Quase duas décadas atrás, no corredor do centro de Columbus, Ohio, o centenário edifício Lazarus passou por uma extensa reforma para salvar a loja de departamentos e restaurá-la à sua antiga glória. Sessenta milhões de dólares foram investidos em sua restauração e transformação em um complexo comercial e de escritórios. Durante a construção, os trabalhadores reciclaram quase 2.300 kg de aço, 900 kg de concreto e quantidades significativas de carpetes, forros e vários tipos de madeira, evitando que 10.000 kg de detritos fossem para os aterros sanitários de Ohio. Eles também economizaram mais de US$ 25 milhões implementando esse rigoroso processo de reciclagem.
A rampa é um dos elementos arquitetônicos que, além de viabilizar a circulação entre diferentes alturas e pavimentos, proporciona uma maior acessibilidade aos espaços. No Brasil, uma série de decretos e regulamentações, como as dispostas na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de 2015, buscam assegurar os direitos de cidadania e promover a igualdade e inclusão social da pessoa com deficiência, o que perpassa questões relativas à sua mobilidade e liberdade de ir e vir. A arquitetura tem um papel fundamental nessa inclusão, ao elaborar estratégias para garantir que essas pessoas possam transitar, participar e interagir em qualquer ambiente, seja ele público ou privado.
Esta semana, o Museu de Arte Moderna lança oficialmente uma nova série de exposições intitulada Architecture Now. De acordo com o MoMA, “a primeira iteração da série, New York, New Publics, irá explorar as maneiras pelas quais os escritórios com sede na cidade de Nova York têm expandido a relação da arquitetura metropolitana com diferentes públicos através de 12 projetos concluídos recentemente.”
A exposição mostrará trabalhos voltados para o público, como parques, jardins e piscinas comunitárias, feitos por Adjaye Associates, Agency—Agency e Chris Woebken, CO Adaptive, James Corner Field Operations, Kinfolk Foundation, nArchitects, New Affiliates e Samuel Stewart-Halevy, Olalekan Jeyifous, Only If, PetersonRich Office, SO – IL e SWA/Balsley e Weiss/Manfredi.
A Bienal de Arquitetura de Veneza é um evento organizado pelo Estado italiano que reúne algumas das mais prestigiadas exposições internacionais de arquitetura do mundo. O Giardini e o Arsenale são os principais palcos das exposições e pavilhões nacionais, aos quais se unem outros eventos paralelos distribuídos pelo território de Veneza.
As cidades são ecologias complexas de sistemas naturais e infraestrutura urbana que se cruzam. Nesse sentido, a degradação ambiental chamou a atenção para a relação simbiótica entre sistemas artificiais e naturais. Uma nova economia está surgindo, onde a interdependência e a gestão ambiental são valorizadas. Projetar para uma economia circular requer a consideração dos habitats humanos não como vilas ou cidades, mas como biorregiões.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily que dialogam diretamente com seus contextos locais, oferecendo espaços seguros para grupos vulneráveis e em situação de risco. De um santuário para meninas desabrigadas no Iraque a um projeto de habitação social no primeiro arranha-céu de Praga, esta seleção reúne propostas focadas nas pessoas, em suas necessidades e aspirações. Muitos desses projetos utilizam materiais locais, como tijolos de argila, para reduzir os custos de construção. Além disso, propõem a reutilização de edifícios existentes e buscam engajar a comunidade local tanto na construção quanto na apropriação dos espaços propostos.
Continue lendo para conhecer 10 projetos com engajamento social, acompanhados de suas descrições enviadas pelas equipes de arquitetura.
Com uma população de mais de 17,5 milhões de habitantes e 23 milhões de bicicletas — sendo mais de três milhões delas elétricas —, a Holanda é uma referência quando o assunto é mobilidade e o desenvolvimento de localidades que priorizam os pedestres e ciclistas em seus projetos urbanos. Cerca de 27% de todas as viagens realizadas no país são feitas pedalando, anualmente são percorridos mais de 15,5 bilhões de quilômetros, apontam dados do governo da nação. Apesar do índice elevado, o objetivo é adotar iniciativas que estimulem ainda mais os municípios a transformarem seus espaços e darem mais lugar para o ciclismo como principal opção para o deslocamento entre trajetos curtos, de até 15 quilômetros.
https://www.archdaily.com.br/pt/998139/fietsgeluk-o-conceito-holandes-de-felicidade-do-ciclismoSomos Cidade
O trabalho jornalístico de Koolhaas lhe rendeu fama na arquitetura antes mesmo de ele concluir seu primeiro edifício. A transição de contador de histórias para arquiteto foi mais uma mudança de roteiro do que uma virada profissional. Ele apontou que "[a arquitetura] é uma forma de roteirização que descreve implicitamente as relações humanas e espaciais." Ao reafirmar o papel da arquitetura na definição da vida cotidiana, para além da mera construção de edifícios e cidades, ela se revela também como uma ferramenta escrita e falada capaz de explicar os acontecimentos globais diários, dar voz a projetos que não foram ouvidos e moldar ativamente o futuro da atuação do/a arquiteto/a.
Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia após uma grande escalada do conflito que existia desde 2014. Um ano depois, a guerra ainda está em andamento. Tanto soldados quanto civis foram vítimas, além de milhões de pessoas que se tornaram refugiados, migrando para áreas mais seguras na Europa ou na própria Ucrânia. Instalou-se, assim, uma grave crise humanitária e de refugiados. Os conflitos também ameaçaram o patrimônio cultural e arquitetônico da Ucrânia, já que museus, monumentos e marcos históricos se tornaram alvos.
As implicações também estão atingindo a Europa e o mundo, à medida que os recursos energéticos e os suprimentos de alimentos se tornam mais escassos, prejudicando algumas economias. Ainda assim, os países ocidentais permaneceram unidos em seu apoio à Ucrânia, conforme relatado por agências de notícias internacionais. Apesar das dificuldades econômicas, o apoio internacional foi mobilizado por meio de várias iniciativas na esperança de ajudar os deslocados, proteger o patrimônio cultural e traçar um plano de reconstrução.
O governo da Arábia Saudita revelou o projeto do Mukaab, um arranha-céu em forma de cubo que se tornará o coração do distrito de New Murabba no centro de Riad. O Mukaab tem a ambição de se tornar a maior estrutura construída do mundo, com medidas de 400 metros de altura, largura e comprimento. O edifício estará situado no noroeste de Riad, em uma área de 19 quilômetros quadrados, que se tornará um dos maiores empreendimentos urbanos do mundo. O arranha-céu Mukaab e o distrito de Murabba foram anunciados por Sua Alteza Real, o Príncipe Herdeiro Mohammad bin Salman bin Abdulaziz, que é Primeiro Ministro e Presidente da Nova Companhia de Desenvolvimento de Murabba (NMDC).
A24 e Atomic Monster confirmaram recentemente uma adaptação cinematográfica de The Backrooms, um curta-metragem de terror do Youtube (expandido para uma série) criado pelo diretor de 17 anos e artista de efeitos visuais Kane Parsons.
Com base na lenda urbana homônima, The Backrooms se passa em 1996 em um labirinto aparentemente infinito de espaços de escritório com paredes amarelas e carpetes, banhados com uma iluminação interna fluorescente, lembrando um edifício abandonado. Sua estética corporativa kitsch é reforçada pelo filtro VHS, estilo de gravação de fita o qual permite que Parsons oculte imperfeições (ou evite algum efeito estranho) que um simples cenário 3D criado no Blender e editado no Adobe After Effects poderia apresentar durante o estágio de pós-produção.
Temos menos de sete anos para reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa se quisermos manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, o limite considerado necessário pela ciência para evitar alguns dos impactos mais perigosos das mudanças climáticas. Em 2022, inundações, secas e ondas severas de calor tiraram milhares de vidas e afetaram milhões de pessoas em todo o mundo, oferecendo um vislumbre do que devemos esperar se falharmos na ação climática. Uma vez que as cidades são responsáveis por mais de 60% das emissões globais e abrigam mais da metade da população mundial, mudar a maneira como lidamos com o ambiente urbano precisa estar no centro de nossos esforços para conter a crise do clima.
https://www.archdaily.com.br/pt/997123/5-acoes-pelo-clima-que-cidades-devem-priorizar-a-partir-de-2023Rogier van den Berg e Leo Horn-Phathanothai
Alguns dirão que é o ar fresco, a paz e a silêncio, e outros a proximidade constante da natureza; no entanto, todos concordamos que há algo único no campo. Ao entrar em uma casa de campo, todas essas qualidades podem ser refletidas pela lente do design de interiores contemporâneos, criando um ambiente acolhedor, leve e calmo. Conhecidos por seu lugar em ambientes rurais ou agrícolas e projetados para a vida no campo, as casas tradicionais dos anos 1700 foram inicialmente influenciadas por suas condições geográficas, melhorando o relacionamento com o meio ambiente. Ao conservar abordagens tradicionais, como plantas simples, telhados de duas águas e varandas grandes, a estética do campo passou por transformações para se adaptar aos modos de vida contemporâneos. Ao reutilizar e usar a arquitetura rural tradicional como uma referência direta, analisamos como os projetos atuais seguem suas estratégias de design singulares: materiais nobres, espaços conectados ao entorno e espaços simples e funcionais com detalhes únicos.
Movimento arquitetônico que surgiu na década de 1950, o brutalismo se difundiu nas décadas seguintes em diversos continentes. Nesta conversa, o Arquicast busca conectar, para além dos aspectos da historiografia, o legado dessa forma de produção de espacialidades e de edifícios icônicos.
Com muitas ruas vazias e a Associação Nacional de Serviços de Saúde do Reino Unido levada ao limite, o Heatherwick Studio propôs um novo tipo de espaço de saúde. A iniciativa Health Street se insere no coração das comunidades, reimaginando a forma como enxergamos o bem-estar e a saúde de maneira holística. Esta abordagem de fomento da saúde se baseia na integração de instalações lideradas pela comunidade nas ruas locais.
Formado nos Estados Unidos (Princeton e Cornell), o jovem arquiteto mexicano Isidoro Michan-Guindi estabeleceu seu estúdio na Cidade do México há apenas 4 anos, em 2019. Embora Michan-Guindi seja relativamente desconhecido na cena arquitetônica mexicana, seu estúdio funciona como um complexo laboratório onde coexiste uma infinidade de projetos materializados por meio de protótipos de papelão, maquetes de concreto pigmentado, peças eletrorrobóticas e moldes de alumínio; todos esses elementos se transformam em propostas arquitetônicas inteligentes, que vão de objetos cotidianos, como maçanetas, a edifícios residenciais.
Historicamente lar de vikings, reis e rainhas, Copenhague é uma cidade vibrante que mistura a arquitetura contemporânea com rios, ruas estreitas de paralelepípedos, antigas casas de madeira e castelos antigos. Repletos de história, os seus edifícios possuem um legado histórico que passa pela memória de todos os personagens, épocas e acontecimentos pelos quais a cidade passou. Como manter toda essa história viva? Ao reformar edifícios tradicionais com projetos modernos, Copenhague respeitosamente tira proveito de sua arquitetura histórica enquanto se adapta às tendências atuais.
Tomando um momento para visualizar o ambiente já construído antes de encarar uma tela em branco, a reforma permite que os arquitetos reaproveitem as estruturas existentes para um novo uso, preservando seu caráter e história, e reduzindo o impacto ambiental de novas construções. Através dos casos mais marcantes de reforma de edifícios clássicos da cidade, este artigo analisa três diferentes estratégias de reutilização de edifícios históricos através de um design inovador e sustentável.
Na ilha de Jeju, na Coreia do Sul, o arquiteto espanhol Fernando Menis desenvolverá o projeto para o Museu de Arte Contemporânea dedicado ao legado do artista coreano Park Seo Bo. Inspirando-se tanto em sua obra e coleção introspectiva quanto na natureza vulcânica do terreno onde se insere, o edifício propõe fundir-se com o entorno por meio do uso de materiais locais, sendo em sua maior parte subterrâneo. Luz natural e sombra se combinam, definindo a essência de seus espaços interiores.
Le Corbusier certa vez descreveu a arquitetura como “o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes reunidos sob a luz”. A luz natural – e a sombra que a acompanha – desempenha um papel crucial na formação da nossa percepção da arquitetura, cumprindo uma longa lista de funções que definem como as pessoas que utilizam os espaços vivenciam, se apropriam e interagem com os edifícios. Desde iluminar e acentuar até valorizar as vistas e evocar aconchego, a presença da luz natural tem o poder de definir o tom e a linguagem estética de um ambiente. Ela apresenta, inclusive, um impacto significativo na saúde e no bem-estar humano, o que inclui melhorar o humor e a produtividade, regular o ritmo circadiano e reduzir a fadiga ocular e as dores de cabeça – ela torna as nossas vidas literalmente mais brilhantes.
Hoje conhecemos R. Buckminster Fuller principalmente por sua obra de objetos e ideias icônicos criados ao longo de uma vida de quase 90 anos. Nascido na última década do século XIX, Fuller viveu o suficiente para conviver com Steve Jobs. Ele é descrito de variadas formas: como um "pensador de sistemas", talvez o primeiro "futurista", um visionário, engenheiro, geômetra e arquiteto (ele recebeu a Medalha de Ouro do AIA em 1970). No entanto, "inventor" é provavelmente a descrição mais precisa. A biografia de 2022 escrita pelo historiador e escritor Alec Nevala-Lee, apropriadamente intitulada Inventor of the Future: The Visionary Life of Buckminster Fuller (Dey St. Books), narra uma história detalhada e sutil do homem conhecido pelas cúpulas geodésicas; estruturas espaciais; "Nave Espacial Terra" (Spaceship Earth); o mapa, a casa e o carro Dymaxion; e conceitos como tensegridade, sinergia e "efemeralização" ("fazer tudo com absolutamente nada", como ele definia).
https://www.archdaily.com.br/pt/1138494/a-invencao-mais-complexa-de-bucky-fuller-pode-ter-sido-ele-mesmoMichael J. Crosbie
Ao emular técnicas de fabricação manual, a impressão 3D utiliza modelos digitais para criar objetos tridimensionais personalizados por meio de um processo de fabricação aditiva. Essa ferramenta permite que a arquitetura explore formas, estruturas e materiais inovadores, abrindo novos caminhos para o pensamento criativo. A tecnologia de impressão 3D vem expandindo gradualmente seus limites, integrando-se a outras tecnologias existentes para desenvolver novos usos e tipologias. É o caso do trabalho de Philipp Aduatz, que combinou texturas impressas em 3D com iluminação LED, adicionando um novo elemento de complexidade e viabilizando a criação do primeiro estúdio de cinema impresso em 3D do mundo.
Na Bienal de Arquitetura de 2023, o Pavilhão da Finlândia apresentará a exposição Huussi, Imagining the Future History of Sanitation, que trata da arquitetura da circulação de água e nutrientes, questionando o vaso sanitário com água e suas implicações para o futuro. "Huussi" é a palavra finlandesa para banheiro externo, um pequeno banheiro de compostagem usado pelos finlandeses em ambientes rurais e casas de campo. A exposição, com curadoria de Arja Renell e The Dry Collective, apresenta esta tipologia como ponto de partida para encontrar soluções alternativas à gestão de águas residuais, inspirando os profissionais a começarem a pensar em novas soluções de saneamento. Em seu cerne, a exposição questiona as consequências dos resíduos no contexto da crise climática que o mundo atravessa.
A Austin Transit Partnership selecionou as firmas UNStudio, HKS e Gehl para liderar a arquitetura e o planejamento urbano do Project Connect, uma expansão do sistema de transporte público da cidade texana. O projeto integrará o sistema ferroviário, expandirá as rotas de ônibus e se conectará com uma variedade de serviços por toda a cidade. Em novembro de 2020, os cidadãos de Austin aprovaram o Projeto Connect, levando à criação da entidade independente Austin Transit Partnership, encarregada de implementar o projeto.