Winston Churchill disse certa vez: "Nós moldamos nossos edifícios; depois, eles nos moldam." Essa frase parece ter sido escrita especificamente para o escritório de arquitetura Kwong von Glinow. Alison von Glinow e Lap Chi Kwong são casados e sócios no escritório. Nos últimos anos, eles projetaram e construíram seu próprio espaço de moradia e trabalho em Edgewater, um bairro na zona norte de Chicago. Uma maquete da residência ocupou a sala de jantar do casal por meses enquanto concebiam o projeto, recebendo alterações diárias até que a obra fosse concluída e eles pudessem se mudar. Eles moldaram o projeto; agora, o projeto os molda. Neste vídeo, o escritório Kwong von Glinow nos conduz por este edifício — batizado de Ardmore House — e explica como o projetaram, como é viver nele e de que maneira a experiência tem influenciado seu trabalho desde então.
Pavilhão da Espanha. Imagem Cortesia do Pavilhão da Espanha
A 17ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza chegou ao fim. Apesar de ter sido adiada por um ano e de ter enfrentado rigorosas restrições sanitárias, o público desta edição superou a marca de 300 mil visitantes, ultrapassando amplamente as edições anteriores. Com o tema “Como viveremos juntos?”, a mostra de 2021 contou com 112 participantes e 60 pavilhões nacionais de 46 países. As obras foram exibidas de 22 de maio a 21 de novembro de 2021 no Giardini, no Arsenale e pelas ruas de Veneza. O pavilhão dos Emirados Árabes Unidos, intitulado “Wetland”, com curadoria de Wael Al Awar e Kenichi Teramoto, recebeu o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. A proposta apresentou uma alternativa inovadora ao cimento, um dos principais emissores de dióxido de carbono do mundo.
Pouco depois da virada do milênio, Vanity Fair, uma revista que se propõe a acompanhar todo tipo de marco cultural, pediu a um grupo selecionado de 52 "especialistas" que escolhesse os cinco melhores edifícios desde 1980. As escolhas foram bizarras; quase todas as obras eram de autoria dos próprios arquitetos e arquitetas selecionados, que constituíam a grande maioria dos consultados. Poucas indicações receberam mais de cinco votos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130558/onde-estao-as-obras-primas-da-arquiteturaMark Alan Hewitt
Sou Fujimoto Architects revelou seu projeto para a Universidade Hida Takayama, um novo instituto acadêmico localizado em uma pequena área rural do Japão. O projeto visa revitalizar as áreas rurais, muitas vezes esquecidas, especialmente por instituições acadêmicas, e fomentar o senso de comunidade e a valorização da rica cultura proporcionada pela natureza. O projeto apresenta uma estrutura de formato orgânico inspirado na paisagem circundante e um telhado acessível. A inauguração da universidade está prevista para 2024 e será seguida por outros 11 centros regionais de aprendizagem em todo o país.
“As novas ideias devem usar edifícios antigos”, disse Jane Jacobs em seu livro seminal Morte e vida de grandes cidades, defendendo a reutilização de edifícios existentes como um meio de catalisar mudanças positivas e promover diversos ambientes urbanos.
A inserção de novas atividades em uma estrutura existente está se tornando cada vez mais um aspecto definidor da arquitetura contemporânea, à medida que a necessidade de alternativas sustentáveis para construir se torna mais urgente. De uma perspectiva urbana, a reutilização adaptativa é uma estratégia valiosa para revitalizar cidades pós-industriais, criando densidade e mitigando a expansão urbana, ou ajudando cidades em encolhimento a redefinir seu tecido urbano.
Resgatar o invisível, mergulhar em uma memória apagada da cidade e caminhar sobre as águas. Por mais surpreendente que seja, o mundo ainda não acabou. Mas quem transita por Belo Horizonte, passando pelo movimentado cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Brasil, poderá precisar o local onde ele acaba. O “Acaba-Mundo” é um córrego que cruzava o arraial do Curral del Rei, este sítio para onde, em 1897, transferiu-se a capital de Minas Gerais.
Shape Tomorrow, uma nova exposição no AEDES Architecture Forum em Berlim, é uma reação tanto às exposições de arquitetura monótonas e excessivamente sérias quanto à própria profissão, igualmente rígida e solene. Com o formato de uma cidade em miniatura, a mostra transforma edifícios em personagens com nomes próprios, incentiva o público a povoar as estruturas com figuras em miniatura e reserva espaço para que os/as visitantes preencham a sala com suas ideias e críticas.
A exposição, em cartaz até 13 de janeiro, foi idealizada pelo arquiteto alemão Matthias Hollwich, fundador do escritório nova-iorquino HWKN — um escritório em ascensão conhecido tanto por suas pesquisas quanto por sua abordagem lúdica. A mostra se concentra em nove torres de gesso branco com cerca de cinco metros de altura, cujas bases brilhantes assumem as formas de alguns dos projetos dinâmicos e lúdicos do escritório ao redor do mundo. Entre eles estão o 25 Kent, um edifício de escritórios de volumetria fragmentada em Williamsburg, e o Die Macherei, um distrito comercial de uso misto com terraços proeminentes em Munique.
O Instituto do Patrimônio Histórico do Canadá acaba de anunciar os cinco projetos finalistas do concurso de arquitetura para o Monumento Nacional LGBTQ2+, uma iniciativa concebida com o principal intuito de dar voz as histórias de milhões de pessoas, as quais foram por anos excluídas da narrativas oficiais não apenas no Canadá, mas em todo o mundo. Entre as propostas selecionadas para a segunda fase do concurso está The Lens, um projeto que procura transformar um dos principais símbolos de opressão em um novo elemento de orgulho, apropriando-se da paisagem natural para criar um espaço de empatia e identidade. Desenvolvido em parceira pelo escritório canadense Fathom studio, o MVRDV e o Two Row Architect, a proposta busca expressar resiliência, criando um espaço didático e de memória ao mesmo tempo em que circunscreve um novo espaço de encontro e socialização para a comunidade 2SLGBTQQIA+.
O que é um crítico de arquitetura? E o que faz um crítico no século XXI? Ao longo da história, poucos críticos foram escolhidos para descrever e avaliar a arquitetura, enquanto aguardávamos seus elogios ou decepções, antes de validarmos nossas próprias opiniões. Seus pensamentos e palavras se tornaram referências da arquitetura, e moldaram brutalmente nossa profissão. Essa mentalidade e cultura contribuíram ainda mais para a ideia de que a arquitetura é uma prática “elitista”, em que alguns estabelecem regras e o resto deve aprendê-las. Embora a arquitetura sempre tenha nomeado os críticos, assim como outras formas de arte e cultura têm os seus, recentemente houve um impulso para que a arquitetura se transformasse em uma profissão que projeta para as massas, e é igualmente criticada pelas massas.
Lehrer Architects projetou um pequeno vilarejo de micro habitações para moradores de rua em Los Angeles. Nomeado de Whitsett West, o projeto foi concluído com os arquitetos e engenheiros da cidade de Los Angeles do Bureau of Engineering. Localizado em North Hollywood, o projeto é a quarta colaboração nos últimos sete meses, projetada para ser um protótipo para formatos de habitação transitória.
O filósofo e sociólogo Henri Lefebvre cunhou o conceito de “a produção do espaço” no ano de 1974, rompendo com a visão do espaço como um recipiente ou cenário de objetos e relações sociais para transitar em direção ao espaço entendido como um processo. O espaço, a partir dessa visão baseada na tradição marxista, é produto e produtor de processos e relações sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131467/fetichizacao-da-arquitetura-o-objeto-acima-do-sujeito-e-dos-processosMariana Ordoñez y Jesica Amescua
No dia 17 de novembro de 2021, como parte da segunda temporada do Virtual World Tour, a iniciativa Architects, not Architecture teve a honra de receber como convidado o vencedor do Prêmio Pritzker de 2013, Toyo Ito.
Embora suas obras sejam amplamente conhecidas, o quanto sabemos sobre sua biografia e sobre as vicissitudes que o moldaram?
Oriol Bohigas no Museu d'Història de Catalunya, 2001. Imagem via Wikipedia: Museu d'Història de Catalunya (fotógrafo: Pep Parer). Licença sob CC BY 3.0
Ontem, 30 de novembro, recebemos a notícia do falecimento de Oriol Bohigas Guardiola (Barcelona, 1925). Arquiteto e urbanista, ele foi um dos principais propulsores da transformação moderna catalã.
ArchDaily Professionals é uma iniciativa voltada a profissionais e parceiros de diversas áreas envolvidos no campo da arquitetura e da construção, que participaram e foram creditados nos projetos que selecionamos e publicamos com curadoria cuidadosa. Este projeto busca reconhecer e destacar os melhores colaboradores e colaboradoras responsáveis pela viabilização da arquitetura de excelência, compartilhando conhecimento valioso sobre as diferentes disciplinas de nossa comunidade. Hoje, lançamos uma série de entrevistas em vídeo com profissionais de arquitetura e parceiros especializados, para conhecer mais de perto seu trabalho e compreender a importância dessas colaborações no desenvolvimento de projetos de alta qualidade.
Para esta primeira entrevista, a editora-chefe do ArchDaily, Christele Harrouk, reuniu-se com o fundador do escritório de lighting design L’Observatoire International, Hervé Descottes, e com o arquiteto norte-americano Steven Holl. Nesta conversa mediada, tivemos a oportunidade de conversar com Hervé e Steven sobre sua colaboração em três projetos culturais nos Estados Unidos: o Institute for Contemporary Art at VCU, o Winter Visual Arts Building e o Nancy and Rich Kinder Museum. Ao longo do diálogo, pudemos compreender melhor o significado da iluminação na arquitetura para ambos, como o espaço e a luz devem ser concebidos e por que uma colaboração estreita entre arquitetos/as e lighting designers é fundamental para os projetos de arquitetura.
Uma obra-prima equivale ao trabalho mais notável da carreira de um artista, que geralmente evidencia o auge da sua técnica e ideais. A Mona Lisa de Leonardo da Vinci; a Pietá de Michelangelo; Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles. São muitos os exemplos, que nem sempre são unânimes. Mas e como seria se o que muitos consideram como a obra-prima tenha sido iniciada por outra pessoa, o autor não viveu para ver sua finalização e quase toda sua documentação tenha sido destruída? O arquiteto catalão Antoni Gaudí e seu mundialmente famoso Templo Expiatório da Sagrada Família são exemplos disso. De uma construção em pedra altamente artesanal às técnicas mais modernas de impressão 3D e concreto de alta resistência, o projeto incorporou e permanece incorporando inúmeras tecnologias durante sua construção.
O design de interiores está longe de ser uma tarefa simples: trata-se, frequentemente, de um processo em cinco etapas que envolve testar e substituir ideias continuamente até alcançar a estética perfeita. No entanto, uma nova ferramenta online está permitindo que arquitetos/as e designers visualizem e adaptem mobiliário para qualquer projeto de design de interiores com apenas alguns cliques. O Hello Raye é um marketplace online curado que oferece a configuração de modelos 3D para dezenas de milhares de produtos comerciais e residenciais — incluindo móveis, luminárias e equipamentos — tudo em um só lugar.
O escritório Benthem Crouwel Architects revelou o projeto vencedor do concurso para o Valley, um novo empreendimento de uso misto que reúne habitação, espaços de trabalho e comércio em Praga. Com um paisagismo de cobertura projetado por Felixx Landscape Architects & Planners e uma rede de diversos espaços públicos, o projeto apresenta alta densidade e um programa variado, ao mesmo tempo em que estabelece uma forte conexão com o entorno.
O Zaha Hadid Architects acaba de revelar novas imagens de sua proposta vencedora para o projeto de um empreendimento de uso misto em Budapeste, o qual está composto por edifícios residenciais, de escritórios e áreas comerciais, espaços públicos e áreas de lazer. Concebido de forma a criar uma rede de espaços públicos integrados, o novo empreendimento chamado de Zugló, procura restabelecer o ecossistema natural ao longo do rio Rákos, reconectando a área de desenvolvimento urbano ao entorno existente.
A arquitetura, para se concretizar enquanto edifício construído e funcional, exige a colaboração de uma série de disciplinas. Durante as etapas de projeto essas áreas complementares se somam ao projeto de arquitetura, adicionando sistemas que auxiliam na funcionalidade da construção, conhecidos como projetos complementares.
À medida que nosso mundo se transforma em um ritmo sem precedentes, os desafios atrelados a isso estão se tornando cada vez mais complexos. As questões enfrentadas pelas cidades e redes de nosso mundo globalizado, os ambientes físicos e virtuais onde ocorre esta transformação, estão tornando a arquitetura mais relevante do que nunca.
As questões do ambiente construído deixaram de ser exclusividade dos profissionais que o constroem e projetam e passaram a ser questões transversais em nossa sociedade. Dos cidadãos que questionam a qualidade dos espaços públicos ao construtor autodidata que ergue uma pequena casa no campo, ou o morador de um simples apartamento que usa um aplicativo para projetar seus interiores durante a quarentena, todos querem ter direito à voz e a agir. Por que a arquitetura tem que ser tão incerta, tão distante?
A histórica casa dos leões é, há muito tempo, um elemento central do Lincoln Park Zoo, em Chicago. Quando o escritório global de arquitetura Goettsch Partners (GP) se propôs a renovar e expandir a estrutura, o objetivo era preservar o edifício original, ao mesmo tempo em que aumentava a área útil e criava uma nova experiência espacial. O espaço abriga um bando de quatro leões africanos, além de lince-do-canadá, pandas-vermelhos e leopardos-das-neves.
O Centro Hospitalar Serena del Mar (CHSM), em Cartagena, Colômbia, será o primeiro projeto de infraesturtura de saúde pública projetado pelo Safdie Architects. Partindo de uma abordagem de Design Centrado no Usuário, o projeto considera o contato com a natureza e a iluminação e ventilação natural abundantes como estratégias fundamentais para criar espaços terapêuticos e capazes de promover a sensação de cura e bem-estar tanto para os pacientes e seus familiares quanto para os funcionários. Nesta busca por criar espaços saudáveis e que auxiliem na recuperação dos usuários, o Centro Hospitalar abriu suas portas no início deste ano e segue sendo construído em etapas. Além de ser o primeiro edifício projetado pela Safdie Architects na América Latina a ser inaugurado, o CHSM é também o primeiro projeto de infraestrutura hospitalar realizado pelo estúdio israelense liderado por Moshe Safdie. Paralelamente, o escritório está desenvolvendo outros projetos no continente, como o Qorner, um projeto de edifício residencial em Quito, Equador, e o Centro de Educação e Pesquisa Albert Einstein no Brasil, o qual deverá ser inaugurado já no início do ano que vem.
Em razão dos diversos acontecimentos que testemunhamos ao longo dos últimos anos, nossos espaços habitados passam por uma completa transformação, não apenas em termos de como nos relacionamos com o ambiente doméstico mas, sobretudo, na maneira como passamos a observar mais atentamente as características de nossos espaços interiores. Se bem que este sempre tenha sido um elemento fundamental em nossas vidas, a pandemia nos vez ver com muita mais clareza a importância de um bom projeto de interiores, de uma boa organização espacial, da qualidade da iluminação e ventilação natural e especialmente, do nosso conforto.
O Colégio Oficial de Arquitetos de Tarragona e a Fundação Alejandro de la Sota concederam, nesta sexta-feira, 19 de novembro de 2021, o reconhecimento à equipe do escritório GCA Architects pelo projeto do Centro de dia para o Alzheimer, no contexto da XII Mostra de Arquitetura de Tarragona.