real em nossas cidades e na maneira como habitamos e pensamos.
Se você considera que seu projeto de conclusão de curso realizado no ano de 2019 é interessante e qualificado o suficiente para ser publicado em nosso site, e que o grande esforço empenhado merece ser reconhecido pelo restante da comunidade, não hesite em enviá-lo por meio do formulário localizado ao final deste artigo.
Em tempos em que o tempo só parece disponível para o que é prioritário, em nossa disciplina, grande parte dos profissionais de projeto desenha sem considerar o contexto real de implantação de suas obras. No entanto, há quem dedique tempo e paixão para vivenciar essas etapas e construir de mãos dadas com os usuários e usuárias.
Diante do cenário atual, a pandemia de COVID-19 provavelmente exercerá uma influência duradoura sobre a próxima era da construção e do design, moldando a forma como construímos em cada fase, incluindo projeto, materiais e protocolos de obra. É possível que profissionais de arquitetura e engenharia continuem trabalhando remotamente, revisando projetos e especificações de forma virtual. Fabricantes talvez precisem ampliar o distanciamento em suas áreas de produção ou, ainda, recorrer a uma maior automatização.
As cidades são a síntese de milhares de anos de acordos, tão frágeis quanto nós, mas, ao mesmo tempo, maravilhosamente adaptáveis às mudanças. Por isso, continuam sendo o melhor ecossistema para o desenvolvimento de nossas vidas, já que, graças à densidade, nos permitem maximizar os benefícios dos equipamentos, serviços e espaços públicos que criamos como suporte para o bem-estar a que aspiramos.
Aparentemente, tudo isso está em crise hoje, em decorrência da pandemia causada pela disseminação da covid-19; no entanto, se analisarmos nossa história, encontraremos epidemias muito mais letais que nos deixaram como consequência melhorias substanciais na forma como vivemos.
Aparentemente, a crise humanitária desencadeou um sem-número de ações usualmente escassas, nas quais a vida humana, a saúde e a economia estão no mesmo patamar. As atividades das cidades são interrompidas e, mais uma vez, nos isolamos, nos alienamos. No entanto, a situação se assemelha a algo com o qual já estamos acostumados. Sem grandes questionamentos, voltamos novamente nossas vidas para a tecnologia, nos desligamos das condições naturais de nossa existência e tornamos a quarentena mais suportável em espaços de teletrabajo, aulas virtuais, chats e redes sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126840/arquitetura-de-uma-crise-a-pandemia-e-os-espacos-virtuaisJulián Jerez V.
O vilarejo histórico de Indein, no Mianmar, foi fundado por monges por volta do século III a.C. com o objetivo de difundir o budismo pelo país. Centenas de pagodes, ornamentos e estátuas de Buda foram construídos na região, mas, com o tempo, o vilarejo foi abandonado e seus templos acabaram consumidos pela vegetação. Hoje, o local se apresenta como uma contradição visual entre o antigo e o novo, à medida que teve início um processo de renovação e preservação das estruturas históricas pouco a pouco, cercando os templos em ruínas com estupas brancas totalmente novas.
O/A fotógrafo/a Romain Veillon teve a oportunidade de explorar e fotografar Indein, capturando os vestígios brutos desse sítio histórico.
Em junho de 1954, um artigo publicado na revista House & Home dizia: “Os japoneses tiveram algumas de nossas melhores ideias — há 300 anos”. A matéria destacava três atributos principais da Vila Imperial de Katsura, em Kyoto, construída na década de 1620: a planta aberta estruturada em pilares e vigas, o uso de varandas para controle climático e sua modularidade baseada em esteiras de tatame e painéis shoji.
A Escola Hessenwald em Weiterstadt, Alemanha, é um exemplo de arquitetura contemporânea e energeticamente eficiente que propõe um novo modelo pedagógico e de ensino. No centro do edifício e desse modelo conceitual, encontra-se um átrio de três andares, muito bem iluminado e ventilado.
A cidade de Mérida – capital do estado de Yucatán, no México – é uma das regiões que tem experimentado um importante boom na arquitetura nos últimos anos, impulsionada pelo talento emergente que vem conquistando prêmios e bienais em todo o país. Devido ao seu clima tropical, a arquitetura local responde a condições geográficas específicas que fazem da cidade um dos destinos mais visitados.