A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
Os sítios de patrimônio constituem arquivos espaciais complexos nos quais a arquitetura, a história e a memória coletiva convergem. Eles abrangem um amplo espectro de contextos—de vestígios arqueológicos, paisagens urbanas antigas e históricas e paisagens tombadas pela UNESCO a estruturas cívicas do início da era moderna e infraestruturas industriais. Contudo, esses ambientes enfrentam desafios: as mudanças climáticas, a transformação urbana, desastres, as novas demandas sociais e a erosão gradual do tecido material. Projetos de revitalização e restauração respondem a essas condições ao posicionar a prática arquitetônica e espacial como uma mediadora ativa entre a preservação e as topologias contemporâneas.
Diante do crescente reconhecimento da responsabilidade da arquitetura em relação às ecologias ambiental e planetária, a prática contemporânea se orienta cada vez mais para o trabalho com o que já existe—suas condições materiais, espaciais e históricas. Nesse cenário de mudança, a estética da arquitetura e do design concentra-se, progressivamente, na reformulação de ambientes herdados. Essa abordagem fundamenta o trabalho do SSdH, um escritório de arquitetura sediado em Melbourne, fundado em 2020 por Todd de Hoog, Harrison Smart e Jean-Marie Spencer. Atuando em diversas escalas de reforma, ampliação e inserção adaptativa, o estúdio dialoga constantemente com as edificações existentes, tratando-as como agentes ativos. Vencedor do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório australiano prioriza a responsabilidade ambiental, a economia de materiais e processos colaborativos fundamentados nas condições específicas de cada local.
Em um momento de emergência ecológica, a arquitetura não pode ser separada dos sistemas extrativos dos quais depende. À medida que a tecnosfera se expande, interligando fluxos de materiais, consumo de energia e infraestruturas digitais, o design torna-se cada vez mais emaranhado nesses processos. Como a prática do design pode intervir em sistemas antropocêntricos e transformar o processo e a estética da arquitetura por meio da investigação da inteligência dos materiais? De forma mais ampla, como a arquitetura se engaja com a agência e a inteligência de entidades não humanas para reequilibrar o ônus ambiental?
O que os materiais leves trazem para o espaço público sob um princípio de design ético, ecológico e não extrativo? Diversas texturas têxteis oferecem um ponto de partida, aproximando-se mais do corpo do que os materiais estruturais convencionais e pesados. Por meio de sua flexibilidade e responsividade, o têxtil viabiliza uma forma de fechamento suave em vez de um limite rígido no espaço arquitetônico. Ao responder a estímulos ambientais mínimos, o tecido introduz movimentos contínuos no espaço. Quando sobreposto ou montado, gera gradações de densidade, profundidade e fechamento, ao mesmo tempo em que tecnologias inovadoras de fabricação ampliam as possibilidades de sua forma e durabilidade estrutural.
Os materiais semitransparentes atuam também como mediadores da permeabilidade visual e da experiência corporal do espaço. Ao transmitir e filtrar a luz, eles diluem os limites claros entre interior e exterior, sólido e vazio, criando limiares que não são totalmente abertos nem totalmente fechados, mas que se mantêm em constante negociação. Reinterpretar a estrutura no espaço urbano a partir da leveza, da translucidez e da suavidade abre caminho para modos alternativos de percepção espacial e engajamento corporal.
Em um cenário social e ambiental em constante mutação, como o projeto de arquitetura pode responder às transformações e, ao mesmo tempo, dialogar de forma significativa com aquilo que permanece? O 1110 Office for Architecture, sediado em Osaka, no Japão, aborda essa questão por meio de um conjunto de obras definido por reformas residenciais minuciosas e intervenções espaciais precisas.
Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório desponta como uma voz emergente na redefinição do papel da arquitetura em contextos de mudança.
Estrutura da Casa. Imagem cortesia de IGArchitects
Fundado em 2020 por Masato Igarashi, o IGArchitects é um escritório de arquitetura com sede em Tóquio e Saitama, no Japão. O estúdio, um dos vencedores do Next Practices Awards 2025 do ArchDaily, explora uma arquitetura perene por meio de um tratamento cuidadoso, porém assertivo, da estrutura, da escala e da materialidade. Antes de estabelecer seu próprio escritório, Igarashi trabalhou na empresa de grande porte Shimizu Sekkei, bem como no Suppose Design Office, adquirindo experiência em projetos que variam de grandes empreendimentos a obras menores e conceituais. Essa amplitude de experiência continua a informar o foco atual do IGArchitects na arquitetura residencial e comercial em todo o Japão.