Praça Skanderbeg / 51N4E. Imagem cortesia de 51N4E
Nas últimas duas décadas, a Albânia tem sido um dos territórios de construção mais ativos da Europa. Dezenas de arquitetos e arquitetas internacionais têm trabalhado no país em projetos que prometem alterar o desenho, a estrutura e as cidades de uma nação que ainda se recupera dos regimes do século passado. Reconhecer esse crescimento e essas transformações na paisagem significa também admitir que, por trás de cada forma, há uma história, e que existem arquivos capazes de nos dizer mais do que a própria arquitetura.
Editado por Anneke Abhelakh e publicado pela Lars Müller Publishers, com prefácio do primeiro-ministro Edi Rama, The Albanian Files compila duas décadas de trabalho de sessenta escritórios internacionais de arquitetura na Albânia. Trata-se de uma publicação densa cujo formato, cor e presença marcante constituem, por si só, um manifesto sobre a leitura da história recente do país. O livro funciona como um documento expandido, uma cartografia dos vestígios deixados por esses processos. Grande parte do que ganha corpo em suas páginas descreve estruturas de poder, padrões de contratação e posicionamentos cujas consequências se revelaram controversas. Revelar é um gesto de transparência, mas também um sinal de que certas coisas jamais deveriam ter sido ocultadas. A Albânia, hoje mais do que nunca — em meio a suas aspirações de abertura territorial e ao desejo crescente de se integrar ao cenário global (por meio do turismo e da perspectiva de adesão à União Europeia) —, necessita dessa clareza.
A Pirâmide de Tirana foi inaugurada como um museu dedicado a Enver Hoxha em outubro de 1988, três anos após sua morte e três anos antes do colapso do regime. Nas décadas seguintes, o espaço funcionou como estação de rádio, centro de convenções, boate e base da OTAN durante a Guerra do Kosovo. Em 2023, o escritório MVRDV a reabriu como um parque e escola de tecnologia, adicionando degraus às fachadas para que as pessoas pudessem caminhar sobre o edifício. A inauguração coincidiu com a Cúpula dos Balcãs Ocidentais em 16 de outubro, data que, como apontaram alguns críticos, correspondia ao aniversário de Hoxha. Dois projetos de autodefinição nacional, separados por trinta e cinco anos e concebidos sob premissas políticas opostas, utilizaram a mesma estrutura.
O escritório OODA divulgou imagens do Hora Vertikale, um novo projeto para a capital da Albânia que incorpora unidades residenciais dispostas verticalmente, cercadas por um novo parque e oferecendo uma variedade de comodidades. O projeto sobrepõe sete tipos de volumes, cada um com sete pavimentos de altura e definido por uma identidade visual distinta inspirada em elementos urbanos e rurais. Desenvolvido em colaboração com a firma local Artech, o projeto recebeu aprovação da prefeitura e a construção está prevista para começar ainda no primeiro semestre deste ano.
O escritório suíço Oppenheim Architecture venceu um concurso de duas etapas para o projeto e restauração do Museu Besa em Tirana, Albânia. A instituição é dedicada a exibir o código de honra albanês representado pelo nome "Besa", um conceito que, resumidamente, significa receber qualquer hóspede como se fosse seu. O museu é uma extensão do Museu Judaico em Vlora, aprofundando-se no princípio de Besa e seu papel na ajuda prestada aos judeus na Albânia durante o Holocausto.
Para a 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, o Pavilhão da Albânia se propôs a responder ao tema geral O Laboratório do Futuro com a exposição Meditações Intempestivas ou: Como Aprendemos a Viver em Realidades Sintetizadas. O projeto procura introduzir e compreender novas tipologias de espaços cívicos, reaproveitando a renderização como um mecanismo de exploração. A equipe curatorial é composta pelos arquitetos Martin Gjoleka e Era Merkuri, que expõem juntamente com o arquiteto Ani Marku e o artista digital 3D Geraldo Prendushi.
O MVRDV iniciou a construção do Edifício Skanderbeg, conhecido como Tirana's Rock, um projeto de uso misto esculpido na forma do herói nacional da Albânia. O edifício é envolto em varandas curvas que dão forma à cabeça de Skanderbeg, servindo como um marco icônico na Praça Skanderbeg, no centro de Tirana. Uma vez concluído, o projeto será um dos maiores edifícios do mundo que também funciona como uma escultura figurativa, celebrando a história cultural do país e dando à capital albanesa uma identidade única.
Como parte do projeto para o novo Plano Diretor de Tirana 2030, a Stefano Boeri Architetti desenvolveu uma nova tipologia replicável de escola, as quais que serão construídas na capital da Albânia ao longo dos próximos 10 anos—transformando uma infraestutura educacional em um espaço público aberto à comunidade todas as horas do dia e todos os dias do ano. O protótipo de Escola comunitária recém-inaugurado na cidade de Tirana, servirá como um “modelo replicável de ponto de encontro e socialização em diferentes regiões da cidade”, podendo ser utilizada pelos alunos durante o dia e permanecendo aberta para toda a comunidade à noite e nos finais de semana e feriados, operando como um epicentro da vida em comunidade e como local de lazer e encontro, além de potenciais locais de abrigo em caso de emergências e desastres ambientais.
Este mês marcou o início das obras de reforma da Pirâmide de Tirana, um monumento brutalista na Albânia. O projeto assinado pelos arquitetos do MVRDV, trata da reabilitação daquilo que, originalmente, era um monumento comunista. A proposta transforma a estrutura brutalista em um novo polo para a vida cultural de Tirana. Preservando a casca de concreto, a intervenção abrirá o átrio do edifício para cafés, estúdios, oficinas e salas de aula.
Remanescentes do período de ocupação soviética, espaços urbanos monumentais e representativos de muitas das cidades do chamado Bloco de Leste Europeu ainda constituem um legado desafiador, tanto para seus cidadãos quanto para os arquitetos que nestes contextos projetam seus edifícios e espaços. Em completo desacordo com ambientes urbanos contemporâneos, regidos por valores democráticos e sociais, estes espaços ainda hoje representam um problema a ser resolvido. Edifícios e espaços públicos ideologicamente carregados estão aos poucos sendo recuperados, reconciliando os cidadãos com sua própria história—um passado que muitas vezes tende a ser esquecido e até apagado. Neste contexto, a (re)introdução da escala humana tem auxiliado arquitetos e urbanistas a restaurar a vitalidade dos espaços públicos destas cidades.
O escritório de arquitetura liderado por Stefano Boeri acaba de apresentar seu mais recente projeto: um bairro sustentável as margens do rio que atravessa a maior cidade e capital da Albania. O Tirana Riverside, como está sendo chamado, será o primeiro projeto de escala urbana da Europa a ser desenhado para atender alguns requerimentos específicos que surgiram após a crise de COVID 19, incorporando soluções tecnológicas para promover um ambiente mais seguro e sustentável, concebido para atender rigorosas normas de sustentabilidade definidas pelo Governo Albanês e autoridades locais.
A arquitetura da Albânia está associada ao mar e à herança cultural do país. Limitada por Montenegro, Kosovo, Macedônia do Norte e Grécia, a república abrange o Mar Adriático e o Mar Jônico, enquanto se conecta ao Mediterrâneo. Com o tempo, a Albânia sofreu uma confluência de diferentes civilizações e culturas, cada uma moldando o atual ambiente construído.
O projeto de Mario Cucinella Architects (MC A) para o Ekspozita Building, um oásis urbano no centro de Tirana, na Albânia, foi aprovado pelas autoridades e será construído. Composto por espaços comerciais, residenciais e de uso público, o edifício de 93 metros de altura tem conclusão prevista para 2023.
O escritório Stefano Boeri Architetti projetou um novo complexo habitacional multi-familiar na Albânia. O projeto, localizado perto do Palácio Presidencial, vem na sequência da inauguração de um estúdio projetado pelo grupo italiano na capital do país, Tirana.
Tirana será a primeira cidade da Albânia a contar com uma "floresta vertical". Uma tipologia de projeto que está se tornando um sinônimo do trabalho realizado por Stefano Boeri. Responsável também pelo desenvolvimento do novo master plan da capital, o qual foi concluído há três anos, o escritório de arquitetura com sede em Milão planeja densificar as áreas verdes no centro da cidade de Tirana. A floresta vertical concebida por Boeri se materializará em forma de um edifício de vinte e um pavimentos e cento e cinco unidades residenciais.
O MVRDV apresentou um projeto que promete transformar a "Pirâmide de Tirana", construída durante o período comunista na capital e maior cidade da Albânia, em um centro de tecnologia, arte e cultura. Segundo os arquitetos, a estrutura atualmente abandonada será revitalizada para abrigar o novo centro educacional multifuncional de Tirana.
A Pirâmide de Tirana foi inaugurada em 1988 como Museu Enver Hoxta, projetado em homenagem ao ex-líder comunista da Albânia. Depois, o edifício foi utilizado como a sede da NATO durante as Guerras dos Balcãs, como uma discoteca e ainda como espaço para eventos. Embora abandonada, a estrutura continua sendo um local popular na cidade, onde a juventude de Tirana se reune frequentemente. Como uma espécie de homenagem a essa apropriação única, o projeto do MVRDV prevê que a cobertura seja um espaço de convívio e encontro entre as pessoas.
https://www.archdaily.com.br/pt/894942/mvrdv-transformara-antigo-monumento-comunista-em-um-centro-de-arte-e-tecnologia-na-albaniaNiall Patrick Walsh
O escritório Bjarke Ingels Group (BIG) divulgou imagens do Teatro Nacional da Albânia, que responde a uma próspera cena artística na capital do país. Situado no coração cultural de Tirana, o projeto busca criar novos lugares de encontro urbano para um distrito peatonal, ao passo que assume o papel do teatro como um ator em si.
Situado em um eixo cultural, adjacente a marcos públicos como a Praça Skanderbeg, a Ópera Nacional e a Galeria Nacional de Arte, o projeto do BIG irá substituir o teatro existente, ao mesmo tempo em que adiciona três novos espaços de performance, um anfiteatro na cobertura e um espaço público abaixo do edifício.