
Artigos
De Abu Dhabi a Oklahoma City: Arquitetura Hoje e Novos Anúncios de Heatherwick Studio, MANICA, Kengo Kuma e Outros

Construir com as comunidades: escolas rurais que integram técnicas e materiais locais na América Latina

Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.
Melhores Artigos de 2025: Práticas Plurais, Respostas Ambientais e uma Arquitetura do Cuidado

Ao longo dos últimos anos, o discurso arquitetônico tem sido moldado pela emergência de novas vozes, territórios redescobertos e por um compromisso crescente com formas compartilhadas de conhecimento. Essas preocupações permanecem plenamente presentes em 2025 como debates contínuos que ganham cada vez mais densidade e nuance. Questões sobre quem produz arquitetura, a partir de quais contextos e sob quais condições continuam centrais, cada vez mais informadas por práticas que operam de forma coletiva, interdisciplinar e para além da autoria individual.
Essa continuidade se reflete em como a arquitetura é entendida menos como um objeto acabado e mais como um processo contínuo integrado a sistemas sociais, culturais e ambientais. Persistem as discussões sobre agência, participação e produção de conhecimento, acompanhadas de uma atenção contínua a contextos rurais, periféricos e historicamente marginalizados. Em vez de privilegiar uma única escala ou geografia, a arquitetura é abordada como uma prática que transita entre territórios, reconhecendo as condições desiguais que moldam como os espaços são projetados, construídos, mantidos e habitados.
Conheça os projetos vencedores da próxima edição do Festival Concéntrico 2025 em Logroño

O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
Entre História e Inovação com o Terrazzo

As pedras guardam o tempo. Algumas são formadas pela solidificação repentina do magma, como o basalto, cuja estrutura densa e cor escura resultam do resfriamento rápido na superfície. Outras, como o granito, nascem lentamente em profundas câmaras magmáticas, onde o resfriamento gradual permite o crescimento de cristais visíveis, criando padrões e cores únicos. Há também as rochas sedimentares, formadas pela compactação de detritos minerais e orgânicos ao longo de milhões de anos, com tons que refletem sua composição química e o ambiente em que foram depositadas. Ao transformar essa diversidade geológica em uma superfície contínua única, o terrazzo surge como um composto cimentício ou mineral no qual fragmentos de mármore, granito, quartzo, basalto e outras litologias são incorporados a uma matriz aglutinante e, em seguida, polidos para revelar a estrutura e o brilho de cada partícula. Diferentemente de uma superfície homogênea, o terrazzo atua como uma vitrine mineralógica, onde cada agregado preserva sua identidade ao mesmo tempo em que contribui para um todo coerente, podendo se transformar em pisos, revestimentos de parede ou até mesmo mobiliário.
Por trás de 8.000 portas: por dentro de três projetos de arquitetura de destaque

Sob a marca suíça Arbonia, estão representadas 14 marcas individuais e duas subsidiárias. Embora a marca, que agora faz sua há muito esperada estreia pública, possa parecer nova, o portfólio de projetos realizados certamente não o é. Um olhar sobre o arquivo de referências, apresentado com destaque pela Arbonia, comprova isso. Entre eles estão projetos de construção para o setor de saúde, escritórios e administração, edifícios históricos, instituições de ensino, hotelaria e empreendimentos residenciais. Três destaques específicos se sobressaem por personificarem de forma única o lema da Arbonia: 'aberto às aspirações'.
Dando vida ao design curvo com produtos de acabamento curvos

A famosa atriz Mae West certa vez descreveu a curva como "a distância mais encantadora entre dois pontos". Embora ela estivesse se referindo ao corpo humano, essa observação vai além da aparência física e toca no cerne daquilo que conforta e acalma a psique humana no design da natureza.
Colinas ondulantes, o arco de uma onda no oceano, o brilho intenso do amanhecer no horizonte—essas formas naturais evocam paz e serenidade a quem as observa. Ao projetar ambientes de trabalho e espaços comuns, é importante que os/as profissionais de design se lembrem de que existem pouquíssimas linhas retas na natureza. Quando bordas suaves, tetos em arco e paredes curvas são aplicados ao interior de um edifício, o design da natureza é trazido para dentro.
Encenando a Cultura: O/A Arquiteto/a como Curador/a

A arquitetura nunca se limitou ao ato de construir. Ela negocia constantemente entre a prática material e a reflexão intelectual; no entanto, ao longo dos séculos XX e XXI, muitos/as arquitetos/as sentiram que o projeto construído, por si só, era insuficiente para responder à totalidade das questões que se colocavam à disciplina. Pressões econômicas, contextos políticos e exigências programáticas frequentemente limitavam o escopo da prática profissional.
Em contrapartida, as exposições e plataformas curatoriais criaram espaços de experimentação e crítica, abrindo arenas onde a arquitetura podia interrogar a si mesma, onde seu passado podia ser reinterpretado, seu presente desafiado e seu futuro projetado. Nessa tensão, surgiu a figura do/a arquiteto/a-curador/a, tratando a própria curadoria como uma forma de projeto — não de paredes ou fachadas, mas de discursos, narrativas e estruturas de significado.
O que são metamateriais? Inovações na arquitetura, da invisibilidade acústica à proteção sísmica

O futuro da indústria da arquitetura reserva inúmeras possibilidades à medida que as pesquisas na área avançam. Entre as inovações está a capacidade de tornar estruturas acusticamente invisíveis, absorver a energia de terremotos ou captar eletricidade a partir dos sons ao redor. Atributos dessa natureza podem ajudar a redefinir a funcionalidade e a sustentabilidade das edificações. Profissionais de arquitetura e cientistas estão na vanguarda dessa criação. O que torna isso viável são metamateriais que podem oferecer métodos alternativos para projetar edifícios de qualidade.
Impulsionando uma nova era de colaboração em design com as ferramentas da BoConcept

As origens modestas da BoConcept – empresa de mobiliário fundada em 1947 pelos jovens marceneiros Jens Ærthøj e Tage Mølholm na pacata cidade de Herning, na Jutlândia – contrastam fortemente com sua posição como um ícone do design dinamarquês. Ao resgatar e refinar os pilares da tradição, simplicidade, marcenaria artesanal, funcionalidade e qualidade ao longo de 70 anos, a marca tornou-se o nome de mobiliário dinamarquês mais reconhecido globalmente. Esse sucesso se materializa em peças atemporais como a poltrona Imola, de estilo mid-century (inspirada na forma de uma bola de tênis desconstruída), e no minimalismo acolhedor de seu sofá Bellagio – sem mencionar a presença de mais de 300 lojas em mais de 65 países.
Resultados do Concurso Museum of Emotions da Buildner: Arquitetura que fala sem palavras

A Buildner anunciou os resultados da 6ª edição do Museum of Emotions Competition.
O Museum of Emotions é um concurso internacional de projetos anual que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções. O edital propõe o projeto de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para evocar sentimentos positivos. Os/As participantes têm total liberdade para escolher qualquer terreno, real ou imaginário, bem como definir a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto à interpretação: quais duas emoções um/a designer consideraria opostas? Como um/a arquiteto/a poderia conceber espaços que despertem medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
O Museum of Emotions é um concurso "silencioso": ou seja, os/as participantes devem comunicar suas ideias sem o uso de textos, utilizando apenas imagens. Nenhuma forma de texto é permitida — sejam memoriais descritivos, anotações ou mesmo legendas de diagramas.
Silêncio compartilhado, diálogos vibrantes: estratégias de design para espaços negligenciados no ambiente de trabalho

Qual é o sentido do espaço arquitetônico se ele não for usado e vivenciado? Essa reflexão ampla toca no propósito essencial e na sustentabilidade da própria arquitetura. Trata-se de uma questão que talvez seja ainda mais relevante hoje para escritórios que correm o risco de ficarem vazios em uma era de trabalho remoto e híbrido. Diante disso, um desafio fundamental para o design contemporâneo é aprimorar o ambiente de trabalho de modo a incentivar a presença física das pessoas.
Além da metrópole: estratégias para projetos residenciais no interior de Taiwan

A ilha de Taiwan apresenta um contexto natural e topográfico variado, caracterizado por uma área territorial de 36.197 quilômetros quadrados e uma alta densidade populacional de 644 habitantes por quilômetro quadrado. Sua localização geológica, situada na divisa entre as placas tectônicas da Eurásia e do Mar das Filipinas, resulta em uma topografia predominantemente montanhosa e acidentada. Embora essa condição force a maioria dos 23 milhões de habitantes a residir em grandes centros urbanos nas planícies costeiras ocidentais, a ilha mantém um setor agrícola ativo, com cerca de 22% de suas terras destinadas ao cultivo.
Maison Guiette: o posto avançado modernista de Le Corbusier em Antuérpia, Bélgica

Entre as ruas tradicionais de Antuérpia, onde sobrados centenários resistem como remanescentes de uma histórica cidade europeia, um volume branco e austero afirma discretamente sua presença. A Maison Guiette, projetada por Le Corbusier em 1926, é uma anomalia em seu entorno — uma afirmação ousada de modernidade em um contexto que ainda não a havia abraçado.
Embora hoje seja ofuscada pelas obras mais famosas do/a arquiteto/a, esta casa ocupa um lugar único na história: foi o primeiro projeto construído de Le Corbusier fora da França, um precursor de seus experimentos arquitetônicos posteriores e uma manifestação de seus princípios modernistas emergentes. Apesar de sua escala modesta, tratava-se de um manifesto em forma construída — uma casa que encapsulava a essência de uma revolução arquitetônica.
Redefinindo um marco industrial: o próximo capítulo urbano de Bratislava

Bratislava, a capital de rápido desenvolvimento da Eslováquia—localizada no coração da Europa—continua a fortalecer sua presença no mapa arquitetônico europeu. Como um polo crescente de design contemporâneo—que já abriga projetos de Zaha Hadid Architects, Massimiliano & Doriana Fuksas, Stefano Boeri, Studio Egret West e Snøhetta—, a cidade agora alcançou outro marco importante: foi anunciado um concurso internacional de arquitetura e desenho urbano para moldar o futuro do Zváračák, um dos últimos grandes vazios industriais próximos ao centro da cidade.
Do Vietnã à Polônia: 6 residências não construídas imersas na natureza

Em diferentes climas e paisagens, arquitetos e arquitetas estão reimaginando a casa como um lugar profundamente enraizado em seu entorno, onde a arquitetura e o meio ambiente trabalham em conjunto para promover o bem-estar. Esta seleção curada de residências não construídas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, foi concebida como uma série de santuários que oferecem refúgio do ritmo da vida urbana, aproveitando as qualidades restauradoras do verde, da água e do ar livre. A natureza atua como uma presença ativa, moldando pátios, orientando a circulação e influenciando a escolha de materiais e cores.
Quando um pavilhão se torna um laboratório vivo

Um pavilhão em uma Bienal serve como plataforma de expressão cultural, permitindo que uma nação articule sua identidade arquitetônica ao mesmo tempo em que responde a desafios globais. Essas exposições nacionais refletem como cada país interpreta o tema central do evento sob a ótica de suas próprias paisagens, histórias e aspirações futuras, reforçando a capacidade da arquitetura de atuar não apenas como uma disciplina construída, mas também como um catalisador de reflexão, transformação e diálogo. Nesse contexto, a contribuição de Montenegro ressoa com força especial. Intitulado Terram Intelligere: INTERSTITIUM, o pavilhão baseia-se no conceito de um sistema anatômico recém-compreendido de espaços preenchidos por fluidos que percorrem todo o corpo humano, facilitando conexões e trocas. Antes considerado denso e inerte, o interstitium (interstício) revela-se agora como uma rede de inter-relação dinâmica — uma metáfora que a equipe de curadoria utiliza para reformular a arquitetura como uma investigação ativa e viva sobre a inteligência natural, artificial e coletiva, em sintonia com o tema desta edição: Natural. Artificial. Coletivo.
Sente-se com as melhores cadeiras assinadas por arquitetos da Buildner

A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da terceira edição anual do seu concurso The Architect's Chair, que recebeu propostas excelentes de todas as partes do mundo. A Buildner publicou dois livros sobre o tema, destacando ideias fundamentais e projetos de destaque de suas edições anteriores. Com as inscrições já abertas, convidamos você a compartilhar sua visão da cadeira ideal até o dia 18 de setembro — envie sua proposta aqui.
O design de cadeiras exemplifica a natureza interdisciplinar da arquitetura, demonstrando a capacidade de arquitetos e arquitetas de adaptar habilidades e sensibilidades em diferentes escalas e contextos, atenuando as fronteiras entre arquitetura, design e arte. Essa versatilidade permite que esses e essas profissionais explorem novas ideias e desafiem noções convencionais sobre a estética, os materiais e a tecnologia das cadeiras.
Equilibrando habitabilidade e metas climáticas: O caminho de Edimburgo rumo à construção sustentável

Edimburgo, a capital da Escócia, é reconhecida há muito tempo por sua rica história cultural e por sua intrincada malha urbana. A cidade pulsa através de seus museus, de seus edifícios residenciais tradicionais (tenements) e de seu comércio integrado a edifícios georgianos. Em 2022, a Time Out elegeu Edimburgo como a melhor cidade do mundo, destacando sua eficiência na coesão comunitária e em sistemas urbanos como o transporte público. Contudo, à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam progressivamente visíveis no nível urbano, a cidade inevitavelmente se depara com um dilema urgente: como sustentar essa qualidade de vida sob condições cada vez mais desafiadoras.
O caminho em direção a esse equilíbrio envolve diversas estratégias interligadas — como o retrofit, o reuso adaptativo, o design circular e a colaboração comunitária —, onde cada uma delas contribui para consolidar a visão em constante evolução de Edimburgo rumo a um futuro urbano sustentável.
Redefinindo a domesticidade urbana: como o SO-IL transforma o conceito de lar

SO-IL (Solid Objectives – Idenburg Liu) é um escritório de arquitetura sediado no Brooklyn, Nova York, fundado em 2008 por Florian Idenburg e Jing Liu. Reconhecido por uma arquitetura profundamente engajada com os contextos social, cultural e ambiental, o estúdio concentra-se em explorar materiais inovadores, criar experiências espaciais fluidas e priorizar a sustentabilidade ecológica. O trabalho do SO-IL abrange diversas escalas e programas, refletindo sua abordagem versátil de projeto. Em 2024, seu projeto residencial 450 Warren, no Brooklyn, foi eleito pelo público como a Obra do Ano do ArchDaily na categoria habitação.
Em seu livro mais recente, In Depth: Urban Domesticities Today, o SO-IL explora a evolução do conceito de lar nos contextos urbanos contemporâneos, transformando-o "de uma fonte de vulnerabilidade em uma ferramenta de empoderamento". A publicação redefine a domesticidade como uma experiência ativa e compartilhada, e examina como arquitetos e arquitetas podem enfrentar desafios urbanos urgentes, tais como acessibilidade econômica, densidade e sustentabilidade. O trabalho do SO-IL defende uma habitação flexível e resiliente, que fomente o senso de comunidade ao mesmo tempo em que integra as dimensões ecológica e social. O ArchDaily conversou com a equipe de arquitetura sobre as soluções e ideias inovadoras apresentadas no livro, aprofundando-se em como seus projetos desafiam os sistemas convencionais e vislumbram um futuro no qual a arquitetura é um instrumento de emancipação.
Transformando resíduos de pranchas de surfe em casas resilientes ao clima no Havaí

O surfe é, sem dúvida, um dos esportes mais impactantes visualmente e fascinantes. Uma coreografia fluida que combina força e delicadeza, como uma dança sobre as ondas, atrai entusiastas por todos os oceanos do mundo. No entanto, por trás dessa imagem de liberdade e conexão com a natureza, o esporte também carrega contradições. É um símbolo de vida ao ar livre e respeito pelo oceano, mas, por outro lado, é marcado por disputas territoriais pelas ondas e por uma pegada ambiental que raramente recebe a mesma atenção dedicada à sua estética. Em tempos de crise climática, esse paradoxo se torna ainda mais evidente. O surfe depende diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos — justamente os mais afetados pela poluição e pelo aquecimento global. Essa tensão tem impulsionado uma nova geração de shapers, arquitetos/as e designers de materiais a buscar alternativas, desde espumas biodegradáveis e recicladas até o reaproveitamento de resíduos industriais, a fim de reconectar o esporte à sua dimensão ecológica.
Precisão sem contato e a revolução dos sensores TOF em espaços públicos

Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa vem transformando a maneira como interagimos com os objetos e sistemas no nosso cotidiano. O que antes exigia manivelas ou mecanismos rotativos, e posteriormente o pressionar de um botão, agora dá lugar a experiências cada vez mais fluidas, intuitivas e livres de toque. Essa mudança é evidente em banheiros públicos, onde a minimização do contato físico promove uma melhor higiene e reduz a propagação de patógenos. Ela também reflete uma transformação mais ampla nos paradigmas de conforto, acessibilidade e eficiência. Dispositivos sem toque, antes restritos a aplicações isoladas em hospitais, aeroportos ou edifícios corporativos, tornaram-se padrão em projetos que priorizam a experiência de uso e a sustentabilidade.
Projetando com Empatia: De Cidades Inteligentes a Cidades Sensíveis

O futuro das cidades tem sido definido há muito tempo pela inteligência: redes de sensores, dados e sistemas de engenharia. De algoritmos de fluxo de tráfego a painéis de controle climático, a cidade inteligente prometia tornar a vida urbana otimizada, mensurável e previsível. No entanto, em meio a essa abundância tecnológica, algo essencial parece ausente: a sensibilidade. As cidades estão se tornando cada vez mais equipadas para processar informações, mas menos capazes de perceber a atmosfera, a emoção ou o cuidado.
Como revelam os debates globais recentes sobre inovação urbana, o próximo desafio não é adicionar mais dispositivos, mas sim cultivar novas formas de consciência. Uma cidade sensível escuta seu clima, se adapta a seus habitantes e responde aos ritmos sutis do ambiente. Nessa transição da computação para a percepção, a arquitetura e o desenho urbano estão redescobrindo a inteligência como uma forma de empatia.
O Paradoxo de Cayalá: Como os distritos privados estão moldando o desenho do espaço público na Guatemala?

Ciudad Cayalá, uma comunidade de uso misto de iniciativa privada na periferia da Cidade da Guatemala, costuma ser descrita como um "parque temático" de paredes caiadas de branco, telhas vermelhas e praças de paralelepípedos. Contudo, uma análise mais detalhada revela uma narrativa urbana bem mais complexa. Sua verdadeira importância reside na capacidade de criar um espaço público seguro e bem gerido, propondo uma releitura contemporânea dos princípios urbanísticos históricos que marcam o patrimônio arquitetônico e urbano da região. Por trás das fachadas ao estilo de Antigua esconde-se um experimento urbano: um resgate moderno de elementos arquitetônicos como arcadas, pátios internos e praças abertas, que propõem um espaço público de gestão privada como resposta aos desafios urbanos da região.











