Thomas Schielke

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Drama Contemplativo: Como Gaudí Moldou a Luz e a Cor na Sagrada Família

É uma tarde de verão, e a nave da Sagrada Família está saturada de cores quentes. Feixes de âmbar e carmesim varrem o piso de pedra, mudam de posição conforme uma nuvem passa sobre Barcelona e, em seguida, ganham intensidade novamente. Ao seu redor, os/as visitantes desaceleram o passo sem perceber. Alguns elevam seus celulares — não para registrar a arquitetura, mas para entrar na própria luz, posicionando-se sob uma projeção laranja ou dourada como se as cores fossem algo que pudessem vestir.

Estão, sem saber, fazendo exatamente o que Gaudí pretendia: entregando-se, ainda que por um breve instante, à sensação de serem banhados por algo maior do que si.

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Arquitetura e luz entre documentação e emoção: em conversa com o fotógrafo Thomas Mayer

Há mais de cinco décadas, o fotógrafo suíço Thomas Mayer vem desenvolvendo uma linguagem serena, emocional e documental para a arquitetura. Sua lente captura momentos aleatórios e memoráveis do nosso ambiente construído — reflexos na chuva, longas horas azuis nos verões nórdicos e a escuridão silenciosa dos espaços sagrados. Reconhecido pelo ArchDaily como um dos principais nomes da fotografia de arquitetura, Mayer carrega um profundo fascínio pela luz e pelo espaço.

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Arte, Ativismo e a Cidade: Iluminando a Mudança Social

A fusão criativa entre arte e ativismo nos espaços urbanos impulsionou o coletivo britânico Led by Donkeys ao centro das atenções, acumulando milhões de visualizações com suas intervenções nas redes sociais. Suas ocupações visuais críticas — sejam mensagens em outdoors durante o dia ou projeções em grande escala à noite — levantam uma questão instigante: qual meio possui maior poder de persuasão? O livro "Led by Donkeys: Adventures in Art, Activism and Accountability" oferece um mergulho profundo em sua abordagem conceitual, mapeando sua rápida evolução ao longo de seis anos. O que começou como uma reação londrina ao Brexit expandiu-se para uma crítica global à hipocrisia política, abordando questões na Europa, no Oriente Médio e nas Américas. Para Peter Weibel, ex-diretor do ZKM Center for Art and Media em Karlsruhe, Alemanha, a fusão inovadora entre ativismo e arte — ou "Artivismo" — representa a primeira nova forma de arte do século XXI. Anos de experiência no ativismo ambiental proporcionaram ao grupo percepções cruciais sobre as engrenagens da comunicação política, a organização de intervenções públicas e os desafios para alcançar mudanças sociais significativas.

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A luz como participante ativa no espaço: a abordagem minimalista de Robert Wilson para a iluminação cênica

Robert Wilson encarna as funções de direção, cenografia, design de iluminação e arquitetura em uma única figura. Internacionalmente aclamado como pioneiro da iluminação cênica e agraciado com inúmeros prêmios de prestígio, incluindo o Leão de Ouro da Bienal de Veneza e o Praemium Imperiale, Wilson, atualmente com mais de oitenta anos, continua a viajar pelo mundo encenando produções extraordinárias. Seu uso da luz e da cor é marcado pela precisão e pelo minimalismo, criando cenas que oscilam habilmente entre a quietude e o drama. Durante os ensaios no Düsseldorf Schauspielhaus, ele detalha a relação entre palco e arquitetura, seu processo criativo e o profundo impacto da luz sobre a escuridão.

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Storytelling para interiores: de murais e papéis de parede a telas digitais

As paredes há muito tempo deixaram de ser meros elementos estruturais; elas são telas que narram histórias, refletindo desejos de natureza, espiritualidade ou a busca por tranquilidade e estímulo. Com os avanços nos pixels de LED endereçáveis, as paredes evoluíram para superfícies digitais imersivas, capazes de exibir qualquer imagem em grande formato, adaptando-se às necessidades do momento.

No entanto, enquanto as universidades continuam a formar arquitetos/as e designers de interiores para criar edifícios estáticos, a arte de contar histórias significativas por meio de telas digitais — especialmente as dinâmicas — permanece em grande parte inexplorada nos currículos acadêmicos.

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A ascensão dos prefeitos noturnos: gerenciando economia, cultura, segurança e mudanças climáticas após o anoitecer

Ao longo dos anos, a paisagem noturna das cidades tem passado por uma transformação significativa, marcada pelo surgimento de mais de 80 prefeitos/as noturnos/as globalmente — uma tendência em ascensão desde o início dos anos 2000. Andreina Seijas, atualmente associada na Gehl, analisou essas dinâmicas de mudança na governança noturna em suas pesquisas e durante seu doutorado na Harvard GSD. Na entrevista, Seijas fala sobre esse desenvolvimento, os desafios e as oportunidades relacionados aos/às prefeitos/as noturnos/as, as diferenças globais e o papel das mudanças climáticas. A infância de Seijas em Caracas, Venezuela, onde as preocupações com a segurança impunham toques de recolher rigorosos, despertou sua paixão pela criação de ambientes urbanos mais seguros e inclusivos, especialmente para os jovens. Sua busca por um futuro melhor para a noite urbana explora o potencial de as cidades se tornarem mais seguras, inclusivas e produtivas ao criar espaços de trabalho e lazer após o anoitecer.

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Chromasonic: Um renascimento imersivo do Movimento Minimalista de Luz e Espaço da Califórnia

Entre no reino onde o minimalismo do movimento Light and Space dos anos 1960 se entrelaça com algoritmos e sensores contemporâneos de alta tecnologia. Naquela época, artistas da luz como James Turrell, Dan Flavin e Robert Irwin cativavam o público com o essencial, utilizando precisamente a luz do dia ou lâmpadas para aguçar a percepção visual. Avançando para o presente, o Chromasonic adota essa sinergia de luz e cor, mas a amplia com som e algoritmos. Concebida como uma rede global para vivenciar a harmonia entre corpo e mente, a equipe de Johannes Girardoni inaugurou o primeiro satélite de percepção no coração de Venice Beach, Califórnia. Por meio de uma colaboração com o Google, a Milan Design Week demonstrou como a interação de luz e cor pode viajar em turnê como uma instalação imersiva em grande escala.

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Mulheres artistas exploram a interseção entre luz, espaço, tecnologia e comunidade

A luz desempenha um papel essencial no mundo do design de interiores, mas também pode criar espaços públicos imersivos. Enquanto James Turrell, Olafur Eliasson e Dan Flavin são celebrados por sua maestria na transformação de cores, reflexos e contrastes luminosos, é importante notar que o campo da iluminação artística não é exclusivamente dominado por homens. Em resposta à falta de representação de artistas femininas na área da luz, uma perspectiva inovadora e esclarecedora surge dos designers de iluminação britânicos Sharon Stammers e Martin Lupton, do Light Collective.

Após a criação da plataforma "Women in Lighting", o livro delas intitulado Women Light Artists dá um passo audacioso ao nos apresentar 40 mulheres criativas cujo trabalho irradia engenhosidade e brilho. O livro oferece uma variedade de projetos fascinantes, que vão desde piscinas interativas até a dança das sombras coloridas da luz do dia sobre uma ponte em Londres, da projeção tranquila em um marco icônico de Berlim até o arco-íris vibrante que se curva sobre o horizonte de Manhattan. Cada obra incorpora um diálogo único entre luz e espaço. Essa jornada luminosa presta uma valiosa homenagem ao poder das mulheres artistas que, por muito tempo, ficaram nas sombras.

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Cidades se iluminam em solidariedade à Ucrânia

No campo da arquitetura de mídia e seu papel no apoio às lutas por justiça social, a recente Media Architecture Biennale 2023 (MAB23) em Toronto, no Canadá, lançou luz sobre um aspecto fascinante: a rápida e ampla propagação da iluminação de solidariedade em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. As iluminações sincronizadas, repletas de ativismo e projetos de arte globais, tornaram-se um poderoso símbolo de apoio mundial à Ucrânia em seu momento de crise. Duas enfáticas lideranças políticas femininas na Europa deram início à mensagem luminosa de solidariedade. Surpreendentemente, a iluminação com as cores azul e amarela da bandeira ucraniana em edifícios emblemáticos ao redor do mundo definiu uma imagem de solidariedade na imprensa de forma ainda mais rápida do que as grandes multidões em protestos pacifistas no fim de semana seguinte ao início da guerra.

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Sombras da luz solar para movimentos lentos, mas coloridos, na fachada com Pierre Brault

Quando elementos transparentes de fachada se transformam deliberadamente a partir do curso do sol, podemos explorar um fascinante movimento lento em forte contraste com a agitação da vida urbana ao nível da rua. O designer francês Pierre Brault, em particular, responde ao ritmo acelerado de nossa sociedade com instalações de fachada que combinam o princípio do relógio de sol com um design pop colorido. Suas obras tridimensionais, feitas de acrílico colorido reciclado, hipnotizam por meio de movimentos simples, porém dramáticos, de sombras coloridas. Na entrevista, Brault explica sua inspiração, sua abordagem experimental e seu interesse em trabalhar de forma responsável com os materiais.

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Os 77 melhores livros de design de iluminação

A luz é um elemento essencial para perceber a arquitetura e para habitar e trabalhar em edifícios. Por isso, profissionais de arquitetura, designers de iluminação, docentes e pesquisadores/as têm escrito livros inspiradores sobre o tema. Essas pessoas compartilharam suas valiosas teorias e transformaram suas experiências em diretrizes para aprimorar o projeto de iluminação natural e a arte da iluminação. 

Esta seleção oferece uma valiosa fonte com os melhores livros de design de iluminação para estudantes, profissionais e acadêmicos/as. A lista está agrupada por categorias: iluminação natural, iluminação, iluminação urbana, fachadas de mídia, iluminação paisagística, coleções de luz, cultura, monografias, história, iluminação cênica e arte da luz. Em cada seção, os volumes aparecem em ordem alfabética, com as publicações recentes no início, seguidas pelas clássicas. Descubra obras fascinantes que vão iluminar sua percepção e compreensão da luz e do espaço.

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A complexa cultura do nascer da noite em Jabal ‘Amil, Líbano

Enquanto agricultores regam plantações sob a luz do luar, crianças sem documentos vão à escola e moradores locais vasculham o céu em busca de aviões de vigilância — estes são vislumbres de uma cultura complexa que emerge no sul do Líbano depois do anoitecer. Ao reunir algumas dessas práticas noturnas, Mohamad Nahleh — docente de arquitetura e urbanismo no MIT — viajou pelas paisagens de Jabal ‘Amil na esperança de construir uma nova aliança entre a arquitetura e a noite. Sua pesquisa "Path of Nightrise" transformou-se em uma construção física para reabilitar um caminho fluvial esquecido e foi publicada pelo Places Journal. A entrevista com Nahleh defende uma nova imaginação noturna no design e revela não apenas como a noite mudou no Líbano ao longo do tempo, mas também como ele mudou junto com ela.

O simbolismo por trás de apagar as luzes de monumentos históricos à noite

Quando capitais como Paris e Berlim decidiram apagar a iluminação de edifícios públicos e monumentos para economizar energia no contexto da invasão russa da Ucrânia, em julho de 2022, cidades de toda Europa central passaram a seguir esse modelo. Imagens desses marcos icônicos na escuridão inundaram a mídia e permitiram aos políticos uma atitude ambientalista, mesmo que momentânea. No entanto, projetistas e designers começaram a questionar a sustentabilidade dessa iniciativa. De uma perspectiva mais ampla, parece que essa suposta ação radical fez parte de uma campanha bastante midiática e com pouco efeito nas cidades. Serão necessários mais passos para que isso gere um grande impacto na economia de energia.

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Como enquadrar o amanhecer nas catedrais da Inglaterra

Usar apenas a luz natural para documentar catedrais inglesas pode se tornar um grande desafio logístico e técnico. No entanto, o trabalho fotográfico de Peter Marlow resultou em uma série notável de registros de templos espirituais icônicos, cuja atmosfera contemplativa raramente está acessível a outras pessoas. Direcionar a câmera para o leste, em direção à nave, enquanto a luz do amanhecer atravessa a janela principal, abre uma perspectiva purista e mística que remete à época em que essas estruturas sagradas foram erguidas. 

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Solar Decathlon Europe: iluminação sustentável combina engenharia e design

O lema do Solar Decathlon Europe 21/22 era converter e expandir em vez de demolir e reconstruir. A reciclagem de janelas, o uso de materiais biodegradáveis nas luminárias e a conexão da luz com sensores são apenas alguns exemplos inovadores da competição internacional de estudantes universitários em Wuppertal, na Alemanha. Pela primeira vez, o concurso apresentou um prémio de iluminação arquitetónica sustentável. Esta era uma questão de qualidade e de quantidade, e se aplica à luz do dia e à luz artificial.

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Projetando com a escuridão: por que precisamos de menos luz na arquitetura

Projetando com a escuridão: por que precisamos de menos luz na arquitetura  - Imagem de Destaque
Train station, Lisbon / Portugal . Image © Nina Papiorek Photography

Com prédios envidraçados de todos os lados e salas brilhantemente iluminadas de maneira monótona, não é supresa que queiramos espaços internos e externos que sejam menos claros.  Refúgios de sombra no sol escaldante, salas escurecidas e contrastes são bem recebidos pelos olhos como um oásis. O alto consumo de energia e o aumento da poluição por iluminação no mundo todo mostram o quão sério o problema do excesso de luz é, e sua contribuição alarmante para as mudanças climáticas. Para um futuro melhor, é imperativo explorar maneiras de projetar e focar no potencial da escuridão. 

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Paisagem midiática: como a cultura e a política estão moldando as fachadas de edifícios na China

Fora da China, as fachadas midiáticas geralmente aparecem como elementos individuais competindo por atenção. Na China, entretanto, é possível encontrar grandes grupos de fachadas com uma mensagem comum em várias áreas metropolitanas. Essas fachadas mesclam visualmente muitos arranha-céus em uma única entidade panorâmica. Mas quais são as razões pelas quais esse fenômeno é exclusivo da China? E como isso começou? A Media Architecture Biennale uniu cultura e política para fornecer uma resposta ao surgimento das paisagens midiáticas na China.

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A paisagem digital da China: como a cultura molda projeções arquitetônicas interconectadas?

Fora da China, as projeções arquitetônicas costumam se comportar como individualistas orgulhosas, competindo pela atenção da noite. Na China, no entanto, é comum encontrar em diversas áreas metropolitanas conjuntos de projeções de fachadas que transmitem uma mensagem unificada. Essas projeções integram visualmente múltiplos arranha-céus em uma entidade panorâmica única. Mas por que esse fenômeno ocorre especificamente na China? E como ele começou? A Bienal de Arquitetura de Mídia conecta política e cultura para oferecer respostas sobre a emergência dessa paisagem digital chinesa.

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