Wade caminha pelas ruas de Ohio, cidade onde se passa o filme. Fonte: DubaiWeek (2018), sob termos de "fair use"
O cinema é uma ótima ferramenta para estimular discussões e reflexões sobre o espaço que vivemos, dialogando profundamente com a arquitetura e o urbanismo através de cenários e locações. Os filmes podem abordar questões atuais sobre esses campos de estudo e introduzi-los nas suas narrativas, abrindo caminhos para novos debates.
O longa de 2018, Jogador Nº 1, dirigido por Steven Spielberg, nos traz uma série de questões sobre urbanismo, relações sociais, cidades contemporâneas, conflitos ambientais e também como as novas tecnologias podem interferir na relação do indivíduo com os espaços públicos. Ao longo do texto, serão apresentadas discussões sobre como esses fatores se fazem presentes no nosso convívio e nos novos conceitos de cidade.
Não há nada de novo em viver comunitariamente. A história mostra as moradias se aglutinam devido tanto pelas necessidades em comum quanto para a concentração de recursos. Hoje, devido ao crescimento populacional, ao adensamento urbano e preços dos imóveis, arquitetos e urbanistas têm procurado achar alternativas para habitações compartilhadas, também chamadas de co-living. Esses novos modos de morar exploram uma variedade de formas e configurações espaciais coerentes com o que se espera do futuro.
Cada vez mais as pessoas se concentram em grandes centros urbanos. As cidades estão cheias de gente e possibilidades, mas isso está longe de significar que sejam um ambiente acolhedor. A solidão e a ansiedade estão presentes na vida de quem vive na correria das “selvas de pedra” e, para ajudar a aliviar estes sentimentos, a resposta está na natureza.
Muitos estudos já foram publicados, mostrando como o contato com a natureza afeta positivamente a nossa saúde. Ouvir o canto dos pássaros, colocar a mão na terra, passar algum tempo do nosso dia em contato com o verde – tudo isso traz benefícios para o nosso bem-estar físico e mental. E agora, pesquisadores mostraram que as áreas verdes ajudam também a amenizar o sentimento de solidão.
Colaboração robótica. Imagem cortesia de ETH Zurich
Os espaços digitais e a tecnologia de fabricação tornaram-se mais proeminentes do que nunca no cenário atual de nossa sociedade pós-pandemia, tornando-se cada vez mais acessíveis e permitindo processos rápidos e espontâneos de iteração e evolução. Essas tecnologias resultaram na capacidade de produzir em massa componentes de construção não padronizados e altamente diferenciados na mesma instalação de sua contraparte padronizada, transformando a maneira como os edifícios e seus respectivos componentes são concebidos, projetados e representados, bem como fabricados, montados e produzidos.
A beleza da fabricação digital está em sua capacidade de mesclar aspectos da produção em massa e artesanal a ponto de os custos praticamente desaparecerem. A capacidade da tecnologia de fabricar de maneira tão simples e quase contínua levanta questões sobre seu potencial de alterar significativamente nossa percepção atual da arquitetura, gerando o seguinte questionamento: a influência da produção em massa na arquitetura resultou na perda de intencionalidade no projeto?
O projeto para o então denominado Ministério da Educação e Saúde Pública foi elaborado no decorrer do ano de 1936 pela equipe integrada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, sob coordenação de Lucio Costa. A pedido do então Ministro Gustavo Capanema e com orientação de Le Corbusier, a equipe de jovens modernistas brasileiros ficou incumbida de dar identidade nacional ao edifício que viria a se tornar um dos maiores ícones de nossa arquitetura, em frontal oposição à estética dominante. A não contratação do projeto original, vencedor do concurso público realizado para este fim, é apenas uma parte desta incrível história.
A Nike adquiriu recentemente o RTFKT, um estúdio de design fundado em janeiro de 2020, conhecido por seus sneakers e colecionáveis "prontos para o metaverso". Aquisições de terrenos no metaverso estão fazendo manchetes com seus preços multimilionários. Também vimos a adoção de artes NFT pelo mainstream neste ano, e estima-se que as vendas devam disparar para 17,7 bilhões de dólares até o final de 2021.
Por baixo da hype e do frenesi, podemos observar uma mudança fundamental que desbloqueia uma nova economia criativa. Ela oferece aos criadores acesso direto ao mercado, constrói relações contínuas com os fãs, e une desconhecidos em comunidades auto-governadas. Neste artigo, vamos discutir porque todo designer 3D e arquiteto deveria abraçar o movimento Web 3.0 para adotar uma nova lógica de mercado e se beneficiar da economia de criadores do metaverso.
Pensar um espaço limitado como um apartamento pode ser um verdadeiro desafio. Criar novas plantas e projetos sobre o que já foi imaginado por outra pessoa é um exercício que exige um olhar apurado e respeito à estrutura existente. Somado a isso, vem a necessidade de trazer caráter ao espaço a partir do design de interiores sem esquecer da funcionalidade espacial, para que a qualidade de vida de seus habitantes seja a melhor.
A preservação da biodiversidade passou a estar presente em todas descrições de projetos com preocupação ambiental. O crescente interesse na sustentabilidade, inspirado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, faz com que haja a necessidade de uma compreensão mais profunda do que significa biodiversidade em ambientes urbanos e como a arquitetura e o desenho urbano podem contribuir ativamente para isso. As cidades passaram a ter um papel crucial na manutenção da biodiversidade, dado o aumento da extinção de espécies e a continua expansão urbana. A seguir, mostramos como o ambiente construído pode criar habitats para várias espécies.
A madeira é um material muito comum na indústria da construção civil, sendo utilizada em várias etapas e para várias finalidades. A seguir, iremos explorar sua potencialidade para compor as fachadas residenciais a partir de 17 exemplos de casas brasileiras.
Summer House Gravråk / Carl-Viggo Hølmebakk. Image Cortesia de Carl-Viggo Hølmebakk
No momento em que uma árvore é cortada e seus processos biológicos são interrompidos, pode-se dizer que se inicia também o processo de deterioração da madeira. Etapas como o corte correto do tronco, a secagem e armazenamento ou a especificação certeira das melhores espécies para cada uso determinarão a durabilidade da mesma. Formada basicamente por celulose, hemicelulose e lignina, cada espécie de madeira apresenta uma determinada durabilidade natural, influenciada também pelas condições ambientais de onde ela está inserida, como a temperatura, a umidade, o teor de oxigênio, e os microrganismos e insetos ali presentes. Geralmente, utilizam-se tratamentos na superfícies para aumentar a proteção das peças, como vernizes, óleos e outros processos químicos. Mas há situações em que madeiras sem tratamento podem ser utilizadas em exteriores, alcançando uma estética acinzentada e sóbria que se mescla ao exterior e traz personalidade à edificação.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
No episódio desta semana, que encerra a segunda temporada de entrevistas, Sara conversa com o arquiteto Manuel Aires Mateus sobre o projeto para a Sede da EDP em Lisboa. Ouça a entrevista e leia a transcrição da conversa, a seguir:
Após quase 50 anos de urbanização acelerada, o desenvolvimento urbano transitou da "era da expansão" para a "era do estoque construído". O planejamento das cidades deixou de focar na construção nova para se concentrar na reabilitação qualificada do tecido urbano existente, reativando seus espaços. Ao analisar os projetos de reforma recentes dos laureados do Prêmio Pritzker, investigamos como esses arquitetos e arquitetas respondem aos desafios da atual era de reabilitação urbana.
São José dos Campos. Foto por wtrilhas - Flickr, via Wikipedia. Licença CC BY-SA 2.0
O presente artigo parte da premissa de que cidades não são espaços neutros. Os territórios, assim como a arquitetura, o urbanismo, a literatura, a cultura e a política, são elementos condicionados por valores de uma determinada sociedade em um dado período de tempo. Assim sendo, a configuração desses espaços é concebida a partir de valores de uma sociedade; sociedade esta patriarcal, racista e capitalista. Por conseguinte, a ausência de neutralidade para a produção do espaço urbano implica em diferentes usos por parte dos usuários das cidades. Essas singularidades de vivências permeiam, ao seu turno, questões relacionadas à classe social, raça e gênero.
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Cedric Price. Potteries Thinkbelt. Cedric Price fonds, Canadian Centre for Architecture, Montréal. Imagem cortesia de CCA
Todos os edifícios se movem — naturalmente, alguns mais do que outros. Há uma série de considerações projetuais que profissionais de arquitetura levam em conta para permitir, ou até mesmo promover, o movimento em quase todas as edificações. Contudo, há profissionais que recorrem à sua formação multidisciplinar e à sua capacidade de resolver problemas para conceber soluções que literalmente percorrem o mundo. Seja na forma de minicasas sobre rodas, instituições de ensino em trens ou programas de design instalados em caminhões, às vezes as edificações e a própria arquitetura precisam se deslocar até o público que atendem ou para outros ambientes. Este vídeo apresenta alguns exemplos desse espectro, a começar pela maneira como profissionais de arquitetura costumam lidar com o movimento em estruturas e fundações, passando pelo projeto Potteries Thinkbelt, de Cedric Price, e chegando ao Chicago Mobile Makers, uma oficina maker itinerante para crianças fundada por Maya Bird Murphy.
Uma equipe liderada por Foster + Partners em colaboração com Marge Arkitekter ganhou um concurso de projeto para a reconstrução da estação central de Estocolmo, a maior instalação de transporte da Suécia. O projeto vencedor pretende reunir vários meios de transporte em um hub que priorizando pedestres e cria um novo distrito de uso misto que combina arquitetura antiga e contemporânea.
A crise climática tem sido um dos principais assuntos de 2021, tanto no discurso político quanto na área da arquitetura, acompanhada por um novo reconhecimento da gravidade do problema. Durante o ano passado, o relatório do IPCC revelou as graves consequências da falta de ações paliativas, enquanto a COP26 e a cúpula do G7 resultaram em comprometimentos insuficientes com medidas imediatas e palpáveis. O setor de construção, responsável por impressionantes 39% dos gases de efeito estufa emitidos, pode trazer uma contribuição significativa para a contenção das mudanças climáticas. A seguir, as medidas de descarbonização de 2021 que afetam essa indústria.
Este artigo de Maya Orzechowska foi publicado originalmente com o título "Cinco princípios para uma arquitetura vulnerável e íntima: desenhando limites e aberturas alternativos para o lar e para o eu" no número 31° da revista Dearq em 01 de setembro de 2021 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq31.2021.04).
Investiga-se como os limites e as aberturas do lar não estão separados entre si; eles desempenham um papel ativo nas políticas de saúde corporal e social. Tanto a ideia de lar quanto a de moradia falham diariamente para um número cada vez maior de pessoas; por isso, este artigo busca alternativas à narrativa do lar, da intimidade interna utópica, que endossa o recolhimento, e de uma relação de desresponsabilização frente ao âmbito público. Sugere-se que o resultado é distópico ao ocultar e exacerbar a vulnerabilidade e sua resistência à mudança. Em contrapartida, uma arquitetura vulnerável e íntima centra-se no corpo vulnerável, que desenha o estranho, o reprimido e o emocional no lar.
A seguir, apresentamos o artigo como parte de uma colaboração conjunta para contribuir com a difusão de pesquisas, análises e opiniões que a comunidade acadêmica nacional e internacional elabora sobre a arquitetura, os temas da cidade e áreas afins.
O escritório Ennead Architects foi selecionado para projetar a nova sede da fabricante e desenvolvedora de eletrônicos Xiaomi em Shenzhen. O projeto vencedor, desenvolvido para um concurso realizado em celebração ao décimo aniversário da empresa, reflete a relação entre tecnologia e vida cotidiana ao integrar uma interface digital à estrutura do edifício. A construção se assemelha a um Cubo de Rubik com uma tela de LED de 360 graus que envolve o embasamento do edifício, representando o sucesso e as aspirações futuras da Xiaomi.
O Royal Institute of British Architects (RIBA) anunciou os vencedores do President's Medal and Awards for Research de 2021, destacando as melhores pesquisas sobre arquitetura e ambiente construído. A Medalha do Presidente foi concedida a John Lin e Sony Devabhaktuni, da Universidade de Hong Kong, pelo projeto de pesquisa As Found Houses, que explora práticas vernáculas na China rural. Outros dois prêmios foram concedidos ao desenvolvimento de um guia de ética para profissionais da arquitetura e a um estudo sobre abóbadas de tijolos finos em Cuba.
Captain's House. Imagem cortesia de Vector Architects
Em 2014, foi lançado na China um programa de reconstrução residencial chamado "Dream Home", convidando arquitetos/as e designers de interiores a redesenharem casas antigas que apresentavam problemas. Algumas dessas residências tinham formatos irregulares, outras eram minúsculas e algumas sofriam com uma iluminação extremamente inadequada. Os conceitos de projeto transmitidos em conjunto pelos/as profissionais no programa baseiam-se no respeito pelas pessoas, na compreensão das relações humanas e na definição de lar. Essas reformas ou reconstruções não são apenas atualizações físicas para os/as clientes, mas uma reinterpretação do "lar" que lhes devolve a dignidade e uma nova vida.
No que diz respeito à Covid, 2022 tende a se parecer mais com 1920 do que com 2020 ou 2021. “Mudar ou morrer” é um clichê, mas muitas vezes verdadeiro. Os últimos dois anos de pandemia forçaram diversas mudanças na sociedade que podem ter ajudado a evitar muitas mortes. No entanto, muitos outros aspectos da nossa cultura já vinham se transformando em movimentos anteriores à pandemia — transições graduais que, com a chegada da Covid, tornaram-se instantâneas e onipresentes: o trabalho remoto, o ensino a distância, a dominância do comércio eletrônico, o declínio do varejo físico e o foco obsessivo na saúde e no bem-estar. Tudo isso, e muito mais, agora faz parte fundamental do nosso cotidiano.
Ao olharmos para trás, em 2021, dois acontecimentos tiveram um impacto transformador no mundo da arquitetura e do design.
O primeiro deles foi o falecimento de Richard Rogers, pioneiro da arquitetura High-Tech. O historiador de arte alemão Hans Belting disse certa vez: “Quando as pessoas clamam por uma nova arte, são a arquitetura e o design que se posicionam como símbolos de uma nova sociedade, carregando a esperança de transformar o espaço habitável; e, enquanto as pessoas anseiam por essa transformação espacial, elas próprias também mudam”. Rogers foi um dos primeiros a se posicionar no final do século XX. Sua abordagem de design ousada, rebelde e subversiva abriu novos horizontes para a paisagem urbana. Tendo se aposentado apenas no ano passado, ele sempre nos mostrou, por meio da prática, a importância do direcionamento do design. Diante disso, não posso deixar de me perguntar: à medida que os heróis de nossa era partem gradualmente, seremos capazes de assumir a missão da arquitetura?
O segundo acontecimento envolveu o/a arquiteto/a Tao Lei, que, no programa de TV "Dream Home", gastou 1,32 milhão de yuans para construir uma casa de tijolos vermelhos para um idoso, o que desencadeou uma forte onda de ataques cibernéticos por parte do público. Este episódio refletiu diretamente o conflito entre a arquitetura, a estética e a vida cotidiana. Diante disso, também me pergunto: a estética perseguida pelos/as arquitetos/as é a mesma desejada pelas pessoas comuns? O projeto de arquitetura tem o poder de transformar a percepção estética? A classe social influencia o projeto arquitetônico? E, sem nunca ter vivenciado o espaço, é justo rejeitar uma obra com base apenas em manchetes fragmentadas e superficiais?
“O desespero é tão vão quanto a esperança”. A palavra-chave do ArchDaily para este ano é: Equilíbrio entre o Interno e o Externo.Internamente: o papel de plataforma, oferecendo ferramentas, inspiração e conhecimento vindos de todas as direções, superando obstáculos e impulsionando mudanças para construir um ecossistema de design ainda maior.Externamente: o papel de disseminação, saindo da zona de conforto do “meio arquitetônico”, fortalecendo a conexão com as necessidades do público, apresentando processos informativos mais claros e desenvolvendo curadorias de conteúdo de arquitetura mais criativas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135054/2022-aprimorando-o-interior-e-o-exterior-resolucoes-de-ano-novo-do-archdaily韩爽 - HAN Shuang
Como a qualidade da arquitetura pode ser protegida, promovida e incentivada? Uma questão sobre qual a Espanha avançou este mês. Em 18 de janeiro, o Conselho de Ministros aprovou o Projeto de Lei de Qualidade Arquitetônica para sua posterior apresentação ao Parlamento espanhol, iniciando assim seu procedimento parlamentar.
Trata-se de uma nova proposta legislativa, promovida pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana, atualmente sob a direção da Ministra Raquel Sánchez Jiménez, que visa proteger, promover e fomentar a qualidade arquitetônica como um bem de interesse geral, promovendo vínculos que incentivem a aproximação da arquitetura com a sociedade.
O ano de 2021 foi turbulento – a pandemia causada pelo novo coronavírus persiste, obrigando as indústrias de design e construção a continuar se adaptando por dois anos seguidos. À medida que os métodos de trabalho remoto e comunicação continuam a ser ajustados e aprimorados, uma infinidade de eventos virtuais fez com que o discurso arquitetônico fora dos paradigmas ocidentais e eurocêntricos pudesse ocupar um espaço central na discussão da arquitetura global.