Existe uma compreensão subjetiva que nos orienta quando pensamos sobre valores de imóveis. E esse entendimento está basicamente conectado à fórmula como os mercados moldam as cidades. Enquanto uma distribuição espacial dos preços nos sugere valorizar mais as terras dispostas nos centros urbanos, o mesmo modelo econômico faz um contraste e propõe valores menores aos espaços mais afastados.
Historicamente, zonas centrais portuárias foram as responsáveis pelo desenvolvimento de muitas cidades em polos comerciais, que se expandiram também por princípios geográficos e econômicos. Em um modelo urbano padrão, é a partir do centro que as forças de mercado distribuem os preços das terras e suas densidades, que, certamente, consideram os custos de transporte, a renda e a população total.
Para desenvolver materiais que satisfaçam as necessidades do futuro, é importante considerar os desafios do passado e do presente. O concreto, um material de construção amplamente utilizado, mantém sua composição básica desde sua concepção moderna no século XIX, com a invenção do cimento Portland por Joseph Aspdin. O concreto é altamente valorizado por sua resistência e coesão, tornando-se um dos materiais mais utilizados no mundo. Graças às suas características técnicas e estéticas, arquitetos e arquitetas ergueram obras como o edifício da CEPAL e a capela de Palmira, as quais se tornaram marcos da produção arquitetônica atual. Atualmente, porém, tais características já não são o único critério para avaliar o valor de um material, dada a crescente necessidade de criar soluções com foco sustentável. A indústria do concreto, por sua vez, emite uma quantidade significativa de poluentes na atmosfera, representando cerca de 8% das emissões globais de CO₂.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138201/concreto-fotocatalitico-uma-abordagem-sustentavel-para-a-qualidade-do-ar-na-construcaoEnrique Tovar
Em janeiro de 2023, o Copenhagen Architecture Festival realizou um workshop de cinema e arquitetura em parceria com a Universidade Barleti e a Trienal de Arquitetura de Tirana, explorando a inclusividade na capital da Albânia. Nesta entrevista, o professor Saimir Kristo compartilha suas reflexões sobre sua cidade efervescente e o potencial do cinema para narrar seu verdadeiro caráter.
Entroncamentos rodoviários evoluíram de infraestruturas para distribuir o tráfego a marcos que definem e rasgam a paisagem das cidades. Essas intersecções envolvem viadutos, rotatórias e pontes, podendo ter muitos níveis. Elas se torcem, viram e fazem voltas, criando áreas vazias entre as pistas e em seus baixios. Esses espaços podem ser vistos como liminares e de transição, sem um uso específico. Na sua imprecisão, contudo, podem ser transformados em lugares mais amigáveis à escala humana, voltando a fazer parte dos tecidos urbanos.
A urgência das pautas ambientais e do aumento da temperatura do planeta não são novidade. São muitos os fatores que contribuem para o desgaste ambiental corrente, mas existem dois que podem ser tomados como representantes de pontos críticos do sistema de funcionamento do mundo atual: o plástico e o descarte de resíduos — mais conhecidos como lixo.
Não se deve tomar esses dois exemplos como os maiores e nem os únicos fatores problemáticos da crise ambiental, eles serão usados aqui como exemplos para mobilizar questões que envolvem agentes múltiplos, materiais e métodos diversos e que se desdobram em consequências por ora devastadoras, e cada vez mais próximas de irreversíveis.
A icônica Unité d'Habitation, a primeira da nova série de projetos de habitação de Le Corbusier que enfatizava a vida em comunidade para todos os habitantes, foi concluída em 1952. Para o seu 70º aniversário, o fotógrafo Paul Clemence compartilhou conosco uma série de fotos exclusivas do edifício tal como se encontra atualmente.
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Albert Park House / Nicholas Murray Architects. Imagem cortesia de FritsJurgens
O quinto episódio de Opening Up apresenta a Albert Park House, destacando a fusão entre elegância moderna e design atemporal proposta pela Steel Window Design. Esta joia arquitetônica traduz o morar contemporâneo, ao mesmo tempo em que respeita o patrimônio histórico por meio de uma atenção meticulosa aos detalhes.
Neste episódio, o Arquicast conversa com o júri do 9º Prêmio Arquitetura Tomie Ohtake Akzonobel sobre os bastidores dessa importante premiação nacional de arquitetura, os critérios aplicados na seleção dos projetos, além de conhecer um pouco do perfil de cada jurado, que contribuiu para a construção da identidade desta edição do prêmio.
Meta Deep Space Base, um projeto de Osher Frank e Metaverse Architects. Imagem
No último ano, tenho conversado com arquitetos/as e designers envolvidos na criação de ambientes imersivos. O fato de considerarem natural liderar o desenvolvimento desses ambientes serve de lembrete sobre o potencial que esses/as profissionais têm para assumir esse papel.
Embora isso pareça óbvio, a maior parte do meta-espaço tem sido projetada por desenvolvedores/as e designers gráficos. Esse cenário, portanto, deve servir de alerta para que arquitetos/as se envolvam, uma vez que possuem habilidades perfeitamente adequadas para isso.
Resta saber se o metaverso poderá ser utilizado como uma narrativa capaz de transformar o papel de arquitetos/as, mas o ano de 2023 pode marcar o início dessa mudança.
“Você pode me ajudar a projetar minha torre residencial? São 30 andares e está localizada no Brooklyn, em Nova York.” A resposta do ChatGPT pode ser surpreendente. Dado que o robô não tem experiência em arquitetura e certamente não é um arquiteto licenciado, ele foi rápido em listar considerações para o meu edifício. Códigos de zoneamento, funcionalidade da planta, códigos de construção, materialidade, design estrutural, espaços de comodidades e medidas sustentáveis foram apenas alguns dos tópicos sobre os quais o ChatGPT compartilhou informações.
O fundador da SpaceX e fã de ficção científica, Elon Musk, está tentando tornar o sonho das viagens espaciais uma realidade científica. "A fim de salvaguardar a existência da humanidade", explica ele, "precisamos nos tornar uma civilização multiplanetária." Musk diz que está focado em garantir a construção de um segundo lar em outro lugar no espaço, e está de olho em Marte. E ele não está sozinho, claro. O recém-lançado Moon to Mars Architecture Concept Review da NASA é um “estudo das ferramentas e das operações necessárias para missões humanas à Lua e Marte”, que pode levar a descobertas científicas de longo prazo e, finalmente, à ocupação de outros lugares do espaço.
Mas há um longo caminho a ser percorrido antes de chegarmos lá – e não apenas os 60 milhões de quilômetros (distância média até Marte). O maior desafio para a habitação e eventual colonização de Marte é a própria humanidade e nossa indecisão. Muitos de nós questionamos por que deveríamos investir tanto de nossa energia – tanto esforço quanto recursos – em tal tarefa, quando há muitos assuntos mais urgentes para resolver aqui na Terra?
Plantas antigas e compartimentadas, aberturas pequenas, pavimentos inferiores que recebem pouca iluminação. Os desafios para aprimorar a iluminação natural em um apartamento podem ser os mais variados. No entanto, algumas estratégias podem ajudar a maximizar a entrada de luz nos interiores e trazer benefícios como: conforto, sensação de amplitude, bem-estar e economia de energia.
Seguindo as descobertas de um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution em abril, tornou-se conhecimento público que a ilha artificial de lixo plástico conhecida comoGreat Pacific Garbage Patch (uma área de mais de 1,6 milhões de quilômetros quadrados entre a Califórnia e o Havaí) serve como lar de um ecossistema costeiro inteiro. A vida marinha está usando a enorme área aglomerada de resíduos plásticos humanos como habitat flutuante, e os cientistas ficaram chocados com o número de espécies que conseguiram estabelecer vida nesse ambiente hostil.
A notícia mais uma vez traz à tona não apenas questões urgentes de mudanças climáticas e poluição do oceano, mas também a questão da migração induzida pelo meio ambiente, mesmo em nível microbiano. A arquitetura está se movendo cada vez mais para reinos experimentais quando se trata de considerar locais para as comunidades do nosso futuro. O aumento do nível do mar colocou a água ao topo da lista desses locais. Mas essas deliberações não são tão recentes quanto se poderia pensar: cidades flutuantes existem há séculos e casas na água são comuns em áreas do Benin, Peru ou Iraque, entre outros.
Torres, passarelas, decks, cabines e casas de árvores. Desde o ano de 2010, o Festival Hello Wood tem erigido dezenas de construções temporárias, com um denominador comum: a madeira. Trata-se de uma iniciativa que busca democratizar o conhecimento em torno deste material, que apresenta um grande potencial para o futuro, mas que ainda sofre com inúmeros preconceitos na indústria da construção. Através da conexão entre designers e artistas de diferentes origens culturais, acadêmicas e profissionais, o evento utiliza a construção como plataforma para inovação, discussão e conhecimento. Oferece aos participantes a oportunidade única de experimentar métodos de design e construção sustentáveis, incentivando a aprendizagem através da experiência, realizado em uma área florestal próxima a Budapeste, Hungria.
Cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água para atender as necessidades diárias de consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia, de acordo com a Sabesp. Devido à pressão da água em edifícios e apartamentos, o consumo pode ser maior. Além disso, o país perde cerca de 40% de toda a água potável captada, segundo dados levantados pelo Instituto Trata Brasil em 2022. Mas, ao menos dentro de casa, é possível amenizar esse gasto de água limpa inserindo algumas mudanças simples.
Não há poucos deslizes no léxico da arquitetura, e a palavra "arquitetônico" está entre os primeiros da lista. Problemas inevitavelmente surgem quando o adjetivo substitui o substantivo. Isso acontece mais do que se pensa, especialmente nos últimos tempos. Outra questão surge quando, devido em parte a uma pequena falha linguística, a arquitetura é entendida como algo distinto do edifício, abstendo-se da concretude do mundo físico.
Vila Badran. Imagem Cortesia de Rare Books and Special Collections Library American University em Cairo
Enquanto os arquitetos egípcios exercitavam seu entendimento do modernismo no tecido urbano na década de 1970, uma "rebelião" na forma da Vila Badran desafiava as formas padronizadas e a geometria rígida. Gamal Bakry mergulhou profundamente em sua imaginação para construir esta obra única que ainda faz parte da cidade do Cairo. Com fachadas curvas e fluídas, a Vila Badran se inspirou em formas naturais. Na tentativa de criar um espaço mais natural em sua essência, a intervenção consiste em uma composição monolítica que abriga uma casa de dois pavimentos projetada para uma família.
Seja com a paisagem e a natureza do entorno de um terreno, ou com os desejos e necessidades de seus clientes, para o arquiteto paulista Gui Mattos, a elaboração de um projeto arquitetônico é sempre um processo de diálogos e trocas, construído em conjunto a uma série de outros elementos. Formado em 1986 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (FAU Santos), ele lidera, desde 1987, o escritório de arquitetura que leva seu nome e que hoje conta com mais de 40 colaboradores.
Preservar, difundir e criar expressões culturais. Quando visitamos museus, galerias, bibliotecas e distintos centros culturais entendemos outras visões de mundo. É desta forma que ampliamos nossa subjetividade, empatia e ganhamos novos saberes. Em Portugal, um país de história milenar que cruza diversas camadas culturais, da comida às artes, há um constante investimento em equipamentos que ajudam a compartilhar e reforçar seu passado e presente. E, como não poderia ser diferente, a arquitetura é fundamental para tecer estas narrativas.
A Agrupación de Jóvenes Arquitectos de Cataluña (AJAC) do Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC) anunciou os 22 projetos selecionados na 13ª edição dos Prêmios AJAC — um reconhecimento a jovens arquitetos/as com menos de 40 anos.
O escritório Olson Kundig, sediado em Seattle, é um exemplo de como o contexto e a cultura podem influenciar a abordagem projetual de uma empresa. Fundado em 1966 por Jim Olson e agora composto por centenas de colaboradores e treze diretores/proprietários, incluindo Tom Kundig, o escritório conta com um portfólio extenso e diversificado que abrange diferentes escalas e orçamentos. Em palestras e entrevistas, Kundig em particular, frequentemente aborda sobre como ter crescido em uma região de forte tradição mineradora e madeireira influenciou a estética industrial e racional de seus projetos, o uso de materiais duráveis e de baixa manutenção, bem como uma atenção especial à artesania na arquitetura. Em muitos dos projetos do escritório, no entanto, chama a atenção a engenhosidade e o destaque dado às partes móveis, embaçando os limites entre dentro e fora. Isso é geralmente alcançado através da incorporação de dispositivos manuais que permitem que os usuários ativem diretamente o edifício, conectando-os ao mesmo tempo ao contexto, mas também com a própria edificação e os mecanismos dinâmicos ali presentes.
Concursos de arquitetura desempenham um papel crucial no desenvolvimento da profissão e na melhoria da qualidade do ambiente construído. São também uma oportunidade para que arquitetos e arquitetas demonstrem sua criatividade e experimentem soluções arquitetônicas inovadoras ou inesperadas, seja para contextos reais ou imaginários. A seleção curada desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca diferentes propostas vencedoras de concursos enviadas pela comunidade do ArchDaily.
De um spa e centro de bem-estar perfeitamente integrado à paisagem montanhosa da Áustria a um centro urbano revitalizado que cria oportunidades de interação social em um dos maiores calçadões de pedestres da Bulgária, esta seleção abrange diversos programas, escalas e abordagens em relação ao ambiente construído ou natural. Os projetos selecionados representam explorações de diferentes soluções de design, materiais e métodos construtivos. Revelam também a amplitude de respostas possíveis estimuladas pelas condições específicas de cada local, seja na paisagem vulcânica da Islândia, nas colinas pitorescas da região de Kerala, na Índia, ou na movimentada praça central de uma das maiores cidades de Israel.
No País dos Arquitectosé um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Maquete arquitetônica do novo KNMA New Delhi. Cortesia da imagem de Adjaye Associates e KNMA
O Museu de Arte Kiran Nadar (KNMA) divulgou uma maquete de seu novo edifício durante abertura da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia. O anúncio fez parte dos Projetos Especiais da Curadoria apresentados no Arsenale - Artiglierie em Veneza. O edifício, localizado em Delhi e projetado pelo arquiteto ganês-britânico Sir David Adjaye em colaboração com a S. Ghosh & Associates, deverá se tornar o maior centro cultural da Índia quando for inaugurado em 2026.