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Arquitetos: JOJOWORKSHOP
- Área: 46 m²
- Ano: 2026



Com mais de 80% de sua população vivendo em centros urbanos e uma densidade nacional que supera 500 pessoas por quilômetro quadrado — chegando a mais de 15.000 em Seul —, a Coreia do Sul enfrenta uma disputa acirrada por terras aproveitáveis. Diante disso, a arquitetura contemporânea sul-coreana oferece exemplos contundentes de intervenções de uso misto que lidam com lotes urbanos estreitos para articular engajamento público e utilidade de alta eficiência. Ao sobrepor verticalmente programas distintos, integrando centros de arte pública, sedes corporativas e polos comerciais a funções residenciais e outras atividades, esses empreendimentos multifacetados transformam restrições espaciais em interfaces urbanas dinâmicas.

Em tempos de emergência ecológica, a arquitetura não pode ser separada dos sistemas extrativos de que depende. À medida que a tecnosfera se expande, interligando fluxos de materiais, consumo de energia e infraestruturas digitais, a prática projetual torna-se cada vez mais enredada nesses processos. Como o design pode intervir em sistemas antropocêntricos e transformar o processo e a estética da arquitetura por meio de uma investigação sobre a inteligência material? De forma mais ampla, de que maneira a arquitetura se relaciona com a agência e a inteligência de entidades não humanas para reequilibrar o impacto ambiental?

O que os materiais leves trazem ao espaço público sob um princípio de projeto ético, ecológico e não extrativo? Diversas texturas têxteis oferecem um ponto de partida, aproximando-se mais do corpo do que os materiais estruturais pesados convencionais. Graças à sua flexibilidade e responsividade, o tecido possibilita um fechamento suave em vez de uma fronteira fixa no espaço arquitetônico. Ao responder a estímulos ambientais mínimos, ele introduz um movimento contínuo no espaço. Quando sobreposto ou montado, gera gradações de densidade, profundidade e fechamento, ao mesmo tempo que as tecnologias inovadoras de fabricação recentes ampliam as possibilidades de sua forma e durabilidade estrutural.
Os materiais semitransparentes atuam também como mediadores das condições de permeabilidade visual e da experiência corporal do espaço. Ao transmitir e filtrar a luz, eles atenuam os limites claros entre interior e exterior, cheio e vazio, gerando limiares que não são totalmente abertos nem totalmente fechados, mas que estão em constante negociação. Reinterpretar a estrutura no espaço urbano por meio da leveza, da translucidez e da suavidade abre caminho para modos alternativos de percepção espacial e engajamento físico.


Cada vez mais raramente o patrimônio em interiores resume-se a uma questão de mera preservação. Com mais frequência, ele se manifesta como fricção: o encontro entre o que um edifício já é — a lógica de sua planta, suas cicatrizes, suas inconsistências estruturais — e o que a vida contemporânea dele exige.
Alguns dos projetos mais potentes da atualidade não são aqueles que "restauram" um interior de volta a um momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova pele homogênea. São, antes, aqueles que encenam uma relação entre o antigo e o novo — permitindo que o contraste vá além do mero relato histórico, e fazendo do embate uma ferramenta pragmática de viabilidade construtiva, orçamentária e de execução.



