Uma maquete de Corbusier é a única imagem que me traz à mente a ideia de um suicídio imediato. - Ivan Chtcheglov
Apesar de suas brincadeiras, os situacionistas podem estar certos, afinal. A angústia dos estudantes de arquitetura pode não ser resultado de um trabalho excessivo no estúdio, mas sim da repetição infinita dos ideais modernistas que continuam a ser ensinados. Em seu manifesto Vers une Architecture (Por uma arquitetura), Le Corbusier defende a adoção da arquitetura moderna como a solução para as crises globais do século XX, de uma forma que agora parece bastante limitadora.
O Museu de Artes Aplicadas / Arte Contemporânea (MAK) de Viena, na Áustria, apresentou recentemente o trabalho da agência criativa nova-iorquina Sagmeister & Walsh — uma investigação sobre o que torna as coisas belas tão fascinantes.
Sob o tema “Beleza”, a exposição aborda a estética como uma função autônoma, que por si só constitui a razão de ser da arquitetura — ou seja, a forma também é uma função. Em colaboração com o canal do YouTube e estúdio de animação Kurzgesagt (In A Nutshell), este vídeo lançado paralelamente à mostra explica por que as coisas belas nos trazem felicidade.
Mundo Verde no Cook Campus / Studio Twenty Seven Architecture
Nos círculos de design, costuma surgir o equívoco de que a beleza arquitetônica e o desempenho ambiental baseado em evidências são mutuamente exclusivos. Para combater essa ideia, o American Institute of Architects (AIA) Committee on the Environment (COTE) está lançando uma nova ferramenta para auxiliar escritórios de arquitetura a projetarem edifícios de alto desempenho e eficiência energética.
Apesar do posicionamento do governo federal sobre questões ambientais cruciais, o AIA defende a responsabilidade de arquitetos/as em mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Ciente de que a indústria da construção civil consome quase 40% do fornecimento de energia em todo o país, o AIA COTE® Top Ten Toolkit apresenta uma série de estratégias para promover a sustentabilidade sem comprometer o design.
Seja como um objeto isolado ou parte de um conjunto de edifícios, arranha-céus são ícones excêntricos que habitam os principais centros urbanos do planeta. Uma metáfora da modernidade, do sucesso e da riqueza, arranha-céus são sinônimos da arquitetura das mais vibrantes cidades do mundo como Nova Iorque, Dubai e Singapura.
Cada vez mais altas e onipresentes nos quatro cantos do mundo, ainda há muito para se descobrir e explorar sobre estas estruturas. O ano de 2018 nos apresentou novas abordagens, tecnologias e localizações para a tipologia arquitetônica mais celebrada dos tempos modernos. Passando por novos materiais e formas, os projetos de edifícios em altura começaram a abordar aspectos que vão muito além da simples eficiência e altura, propondo superar novos desafios e explorando novas formas. A seguir apresentaremos alguns dos projetos mais inovadores e as principais tendências em projetos de arranha-céus apresentados ao longo deste ano:
Em um artigo recente no New York Times, a escritora Allison Arieff propõe a recorrente pergunta que a comunidade da arquitetura insiste em se fazer: "Onde estão todas as arquitetas?". Não se tratando mais de uma disparidade de gênero na formação acadêmica, a persistência de um número reduzido de mulheres em cargos de liderança e direção em escritórios simplesmente não condiz com a realidade. Ela argumenta que, talvez ainda mais importante do que as estatísticas, o real problema resida na própria definição de sucesso.
Projetada para "desabrochar" ao lado do icônico edifício Gherkin, a Tulip Tower, do escritório Foster + Partners, vem buscando integrar-se ao horizonte de Londres desde que a proposta foi apresentada, no início de novembro. No entanto, a construção da torre de cerca de 300 metros de altura foi suspensa até que as autoridades possam avaliar seu impacto nos sistemas de radar de aeronaves no Aeroporto London City, situado a cerca de dez quilômetros de distância. Com gôndolas móveis em formato de esferas de vidro de três metros de largura, destinadas a passeios turísticos em uma trajetória elíptica ao redor da estrutura, a plataforma de observação proposta é considerada potencialmente bastante problemática.
O vídeo mais recente do Louisiana Channel apresenta uma entrevista com o/a arquiteto/a norueguês/a Reiulf Ramstad, gravada durante a exposição “Reiulf Ramstad Arkitekter — O mundo de um/a arquiteto/a”, no Centro de Exposições Utzon na cidade de Molde. Trata-se de uma mostra que cruza as disciplinas de arquitetura, paisagismo e design, apresentando desde grandes obras públicas realizadas pelo escritório até projetos de menor escala inseridos entre edifícios comerciais e de lazer ao longo de rotas turísticas.
Uma rejeição à funcionalidade fria e monótona dos arranha-céus de vidro de Midtown, o edifício da AT&T foi concebido para incentivar uma abordagem mais lúdica da arquitetura no mundo corporativo — como meias divertidas sob um terno de três peças. O projeto, no entanto, não esteve isento de controvérsias. Logo após a sua conclusão, o edifício foi criticado por seu frontão decorativo e desproporcional, além de seus espaços internos por vezes escuros. De fato, as entradas em arco do edifício estiveram entre os únicos elementos arquitetônicos a receber elogios tanto da crítica quanto do público.
Com sua ornamentação intrincada e abóbadas de nervuras complexas, a arquitetura gótica introduziu uma esbeltez e exuberância inéditas na Europa medieval. Caracterizadas por arcos ogivais, arcobotantes e altas agulhas, as estruturas góticas eram facilmente identificáveis ao alcançarem novas alturas antes inacessíveis, criando atmosferas internas enigmáticas.
Vários séculos depois, o apreço pela arquitetura da era vitoriana renasceu nos Estados Unidos com o movimento Neogótico, representado de forma mais célebre pela Tribune Tower de Chicago. Uma série de renderizações em computação gráfica (CG) realizadas pela Angie's List reinterpreta algumas das obras icônicas da arquitetura estadunidense do século XX para espelhar edifícios da Idade Média. Confira a seguir o conteúdo republicado da Angie's List, acompanhado das descrições informativas de cada edifício.
Em comemoração ao Dia Mundial do Banheiro, que foi celebrado no último dia 19 de novembro, a SPARK Architects lançou um protótipo impresso em 3D e apelidado de "Big Arse Toilet". O slogan criado pelo controverso escritório de arquitetura é "Sparks gives a sh*t". Embora a ideia seja hilária e chamativa, o projeto aborda questões muito sérias sobre a higiene e o saneamento básico como parte desta iniciativa criada pela ONU. A Organização das Nações Unidas está levantando esta bandeira com a intenção de eliminar o depósito de fezes à céu aberto no mundo até o ano de 2025. O preocupante ciclo de desnutrição, doenças e pobreza no mundo é decorrente em grande parte pela ampla falta de saneamento básico, a principal causa em quase um terço das mortes em contextos de baixa renda em um grande número de países, como a Índia por exemplo.
O módulo criado pela SPARK é leve e muito fácil de ser transportado, convertendo o lixo humano em biogás e então em eletricidade através de uma unidade CHP. Produzindo energia "limpa", a proposta dos arquitetos serve para combater a falta de saneamento básico em locais remotos, utilizando os abundantes resíduos naturais aonde há baixa acessibilidade à eletricidade.
No vídeo mais recente do Louisiana Channel, uma entrevista com o arquiteto norueguês Reiulf Ramstad é realizada na cidade de Molde, como parte da exposição do Utzon Center "No Mundo de um Arquiteto – Reiulf Ramstad Architects". Com uma atuação interdisciplinar que une arquitetura, paisagismo e design, o escritório desenvolveu desde obras públicas de grande escala até projetos menores ao longo de rotas turísticas, além de edifícios comerciais e recreativos.
Uma exposição recente no MAK Viena – Museu Austríaco de Artes Aplicadas / Arte Contemporânea, apresenta as obras de Sagmeister & Walsh, um escritório de design sediado em Nova York que investiga o que torna a beleza tão atraente.
Intitulada "Beauty", a exposição explora a noção de que a beleza opera como uma função independente e que, por si só, pode ser o propósito primordial da arquitetura: a forma é uma função. Em colaboração com o canal do YouTube e estúdio de design Kurzgesagt (In A Nutshell), este vídeo, lançado em conjunto com a exposição, explica por que coisas belas nos deixam felizes.
Centro de Artes Performativas Ronald O. Perelman no World Trade Center / REX. Imagem Cortesia de REX
O escritório de arquitetura REX, com sede em Nova York, projetou o novo centro de artes performáticas para o campus da Brown University em Providence, Rhode Island, EUA. Conhecida por seu portfólio de projetos culturais e comerciais - notadamente e recentemente incluindo o Centro de Artes Performativas Ronald O. Perelman no World Trade Center - a empresa tem como objetivo projetual acomodar performances e eventos enquanto cria um centro para interações sociais diárias no campus dentro dos seus 7500 metros quadrados. O prédio se tornará um espaço central de multimídia e artes cênicas para estudantes, professores e visitantes.
De masterplans a design de produto, o escritório Zaha Hadid Architects vem explorando o formalismo na arquitetura a partir de métodos inovadores de projeto há mais de 40 anos. Em 2006, uma colaboração dos arquitetos com designers de mobiliário levou a criação do Zaha Hadid Design, grupo que serviu tanto como um processo iterativo como resultante de um projeto arquitetônico contínuo.
Uma exposição pop-up, localizada no térreo do premiado edifício de ZHA no High Line de Nova Iorque, tem como objeto de exposição maquetes em escala do próprio edifício. Para honrar e apresentar o trabalho do escritório nas últimas quatro décadas, a Zaha Hadid Gallery expõe uma série de projetos em uma ampla gama de mídias, incluindo os Silver Models, que representam oito dos principais trabalhos da empresa.
Com sua orla histórica, mas deteriorada, San Francisco decidiu restaurar a linha de costa que pode influenciar profundamente o futuro ambiental e econômico da cidade. A autoridade portuária, hesitando entre uma reconstrução fragmentada, feita píer por píer, e uma intervenção única e abrangente na orla, convidou escritórios de arquitetura e paisagismo a apresentarem propostas de redesenho para a área.
O escritório global de design HASSELL, conhecido por seus projetos recreativos inovadores, idealizou uma abordagem para preservar a importante história e cultura do píer, ao mesmo tempo em que cria um corredor verde sustentável de maneira lúdica. Para ativar o Embarcadero como uma "via verde interconectada", o escritório planeja desenvolver as áreas ecológicas ao longo da orla, além de melhorar a acessibilidade entre o espaço de lazer e os terminais de transporte no entorno.
Induzindo uma experiência física surreal por meio de intervenções mínimas, edifícios com painéis de concreto aparente e volumes geométricos simples remetem instintivamente à obra do arquiteto japonês Tadao Ando. Em uma exposição em cartaz no Centre Pompidou, são apresentadas fotografias da sede da Fabrica, o primeiro projeto encomendado a Ando na Europa, em 1992. Localizado próximo à cidade de Treviso, o edifício consiste em uma antiga villa restaurada para se tornar um dinâmico centro de pesquisa criativa.
A Villa Pastega Manera, implantada em uma área de 51.000 metros quadrados, passou por um rigoroso estudo de técnicas construtivas tradicionais e amostragem de materiais antes do início do projeto de reforma. As fotografias destacam a integração harmoniosa entre a estrutura histórica e as intervenções fluidas.
O Instituto Real de Arquitetos Britânicos (RIBA) divulgou os sete selecionados para as Bolsas Internacionais 2019 no dia 1° de novembro. Uma honra que permite aos destinatários usar as inicias Int FRIBA depois do seu nome, que reconhece as contribuições que arquitetos de todo o mundo fizeram para esta profissão. Anteriormente outorgada a arquitetos como Jeanne Gang e Phillip Cox, a bolsa anual enfatiza não somente o impacto do trabalho dos arquitetos em seus respectivos países, mas também sua influência global.
O comitê do juri, composto por Ben Derbyshire, presidente do RIBA; Lady Patty Hopkins, medalha de ouro do RIBA em 1994; Bob Shiel, professor da Bartlett School of Architecture; Wasfi Kani, membro honorário de 2018; e Pat Woodward, de Matthew Lloyd Architects, foi o encarregado de selecionar os bolsistas 2019. As bolsas iniciarão em Londres em fevereiro de 2019.
Com o aumento do nível do mar e o consumo incessante de plástico, os oceanos têm sofrido uma rápida deterioração. Em vez de descartar ou queimar os resíduos plásticos, os arquitetos Erik Goksøyr e Emily-Claire Goksøyr questionaram se existe algum potencial arquitetônico neste material negligenciado. Ao conduzir um extenso estudo do material, a dupla projetou três protótipos para postular essa teoria.
Embora começando como uma humilde tese, este projeto está sendo atualizado sob a organização Out of Ocean. Das margens das Ilhas Koster, na Suécia, amostras de plástico foram coletadas e estudadas para o desenvolvimento de vários materiais que variam em nuances como cor, textura, luz e translucidez.